20 de novembro de 2010
20 de Novembro: Dia da Consicência Negra
21 de abril de 2010
Quilombo de Palmas cercado pelos ruralistas
A Comunidade do Quilombo de Palmas, na região de Bagé/RS, está sofrendo pressão de fazendeiros, que estão em vigília na entrada do quilombo há 15 dias. Representantes do Movimento Negro denunciaram ao Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa RS, ao Ministério Público Federal e Estadual, além de outros órgãos, esta presença ostensiva em via pública gerando constrangimentos e impedindo, inclusive, a entrada do INCRA para a realização do trabalho de demarcação da área.
Um documento elaborado pelos representantes do movimento negro ontem, dia 20, exige providências aos órgãos responsáveis, como a polícia federal, Secretaria de Segurança Pública do RS, Ministério Publico Federal e Estadual, a Procuradoria do Incra entre outros. Exige-se que estes órgãos garantam a integridade física e moral dos Quilombolas e das Lideranças da Associação, bem como, da defesa do território que se encontra com a presença dos ruralistas fiscalizando o movimento de quem passa para impedir que o INCRA acesse o quilombo.
Fonte: Catarse
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A arrogância dos ruralistas é ultrajante! Onde está a polícia guasca nesta hora? Não é à toa, que a extrema direita vence eleição no RS, onde ainda existe gente com mentalidade escravagista em pleno Século XXI!
10 de março de 2010
Catarse o o longa Tambor do Sopapo
Projeto sobre o Tambor de Sopapo: filmagens de longa-metragem estão a pleno
[...] este é parte integrante de um projeto que vai procurar trazer à tona um pouquinho de uma história insistentemente apagada pelo positivismo branco que tomou conta dos relatos "históricos" do Rio Grande do Sul e tratou de apagar quaisquer traços da contribuição do negro na construção do estado.
Então, pra procurar derrubar um pouco deste mito do gaudério branquinho, base do ideal tradicionalista do 20 de setembro, a gente resolveu pegar o mote da existência de um tambor típico e surgido - a partir de derivações que respeitam a origem africana e a territorialidade local - na região das charqueadas pelas mãos dos escravos.
Estes negros... Estes, sim, responsáveis pelo crescimento e enriquecimento de Pelotas e Rio Grande em uma fase da história do RS. [...]
Assistam ao vídeo produzido pela Catarse e transmitido na tv pública brasileira, TV Brasil:
9 de março de 2010
Repórteres no pelourinho

No flagrante, a indolente negra Anastácia, que não entendia a importância do estupro consensual para a miscigenação da civilização brasileira
A direção da Folha de S.Paulo, simplesmente, autorizou a um elemento estranho à redação (mas não aos diretores), o sociólogo Demétrio Magnoli, a chamar de “delinquentes” dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca. Por tabela, também o colunista Elio Gaspari, que desceu a lenha no malfadado discurso racista de Demóstenes Torres, acabou no balaio da delinquencia jornalística montado por Magnoli.
Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados (Laura Capiglione e Lucas Ferraz), como, imagino, deve prever o seu completíssimo manual de redação, ou encerra as atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Milleniun, não entende absolutamente nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião. A matéria de Laura e Lucas nada tem de ideológica, nem muito menos é resultado de “jornalismo engajado” (contra o DEM, na Folha??). A impressão que se tem é que houve falha nos filtros internos da redação e deixaram passar, por descuido ou negligência, uma matéria cujas conseqüências aí estão: o senador Torres, sujeito oculto da farsa do grampo montada em consórcio entre a Veja e o STF, virou, também, o símbolo de um revisionismo histórico grotesco, no qual se estabelece como consensual o estupro de mulheres negras nas senzalas da Colônia e do Império do Brasil.
A reação interna à repercussão de uma matéria elaborada por dois repórteres da sucursal de Brasília, terceirizada por Demétrio Magnoli, é emblemática (e covarde), mas não diz respeito somente à Folha de S.Paulo. O artigo “Jornalismo delinquente”, publicado na edição de hoje (9 de março de 2010), na página de opinião do jornal, nada tem a ver com políticas de pluralidade de opiniões, mas com intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores, e não só da Folha, para os tempos de guerra que se aproximam. A recusa de Aécio Neves em ser vice de José Serra deverá jogar o DEM, outra vez, no vácuo dos tucanos, a reviver a dobradinha iniciada entre Fernando Henrique Cardoso e o PFL, de triste lembrança. O imenso mal estar causado pela fala de Demóstenes Torres na tribuna do Senado Federal, resultado do trabalho rotineiro de dois repórteres, acabou interpretado como inaceitável fogo amigo. Capaz, inclusive, agora, de a dupla de jornalistas correr perigo de empregabilidade, para usar um termo caro à equipe econômica tucana dos tempos de FHC.
Demétrio Magnoli, impunemente, chama a reportagem da Folha de S.Paulo de “panfleto disfarçado de reportagem”, afirmação que jamais faria, e muito menos a publicaria, sem autorização da direção do jornal, precedida de uma avaliação editorial e política bastante criteriosa. O fato de se ter permitido a Magnoli, um dos arautos da tese conceitualmente criminosa de que não há racismo no Brasil, insultar dois repórteres e o principal colunista da Folha, em espaço próprio dentro de uma edição do jornal, deixa a todos – jornalistas e leitores – perplexos com os rumos finais da velha mídia e de seu inexorável suicídio editorial em nome de uma vingança ideológica, ora baseada em doutrina, ora em puro estado de ódio racial e de classe.
21 de novembro de 2009
A consciência Branca da Globo

Ao elencar a atriz negra Thaís Araújo para protagonista de sua novela das nove, a TV Globo, através de seu funcionário Manoel Carlos, parecia querer responder ao Estatuto da Igualdade Racial idealizado pelo movimento negro que não seria necessário estabelecer cotas para atrizes e atores negros; bem, parece não ter sido à toa que justamente no momento de uma decisão histórica quanto ao conteúdo do referido Estatuto, a Globo tenha lançado ao ar duas novelas com protagonistas negras, atrizes que inclusive têm uma postura racial condizente às suas trajetórias, como são Thaís Araújo e Camila Pitanga. Nas entrelinhas, previa-se uma forjada justificativa à sociedade das "desnecessárias" cotas raciais para os meios de comunicação, já que este espaço vem sendo ocupado pelo núcleo negro da Globo. Convenhamos, uma jogada de mestre; assim, evita-se o "mal maior" para a Consciência Branca do comando global, que é obedecer a lei e fazer cumprir os direitos da pessoa, da população e dos povos negros.
Pois então que nesta semana, no capítulo que foi ao ar na noite do 17 de novembro, com precisão cirúrgica o autor desenhou a cena mais representativa possível da ópera racista contra o verdadeiro protagonismo negro. A suposta protagonista da novela, a personagem de Helena, após ser retirada de seu núcleo familiar negro para transitar exclusivamente num núcleo branco e assim ser sujeita a traições e humilhações, é posta de joelhos diante de uma de suas antagonistas brancas - já que, para uma negra, não basta uma só antagonista, devendo vir elas em número de três: a amante do marido, a filha mimada e infantilizada do marido e a ex-mulher do marido. Não apenas de joelhos, deve pedir perdão de cabeça baixa; não apenas de cabeça baixa, sob o olhar duro e inflexível de sua então dominadora; não apenas isso, como se já não fosse o bastante, deve pedir perdão e ter por resposta uma bofetada no rosto. Para finalizar a cena, a personagem desabafa com uma das melhores amigas que "devia ser assim".
Ou talvez, pensa o autor que pode salvar o papel de Helena pondo-a no lugar em que acha pertencer à mulher negra. Agora sim, a Globo assinou embaixo de suas verdadeiras posturas ideológicas - mais diretamente, de seu racismo.
Rebeca Oliveira Duarte - Advogada e Cientista Política do Observatório Negro
9 de janeiro de 2009
Trabalho escravo no Brasil

O estado de Goiás liderou a lista com 867 libertações. O Pará ficou em segundo, com 741 libertações, seguido do estado de Alagoas, com 656 e Mato Grosso, com 519. De acordo com o coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Frei Xavier Plassat, o levantamento é preocupante, tendo em vista que, desde 2002, os números se mantêm na faixa de quatro a seis mil libertações anual. O religioso ainda afirma que este número pode aumentar, pois algumas delegacias regionais do trabalho não enviaram o relatório final.
“Estamos descobrindo novas ocorrências de trabalho escravo em regiões que até então não entravam no registro de trabalho escravo no Brasil. Observamos que houve crescimento na Região Centro-Oeste. Isto sinalizou que algumas atividades onde não fazíamos fiscalização acabaram entrando na lista. Falo especificamente dos canaviais. Nos últimos anos forneceram a metade dos trabalhadores resgatados de condições de escravidão”.
O setor sucroalcooleiro liderou o ranking de libertações com mais de 2,1 mil trabalhadores libertados, seguido da pecuária bovina, com 954 pessoas. Desde 1995 – ano que o grupo móvel do MTE iniciou os trabalhos – mais de 30 mil trabalhadores já foram libertados. O Ministério do Trabalho divulga semestralmente a “lista suja” do trabalho escravo com nomes de empregadores que utilizam essa mão de obra escrava. Na última, divulgada no mês de dezembro, consta o nome de mais de 200 empregadores.
De São Paulo, da Radioagência NP, Danilo Augusto.
07/01/08
Fotos: André Penner/Abril Imagens