29 de março de 2007

Semana de Porto Alegre - parte 4





O post de hoje vem do Blog do Kayser, do dia 2 de novembro, dia de Finados. A metáfora dos "buracos" da cidade é bem apropriada, ainda que acredite que ele não tenha postado com esta intenção.
Nos Buracos da Cidade
Embora nascido em Porto Alegre, em 22 de outubro de 1970, imagino que lá pelo dia 24 ou 25 saí do Hospital Moinhos de Vento para a cidade vizinha de Canoas, onde vivi até 2002. Assim, como canoense, minha visão de Porto Alegre era a de quem chegava ao centro da capital de ônibus e, a partir dos anos 80, de Trensurb. E não era uma visão agradável. Porto Alegre, para mim, era aquela bagunça do entorno do Mercado Público: sujeira, água de peixarias escorrendo pelas calçadas, ônibus e pedestres se entreverando na praça XV. Um caos, enfim.
Em 1988, iniciei meu curso de graduação na Faculdade de Agronomia, na UFRGS. Isso, evidentemente, ampliou minha visão de Porto Alegre. Para pior. Porto Alegre tornou-se ainda mais desagradável. Para ir até a Agronomia, ônibus velhos me levavam por uma Avenida Bento Gonçalves com um estranho “canteiro central” de chão batido, com direito a uma baldeação em um terminal ainda mais estranho. Alternativamente, poderia pegar um ônibus arredondado da Carris, provavelmente da década de 1960, que me levava por uma picada que ligava a Protásio com a Ipiranga. Os nativos chamavam aquela picada levemente asfaltada de Avenida Antônio de Carvalho. Vindo pela Ipiranga, a viagem era mais rápida e ainda havia a bela visão da Vila Planetário. E a passagem escolar vinha impressa em um papel picotado, que tinha propaganda do Secretário de Transportes no verso.
Tudo isso mudou, inclusive a nojeira do Mercado Público e de seu entorno. E mudou a partir da eleição de Olívio Dutra, em 1989.
Ao longo das quatro administrações da Frente Popular, a Antônio de Carvalho passou a ser realmente uma avenida, a Bento foi reestruturada, a Vila Planetário foi urbanizada, o Mercado foi reformado, o Largo Glênio Peres substituiu aquele amontoado de ônibus. E os ônibus foram substituídos por modelos novos, até com ar condicionado! Sem falar na Terceira Perimetral, nos Telecentros, naquele condomínio da Princesa Isabel, na Vila Mário Quintana, na Vila Tesourinha... e, certamente, mais coisas que não vi, como canoense.
Porém, como portoalegrense desde 2002, eu vi o marasmo, a estagnação e o descaso da nova administração para com a Cidade. Essa, para mim, é a maior marca dessa administração: o descaso! E os seus sintomas mais nítidos são a sujeira das ruas e os buracos no asfalto. Se Porto Alegre queria, clamava por mudanças (como diziam os marqueteiros do Fogaça), elas vieram. Pelo menos no caso do asfalto, que se mudou de Porto Alegre deixando os buracos no seu lugar!
As charges abaixo foram publicadas em 2005 e, a do “mapeamento”, no inicio de 2006.

Resposta aos comentários

Resposta aos comentários escritos, generosamente, pelos nossos visitantes Lau Mendes e Agente65, sobre o post Semana de Porto Alegre - parte 3:
Isso é o que temos dito com uma certa freqüência nos nossos comentários. É perceptível que não só os universitários, que são os casos mais graves, mas grande parte da nossa população, simplesmente, não consegue entender como funciona uma república. É comum ouvirmos das pessoas, que o Lula não faz isso ou aquilo, como se ele tivesse poderes imperiais para legislar e governar. Isso fica bem demonstrado pela composição do voto: coloca o presidente de um partido no poder e escolhe um legislativo que lhe faz oposição. Pois não foi no nosso estado, dito politizado, que o povo votou no Lula, no Zambiazzi e no Rigotto? Esta situação está me parecendo tão grave, que estou reformulando a minha visão da política no seguinte sentido. Como é que as pessoas irão se posicionar ideologicamente, para dar um voto coerente, se elas não entendem quais são as instituições de uma república e que atribuições cabem a cada uma delas? Quer me parecer que, daqui para adiante, os partidos de esquerda precisam investir maciçamente na formação política da população, sob pena de sofrerem sucessivas derrotas pelapopulação não distiguir as propostas em disputa e não estabelecer a relação do seu voto e as conseqüências que ele produz. De mais a mais, o que o Tarso espera dos motoristas de táxi que passam o dia todo escutando a Gaúcha e lendo o Diário Gaúcho, se ele próprio, até agora, também não consegue ter uma postura clara a respeito do papel da mídia, que é a grande difusora dessa confusão conceitual e da despolitização reinante?
Ler mais: Desafio.

28 de março de 2007


Educação e novas tecnologias
Direito autoral e novas formas de compartilhamento
Software livre e sua importância para o conhecimento
Temas como esses vão estar sendo discutidos na segunda edição do BarCamp de Porto Alegre. Muitos outros também podem ser parte do evento, basta participar, propôr e falar. O Barcamp é isso, construído por todos que participam dele.

Esta é a chamada para o 2º Bar Camp de Porto Alegre, a ser realizado nos dias 30 e 31 de março na Faculdade de Educação da UFRGS, sala 102. Para quem não sabe, a proposta do BarCamp é reunir pessoas em torno da "colaboração", ou seja, BarCamp é um modelo de desconferência. A idéia surgiu entre pessoas com um interesse em comum: colaboração. Esse é o nosso mote, aquilo que direciona as atividades do evento, onde cada participante exerce literalmente a sua função de fazer parte dos resultados.

Mais informações sobre como participar:http://www.barcamp.blaz.com.br/evento/poa2

Semana de Porto Alegre - parte 3

Para quem acompanha o blog, sabe que estamos postando notícias nada agradáveis sobre Porto Alegre em tempos de Fogaça e Eliseu Santos na prefeitura.
Se alguém tem dúvida sobre como se construiu estas candidaturas, basta conversar com os taxistas de Porto Alegre. Um deles nos disse que a perimetral da Carlos Gomes foi iniciativa do Britto e, que o PT, este só atrapalhava! Ou seja, a sua profissão exigia que ele andasse pelas ruas da cidade e não tinha a mínima idéia a quem competia tal obra, mesmo com os enormes out-doors espalhados escritos "Administração Popular".
Outro, queixando-se da falta de "eventos" na cidade, ao nos ouvir falar sobre as razões disso, concluiu a sua fala com vocês são da seita das bandeirinhas e desistimos da discussão.
Queremos deixar claro, que não fazemos juízo de valor da categoria dos taxistas, apenas estamos demonstrando como funciona a comunicação para um grupo, sabidamente, ouvinte de rádio e grande parte leitor do Diário Gaúcho, de como a mídia é insidiosa, a ponto de perverter o sentido das coisas. É alarmante perceber o quanto alguns taxistas repetem as palavras dos (de)formadores de opinião nas suas falas.
E para ilustrar mais um exemplo, o post de hoje vem do blog da Brisa do Sul. Com o título Ouvi de um taxista de Porto Alegre, ele aborda a confusão entre a segurança pública do estado e o governo federal, utilizando-se de termos bem ao gosto de certos profissionais de rádio da cidade, cujos nomes nos recusamos a pronunciar. Para a sua leitura, acesse http://brisa-do-sul.blogspot.com/2007/01/ouvi-de-um-taxista-de-porto-alegre.html .

26 de março de 2007

Porto Alegre: 235 anos

Eugênio Neves
O post, de hoje, dia do aniversário de Porto Alegre, será sobre o Orçamento Participativo e foi retirado do blog do Marco Aurélio Weissheimer, publicado no dia 11 de março de 2007. A cidade é reconhecida internacionalmente pelo Fórum Social Mundial e os organizadores a escolheram em virtude da experiência da participação popular via OP.
O atual inquilino do Paço Municipal elegeu-se com a meta de mantê-lo, mas o que se vê, o que se sabe e o que acontece é exatamente o oposto: as demandas não são atendidas, ou suas obras estão atrasadas. Agrega-se a isso, o não pagamento em dia dos oficineiros que trabalham junto às comunidades.
Estranho o entendimento sobre o que é "manter o que está bom e mudar o que está ruim" por parte daqueles que receberam o voto em 2004...

COMO ANDA O ORÇAMENTO PARTICIPATIVO

Durante a campanha eleitoral de 2004, o então candidato à prefeitura de Porto Alegre, José Fogaça (PPS), fez da manutenção do Orçamento Participativo (OP) uma de suas principais bandeiras. “Pra manter o OP e ganhar do PT”, era um dos bordões de sua propaganda eleitoral. Entrando no terceiro ano de governo Fogaça, a quantas anda o OP? Um levantamento realizado pela ong Cidade analisou o andamento das demandas do OP, de acordo com os Planos de Investimento de 2005 e 2006. Das 335 demandas do biênio, apenas 27 (8%) foram aprovadas. Das 141 demandas de 2005, foram atendidas apenas 24. Das 194 de 2006, foram concluídas apenas 3. O Conselho do OP, em reunião realizada no dia 6 de março, debate a situação do Orçamento Participativo em Porto Alegre. Conselheiros de diversas regiões da cidade apontaram uma série de problemas:
A Região Leste informou que foi aprovada a elaboração de uma Carta-Denúncia sobre o descaso da Secretaria de Obras (SMOV) com a pavimentação comunitária. Segundo os conselheiros dessa região, serão destinados apenas R$ 600 mil para as três regiões que elegeram pavimentação como prioridade, enquanto alguns bairros nobres da região Centro estão recebendo mais de R$ 6 milhões para recapeamento de vias. A Restinga, por sua vez, reclamou da sujeira da região, enquanto a Lomba do Pinheiro expressou sua indignação com a situação do Centro Administrativo Regional, que foi inaugurado há poucos meses e está sem água. Já os representantes da região Nordeste registraram que a comunidade daquela área está descontente com os R$ 400 mil destinados à região no Plano de Investimentos 2007, visto que esta é uma das regiões com maior índice de homicídios entre adolescentes na cidade.

25 de março de 2007

Ciranda Internacional de Informação Independente

Esta notícia nos chegou por correio eletrônico em 25/03/07. Estejamos atentos!

[Ciranda] Reforma Política e Comunicação

Nesta segunda-feira, seminário nacional começa a debater, em Brasília, a Plataforma dos Movimentos Sociais para a Reforma do Sistema Político Brasileiro Capítulo dedicado à comunicação defende sistema público e valorização das mídias alternativas. Conheça a proposta.
Leia também a carta aberta da Frente Nacional por um Sistema
Democrático de Rádio e TV digital.

O Sonho de Ícaro

O Dialógio se propôs, durante a semana comemorativa pelos 235 anos de Porto Alegre, a fazer uma reflexão do estado em que se encontra esta cidade governada (???) pelo prefeito José Fogaça. Para tal, selecionou textos e imagens já escritos em páginas da Internet e blogues lincados.
Como vivemos uma administração municipal blindada pela mídia gaúcha, achamos por bem inaugurar a semana com um texto que, em 2002, fez alguma coisa mudar em Porto Alegre e no RS. Os gaúchos e o sonho de Ícaro foi publicado, originalmente, no Observatório da Imprensa e ganhou a cidade por ocasião do movimento espontâneo e sem lideranças conhecido por Mídi@ética e que valeu, naquele final de ano de 2002, uma bela dor de cabeça à Família Sirotsky.
Em tempos de inquietações por parte de muita gente boa, que sofre dificuldades financeiras para manter a página da Internet ou suas publicações mensais/semanais circulando, nada como um quê de esperança de que nós, brasileiras e brasileiros, voltemos a nos mobilizar e a exigir informação de qualidade.

Éramos um...

Era uma vez uma andorinha solitária que, qual Ícaro encarcerado por Minos, cansou-se de desviar seus vôos de tamanho baixo nível na mídia. Pensand
o que as andorinhas unidas poderiam voar mais alto, e melhor, suspendeu todas as revoadas de fins de tarde para os bares e calçadas da fama, pois achava que deveria fazer a sua parte. Lembrando-se do Barão nas árvores, do escritor italiano Ítalo Calvino, sentou num galho, pegou uma de suas penas e redigiu um manifesto conclamando, via espaço sideral, outras ainda ilustres desconhecidas para cancelarem as assinaturas de um jornal que as vinha maltratando verão após verão.
A bem da verdade, o absurdo do que era publicado lhe fazia tanto mal quanto o frio minuano, pois, todos sabem, andorinha gosta mesmo é do verão. A infor
mação vinha destemperada, provocando os mesmos estragos que o efeito El Niño. E, nós sabemos, quando a verdade morre, o primeiro a chegar é o urubu.
Vejam só, pensava a andorinha, enquanto o Brasil se cobre com o manto de uma via-láctea, as andorinhas gaúchas sofrem nas asas o efeito maligno do buraco da camada de ozônio que, estacionado sobre o céu pampeano, mostra todo seu poder de fogo através de pesquisas. Pesquisas estas urdidas, canta-se, com o único propósito de nos abater. Pesadelo igual só mesmo o de Ícaro, ao ver a cera de suas asas derretendo.
Mas, para a andorinha, o sonho não acabou!


Movimento vai às ruas

Em pleno vôo, aquela ave solitária mandou, via internet, seu manifesto. Em menos de 24 horas obteve retorno que jamais fizera parte de seus sonhos. Outras, da mesma espécie mas que estavam dispersas por outros galhos da rede, uniram-se à revoada. Algumas dessas foram recolhendo novos aliados de lutas antigas e muitas vezes solitárias.
E, agora, todas tinham em comum a mesma perspect
iva. Além disso, começaram a chegar informações de cancelamentos espontâneos das assinaturas. Não demorou para descobrir que, como aquele jornal é apenas um dos tentáculos da hydra, mais do que nunca a união da espécie determinaria o destino de ambos: das andorinhas e da hydra. Era preciso unificar toda essa energia. A demanda reprimida, afinal, começava a encontrar um canal de escoamento. Foi assim que as iniciativas dispersas, das mais diferentes origens, foram se reunindo, formando aquela revoada bonita nos céus de Porto Alegre, já magistralmente cantada em prosa e verso por Mário Quintana.
Um grupo de andorinhas, as andorinhas acadêmicas, dirigiu-se à magnífica reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul buscando entender que interesses moviam o instituto de pesquisa do Curso de Administração daquela instituição. De outra
banda, andorinhas estudantes, profissionais liberais, donas de casa, professoras, profissionais da comunicação, empresárias, agricultoras, servidoras públicas, enfim, de várias categorias da sociedade programaram encontro para 3/11, ao abrigo das árvores do Parque Redenção, próximas ao Brique de mesmo nome, em Porto Alegre.

Novas adesões

Antes mesmo desse primeiro encontro, o Minos que conduz a hydra com controle remoto veio a público se desculpar, tentando trocar espelhinhos, digo, seu jornal, pela liberdade de voar de suas ex-assinantes. A desculpa era sofisticada, cheia de sofismas e cínica como são os cínicos. Buscava o desonroso, infantil e primário argumento de transferir para as pilhas "raiovac" de seu controle a responsabilidade pelos "excessos" cometidos após di
vulgação das pesquisas do falso instituto – porque empresa – Ibope. A crescente revoada de ex-assinantes motivou ainda mais. Viram que já estava doendo no bolso de Minos o resultado da credibilidade definitivamente enxovalhada.
O vôo seguinte foi a criação de uma homepage para canalizar o fluxo imenso de contribuições da comunidade gaúcha de andorinhas. Surgia o MIDI@ÉTICA, com seu site [6.900 acessos em menos de quatro dias]. Para surpresa geral, com poucos dias no ar, mensagens de fora do habitat gaúcho, e até mesmo de fora do país, vinham turbinar a iniciativa. Refle
tiam, na verdade, a agonia de quem se vê de asas cortadas, engaiolada, mas que nem por isso deixa de acompanhar as barbáries perpetradas pelos tentáculos que mexem com meios de comunicação.
Voar, até um besouro, contra todas as leis da aerodinâmica, voa. Por isso, o sonho de toda andorinha é voar livre, curtindo um final de tarde. Foi aí que a iniciativa virou notícia. E a expressiva quantidade de acessos à página impressionou a ponto de merecer atenção e comentários da Agência Carta Maior.
A segunda revoada (5/11/2002) aconteceu, como gostam as andorinhas, nos altos do Mercado Público. Já eram 67. Na seqüência, uma revoada na Feira do Livro, pois não há lugar mais adequado para quem gosta de voar do que os jacarandás floridos da Praça da Alfândega. Foi nesta oportunidade que o canto das andorinhas se fez ouvir até pelo rei Minos, e demais membros da hydra ali presentes. A marca Midi@ética (camisetas, adesivos, manifesto) também está sendo um sucesso na 48ª Feira do Livro de Porto Alegre. Era o mercado reprimido
encontrando a demanda sufocada...

E a revoada continua crescendo e ganhando cada vez mais adesões. Agora, a andorinha indignada lá da primeira linha já não voa só. Fez-se verão no Sul do Brasil!


24 de março de 2007

Campanha: CPI da Mídia Já!

Esta campanha vem do Desabafo País:
22 Março 2007
CPI DA MÍDIA, JÁ!
Porque defendo uma CPI DA MÍDIA, JÁ: Será que nossa imprensa desempenha com honestidade seu papel ou quer se tornar um “Judiciário” para derrubar o Governo Lula? O ocorrido em 2006, quando a maioria dos jornalistas vendeu a sua alma ao “tucanos” nas eleições presidenciais, sendo sistematicamente críticos ao presidente Lula. Não podemos aceitar um jornalismo sujo, sem vergonha, sem postura, mesquinho, que não respeita o cidadão, a ética e a verdade. Você aceita uma revista “Veja”, como a guardiã do verdadeiro jornalismo? Rede Globo, emissora braço direito do Golpe Militar de 1964, defendendo a liberdade de imprensa? Jornais Folha e Estadão, dizendo que fazem um jornalismo isento e sem partidarismo? É hora da Câmara dos Deputados criar a CPI DA MÍDIA, e já, para o bem na Nação. Palavra do Editor do Desabafo País (Brasil).

Semana de Porto Alegre: Laçador

Bier

23 de março de 2007

Congresso: aumento salarial

Bier

E o salário?

Bier

Tempos depois...

Santiago

22 de março: Dia Mundial da Água

Eugênio Neves
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA
1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.
2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida e de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceder como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 30 de Declaração Universal dos Direitos Humanos.
3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser manipulada com racionalidade, preocupação e parcimônia.
4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam.
5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para as gerações presentes e futuras.
6. A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor econômico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e diascernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas atualmente disponíveis.
8. A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado.
9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
Canini

Bier

20 de março de 2007

Ah, se a moda pega...

Esta notícia vem da Costa Rica, graças a mensagem recebida, por correio eletrônico, do amigo Bolívar Gomes. Destacamos as palavras do advogado Juan Diego Castro que ganhou uma ação contra o jornal La Nación daquele país:
“La postura de los sumos sacerdotes llorentinos no solo debe ser abordada desde el punto de vista judicial, sino desde el punto de vista político y psiquiátrico, porque el daño que ellos provocan a nivel social, tergiversando y confundiendo a la población tiene orígenes y consecuencias psicológicos”, recalcó el jurista, quien en el pasado logró ganarle una contienda judicial a ese medio de comunicación."

Segue a notícia do Diario Extra na íntegra:

DENUNCIAN A LA NACIÓN POR NO INFORMAR CON VERACIDAD
BETANIA ARTAVIA

William Ulloa interpuso un recurso de amparo contra el periódico La Nación por considerar que no informaron con veracidad sobre la marcha contra el TLC, lo cual viola el derecho de los ciudadanos a recibir información veraz.El malestar de dos ciudadanos contra el diario La Nación llegó hasta la Sala Cuarta, donde interpusieron un recurso de amparo por considerar que lesionaron sus derechos a recibir información veraz y fidedigna.
William Ulloa Bonilla y Ana Cecilia Trejos acudieron ante ese órgano en busca de sentar un precedente para que de alguna forma se exija a los medios de prensa difundir información veraz, por considerar que específicamente en la publicación sobre la marcha contra el Tratado de Libre Comercio no se cumplió con ese precepto.
“Lo presentamos porque muchas personas que participamos en la marcha del 26 de febrero nos quedamos extraordinariamente sorprendidas con la información que leímos en el titular de La Nación y en la nota interna del día posterior a la marcha, donde decía que eran 23.500 las personas que habían participado, ni una más ni una menos, y esto generó un sentimiento de malestar entre quienes estuvimos ahí y entre quienes lo vieron en las imágenes de otros medios”, comentó William Ulloa, uno de los recurrentes.
Detalló que tomaron la decisión luego de que en muchos correos electrónicos, llamadas telefónicas y páginas de Internet con un sentimiento de disconformidad y molestia por la forma en que se quiso presentar a la ciudadanía la marcha, y coincidieron en que debía hacerse algo.
“Acogiendo el malestar de muchas personas, pero a título personal, acudí a la Sala Constitucional, los fundamentos legales del recurso los aportó el licenciado Gerardo Trejos, ex diputado de Fuerza Democrática”, comentó Ulloa.
“Nos quedó un sentimiento de indignación, de saber que no se da información veraz. En estos casos de marcha uno sabe que es muy difícil establecer la verdad y los medios de prensa no están obligados a hacerlo, usualmente lo que se recurre es a hacer una estimación de diferentes fuentes, como cuánto dicen los organizadores y cuánto la contraparte, pero en este caso no se presentó así, sino que se hizo una estimación, que consideramos pseudocientífica y que evidentemente aparece como mentirosa si se contrasta con lo que muestran las imágenes de DIARIO EXTRA de la primera página y las fotos interiores, y las fotos de los otros medios así como las tomas aéreas de televisión”, explicó Ulloa.
Sostiene que la manifestación era como una serpiente humana que tenía la cabeza en Cuesta de Moras y la cola en el San Juan de Dios, por lo que la estimación de esa enorme cantidad de masa de gente moviéndose hecha por La Nación no parece correcta.
-¿No cree que esta denuncia es algo similar a David contra Goliath?-Sí. Uno sabe que es así, pero el primer paso es el más difícil, y es que admitan el recurso porque la Sala es restrictiva en esas peticiones.
-¿Usted lo hace en representación de las personas que se sintieron afectadas?-Lo hago a título personal, pero sé que en este caso represento la insatisfacción de muchísima gente que lo ha expresado por muy diferentes medios, en listas de correos, en páginas web, en “blogs” y por mensajes de teléfono y llamadas.
-Si este es el primer paso, ¿qué sigue?-Hay otra gente que está haciendo un llamado a no leer La Nación, es el grupo Costa Rica Solidaria.
-¿Cree que desvirtúa la acción el hecho de trabajar como asesor del diputado Merino?-No, porque yo lo hago en mi condición de suscriptor de La Nación y como lector puede ser que no esté de acuerdo con algo, pero sí espero que por lo menos esa información cumpla con el principio de veracidad, que es lo que me tutela, según mi opinión, el artículo 46 de la Constitución.
• Juan Diego Castro, abogado
“ESTE TIPO DE MANEJOS NO SON RAROS EN LA NACIÓN”
El abogado Juan Diego Castro considera importante que los magistrados conozcan el recurso de los ciudadanos porque sentaría un precedente que podría ayudar a que algunos medios de comunicación informen con veracidad y no sesgando o manipulando la información.Consultado sobre el tema, el abogado Juan Diego Castro, uno de los pocos que le ha ganado una disputa judicial a La Nación, dijo esperar que la Sala no sea tan formalista y conozca el fondo del recurso para sentar un precedente.
“Yo creo, y así se estima en todos los países democráticos del mundo, que el derecho a la información sea un derecho de dos vías: una es que los medios tienen derecho a informar todo y los ciudadanos tenemos el derecho de ser informados, pero esa información que recibimos los ciudadanos debe ser veraz. Incurre el medio o el periodista en una grave falta profesional y ética cuando publica notas falsas o sesgadas y se está violando el principio de la veracidad. Ese tipo de manejos en La Nación no son nuevos, ni raros, La Nación y su equipo de periodismo supositivo son muy hábiles en ese tipo de manejos que provocan una desinformación profunda. Quienes hemos sido víctimas de las mentiras de La Nación sabemos cuánto daño producen esos ataques antiperiodísticos”, aseveró Castro.
El abogado detalló que aunque los lectores de un medio se sientan afectados por no recibir una información veraz, nunca habían acudido a la Sala Constitucional para reclamar por el derecho a recibir información veraz, de allí la importancia de éste recurso, y espera que los magistrados lo estudien, en vez de rechazarlo de plano.
“Me parece muy interesante que estos ciudadanos acudan a la Sala Cuarta pero no creo que los magistrados les den la razón, porque ellos van a argumentar que no utilizaron el mecanismo del derecho de rectificación y respuesta, que permite precisamente cuando el periódico no le publica la rectificación o respuesta en el término de la ley de jurisdicción constitucional que sea la Sala la que ordene la rectificación y respuesta. Espero que la Sala no sea tan formalista y conozca el fondo del recurso y siente un precedente, que de todas maneras a La Nación no le importaría, porque siempre la han condenado y ha seguido mintiendo”, aseveró Castro.
“La postura de los sumos sacerdotes llorentinos no solo debe ser abordada desde el punto de vista judicial, sino desde el punto de vista político y psiquiátrico, porque el daño que ellos provocan a nivel social, tergiversando y confundiendo a la población tiene orígenes y consecuencias psicológicos”, recalcó el jurista, quien en el pasado logró ganarle una contienda judicial a ese medio de comunicación.

18 de março de 2007

Desafio

Abaixo, uma seqüência de imagens e textos que encerram com o artigo de Josias de Souza. Trata-se da mídia e o seu comportamento em relação aos políticos de quem ela gosta e de quem ela não gosta.
De quebra, lançamos um desafio:
Ao ler tudo isto, quem saberá nos dizer o que pensa, afinal, o Sr. Tarso Genro a respeito da mídia brasileira?
O jornal O Sul dá mais uma prova, entre tantas que se acumulam, sobre a construção de subjetividades por parte da mídia.
Na edição de hoje, 17/03/07, o jornal estampa na capa foto do Min. Tarso Genro, obtida na cerimônia em que assume o cargo de Ministro da Justiça. Ele aparece olhando para cima, com a boca entre-aberta e com ar aparvalhado. Seria esta a única foto disponível sobre a cerimônia? Certamente que não. Entre tantas, ela foi escolhida propositalmente.Não é a primeira vez que se percebe, na grande mídia, o uso de imagens que passam uma mensagem paralela, de sentido dúbio ou com intenção clara de ridicularizar determinada pessoa. Quem não lembra da foto, publicada no jornal O Globo, durante o processo da nacionalização do gás boliviano, onde Lula aparece sendo segurado por trás por Evo Morales?
Alguém poderá dizer que são meras coincidências, mas são coincidências que, na nossa mídia, tornaram-se rotina, principalmente, quando os personagens envolvidos são do PT. Se a esquerda negligencia a comunicação, a direita vê aí uma questão estratégica e sabe utilizá-la muito bem em todas as suas possibilidades, inclusive, no uso da linguagem subliminar. Tanto é assim, que a charge do Ique na página 2 segue a mesma linha: Genro desce a rampa do Planalto de olhos vendados, segurando nas mãos a espada e a balança, símbolos da Justiça. Mas Tarso está "entrando" no cargo, e não saindo! A mídia parece querer antecipar a derrota de um ministro que ainda nem assumiu.Mas se temos um ministro, recém empossado, já sendo ridicularizado na capa do jornal, na página 3, aparece a foto da governadora do RS com um buquê de flores na mão, ao lado do marido, os dois sorridentes, ilustrando uma matéria com chamada de capa que trata da nomeação de Carlos Crusius para a Presidência do Conselho de Comunicação do Governo. A publicação é tão cuidadosa com esta notícia, que enfatiza, tanto na chamada de capa, quanto no título da matéria, o fato de que o marido de Yeda assume o cargo sem ser remunerado.A comparação entre estes dois fatos que, aparentemente, não tem nada a ver entre si, revela algo muito importante que é forma como a mídia trata os políticos que comungam com seus interesses conservadores. De quebra, um evidente caso de nepotismo, fica mascarado pela imagem de um casal unido e feliz. E para atenuar ainda mais esta irregularidade, o jornal insiste em dizer que o Sr. Crusius não será remunerado.
Que belo contraste!
Para um jornal local, O Sul trata essa questão sem o destaque que ela mereceria. Que prato cheio para os colunista e o humor gráfico, uma governadora que nomeia o próprio marido! Sem falar nas trapalhadas e gafes que ela comete a todo o momento.
Aqui, cabe um parêntesis. Este conselho, a ser presidido por Crusius, teria a função de "unificar" a comunicação do Governo. A ser verdade que os tais conselheiros trabalharão de graça, isto só denota a importância que a direita dá à comunicação, pois ela é tão fundamental, que vale o "sacrifício". O tal conselho, na verdade, foi criado para tratar da imagem do governo. Neste sentido, Yeda já dá lições. As fotos, por exemplo, ou são de Jéferson Bernardes, ou são do Palácio o que, no final das contas, é a mesma coisa. Na mídia amiga, Yeda jamais apareceria exposta numa foto como a que O Sul publicou de Tarso Genro. Mesmo assim, ela não corre o risco e abastece as redações com suas fotos produzidas, num evidente acordo entre o Governo e os donos dos jornais.
E tem mais: podemos lembrar, que, pelo menos, na Zero Hora, ela não corre o risco de ser chargeada, porque é amiga pessoal do principal chargista da casa. Este jornal é tão venal, que não deixou Olívio em paz nem mesmo depois de ele ter encerrado seu mandato no governo do RS.
Enquanto a direita trata desta questão com o cuidado que ela merece, o Sr. Tarso Genro concede entrevista à mídia hegemônica que é uma verdadeira pérola. Tanto é verdade, que fomos encontrá-la, reproduzida na íntegra, no blog do Diego Casagrande.
Sem comentários!!!

Tarso defende liberdade de “circulação de opinião”
16/03/07
Folha de S. Paulo


O novo ministro da Justiça, Tarso Genro, defende a discussão "da liberdade de circulação de opinião, principalmente da opinião política", na imprensa.
Afirma que não há problema de liberdade de imprensa no país, mas "de circulação de opinião de forma mais plural".
Segundo Tarso, que deixa hoje o ministério de Relações Institucionais e assume novo posto na Esplanada, o que falta é a possibilidade de "a cidadania mais deslocada do debate político poder exprimir de forma abrangente a sua opinião".
Em entrevista à Folha, Tarso diz ter três prioridades na pasta: reforma política, continuar a política de segurança pública do antecessor, Márcio Thomaz Bastos, e "integrar as políticas de segurança pública com as políticas sociais".
Tarso rejeita a avaliação de que será mais propenso a pressões políticas por ter interesses partidários diretos. Afirma que a PF terá ação "republicana".
FOLHA - Quais serão suas prioridades na Justiça?
TARSO GENRO - Reforma política, continuidade do trabalho do Márcio na segurança pública e, a médio e a longo prazos, integrar as políticas de segurança pública do governo com as políticas sociais. Essa última permitirá que a segurança pública seja tratada rigorosamente como questão policial, científica, de articulação institucional entre a União e os Estados. Ao integrar a questão da segurança pública na afirmação da cidadania, me refiro particularmente aos jovens das periferias.
FOLHA - O sr. compartilha da tese, já expressada pelo presidente, de que a violência nos grandes centros urbanos é herança de governos passados, descaso com a juventude e resultado da desigualdade social?
TARSO - Não entendi que o presidente tivesse culpado qualquer governo passado. Interpretei suas afirmações como herança do Estado brasileiro. A desigualdade e a expectativa diferente sobre futuro influem na criminalidade, mas são fatores.
FOLHA - Entra governo e sai governo, e a segurança permanece um problema no país. Por quê?
TARSO - Urbanização acelerada, ausência de políticas públicas de inclusão e de integração social. Há ainda a estética da morte, a estética da violência, que faz parte de um tipo de cultura de uma sociedade como a nossa. Isso não é responsabilidade de um governo em especial, mas resultado de uma formação social concreta.
FOLHA - Como essa estética da morte se expressa?
TARSO - Por meio da exacerbação da violência, que influi na juventude, por meio da ausência de uma educação pública que afirme os valores da solidariedade, que dê oportunidades para as pessoas se integrarem socialmente. Isso ocorre não somente no Brasil, mas também nos países desenvolvidos. É um problema civilizatório.
FOLHA - Qual sua posição sobre redução da maioridade penal e o tempo de internação do jovem infrator?
TARSO - Em relação à redução da maioridade, o governo já expressou sua posição contrária. O aumento do tempo de internação tem de vir acompanhado de medidas eficazes educativas e de reintegração, se essa for a opção. Não há uma avaliação rigorosa se isso é realmente necessário, se terá efeitos dissuasórios na criminalidade.
FOLHA - Na campanha de 2006, o sr. sustentou que a imprensa agiu contra a candidatura de Lula em aliança com a elite paulista. Mantém a avaliação?
TARSO - No país não existe problema de liberdade de imprensa, nem de mau exercício da liberdade de imprensa. Existe um debate político importante sobre o futuro da democracia brasileira, em que a questão dos meios de comunicação é um elemento importante. Não acho que existe qualquer campanha conspiratória contra o governo Lula nem contra a democracia. O que falei foi que nitidamente a maior parte da imprensa estava contra o governo. Apenas o óbvio.
FOLHA - Na tese Mensagem ao Partido, documento para o 3º Congresso do PT assinado pelo sr., prega-se a democratização dos meios de comunicação. O que seria isso?
TARSO - Não será a partir do Estado. É uma questão de consciência da sociedade de como se organiza a circulação da opinião. No Brasil, existe liberdade de imprensa. Ela tem de ser preservada e está preservada na Constituição. Agora, qualquer país sério tem de discutir a liberdade de circulação de opinião, principalmente da opinião política, o que muitos países estão fazendo, mas não se trata de problema de liberdade de opinião ou de imprensa, e sim de circulação de opinião de forma mais plural.
FOLHA - Falta pluralidade à imprensa brasileira?
TARSO - Não falta pluralidade, porque os meios de comunicação têm várias posições políticas. Falta possibilidade da cidadania mais deslocada do debate político, afastada de assuntos de informação, poder exprimir de forma tão abrangente como os demais sua posição.
FOLHA - Como isso poderia ser feito, por meio de TV pública?
TARSO - Uma TV pública é importante. E o aumento do número de jornais, revistas, TVs privadas e públicas regionais.
FOLHA - O sr. acha necessário alguma regulação da imprensa, como se tentou no primeiro mandato com o Conselho Federal de Jornalismo?
TARSO - Não, eu acho que a liberdade de imprensa está bem regulada, há meios legais para que os cidadãos exerçam seus reparos à imprensa quando se sintam ofendidos.
FOLHA - O sr. interpelou judicialmente um colunista (Demétrio Magnoli) que o chamou de ministro da classificação racial, numa referência à política de cotas pelo sr. defendida. Não é um atitude contra o direito de opinião?
TARSO - Em primeiro lugar, não fui eu que fiz. Foi o advogado-geral da União. Em segundo lugar, para um filho de mãe judia, ser qualificado como integrante do ministério da "classificação racial" é extremamente ofensivo. Se o advogado-geral não o tivesse interpelado, eu o teria feito. É um direito individual de um cidadão de esclarecer no plano jurídico o que a pessoa quis dizer com uma classificação desse tipo. Soube que a interpelação foi respondida e ela satisfez o advogado-geral. Respondeu que não teve a intenção de ofender.
FOLHA - O sr. comandará a PF, que ainda investiga o dossiegate. Qual será sua orientação para esse caso?
TARSO - Quem vai comandar a Polícia Federal é o chefe da Polícia Federal, não o ministro da Justiça. O ministro não comanda nem orienta a Polícia Federal fora da legalidade. A PF tem uma normatividade muito clara dos seus deveres e obrigações, e é uma legislação muito republicana. Ao ministro da Justiça não compete interferir nas ações, a não ser para preservar a legalidade, quando isso, eventualmente, for ferido.
Mensagem enviada, por correio eletrônico, a Tarso Genro em 29 de março de 2006, a respeito de um texto, de sua autoria, sobre o comportamento da mídia e que nunca foi respondida.

Sr. Tarso Genro, boa tarde.

Chegou, até nós, o seu artigo sobre a saída do Ministro Antônio Palocci. Muito boa a sua análise sobre a mídia da crise. E nós lhe perguntamos: qual o próximo passo? Explicamos: as constatações de que a mídia é o poder político por excelência já estão dadas há muitos anos. Existem quilos e quilos de livros, trabalhos acadêmicos, artigos, revistas, que tratam do poder da mídia. O senhor mesmo, em "A esquerda em processo", aborda este tema.
Assim, cabe-nos refletir quais serão as ações a serem tomadas, em caráter de urgência, para enfrentar um poder que ataca, agressivamente, o estado republicano democrático. Nós não conseguimos entender, qual foi a "brilhante" estratégia do Governo Federal, ao rifar o projeto de lei que criava o Conselho Federal de Jornalismo; ao implodir a Ancinav e, agora, quem sabe, dar de presente o padrão japonês de tv digital para a Rede Globo.
Some-se a isso, a Lei Geral das Comunicações que não sai, obrigando a submetermo-nos à uma lei de 1962; é o Conselho de Comunicação Social se reunindo só com os representantes do empresariado, num verdadeiro boicote às representações da sociedade e dos trabalhadores em comunicação; é o artigo da Constituição Federal que trata dos meios de comunicação social e seu impedimento na formação de monopólios e oligopólios, que não está regulamentado; a perseguição sistemática de rádios comunitárias, algo inimaginável num governo com caráter popular; a "caixa preta" da vigência das concessões públicas de rádio e televisão, um assunto tabu, uma informação que deveria ser transparente e acessível, escondida do povo brasileiro, seu verdadeiro dono. E é neste contexto estarrecedor, que a sociedade civil organizada tenta se articular em ações que visam à democratização das comunicações.
Voltamos à questão proposta no início: qual o próximo passo? Primeira coisa, o PT precisa se convencer que mídia É O PODER. Estudar o assunto, criar seminários, conferências, debates, o que seja. Porque não há como discutir o programa partidário, se não discutir em que "meios" poder-se-á falar deles Nada, mas nada, que o Governo Lula fez, até hoje, mereceu o devido destaque na mídia. Tudo desqualificado, desmerecido, omitido escandalosamente. A segunda coisa, caso o Lula se reeleja, é nomear alguém do campo da esquerda, de preferência do partido, ao Ministério das Comunicações, demanda esta feita por escrito num documento entregue pelo FNDC ao presidente eleito.
Enquanto isso, não ter pressa na adoção de sistema digital. Rever o processo da renovação das consessões públicas e seu procedimento, pela Câmara Federal. Distribuir outorgas às entidades do campo de esquerda que se habilitem a tal. Diminuir, se não acabar mesmo, com as verbas publicitárias deste antro reacionário e golpista de revistas como Veja e IstoÉ, por exemplo. Pensar em projeto de lei que crie a obrigatoriedade da "educação/alfabetização para a mídia", na forma de disciplina currícular ou de tema transversal, nas escolas públicas brasileiras de ensino fundamental e médio.
Precisamos de meios de comunicação social, de mídia, Sr. Genro. A esquerda vai mal, muito mal, quando se utiliza apenas da Internet para dizer a sua voz, manifestar sua opinião e expressar seu pensamento. Enquanto a distância entre ter os meios e necessitar utilizar os que aí estão, todos do campo da direita, for de milhões e milhões de quilômetros, então que se crie estratégias para lidar com a mídia hegemônica, como, por exemplo, de só falar ao vivo e enfrentar o/a jornalista do momento dentro do seu próprio campo e junto ao seu público. Se for entrevista pré-programada, falar o que tiver de ser dito, alterando a pauta, não caindo nas provocações das perguntas finais e dando uma volta no/na espertinho/espertinha, que faz o que o patrão manda. Aproveitar o quadro dos profissionais de comunicação que o PT possui, e elaborar seus próprios projetos de campanhas publicitárias governamentais, fazendo uma conexão entre o discurso do partido e àquilo que há de atual no campo da publicidade e propaganda. Chega de dar dinheiro a marqueteiros de plantão, renomados, mas que por sua própria experiência profissional de servir à direita, já os desqualificam de saída.
Uma coisa que não esquecemos é que o senhor, ao ser derrotado no segundo turno, no seu discurso no Largo Zumbi dos Palmares, apontou o Grupo RBS como um dos fatores determinantes de sua derrota, com o que concordamos sem sombra de dúvida. Mas o que o senhor fez, assim que assumiu o cargo ministerial? Deu entrevista exclusiva a Rádio Gaúcha. Que o senhor desse entrevista para a Band, para a Guaíba, para a rádio comunitária, mas para a RBS???? Isso é imperdoável do ponto-de-vista político. É um erro crasso. Não se dá chance ao inimigo.

Claudia Cardoso e Eugênio Neves

----- Original Message -----
Sent: Tuesday, March 28, 2006 3:04 PM
Subject: texto tarso saida Palocci

Nota rápida sobre a conjuntura política.

1) Escrevo esta nota à 10 horas do dia 28 de março, quando já foi substituído o Ministro Palloci por Guido Mantega, no Ministério da Fazenda. Esta substituição ocorreu após um dramático percurso de desgaste, que combinou dois movimentos bem nítidos, por parte dos adversários e inimigos do Governo Lula: de uma parte, a defesa da política econômica do Ministro porque avocam esta política como “deles”; de outra, a responsabilização do Ministro por envolvimento com o “grupo de Ribeirão Preto” e com a violação do sigilo bancário do caseiro Nildo;
2) A violação de qualquer sigilo bancário é inaceitável, é evidente, e os responsáveis devem responder penalmente. O envolvimento do Ministro com grupos de eventuais lobistas é inaceitável, é evidente, e isso deve ser investigado. Não estou afirmando que as acusações coincidem com a verdade, ou se são verdades parciais ou pura invenção. Conheço muito pouco o Ministro Palloci e as suas relações políticas . Independentemente das divergências que tenhamos com ele, porém, as suas ações macro-econômicas permitiram que um país que recebemos quebrado continuasse a andar e abrir perspectivas de futuro. O que impressiona, porém é o que pode ser lido no “sub-texto” da sua saída e da própria crise;
3) Vamos comparar. Recentemente uma agressão tipicamente fascista de um “escritor” -ataque a bengaladas contra o ex-Ministro José Dirceu- e a afirmativa de um líder da oposição que “daria um soco na cara do Presidente”, foram “naturalizados” pela mídia. Nenhuma crítica dura nem sistemática foi feita aos dois agressores. Alguns comentaristas, subliminarmente, inclusive elogiaram estes atos de marginalidade política.
4) O sigilo do Presidente do Banco Central Henrique Meirelles foi quebrado: nenhum escândalo foi feito. Deputados violaram dados sigilosos das CPIs -o que é mais grave, na minha opinião do que violar sigilo bancário- e nenhuma indignação ou reflexo importante foram vistos na mídia “democrática” do país. Longe de querer acobertar qualquer erro de qualquer dirigente. Mas é bom perguntar: por que dois pesos e duas medidas?
5) Independentemente de que várias das críticas contra o PT e o governo sejam justas ou injustas e os fatos veiculados sejam, ou não, verdadeiros, o que está em curso é uma tentativa de eliminação política da esquerda com credenciais democráticas para governar. Está em curso um claro processo de recuperação –aproveitando nossos erros- do projeto tucano-pefelista e dos seus conhecidos padrões de honestidade pública, já revelados nos processos de privatização;
6) Ajuda a “recuperação” política da direita o fato de que o nosso Partido, até agora, não apresentou um “juízo de valor político” sobre a conduta dos membros do PT que exerceram funções de relevo no Partido e no governo Lula. Eles estão expostos, publicamente, supostamente com algum grau de responsabilidade política ou penal. Se eles cometeram deslizes éticos ou ilegalidades por decisão própria, isso deve ser reconhecido pelo Partido, publicamente. Se eles não os cometeram, ou agiram orientados pelas instâncias partidárias, o Partido deve protegê-los e assumir plenamente, as suas responsabilidades. Esta é uma questão que o PT vai ter que enfrentar num futuro próximo, para que possamos nos recuperar como projeto político para o país;
7) Devemos ter claro, contudo - além de absorvermos as críticas que se mostrarem fundadas - que o governo Lula não está sendo atacado pelos seus limites. O governo Lula não está sendo atacado por erros cometidos através de certas políticas ou mesmo por equívocos que qualquer Presidente comete no exercício do seu mandato: o governo Lula está sendo atacado pelas suas virtudes, pelas políticas progressistas que desenvolve em diversas áreas, pela “plebeização” do processo democrático no país. Quem nos ataca não tem credenciais para recuperar a ética pública no país; a imprensa sabe disso, mas não diz isso. Por quê?
8) A “santa aliança” que se articula em toda a grande mídia -com exceções mínimas- quer é voltar aos tempos das privatizações selvagens para “enxugar” o Estado; quer é voltar aos tempos em que os movimentos sociais estavam em permanente ameaça de criminalização; quer é voltar ao período de alinhamento automático com os EEUU; quer é retomar a liquidação do ensino público superior como ocorria na época do Min. Paulo Renato; quer é privatizar totalmente o setor elétrico; quer é acabar com a “gastança” do bolsa-família; quer é um governo que ajude os EEUU a promover a Alca e isolar as experiências progressistas na América Latina;
9) A síntese do governo FHC foi: juros altos, inflação alta, políticas sociais ínfimas; privatizações selvagens; compra de votos para a reeleição; servilismo na política externa; afundamento da Universidade pública; quadruplicação da dívida, estafa cambial. E o governo FHC não sofreu um décimo deste cerco. Sair desta situação em três anos e meio e recuperar a própria credibilidade da democracia foi um feito enorme do governo Lula, independentemente de graves erros cometidos por Ministros ou personalidades políticas do PT e ou da “base aliada”.
10) A ofensiva agora vai continuar. Não nos iludamos. O período eleitoral vai exacerbar a guerra contra a alternativa democrática representada pelo PT, PSB e PC do B e pela esquerda democrática do país. A direção do Partido deve comandar a resistência e a contra-ofensiva para reeleger Lula presidente. Este é apenas um pequeno e previsível capítulo da revolução democrática no país.

Tarso Genro
Mensagem enviada, por correio eletrônico, a Olívio Dutra, em 6 de dezembro de 2005, a respeito de foto publicada em Zero Hora e que nunca foi respondida.
Senhor Presidente do PT/RS Olívio Dutra
Saudações.

Chegou, às minhas mãos, o pedido de uma pessoa ligada ao PT, cujo nome reservo-me o direito de não revelar, para que eu divulgasse um texto à minha lista de contatos da Internet, sobre uma foto (em anexo) publicada no jornal Zero Hora do dia 26/11/05, sábado. Esta foto registrava uma manifestação de policiais contra o Governo Rigotto onde aparecia, em primeiro plano, uma crítica ao Governo Olívio. A RBS, seguindo a sua já costumeira e inequívoca prática de hostilização ao PT, não perde a oportunidade de denegrir a sua administração, mesmo quando o fato não tenha relação alguma com o Partido e a sua pessoa.
Observando a foto, algumas perguntas se impõem:
a) por que a menção ao seu governo aparece em primeiro plano e, ao de Rigotto, em segundo?
b) a ZH não dispunha de outra foto para ilustrar a matéria?
c) a utilização desta foto foi obra do acaso ou intencional?
Antes que o senhor perca o seu precioso tempo pensando nisso, eu lhe adianto as respostas. É óbvio que tudo ali foi intencional e a RBS, projetando o futuro (porque a direita sabe planejar), já inicia a campanha de desgaste do seu nome, considerando sua possível candidatura ao Governo do Estado, antes mesmo de ela ser anunciada (se anunciar, claro).
A mim, nada disso surpreende, já que são práticas corriqueiras dessa mídia espúria. O que me surpreende, é o PT, sofrendo, na carne, toda essa campanha difamatória orquestrada pela grande mídia contra o Partido, com todo o tipo de calúnia, acusações sem provas e outras leviandades, ainda não consegue entender a mídia como um inimigo estratégico a ser enfrentado com uma política consistente.
O que mais a mídia deverá fazer para tirar o PT da sua letargia? O fato de simpatizantes e filiados terem que fazer campanhas de esclarecimento à população, por conta própria e usando os seus próprios e singelos recursos (Internet, panfletos, camisetas, adesivos, etc.), sobre como a RBS atua como partido político, bem demonstra a incompetência do PT nesta área. Como simpatizante, não me custaria nada atender ao pedido desta pessoa. No entanto as coisas chegaram a um ponto, que seria o cúmulo eu e outros fazermos uma coisa que é da responsabilidade da direção do Partido.
Essa canalhice da ZH exige, da sua parte, como interessado direto nessa questão, uma busca de explicações, não junto ao editor ou qualquer subalterno desse pasquim, mas, diretamente, à direção da empresa. Quando observo estes fatos, pergunto-me o que mais o PT estará disposto a tolerar da mídia hegemônica? Pergunto-me, também, se faz sentido eu ficar defendendo o PT no varejo, enquanto a RBS, no atacado, monta uma campanha de esculhambação contra o Partido. Pergunto-me mais ainda: se vale a pena eu contribuir graciosamente com o meu trabalho, coisa que muito já fiz para a campanha petista, participando diretamente de algumas publicações. Não que esteja cobrando, mas me causa um mal-estar, quando percebo que o Partido deixa, sem resposta, episódios que exigiriam, pela sua gravidade, um posicionamento contundente.
Não é a primeira vez, que coisas deste tipo acontecem, como não é a primeira vez que procuro o PT em busca de respostas. Já fiz isso em 2002, depois da campanha para o Governo do Estado, quando cobrei, do então presidente estadual do Partido, Davi Stival, uma posição sobre a divulgação de pesquisa eleitoral manipulada pelo IBOPE por parte da RBS. Naquela ocasião, a resposta da sociedade foi imediata com o cancelamento maciço de assinaturas da ZH, enquanto se ouvia a lamentação chorosa do candidato derrotado Tarso Genro. E depois, em 2004, fazendo contato com o Dep. Flavio Koutzii, a pedido deste e por conta de uma mensagem, comentando um texto de sua autoria sobre a última eleição municipal. Fora outros contatos com pessoas ligadas ao PT. Em todos os casos, o resultado foi nulo.
Para mim, é uma incógnita o que é a política de comunicação do PT. Tudo indica que ela, simplesmente, não exista. Ou, se existe, é tão misteriosa e intrincada, que não é dada a mortais, como eu, perceber sua sutileza. E se ela não existe mesmo, pergunta-se o porquê disso e qual o medo do Partido em partir para o enfrentamento com a mídia patronal? O que mais o PT tem a perder, que já não esteja perdendo? Ao que parece, é preciso acontecer com o Partido mais uma derrota para que perceba, como José Dirceu depois de cassado, que a "mídia tem dono" e que "não é democrática". Nunca é demais lembrar que Dirceu, enquanto Ministro do Governo Lula, ajudou a detonar o Conselho Federal de Jornalismo.
Em função disto, estou considerando minha futura participação em qualquer campanha de apoio ao Partido, bem como instarei os meus colegas artistas gráficos a não fazê-lo, a não ser que o PT nos apresente um projeto de comunicação consistente para o enfrentamento da mídia hegemônica. Talvez, a direção do PT imagine que tal projeto seja dispendioso, mas posso lhe garantir, sem medo de errar, que o Partido conta com simpatizantes e filiados com notório saber, especialistas na área da comunicação e que são capazes de formular um projeto conseqüente. Basta, para isso, o Partido manifestar a intenção de enfrentar esse problema com seriedade e vontade. É claro que tal projeto terá um custo, mas será uma fração daquilo que é cobrado por picaretas como Duda Mendonça e sua duvidosa estratégia marqueteira de "vender" política tal qual se vende sabão em pó.
Claro que o que digo só tem sentido, se o senhor acreditar no poder da mídia. Eu acredito.

Atenciosamente,

Eugênio Neves.
Artista Gráfico
Porto Alegre - RS

Em tempo:
1) Há que se reconhecer, que a incapacidade de identificar a mídia hegemônica como inimigo estratégico não é só do PT. Em contato com a Dep. Luciana Genro (PSOL/RS) sobre o mesmo tema, quando a instei a realizar um grande fórum sobre mídia, ela fugiu do assunto como o diabo foge da cruz. Nem resposta me deu.
2) Tomo a liberdade de lhe sugerir a leitura dos seguintes livros sobre o poder da mídia: O escândalo político (John Thompson, Vozes, 2002); Mídia e Democracia (Osvaldo Biz & Pedrinho Guareschi, Evangraf, 2005); Mídia e Educação (Osvaldo Biz & Pedrinho Guareschi, Vozes, 2005); A esquerda em processo (Tarso Genro, Vozes, 2004, que parece que escreveu, mas não leu o próprio livro).

Comentário que publicamos na página do Zero Fora, em 3 de novembro de 2004, a respeito do livro Esquerda em Processo de Tarso Genro (Ed. Vozes, 2004).

Nada como um dia depois do outro.

SURPREENDENTE DECLARAÇÃO DO MINISTRO TARSO GENRO SOBRE O PAPEL QUE A MÍDIA HEGEMÔNICA DESEMPENHA NOS RUMOS DA POLÍTICA NACIONAL. É CONTRADITÓRIA ESSA MANIFESTAÇÃO, NA MEDIDA EM QUE ELE E O PRÓPRIO PT VALEM-SE DESSA MÍDIA PARA BUSCAR O RECONHECIMENTO PÚBLICO ÀS SUAS IDÉIAS. E MAIS CONTRADITÓRIA AINDA, É QUE NÃO SE VÊ, POR PARTE DO GOVERNO FEDERAL, ATÉ AGORA, QUALQUER AÇÃO CONCRETA QUE APONTE NA DIREÇÃO DE MUDANÇAS PARA ESSE SETOR.
SE ASSIM FOSSE, O MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES, QUE É ESTRATÉGICO, NÃO ESTARIA NA MÃO DO PMDB E TÃO POUCO SERIAM FECHADAS RÁDIOS COMUNITÁRIAS, COMO TEM OCORRIDO SISTEMATICAMENTE. NUNCA É DEMAIS LEMBRAR, QUE O SR. TARSO GENRO, QUANDO ASSUMIU SEU CARGO NA SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO DE GOVERNO E GESTÃO ESTRATÉGICA, CONCEDEU A SUA PRIMEIRA ENTREVISTA EXCLUSIVA PARA QUEM? PARA A RBS, EMPRESA ESSA QUE ELE PRÓPRIO ACUSOU, DIAS ANTES, DE TER SIDO A RESPONSÁVEL PELA SUA DERROTA AO GOVERNO DO ESTADO NO RS EM 2002.
AGORA, NOVAMENTE, DENUNCIA O PODER MIDIÁTICO, PROPONDO, INCLUSIVE, A ADOÇÃO DE MEDIDAS CONCRETAS PARA ESTABELECER UM CONTROLE SOCIAL SOBRE ESSE SETOR ESTRATÉGICO. ATÉ QUANDO SUSTENTARÁ ESSE DISCURSO, VISTO QUE O PRESIDENTE LULA RECUOU, MELANCOLICAMENTE, NO EMBATE QUE TEVE COM A MÍDIA HEGEMÔNICA POR CONTA DO ENCAMINHAMENTO DO PROJETO DE LEI QUE CRIA O CONSELHO FEDERAL DE JORNALISMO?
SENDO VERDADEIRA A DETERMINAÇÃO DE TARSO GENRO, CABE UMA OBSERVAÇÃO: NADA COMO UMA DERROTA DEPOIS DA OUTRA.

Esquerda ressurge em livro de Tarso Genro
JOSIAS DE SOUZA
Folha de São Paulo. Brasil. Belo Horizonte, 31 de outubro de 2004.

Difícil distinguir hoje em dia esquerdistas de direitistas. Faltam referenciais. A mansidão do ex-PT no poder pôs em xeque a velha lenda de que esquerdistas comiam criancinhas.
A barba também já não serve de parâmetro. A rama que pende do rosto de Enéas Carneiro (Prona) humilha o bem-aparado feixe de fios que orna a face de Lula.
O guarda-roupa tampouco ajuda. Ao tradicional figurino bicho-grilo, a petista Marta Suplicy contrapôs modelitos Ives St. Laurent. Agora adornados com broches que trazem a estampa de Maluf.
De resto, a experiência comprova que, lançados ao mar do neoliberalismo, esquerdistas e direitistas nadam sincronizadamente. E morrem na mesma praia privativa do capital financeiro.
Num instante em que parecia impossível discernir Lula dos antecessores, chega às livrarias um livro revelador: "Esquerda em Progresso"* (Editora Vozes). Escreveu-o o ministro Tarso Genro (Educação), ideólogo do ex-PT.
Embora fina (125 páginas), a obra é ambiciosa. Propõe-se a traçar rumos para a "nova esquerda". Lendo-a descobre-se por que o desempenho do ex-PT no governo aproximou o partido de seus opostos. Genro declara-se simpático à tese de que "é necessário rebaixar o programa estratégico da emancipação, para colocar no centro da práxis a luta imediata por inclusão [...] e distribuição de renda".
No governo, diz Genro, o ex-PT privilegia a "segurança". Recusa-se a encarnar o papel de "vanguardista do tipo bolchevique". Almeja "um acordo com sentido policlassista". A exacerbação da "luta de classes" fragilizaria o governo. Diz o ministro: "Não há nenhum exemplo histórico de políticas transformadoras que não tenham combinado realismo e utopismo. Lênin, Rooselvelt, Mao, Deng, Getúlio Vargas, Lázaro Cárdenas, Kennedy, todos foram realistas e utópicos ao mesmo tempo." Para Genro, no "centro" do desafio da esquerda está o enfrentamento ao "processo de globalização financeira". Ditado "pelos Estados Unidos", produziu "uma ampliação desmesurada do sistema financeiro internacional, alienado da produção [...]".
No Brasil, escreve Genro, "as políticas sociais e o projeto econômico que começaram a ser implementados pelo governo Collor foram seguidas pelos governos de FHC". O tucanato "rapidamente deu efetividade ao projeto político do grande capital". Pior: "Sua base parlamentar, articulada fisiologicamente e reunindo as velhas e novas oligarquias, garantiu-lhe a inviabilização do projeto social contido na Constituição de 1988".
O ministro se exime de lembrar que o governo a que serve também toma a bênção ao "grande capital", come na mão da mesma "base parlamentar" fisiológica e rende homenagens aos oligarcas de sempre, Sarney entre eles.
Genro afirma que "a inserção subordinada do Brasil no sistema global" levou à "afirmação de um modelo econômico baseado no neo-rentismo especulativo". Propõe uma "ruptura com a globalização financeira". Silencia sobre o banquete que o companheiro Palocci serve aos neo-rentistas.
O ministro defende o "fechamento" da economia "em níveis que possam ser sustentados por novas alianças políticas internacionais". Ele é taxativo: "Não há a menor possibilidade de pensar-se em qualquer transformação [...] que tenha um caráter socializante ou socialista -do poder e da riqueza- sem que o país tenha uma ambição nacional que se materialize em um projeto nacional". Na arena política, Genro identifica a falência do modelo de representação. Abraça a "democracia direta". Que passa pela "exacerbação da consulta, do referendo, do plebiscito e de outras formas de participação".
Fala de uma "reengenharia institucional nos diversos níveis da federação". O modelo ideal contemplaria "uma estrutura parlamentar unicameral". Seus integrantes estariam sujeitos à cassação do mandato por "recall". Também o presidente da República teria de reconfirmar o próprio mandato em consultas anuais ao eleitorado.
Genro condiciona o sucesso do "controle democrático do Estado" a um ataque frontal ao "monopólio das comunicações". Acha que é preciso "desconstituir" o poder da mídia. A "manipulação da informação", diz ele, "tem sido fundamental para a implantação do projeto neoliberal [...]."
Recomenda a criação de "uma estrutura estatal de caráter político-administrativo", para regular a "liberdade de informação e de opinião, hoje totalmente comprometidas pela verdadeira ocupação que as elites fizeram dos meios de comunicação mais potentes e incidentes sobre a vida cotidiana". Haveria "um conselho permanente de democratização da informação, formado por representantes designados pelos três poderes e pelos partidos políticos, mas cuja composição majoritária seria formada por membros eleitos nos Estados".
A finalidade do conselho seria "regrar e vigiar a aplicação de regras que permitam liberdade de informação, livre trânsito de opiniões, obstrução de qualquer monopólio na área, bem como a elevação dos padrões éticos e culturais dos meios de comunicação".
Em resumo: o modelo petista exposto por Genro passa por um "realismo" que impõe ao brasileiro comum, eterno figurante de sua história, um novo período de espera antes de entrar em cena. E desemboca na "utopia" de um regime submetido a meios de comunicação subjugados.
* O nome correto do livro é Esquerda em Processo. Ed. Vozes, 2004.

16 de março de 2007

Porto Alegre: 235 anos

No dia 26 de março, Porto Alegre comemora 235 anos de existência. Como é de praxe, realizar-se-ão atividades comemorativas entre os dias 24 e 31 de março, cuja culminância é o grande baile da Redenção.
Confesso a vocês, que não consigo comemorar neste espaço público tão querido. A festa, na administração Fogaça, perdeu totalmente a graça para mim. Aliás, a última vez que estive no Parque Farroupilha foi para ver e fotografar a mostra de teatro de bonecos, mais a maravilhosa exposição, no ano passado.
E dentro deste espírito triste por viver em Porto Alegre em tempos de ultra-direita no poder municipal e estadual, farei uma homenagem "denúncia e protesto". Compilarei textos, artigos, fotos, desenhos, vídeos (se encontrar ou conseguir produzir) já escritos e que tratam do descalabro administrativo do município e a conseqüente piora da qualidade de vida dos moradores desta cidade, durante aquela semana.
E antes que me acusem de mal-humorada, ou coisa que o valha, aviso: querem ler boas notícias da "mui leal e valerosa"? Acessem a página da Prefeitura e leiam a mídia amiga. Pode ser que encontrem alguma coisa de real nestes espaços.

12 de março de 2007

Joe Fogaça e as baratas

Quem é porto-alegrense, ainda deve estar lembrado e lembrada do slogan da campanha do Fogaça manter o que está bom, mudar o que está ruim. Observe a foto, tirada na Salgado Filho, esquina com a Doutor Flores no dia 11/03/07, e tente me explicar, o que pensa a nova administração municipal sobre esta situação*:Pois eu digo: moro na zona sul e pego ônibus, há 20 anos, na Salgado. NUNCA, em todos estes anos, vi lixo, deste jeito, numa das principais avenidas da cidade. Realmente, os eleitores e as eleitoras do Fogaça deveriam achar MUITO RUIM os serviços de limpeza, por isso que DECIDIRAM MUDAR!
Devia ser muito ruim ver os garis varrendo o meio-fio da calçada, bem na hora que a gente subia nos ônibus, aquela varreção toda, atrapalhando o trânsito e o pedestre no seu livre direito de ir e vir!
Desconfio, que houve pressão psicológica dos ratos, moscas e baratas no momento de marcar o voto na urna. Como me recusei a ver a campanha eleitoral na TV, tenho a sensação de que foram as imagens, ao fundo, destes animaizinhos mimosos que comoveram a população a votar em quem defendia os pobrezinhos, cujas ações de limpeza da administração petista estavam acabando com as suas espécies.
Fogaça deve ter buscado inspiração no filme Joe e as baratas. Dizem, as boas línguas, que a não inclusão deste filme na lista dos candidatos ao Oscar, causou comoção no Gabinete do Prefeito. A julgar pelo estado que se encontra a limpeza pública em Porto Alegre, o nosso alcaide deve ser um aficcionado deste filme. Se a sujeira e as baratas do filme arrancavam risos da platéia, ver lixo espalhado em profusão na vida real não tem a menor graça.
Sei não, acho que a turma de eleitores e eleitoras fizeram livre associação de idéias: Fogaça + Eliseu = titica = sujeira = lixo = ratinhos, baratinhas e mosquinhas...
De qualquer sorte, se Fogaça não conseguir o seu intendo de manter o que está bom e mudar o que está ruim, pode largar a política e tentar uma boquinha de cenógrafo em filme trash de "Hollywood"!
Sobre o tema, também é legar ler:
A CARAPUÇA
RS URGENTE
*Fotos editadas, gentilmente, pelo Jean Scharlau. A comunidade blogueira se ajuda! Obrigada, Jensha!