Mostrando postagens com marcador mahmoud ahmadinejad. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mahmoud ahmadinejad. Mostrar todas as postagens

26 de agosto de 2010

“COM PEDAÇOS DE PAU E PEDRAS”


Laerte Braga

O presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad disse em discurso na inauguração da usina nuclear de Bushehr, em presença de autoridades russas e de seu país (a usina tem tecnologia russa e se destina à produção de energia) que a defesa da revolução islâmica no caso de um ataque norte-americano ou por parte de Israel, que “nossas opções não terão limites, envolverão todo o planeta”.

Documentos liberados pelo site WikiLeaks e criados pela unidade especial da CIA – CENTRAL INTELIGENCY AGENCY – apontam casos em que cidadãos norte-americanos financiaram atividades terroristas. [1]

Em documentos anteriores o mesmo site, perto de noventa e dois mil documentos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, mostra que o governo dos Estados Unidos exporta terrorismo na forma de seqüestros, assassinatos seletivos, prisões indiscriminadas em qualquer parte do mundo, práticas acentuadas no governo de George Bush como reação ao ataque às torres gêmeas do World Trade Center.

Uma das grandes dificuldades do atual presidente dos EUA Barack Obama é desmontar esse aparato repressivo, bárbaro, que, no todo, acaba se vendo presa fácil de quadrilhas de grande porte no tráfico de drogas, de mulheres e agora tráfico de petróleo a partir do México.

As políticas de terceirização de atividades de inteligência e militares postas em curso por Bush geraram distorções de tal ordem que nem a Casa Branca sabe mais a real extensão de todo o conjunto de insensatez do governo anterior.

Essas dificuldades se apresentam visíveis na reação de republicanos comandados agora pelo senador John McCain, derrotado nas eleições presidenciais por Obama e deixam claros os novos contornos do que era uma nação e hoje é um conglomerado de interesses privados de bancos, corporações do petróleo, das armas, com tentáculos capazes de paralisar o Estado e transformar a maior nação do mundo numa grande empresa voltada para o terrorismo.

Obama até agora não conseguiu entrar no salão oval.

A guerra global é uma realidade e pode ser entendida na afirmação feita por Hans Blinx, mês passado, sobre as advertências feitas a Bush que não existiam provas da presença de armas químicas e biológicas no Iraque. Blinx fala que os norte-americanos estavam “em estado de embriaguez pelo poder do arsenal que dispunham”. E continuam a dispor. Blinx foi um dos inspetores da ONU no Iraque à época que precedeu a invasão daquele país pelos EUA, à revelia do Conselho de Segurança da ONU.

Só que agora boa parte do que se convencionou chamar de forças armadas é controlada por empresas privadas e muitas ações pertinentes àquelas forças, são executadas por essas empresas. Generais norte-americanos são fachadas para executivos de companhias que tanto operam contra os Talibãs no Afeganistão, como traficam drogas, mulheres, armas, petróleo, lavam dinheiro, toda a sorte de operações criminosas de grande porte e possíveis.

A união de todas as máfias sonhada e desejada por cada chefe mafioso na história dessas organizações criminosas. Chegaram ao topo. Vendem democracia, drogas, mulheres, lavam dinheiro e têm milhares de ogivas nucleares capazes de destruir o planeta pelo menos cem vezes.

A vala com corpos de cidadãos latino-americanos que foi encontrada no México exibe o estado de caos que permeia aquele país. Ou “ex-país”. Colônia dos EUA desde a assinatura do NAFTA (tratado de livre comércio entre EUA, Canadá e México).

Uma das conseqüências ou exigências para que o conglomerado terrorista formado pelos EUA e por Israel opere é a presença de governantes dóceis e isso se consegue com corrupção. Foi o caso de FHC no Brasil, Menem na Argentina, Uribe na Colômbia e é agora com Calderón no México. Para citar apenas latino-americanos.

O chamado mundo institucional é a face visível em cor laranja dos operadores do terrorismo de estado.

No Brasil trabalham a partir do PSDB, DEM, PPS, mídia privada (GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, RBS, VEJA, ÉPOCA, etc) e corporações de banqueiros, empresas nacionais e multinacionais e latifúndio. Se abrigam simbólica e realmente na sigla FIESP/DASLU.

O golpe militar em Honduras e a farsa democrática montada com o governo terrorista de Pepe Lobo (mais um jornalista foi assassinado hoje, quinta-feira, dia 26 de agosto, o nono neste ano), não difere de ações na Colômbia a partir do governo central, ou no México, tanto quanto o massacre de palestinos por Israel e as guerras do Iraque e do Afeganistão.

Despejam seus dejetos em containers democráticos no mar da Somália, ou em navios que enviam ao Brasil.

São perto de quinhentas bases militares dos EUA em todo o mundo e uma série de operações em todo o planeta para manter intato o poder dos grupos que controlam a mega empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

Ahmadinejad não disse nada diferente do que acontece na prática, disfarçada de democracia cristã e ocidental. Quis apenas mostrar que seu país está pronto para reagir a esse terrorismo e tem condições militares de fazê-lo.

O Irã detém a terceira maior reserva de petróleo do mundo. Ao transformar-se numa potência coloca em risco os “negócios” das grandes corporações que detêm o controle acionário de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

São assassinatos de civis no México, na Colômbia, em Honduras, no Iraque, no Afeganistão, ou de líderes de movimentos de resistência por agentes de Israel com documentos oficiais, mas nomes falsos, de países controlados pelos EUA (Grã Bretanha, Itália e Alemanha) e tudo isso mostrado ao mundo em forma de torta de maçã com canela pela mídia privada e corrompida.

Ou como disse a um grupo de professores e alunos de uma universidade paulista em visita à redação do JORNAL NACIONAL, o apresentador do dito cujo, sobre determinada notícia. “Esta não, pois contraria os nossos amigos americanos”.

Um dos fatos mais significativos desse estado de terrorismo oficial está no último discurso do presidente Lula ao referir-se ao diretor da FOLHA DE SÃO PAULO como alguém que queria saber se ele falava inglês. Se não fala, como vai governar o País? É que a FOLHA pensa em inglês, e empresta caminhões para que mortos por tortura sejam desovados em pontos de São Paulo. Preconceito puro, estampado em cores vivas na imbecilidade dos subordinados ávidos de poder.

O que tem uma coisa a ver com a outra? O discurso de Lula, o Irã, a guerra global?

Todos os fatos se encadeiam num projeto terrorista gerado em Washington desde o fim da guerra fria, para controle do resto do mundo, o que Fidel Castro chamou de “governo mundial”.

Quem acha que Hitler perdeu está equivocado. Por enquanto, em boa parte do mundo está ganhando e levando. Só mudou de bandeira. Tem as estrelas do Tio Sam e a de Davi.

E de nome.
Quem tiver boa memória vai se lembrar dos momentos que antecederam ao anúncio da invasão do Iraque. O terrorista George Bush apareceu em rede mundial de tevê sendo maquiado. Transformado por pós e cremes em anjo de guarda da democracia. Dias depois, quando ainda era viva a resistência iraquiana à invasão, proclamou que se necessário fosse “para evitar a destruição em massa do planeta, os EUA usarão armas atômicas no Iraque”.

Essa destruição em massa está acontecendo desde que Ronald Reagan assumiu o governo dos EUA. O papel de presidente bonzinho vivido por Jimmy Carter terminou com o próprio.

No filme DOCTOR STRANGELOVE, do extraordinário cineasta Stanley Kulbrick, um general comandante de uma base nuclear norte-americana decide por conta própria atacar a ex-URSS. Afirma que o comunismo está chegando ao seu país “pela água”.

O terrorismo norte-americano/sionista chega por bases militares (a Europa Ocidental hoje é colônia dos EUA), por golpes de estado, pela mídia privada vendendo idéias e factóides montados para transformar o ser humano em mero objeto.

Reduzir o Irã, a Venezuela, a Coréia do Norte, a Bolívia, Cuba, Nicarágua e alguns outros países a classificação de “ditaduras” é parte desse jogo de dominação, é a guerra global em curso.

Assassinar civis latino-americanos e jogá-los em covas rasas (México, Colômbia e Honduras) é apenas construir outras formas de muros para que o genocídio de palestinos se transforme em algo corriqueiro.

E palestinos restamos sendo todos nós.

Comemorar a morte de civis iraquianos com expressões como “matamos os bastardos”, quer dizer apenas que boçais fardados tomaram o petróleo do Iraque. Que os “negócios” vão continuar prosperando.

Sustentar governos de fachada como na Colômbia, no México, em Honduras, Costa Rica (“sem a polícia, sem a milícia...” A canção cantada por Milton Nascimento já não tem mais sentido, só saudades, uma base militar dos EUA já está sendo montada em San José), Afeganistão, Iraque, etc, controlar os países europeus, avançar sobre a América Latina, matar a África de fome, isso é a guerra global.

A barbárie capitalista. Tem sede em Washington e em Tel Aviv e filiais em todos os cantos do mundo.

No Brasil a mídia privada vende vinte e quatro horas por dia a idéia que Hollywood é o paraíso.

Se você conseguir pular o muro e escapar dos “grupos organizados de extermínio”.

A não ser que seu nome seja William Bonner, Boris Casoy, ou outros menores como Miriam Leitão, Lúcia Hipólito, Pedro Bial, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, um monte. E lógico, o tal Frias da FOLHA da ditabranda.

Com sorte, consegue virar ex-BBB e escapar para as cavernas, pois a próxima guerra, a quarta, a terceira está em curso, como dizia Einstein, será travada “com pedaços de pau e pedras”.

O que Ahmadinejad disse foi apenas que seu povo resistirá. E está pronto para isso.



[1] Leia também o Ficha Corrida: VEJA quem defende o terrorismo de estado no Brasil

11 de agosto de 2010

Espiões americanos alertam Obama para que não permita que Israel ataque o Iran


Fonte: Blog do Bourdokan

Um documento para a História

Espiões americanos alertam Obama para que não permita que Israel ataque o Iran:

“O resultado da guerra estendida que se seguirá levará à destruição do Estado de Israel”.


Presidente Obama,

Escrevemos para alertá-lo da possibilidade de que Israel ataque o Irã talvez ainda em agosto. Esse ataque levará a guerra mais ampla.
Os estrategistas israelenses trabalham com o dado segundo o qual, iniciada a guerra, o presidente dos EUA estará politicamente encurralado e nada mais poderá fazer além de apoiar Israel, não importa como comece a guerra. E que, então, haverá fluxo regular de soldados e armas norte-americanas, e a guerra poderá continuar. Mas o resultado da guerra estendida que se seguirá levará à destruição do Estado de Israel.

Ainda há tempo para deter esse movimento, mas só se o senhor mover-se com rapidez para impedir que Israel ataque o Irã. A única via que resta é o senhor, em declaração pública e bem clara, condenar o movimento antes de Israel atacar o Irã.

É nossa opinião que comentários feitos por altos funcionários dos EUA, o presidente inclusive, refletem confiança não-razoável no primeiro-ministro de Israel [Binyamin] Netanyahu.

De fato, até a construção das frases é reveladora, como quando o diretor Panetta, da CIA, deixa subentendido que o ‘cavalheirismo’ obrigaria Washington a deixar a cargo de Israel decidir se e quando atacar o Irã, e o ‘espaço’ que se deveria limitar para os esforços diplomáticos.

Dia 27/6, Panetta, falando como que casualmente, disse a Jake Tapper, da rede ABC: “Acho que [os israelenses] estão querendo nos dar espaço para tentar modificar o Irã com diplomacia (...) antes de se ter de mudar o Irã militarmente.”

O senhor, presidente Obama, usou o mesmo tom descontraído, ao referir-se a Netanyahu e ao senhor, em entrevista do dia 7/7 à TV israelense, tom evidentemente deslocado, se se consideram décadas de história e contatos com líderes políticos israelenses.

“Entre nós dois, nenhum tenta surpreender o outro” – disse o senhor. E que “o primeiro-ministro Netanyahu está comprometido com essa abordagem”. O presidente talvez deva pedir ao vice-presidente que o relembre sobre o tipo de surpresa que encontrou em Israel.

A dissimulação é, há muito tempo, flecha que Israel sempre tem à mão. No início da crise do Oriente Médio, na primavera de 1967, alguns de nós testemunharam verdadeira avalanche de 'surpresas' e fingimento dos israelenses, por exemplo quando os antecessores de Netanyahu fingiram temer ataque dos árabes, que disseram que estaria próximo, para justificar um ataque, que iniciou uma guerra para ocupar territórios árabes. Todos sabemos, desde aquela época, que Israel sempre exagera a ‘ameaça’ árabe. Por exemplo, em 1982, o ex-primeiro-ministro israelense Menachem Begin confessou, em público:
“Em junho de 1967, tínhamos uma escolha. As concentrações do exército egípcio perto do Sinai não provam que [o presidente egípcio] Nasser estivesse prestes a nos atacar. Temos de ser honestos com nós mesmos. Nós decidimos atacá-los.”

A verdade é que Israel preparou-se militarmente bem e até montou cenário de provocações contra seus vizinhos, para induzi-los a responder, de modo que a resposta pudesse ser usada para justificar a invasão para expansão de fronteiras.

Considerados esses registros, seria aconselhável receber com dose apropriada de ceticismo todas as promessas que Netanyahu tenha feito privadamente ao presidente, de que Israel não o surpreenderá com um ataque ao Irã.

O cálculo de Netanyahu

Netanyahu crê que está jogando com as cartas mais altas, em larga medida por causa do apoio que recebe do Congresso dos EUA e da mídia norte-americana, ambos sempre pró-Israel. E interpreta a relutância do presidente dos EUA – que não mencionou as questões bilaterais controversas durante sua recente visita – como comprovação de que Israel tem os EUA sob controle, nesse relacionamento.

Em anos de eleições nos EUA (também nas eleições de meio de mandato), os líderes israelenses confiam ainda mais firmemente no próprio poder (e no poder do lobby do Partido Likud no Congresso). como força que controla o cenário político nos EUA.

O atual primeiro-ministro de Israel aprendeu bem as lições de Menachem Begin e Ariel Sharon.

A atitude de Netanyahu transparece bem evidente em vídeo gravado há nove anos e exibido pela televisão em Israel, no qual se gaba de o quão facilmente induziu o presidente Clinton a crer que ele, Netanyahu, estaria ajudando a aplicar as decisões do Acordo de Oslo, quando, de fato, as estava destruindo.

Naquele vídeo, vê-se a atitude de desprezo – e de deslumbramento – por os EUA de deixarem influenciar tão facilmente por Israel. Netanyahu diz:
“A America é coisa que se conduz facilmente, na direção certa. Eles não nos atrapalharão. 80% dos norte-americanos nos apóiam. É absurdo.”
Para Gideon Levy, do jornal israelense Ha'aretz, esse vídeo mostra Netanyahu como “rematado farsante (...) que acha que tem Washington no bolso do colete e pode guiá-la como se fosse cega. E esse comportamento não mudou com o passar dos anos.”

Como já se disse acima, Netanyahu teve instrutivos exemplos dos quais aprender.

Ninguém menos que o general Brent Scowcroft disse ao Financial Times que o ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon “hipnotizou” George W. Bush; que “Sharon fazia dele o que quisesse, como se fosse um chaveiro pendurado no dedinho.”

(Scowcroft foi imediatamente demitido do prestigioso posto de presidente do Conselho de Aconselhamento Presidencial para Assuntos de Inteligência Internacional e proibido de por os pés na Casa Branca.)
Se for preciso mais provas do apoio com que Netanyahu pode contar no governo dos EUA, basta lembrar o que se viu na recente visita dos senadores McCain, Lieberman e Graham a Israel, na segunda semana de julho.

Lieberman disse que Israel conta com amplo apoio no Congresso para usar quaisquer meios, “para adotar medidas militares, se for preciso” para impedir que o Irã converta-se em potência nuclear. O senador Graham foi também explícito: “O Congresso [dos EUA] zela por Israel”.
Mais recentemente, 47 deputados Republicanos assinaram declaração (HR 1.553) na qual declaram “apoio ao direito de Israel de usar todos os meios necessários para enfrentar e eliminar a ameaça nuclear iraniana (...) inclusive com recurso a força militar.”

O poder do lobby do Partido Likud, especialmente em ano eleitoral, facilita a ação de Netanyahu para convencer os seus raros colegas que ainda precisam ser convencidos, de que não haverá momento mais auspicioso para promover “a mudança do regime” em Teerã.

E – como esperamos que os conselheiros presidenciais já tenham informado ao presidente –, a mudança do regime, não as armas nucleares que não existem no Irã, é o principal interesse de Israel.
Se uma ou duas bombas atômicas iranianas pudessem alterar o jogo – não obstante o que diga Israel –, seria de esperar que Israel se agarrasse com unhas e dentes à chance de ver metade do urânio baixo-enriquecido do Irã ser mandado para longe.

Mas não. Em vez disso, Israel declarou que o acordo tripartide, negociado por Turquia e Brasil e pessoalmente encorajado pelo presidente dos EUA, seria “uma manobra”. Estranha “manobra”, se fosse, que põe metade do urânio baixo-enriquecido iraniano completamente fora do controle de Teerã.

O documento “National Intelligence Estimate” (NIE)
Os israelenses não tiraram os olhos, observando atentamente, os esforços da inteligência dos EUA para atualizar, com um novo “Memorandum to Holders”, o antigo NIE de novembro de 2007 sobre o programa nuclear iraniano. Vale a pena lembrar algumas das ideias centrais daquele documento:
“Entendemos, com alta confiabilidade, que no outono de 2003 Teerã suspendeu seu programa de armas nucleares. Entendemos, com média confiabilidade, que Teerã não reiniciou o programa que havia em meados de 2007, mas não se sabe se atualmente tem planos para desenvolver armas atômicas (...)”.

No início de 2010, em depoimentos públicos ao Congresso, o ex-diretor da National Intelligence Dennis Blair (1-2/2) e o diretor da Defense Intelligence Agency general Ronald Burgess, com o vice-presidente do Conselho do Estado-maior general James Cartwright (14/4), não alteraram essas conclusões.

Blair e os demais confirmaram as conclusões da comunidade de inteligência quanto a esse ponto-chave. Como Blair declarou recentemente: “Só não podemos dizer hoje, se o Irã, algum dia, decidirá construir uma bomba nuclear.”

A mídia supernoticiou os comentários de Panetta e do presidente, com conclusões diferentes e mais sombrias. O senhor, presidente Obama, disse à televisão israelense que “todos os indicadores mostram que eles [os iranianos] estão de fato trabalhando para construir uma bomba atômica”. E Panetta disse à rede ABC, “Acho que eles continuam a trabalhar em projetos nessa área [da fabricação de armas atômicas].”
Panetta apressou-se a dizer contudo que, em Teerã, “Há debate continuado, nesse momento, sobre se devem ou não prosseguir com a bomba.”

Israel provavelmente crê que deva dar mais peso ao depoimento oficial de Blair, Burgess e Cartwright, que seguem o NIE anterior. E os israelenses temem que, com a tantas vezes adiada divulgação do Memorando-revisão do NIE de 2007, se confirmarão, na essência, as avaliações de 2007.

Nossas fontes asseguram que uma revisão honesta do NIE 2007 fará precisamente isso, e suspeitam que o adiamento de vários meses para a divulgação da revisão significa que as avaliações da inteligência estão sendo ‘corrigidas’ para ‘combinarem’ com as decisões políticas – exatamente como já foi feito antes de os EUA atacarem o Iraque.

Uma guerra projetada

Em novembro de 2007, as conclusões principais do NIE 2007 meteram uma trava de aço na engrenagem da máquina de guerra de Dick Cheney que, antes delas, já marchava acelerada para a guerra contra o Irã. O NIE enfureceu os líderes israelenses, que planejavam atacar o Irã antes do final do mandato do presidente Bush e de seu vice Cheney. Agora, Netanyahu teme que a divulgação de um Memorando-revisão honesto tenha efeito semelhante.

Conclusão: mais um incentivo para que Israel ataque o Irã, antes tarde do que nunca, porque é possível que a divulgação de um Memorando-revisão honesto impeça o ataque. E o ataque impedirá a divulgação do Memorando.

O anúncio, semana passada, de que funcionários dos EUA reunir-se-ão com funcionários do Irã, para reiniciar as conversações sobre o enriquecimento do urânio iraniano baixo-enriquecido que será usado no reator de pesquisas em Teerã, foi boa notícia para todos, exceto para os líderes israelenses.

Além disso, o Irã já declarou que está preparado para suspender o enriquecimento do urânio a 20% (nível de enriquecimento necessário para o reator de pesquisas médicas), e também já deixou bem claro que considera bem-vindo o reinício das conversações.

Repetindo: um acordo que obrigue o Irã a mandar para outro país praticamente a metade de todo o seu urânio baixo-enriquecido, é garantia de que, no mínimo, retarda-se muito o processo de fabricar bombas atômicas, na hipótese de que, algum dia, o Irã resolva fabricá-las. Mas é arranjo inconveniente do ponto de vista de Israel, porque Israel perde o mais convincente argumento que tem, para justificar a guerra ao Irã.

Resultado: com as conversações que os líderes israelenses já chamaram de “manobra” agendadas para recomeçar em setembro... cresce a pressa, em Telavive, para atacar o Irã antes de que haja qualquer conversação e acordo.

Repetindo: o objetivo de Israel é a mudança de regime no Irã. Inventar o medo de armas nucleares iranianas é, só, um meio eficaz para ‘justificar’ o golpe. Deu certo no Iraque, não deu?

Outra guerra que tem de ser evitada

Presidente Obama,
é absolutamente necessário que o presidente, em declaração pública e bem clara, declare que não é recomendável que Israel ataque o Irã. Imediatamente depois da declaração, é indispensável que o presidente despache o almirante Mullen outra vez para Telavive, com instruções bem explícitas, dos militares para os militares: Nem pensem em atacar o Irã.

Logo depois de divulgado o NIE 2007, o presidente Bush atropelou o vice-presidente Cheney e despachou o almirante Mullen para Israel, com essa mesma, idêntica mensagem. Naquela primavera, o almirante Mullen voltou aliviado para casa, com passos firmes e grato por ter conseguido livrar-se da suspeita de que trabalhava sob ordens de Cheney, que tentava obrigá-lo a mandar o exército dos EUA à guerra contra o Irã.

Mas Mullen voltou nervoso, suando nas mãos, da visita que fez a Israel em fevereiro de 2010. Desde então, já disse várias vezes que Israel pode encurralar os EUA e nos arrastar para uma guerra contra o Irã. Também tem dito que é indispensável que o Pentágono tenha plano pronto para atacar o Irã, se for necessário.

Diferente porém da experiência de 2008, Mullen parecia perturbado, porque os líderes israelenses não deram sinal de levar a sério os seus recados.

Em Israel, Mullen insistiu publicamente que um ataque ao Irã criaria “um grande, grande, grande problema para nós, e preocupam-me muito as conseqüências não desejadas.”

Na volta, em conferência de imprensa no Pentágono, dia 22/2, Mullen repetiu em casa o mesmo ponto. Depois de recitar a morna conversa de sempre sobre o Irã, “que estaria a caminho de alcançar competência bélica nuclear” e “sua ambição de dominar os países vizinhos”, Mullen recitou o seguinte parágrafo de declarações que trouxe escritas:
“Por hora, as alavancas diplomáticas e econômicas do poder internacional são e devem ser as primeiras alavancas a serem acionadas. De fato, espero que sempre sejam acionadas consistentemente. Mas nenhum ataque, por efetivo que seja, será, de si e por si só, decisivo.”

Diferente nisso de generais mais jovens – como David Petraeus, por exemplo –, o almirante Mullen serviu na Guerra do Vietnã. É essa experiência que o faz dizer coisas como “Gostaria de lembrar a todos uma verdade essencial: a guerra é sempre sangrentea e desigual. É confusa, é feia e é um incrível desperdício...”

Embora o contexto imediato desse comentário seja o Afeganistão, Mullen já disse inúmeras vezes que uma guerra contra o Irã seria desastre muitas vezes maior. Quem tenha familiaridade, por mínima que seja, com o que está em jogo em termos militares, estratégicos e econômicos, sabe que ele tem razão.

Outros passos

Em 2008, depois que Mullen leu para os israelenses o decreto que proibia atacar o Irã, os israelenses puseram de lado seus planos preventivos para o Irã. Com essa missão cumprida, Mullen passou a trabalhar concentradamente em meios para evitar que incidentes (no caso, principalmente os que fossem deliberadamente provocados) no super engarrafado Golfo Persa levassem a hostilidades de maior escala.
Em conferência de imprensa dia 2/7/2008, Mullen lançou um interessante balão de ensaio, ao sugerir que um diálogo militares-militares poderia “acrescentar muito ao entendimento recíproco” entre os EUA e o Irã. Mas nada mais se ouviu sobre o tema, provavelmente porque Cheney mandou-o esquecer o assunto.

Era boa ideia – e ainda é. Ainda não se está dando a atenção devida ao risco de confrontação EUA-Irã no super engarrafado Golfo Persa. É questão importante. Estabelecer linhas de comunicação direta entre os altos oficiais militares em Washington e em Teerã reduziria o risco de acidente, erro de cálculo, ou ataque por navios sem bandeira ou com falsa bandeira.

Nossa opinião é que isso tem de ser providenciado imediatamente – sobretudo porque as sanções recentemente introduzidas dão direito de acesso para inspeção a navios iranianos. O comandante da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã já ameaçou com “resposta imediata no Golfo Persa e no Estreito de Hormuz”, caso alguém tente inspecionar navios iranianos em águas internacionais.

Outra válvula de segurança pode ser providenciada nos termos das bem-sucedidas negociações por protocolo bilateral para “incidentes no mar” que foi assinado com os russos em 1972, em período de tensões relativamente altas.

Em momento de joões-ninguéns no reino da comunidade de inteligência, é possível considerar também a via de todos nos pormos em campo e insistir, nos ouvidos certos, para que concluam rapidamente um honesto Memorando-revisão do NIE 2007, a ser divulgado em meados de agosto, e que, se necessário, pode registrar opiniões divergentes.

Notícia triste, nossos ex-colegas informam que a politização ‘eleitoral’ da análise de inteligência não foi enterrada com o mandato de Bush e Cheney…e que o problema é grave mesmo no Setor de Inteligência e Pesquisa do Departamento de Estado, de onde, no passado, se produziram as melhores análises, profissionais, objetivas, de analisar o que há, como há.

Imprensa e ‘experts’: não veem o que interessa ver

Como muitos viram, o Washington Post cedeu quase toda a primeira página da seção “Outlook”, domingo, a um artigo intitulado “A Nuclear Iran: Would America Strike to Prevent It? — Imagining Obama’s Response to an Iranian Missile Crisis” [Um Irã nuclear: os EUA devem atacar para impedir? Como Obama responderia a uma crise de mísseis iranianos?”][2]
A página cinco, inteira, traz o resto do artigo, sob o título “Who will blink first when Iran is on the brink?” [Quem pisca primeiro, quando se trata de Irã?]
Foto de meia página de um míssil em desfile para autoridades iranianas (ao estilo das imagens de desfiles na Praça Vermelha), na dobra da seção “Outlook”, como se o míssil estivesse a um segundo da explosão.
Como sempre, os jornalistas falam da “ameaça” iraniana como se houvesse ameaça ameaçando os EUA, mesmo depois de a secretária Clinton já ter dito publicamente que não é nada disso. E lá vem, o recado jornalístico: a única opção para os EUA seria “a solitária, impopular via da ação militar, se os aliados não chegarem a um consenso.” O Tempora, O Mores!

Em menos de uma década, as guerras de agressão tornaram-se nada além de “vias solitárias e impopulares”.
O que mais espanta é que a palavra “Israel” não aparece uma única vez, em todo aquele longo artigo. E peças assemelhadas, assinadas por especialistas, muitas publicadas por think tanks relativamente progressistas, também discutem essas questões como se fossem problemas bilaterais entre EUA e Irã. É como se não vissem ou não dessem importância alguma a Israel.

As armas de agosto?[3]

O jogo é pesado, as apostas são altíssimas. Deixar que escapem os cães da guerra terá repercussões imensas. Outra vez, presidente Obama, esperamos que o almirante Mullen e outros o estejam mantendo a par do que está acontecendo.

Netanyahu joga jogo de vida ou morte se atacar o Irã, com alto risco para todos os envolvidos. No pior dos mundos, pior, mas provável, Netanyahu – não intencionalmente – será o Dr. Kevorkian[4] do Estado de Israel.

Ainda que os EUA venham a ser arrastados para guerra provocada por Israel, nada garante que a guerra leve a qualquer resultado positivo, ou que ‘termine bem’.

No caso de muitas baixas norte-americanas, e se os norte-americanos entenderem que nossos mortos morreram porque Israel exagerou até a loucura a ideia de que o Irã representaria ‘ameaça nuclear’, há risco real de que Israel perca muito do prestígio de que goza nos EUA.

Deve-se prever o ressurgimento de movimentos antissemitas nos EUA, se os cidadãos norte-americanos concluírem que políticos eleitos serviam a dois senhores no Congresso, e que o braço executivo de nosso governo lançou nossos soldados em guerra provocada, sob falsos argumentos, por Likudniks cegos a tudo que não fossem seus próprios estreitos propósitos.

Nada nos autoriza a crer que os principais atores políticos em Telavive ou em Washington sejam suficientemente sensíveis a esses fatores críticos.

Mas o senhor, presidente Obama, o senhor pode, sim, evitar que se detone essa desgraçada, mas muito provável e iminente, reação em cadeia. Concedemos que é possível que a ação militar dos israelenses contra o Irã talvez não leve a grande guerra regional, porque tudo é possível, mas avaliamos como baixa, bem baixa, a probabilidade de que não leve.

NOTA FINAL E ASSINATURAS
Os membros do grupo Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS) já enfrentamos antes situação semelhante à atual. Nosso primeiro Memorando ao Presidente foi distribuído na tarde de 5/2/2003, depois do discurso de Colin Powell na ONU.
Já há tempos acompanhávamos o processo pelo qual o trabalho da inteligência dos EUA vinha sendo corrompido e utilizado como a falsa-inteligência que mais tarde foi oficialmente (e corretamente) declarada “jamais comprovada, contraditória e inexistente” – adjetivos usados pelo ex-presidente da Comissão do Senado para Assuntos de Inteligência Jay Rockefeller, na conclusão de investigação ali conduzida durante cinco anos.
Ouvindo Powell falar, decidimos em coletivo que a única coisa séria a fazer seria tentar alertar o presidente, antes de que ele agisse orientado pela ‘anti-inteligência’ que o cercava e atacasse o Iraque. Diferentes de Powell, jamais dissemos que nossas análises seriam “irrefutáveis e inegáveis”. Concluímos nossa carta ao presidente com a seguinte mensagem de alerta:
“Depois de ouvir falar o secretário Powell hoje, estamos convencidos de que o presidente só terá a ganhar se ampliar a discussão (...) para além do círculo desses conselheiros que bem evidentemente desejam uma guerra, para a qual nós não vemos nenhuma causa ou motivo, e da qual entendemos que só podem advir conseqüências catastróficas.”
Não sentimos qualquer prazer por termos acertado no caso do Iraque. Naquele momento, vários outros grupos, alguns com bom conhecimento imediato do Iraque, acertaram tanto quanto nós e também lançaram alertas semelhantes ao nosso. Mas não conseguimos nos aproximar dos círculos que blindavam Bush e Cheney.
Infelizmente para os EUA, nosso vice-presidente, que então presidia a Comissão do Senado para Assuntos Externos, estava entre os que mais se empenharam para calar todas as vozes dissidentes. Por isso, também, fomos arrastados para o Iraque e para o pior desastre da política exterior da história dos EUA.
Sabemos que outra vez é possível que nossas análises estejam corretas e outra vez os EUA estão ameaçados por catástrofe, dessa vez ainda maior, no Irã. Outra vez o presidente, dessa vez o senhor, presidente Obama, não está sendo corretamente aconselhado pelo seu círculo mais próximo de conselheiros.
É provável que muitos à sua volta estejam dizendo ao senhor que, uma vez que o senhor já aconselhou o primeiro-ministro Netanyahu a não atacar o Irã, ele não atacará. O mais provável é que se trate, na Casa Branca, da conhecida síndrome de só dizer ao presidente o que outros suponham que o presidente queira ouvir.
Surpreenda-os, presidente Obama. Diga que há quem insista em que eles estão terrivelmente errados quanto a Netanyahu. A única coisa positiva em tudo isso é que só o presidente – o senhor e só o senhor – pode ainda impedir que Israel ataque o Irã.
[seguem-se as assinaturas, pelo grupo Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS)]
Ray Close, Diretoria de Operações, Divisão do Oriente Próximo, CIA (26 anos de serviço)
Phil Giraldi, Diretoria de Operações, CIA (20 anos de serviço)
Larry Johnson, Diretoria de Inteligência, CIA; Departmento de Estado; Departamento de Defesa (consultor) (24 anos de serviço)
W. Patrick Lang, Coronel do Exército, EUA, Forças Especiais (aposentado); Alto Serviço Executivo: Oficial da Defesa, Inteligência, para Oriente Médio/Sul da Ásia, Diretor de HUMINT, Agência de Inteligência de Defesa (30 anos de serviço)
Ray McGovern, Oficial de Inteligência do Exército dos EUA; Diretoria de Inteligência, CIA (30 anos de serviço)
Coleen Rowley, Agente Especial e Conselho da Divisão de Minneapolis, FBI (24 anos de serviço)
Ann Wright, Coronel do Exército dos EUA (aposentada) (29 anos de serviço); Funcionário do Serviço Exterior, Departamento de Estado (16 anos de serviço)
_______________________________


[1] Veteran Intelligence Professionals for Sanity (VIPS), é organização formada em janeiro de 2003 "para falar contra o uso dos serviços de inteligência para justificar a invasão do Iraque”. É “organização nacional, costa a costa, nos EUA. Reúne funcionários dos serviços de inteligência, sobretudo analistas, mas também agentes de campo, da CIA e outras agências e serviços” (em Sourcewatch, http://www.sourcewatch.org/wiki.phtml?title=Veteran_Intelligence_Professionals_for_Sanity).
[3] Orig. The Guns http://www.consortiumnews.com/2010/080310c.html)/080310c.html August, obra de história militar, de Barbara Tuchman, publicada originalmente como August 1914, em 1962 [NT].
[4] Jack Kevorkian (norte-americano, nascido em Michigan, em 1928) também conhecido como “Dr. Morte”, famoso por sua luta para que o suicídio assistido seja direito de todos. É o inventor da “máquina do suicídio” [NT].
em Consortiumnews, http://www.consortiumnews.com/

8 de abril de 2010

"Me segurem, me segurem!"


Uri Avnery,
Gush Shalom (Bloco da Paz), Israel
htp://zope.gush-shalom.org/index_en.html


“Me segurem!” é história que todos conhecem da infância. Os meninos, quando se desentendiam com meninos maiores, sempre fingiam que tentavam conter-se para não atacar o grandão, e gritavam para a rodinha em volta: “Me segurem! Me segurem... Ou eu mato esse cara!”.

Israel vive hoje situação semelhante. Israel está fingindo que atacará o Irã a qualquer momento e grita para o planeta: “Me segurem ou...” E o mundo, de fato, tem segurado Israel.

É arriscado profetizar nesses assuntos, sobretudo porque se tem de lidar com gente nem sempre inteligente e nem sempre, digamos mentalmente sã. Mesmo assim, arrisco: não há qualquer possibilidade, de nenhum tipo e por seja qual for o cálculo, de Israel mandar seus aviões atacarem o Irã.

Não vou entrar em assuntos militares. Mas... será que a Força Aérea de Israel é capaz de executar tal operação? As circunstâncias de hoje são semelhantes às de há 28 anos, quando Israel conseguiu destruir o reator iraquiano? Será que Israel conseguirá destruir o esforço nuclear iraniano, cujas instalações são dispersas num vasto território e enterradas fundo no subsolo?

Interessa-me focar um outro aspecto: será que o ataque ao Irã é politicamente viável? E levará a que consequências?

Em primeiro lugar, uma regra de base, na realidade israelense: o Estado de Israel não pode iniciar nenhuma operação militar de larga escala sem que os norte-americanos concordem.

Israel depende dos EUA em praticamente todos os campos e esferas, mas em nenhum campo ou esfera depende mais do que nos campos e esferas e assuntos bélicos e militares.

Todos os aviões necessários para a missão são fornecidos pelos EUA. O funcionamento e a operação dos aviões dependem de os EUA fornecerem peças de reposição. E seria absolutamente indispensável usar os aviões-tanques dos EUA para reabastecimento.

O mesmo se pode dizer de praticamente todas as armas e materiais de guerra do exército de Israel, além do dinheiro indispensável para comprá-los: tudo vem dos EUA.

Em 1956, Israel entrou em guerra sem o consentimento dos EUA. Ben-Gurion imaginou que bastaria acertar-se com o Reino Unido e a França. Errou imensamente. Cem horas depois de anunciar que “O Terceiro Reino de Israel” estava nascendo, anunciou com voz alquebrada que se retiraria de todos os territórios que acabava de ‘conquistar’. O presidente Dwight Eisenhower e seu colega soviético obrigaram Ben-Gurion a recuar, e foi o fim daquela aventura.

Desde então, Israel nunca mais iniciou guerra alguma sem, antes, obter autorização de Washington. Na véspera da Guerra dos Seis Dias, Israel enviou emissário especial aos EUA, para não haver qualquer dúvida quanto à autorização dos norte-americanos. O emissário recebeu luz verde dos norte-americanos e o ataque foi iniciado.

Às vésperas da Primeira Guerra do Líbano, Ariel Sharon, ministro da Defesa, correu a Washington para pedir autorização para atacar. Encontrou-se com o secretário de Estado Alexander Haig, que concordou com o ataque, mas exigiu que Israel só atacasse se fosse claramente provocado. Alguns dias depois, por coincidência, houve um atentado contra a vida do embaixador de Israel em Londres. E a guerra começou.
Os ataques do exército de Israel ao Hizbollah (“Segunda Guerra do Líbano”, como é chamada) e ao Hamás (a operação “Chumbo Derretido”) só foram possíveis porque foram operações incluídas na campanha dos EUA contra o “Islã Radical”. À primeira vista, o mesmo argumento aplicar-se-ia a um ataque ao Irã, mas... Não. Não. Não, porque um ataque de Israel ao Irã seria desastre militar, econômico e político para os EUA.
Dado que os iranianos também sabem muito bem que Israel não pode atacar sem que os EUA autorizem, os iranianos estão também jogando o seu jogo e reagirão de acordo com as circunstâncias.

Já escrevi aqui, que basta um rápido exame do mapa, para ver qual seria a reação imediata, se o Irã fosse atacado. O pequeno Estreito de Hormuz, à entrada do Golfo Persa (ou Árabe), pelo qual passa quantidade imensa do petróleo do mundo, seria fechado em questão de minutos. O resultado abalaria a economia mundial, dos EUA e Europa à China e Japão. Os preços chegariam às alturas. Países que hoje, a duras penas, começam a recuperar-se da última crise econômica mundial, afundariam na miséria, no desemprego, nos tumultos de rua e na bancarrota.

O Estreito só poderia ser reaberto por ataque por terra. Os EUA simplesmente não têm soldados para desperdiçar nesse tipo de operação – ainda que a opinião pública norte-americana aceitasse outra guerra, e guerra muito mais difícil do que no Iraque ou no Afeganistão, o que é improvável. Duvido até que os EUA se dispusessem a ajudar Israel a defender-se do inevitável contra-ataque por mísseis iranianos.

Qualquer ataque israelense a país islâmico central uniria o mundo islâmico, inclusive todo o mundo árabe. Os EUA passaram os últimos anos labutando muito para formar uma coalizão de países árabes “moderados” (quer dizer, de países árabes governados por ditadores sustentados pelos EUA), contra os Estados ditos “radicais”. Todo esse trabalho iria imediatamente pelo ralo. Nenhum líder árabe conseguiria manter-se neutro, se as massas fossem para as ruas exigindo ação.

Tudo isso é perfeitamente evidente para qualquer pessoa bem informada, e é super evidente para os líderes civis e militares norte-americanos. Secretários, generais e almirantes já foram enviados a Israel para explicar tudo isso aos líderes de Israel, em língua de jardim de infância: Não! No! Nyet!
Assim sendo, por que a opção militar ainda não foi excluída da mesa de discussões? Porque EUA e Israel gostam de tê-la ali, à vista, sobre a mesa.

Os EUA gostam de aparecer como a única força capaz de conter os ferozes Rottweilers israelenses. Assim, todas as demais potências são pressionadas a impor sanções ao Irã. Se alguém não concordar, ali estão os furiosos cães israelenses, sempre a um passo de escapar da coleira. Imaginem o que acontecerá!
E que sanções? Já há algum tempo, não há palavra mais aterrorizante do que essa – “sanções” – no palco das discussões internacionais. Mas se se pensa um pouco, logo se vê que há mais fumaça que fogo.

Alguns comandantes da Guarda Revolucionária talvez sejam feridos, a economia iraniana talvez sofra algum dano colateral. Mas já ninguém cogita de aplicar “sanções que paralisarão o Irã”, porque não há qualquer chance de Rússia e China concordarem. São dois parceiros do Irã, e “sanções que paralisem o Irã” atingiriam também russos e chineses.

Além disso, a possibilidade de essas sanções interromperem a construção de alguma bomba é mínima; sequer conseguirão retardar o processo. Do ponto de vista dos aiatolás, o esforço nuclear é imperativo de segurança nacional – país sem bomba atômica não tem como defender-se da ameaça norte-americana. Dado que os EUA jamais desistiram de tentar derrubar o regime dos aiatolás, nenhum governo iraniano pensaria diferente. Sobretudo durante o último século, norte-americanos e britânicos jamais agiram de outro modo. As negativas do Irã são perfunctórias. Segundo todos os relatos, até os mais extremistas opositores de Mahmoud Ahmadinejad apóiam o projeto da bomba atômica iraniana e o defenderão, se for atacado.

Nesse ponto, a liderança israelense tem razão: nada impedirá o Irã de construir sua bomba, exceto o emprego massivo de força militar. “Sanções” são brincadeira de criança. O governo dos EUA fala delas em termos tão empolgados, apenas para encobrir a evidência de que nem todo o exército dos EUA pode impedir os iranianos de ter sua bomba.

Quando Netanyahu & Co. criticam a falta de habilidade dos EUA para enfrentar o Irã, os norte-americanos lhe respondem na mesma toada: vocês também não merecem confiança.

De fato, que confiança mereceriam os políticos e militares israelenses? Eles mesmos convenceram a opinião pública em Israel de que o Irã seria questão de vida ou morte para Israel. Que o Iran seria governado por um neo-Hitler, antissemita doente, obcecado negador do Holocausto. Se esse demônio construir uma bomba atômica, não hesitará em lançá-la sobre Telavive e Dimona. Com essa espada sobre as cabeças israelenses, não há tempo a perder, nenhum outro assunto merece atenção – por exemplo, a questão palestina e a ocupação da Palestina.

Assim, quem quer que, hoje, insista em discutir a questão palestina no governo de Netanyahu, é imediatamente interrompido: “Que Palestina? Esqueçam isso! Nosso problema é a bomba atômica iraniana!”

Até agora, Obama e sua equipe têm conseguido inverter a argumentação de Netanyahu: se há alguma ameaça existencial contra Israel, dizem eles, basta raciocinar. Se a questão das construções ameaça a própria existência de Israel, é simples: entreguem as colônias da Cisjordânia... e salvem a existência de Israel. Aceitem a proposta da Liga Árabe, façam a paz com os palestinos, e o mais rapidamente possível. Esse movimento de Israel fará melhorar a posição dos EUA no Iraque e no Afeganistão e liberará nossos soldados. O Irã ficará com um motivo a menos para fazer guerra contra Israel! As massas no mundo árabe terão um motivo a menos para apoiar o Irã!

E os EUA concluem: Se um novo quarteirão exclusivo para judeus em Jerusalém Leste é mais importante para Israel do que a bomba iraniana... a bomba iraniana, evidentemente, é realmente muito menos preocupante, para Israel, do que Netanyahu vive dizendo! Cá entre nós, modestamente, eu também acho: a bomba iraniana, de fato, não é problema.

Há dois dias, a jornalista correspondente do Channel 2, muito popular em Israel, telefonou-me e perguntou, com voz chocada: “É verdade que você deu uma entrevista a uma agência iraniana de notícias?!”
“É verdade”, respondi. A agência mandou-me algumas perguntas por e-mail, sobre a situação política; e respondi por e-mail. “Por que você respondeu?!” – ela perguntou-acusou. “E por que não responderia?!”, disse eu. E a conversa acabou ali.

De fato, por que não? Sim, Ahmadinejad é líder repulsivo. Espero que os iranianos livrem-se dele e deve-se esperar que aconteça logo. Mas as relações entre Israel e o Irã não dependem de Ahmadinejad, seja quem for.
Israel e Irã sempre foram nações amigas, do tempo de Ciro ao tempo de Khomeini (a quem Israel forneceu armas, na guerra contra o Iraque).

Na Israel de hoje, o Irã está sendo apresentado como caricatura: como país primitivo, louco, sem outra coisa na cabeça além da obsessão de destruir o Estado sionista. Mas basta ler alguns bons livros sobre o Irã (recomendaria “Understanding Iran”, William Roe Polk, Harper: EUA, 2009[1]), para conhecer um dos países civilizados mais antigos do mundo, onde nasceram vários grandes impérios e que tem impressionante contribuição para a cultura humana, uma tradição antiga e honrada. Para muitos especialistas, a religião dos judeus foi profundamente influenciada pelos ensinamentos éticos de Zoroastro (Zaratustra).
Sejam quais forem os desmandos de Ahmadinejad, os clérigos islâmicos, que governam realmente o país, têm implantado e mantido políticas cautelosas e sóbrias, e jamais atacaram qualquer outra nação. Têm interesses, é claro, mas Israel não é assunto que interesse ao Irã. A ideia de que os iranianos sacrificariam o próprio país e seus cidadãos, para destruir Israel é, no mínimo, ridícula.

A simples verdade é que não meio para impedir que os iranianos alcancem sua bomba atômica. Melhor, portanto, pensar com seriedade sobre o mundo com a bomba iraniana: não se alterará o ‘equilíbrio nuclear’ no campo do terrorismo, como o que sempre houve entre Índia e Paquistão; mas o Irã será elevado à categoria de potência regional; e será indispensável iniciar diálogo racional e sóbrio que inclua o Irã.

A principal conclusão, contudo, é a seguinte: é preciso fazer a paz entre Israel e os palestinos, porque assim de esvaziará o argumento iraniano, de que precisa da bomba para proteger-se contra os israelenses, algozes dos palestinos.

[1] Há interessante “Carta aberta ao presidente Obama”, de outubro de 2009, do mesmo autor e sobre o mesmo assunto, em http://www.vermelho.org.br/blogs/outroladodanoticia/?p=6748 (traduzida) NT.


Pescado do blog do Bourdokan.

Imagem: Internet

24 de junho de 2009

Irã: o fim da encenação de "revolução colorida"


Por M.K.Bhadrakumar*, Asia Times Online
Tradução: Caia Fittipaldi


Os israelenses são muito realistas. (...) Por isso, o primeiro sinal de alerta de que ninguém esperasse alguma "Twitter revolution" no Irã, porque o projeto estaria condenado ao fracasso, veio dos israelenses. Os israelenses foram os primeiros a observar que permanecia inalterada a capacidade política do Líder Supremo Ali Khamenei para manter a ordem, por mais explosiva que parecesse a situação e por mais que a mídia 'ocidental' repetisse incansavelmente que o regime iraniano estaria "por um fio".


Se alguém ainda duvidasse da "armação'', bastaria, para convencer-se, observar a fúria da mídia estatal da Arábia Saudita, em ataque violentíssimo, dirigido pessoalmente contra Khamenei e o presidente Mahmud Ahmadinejad -- ataque que contradiz as tradições da ta'arof (polidez) e, até, também, da taqiyah (dissimulação), tão importantes nessa parte do mundo. Acabaram-se as esperanças tão longamente cultivadas por Riad, de ver o enfraquecimento do regime iraniano que resultaria de alguma "longa crise". O principal interlocutor da Arábia Saudita, Akbar Hashemi Rafsanjani, foi varrido do tabuleiro. Riad que se prepare, agora, para enfrentar a ira de Teerã.


Israel: um correto prognóstico


Em extraordinário "vazamento" para a mídia do final da semana, imediatamente depois do histórico discurso de Khamenei nas orações da 6ª-feira, Meir Dagan, chefe do Mossad israelense, deixou "escapar" que a vitória do candidato de oposição, Mir Hossein Mousavi, nas eleições presidenciais de 12/6 no Irã significaria "grandes problemas" para Israel.


Os israelenses têm modo próprio de dizer as coisas. Meir Dagan não fez senão reconhecer, com sutileza, a realidade política em Teerã, que Israel não conseguirá alterar. Falando em audiência da Comissão de Defesa e Relações Internacionais do Parlamento israelense, em meados da semana passada, o espião-chefe de Israel já previa que os protestos em Teerã acabariam, por total falta de oxigênio. Segundo o jornal Ha'aretz, Dagan disse: "Não houve fraude nas eleições no Irã; se houve, é a fraude-padrão que sempre acontece em todos os Estados liberais em todas as eleições. A disputa no Irã é assunto interno e nada tem a ver com as aspirações estratégicas do país nem como programa nuclear -- que não se alterarão, seja quem for o próximo presidente."


Em seguida, explicou: "O mundo -- e nós -- já conhecemos Ahmadinejad. Se o candidato reformista Mousavi tivesse sido eleito, Israel estaria em situação mais difícil, porque seria preciso explicar ao mundo o perigo iraniano, porque o mundo imagina que Mousavi seja elemento moderado. É preciso lembrar que o programa nuclear iraniano foi iniciado por Mousavi, quando primeiro-ministro."


A análise é perfeitíssima. Israel rapidamente informou a Teerã, por canais diplomáticos discretíssimos, que Israel nada tinha a ver com nenhuma revolução "colorida". Foi informe muito oportuno. De fato, divisões que agora vieram à tona em Teerã existem há muito tempo e são divisões do regime iraniano, muito mais do que de alguma sociedade iraniana. É muito evidente para quem conheça a região, que não está em andamento qualquer tipo de revolução "colorida" no Irã. Todos sabem disso; até um incansável crítico do regime, como o veterano escritor Amir Taheri, já admitiu:


"O regime beneficiou-se da fanfarronice de Ahmadinejad; ninguém, na sociedade iraniana conhece alguém melhor que Ahmadinejad para fazer o que Ahmadinejad faz. O ponto fraco de Ahmadinejad é ainda não ter podido por na cadeia os mulás mais ricos e corruptos, como prometeu que faria. (...) Hoje, é a mais autêntica manifestação do movimento Khomeinista, de um modo tal que nem Mousavi nem [o ex-presidente Mohammad] Khatami, ou qualquer outro desses Khomeinistas jamais seriam."


Limitações de Mousavi


Contra todas as evidências, Mousavi reacendeu muitas esperanças no "ocidente"-- sobretudo em Londres, Paris e Berlin --e em algumas das capitais árabes 'pró-ocidente'. Mas, isso, porque todos conhecem Mousavi, que foi Chanceler e primeiro-ministro entre 1981 e 1989. Ninguém jamais pensou que se tratasse de reformador ou que tendesse a alguma "modernidade". Nas palavras do mesmo Taheri, cronista bem-informado do Oriente Médio, Mousavi, enquanto esteve no poder, "construiu ampla rede de contatos nos EUA, Europa e países árabes".


Taheri lembra, por exemplo, que o homem que conduziu as demoradas negociações na Argélia, que resultaram na libertação dos reféns norte-americanos em 1981, Behzad Nabvi, ainda é, hoje, assessor de Mousavi. E também Abbas Kangarioo, que conduziu as negociações secretas com o governo de Ronald Reagan que se conhecem hoje como "Irãgate", ou "o negócio Irã-Contras". Kangarioo, amigo e assessor-chave de Mousavi, também é conhecido por ter "construído uma rede de contatos nos círculos diplomáticos e dos serviços secretos, na Europa e nos EUA".


Como seria de esperar, Taheri estima que, embora a fama de Mousavi tenha alcançado alguns dos círculos mais fechados da espionagem ocidental, ele, "em casa", só seduz alguns grupos das classes médias urbanas que desejam apagar do mundo a "revolução khomeinista" (...). Gente como Mousavi e os ex-presidentes Mohammad Khatami e Hashemi Rafsanjani já deixaram, há muito tempo, de serem vistos como revolucionários genuínos e confiáveis".


Pensando por outras vias, Taheri chega praticamente à mesma conclusão definitiva à que chegou o chefe dos espiões israelenses: um interlocutor fraco sem qualquer apoio da base khomeinista, como Mousavi, jamais teria poder para fazer todas as concessões que os EUA, os europeus e os árabes exigem; mas Ahmadinejad, sim, pode chegar a uma posição menos dura do que a que defende hoje; em todos os casos, qualquer concessão que Ahmadinejad venha a fazer, sempre poderá ser apresentada como "recurso pragmático de negociação". O ocidente parece acreditar que será mais fácil negociar com Ahmadinejad, que tem base de votos e representação legítimas.


Se se avaliam os quatro anos passados, é fato que Ahmadinejad restaurou a conexão entre o regime e o discurso populista radical. "Há quatro anos", escreveu Taheri, "o regime era visto como governo de uma claque de mulás sem expressão e seus sócios comerciais, que governavam o país como se fosse empresa da qual fossem os sócios majoritários. Os grupos mais oprimidos, os excluídos dessa ordem político-econômica viam-se a si mesmos como vítimas de uma espécie de grande traição histórica. Com Ahmadinejad, chegou ao poder uma nova geração de políticos desligados da imagem de corrupção dos governos anteriores, associados aos princípios islâmicos de probidade; assim os pobres e oprimidos voltaram a crer que nem tudo estivesse perdido."


O populismo de Ahmadinejad é faca de dois gumes; se for excessivamente explorado, acabará por minar a legitimidade do regime, que incluiu grupos ativos de corrupção também no establishment clerical. Mas Ahmadinejad é político inteligente. E amadureceu, é claro, nos quatro anos de presidência. Embora autodesdescreva-se como locomotiva sem freios, Ahmadinejad sabe onde e quando parar e olhar em volta para ver em que ponto do campo estão os demais jogadores. Por isso, denunciou inúmeras práticas de corrupção e ameaçou processar vários políticos de destaque, mas parou pouco antes de ter, mesmo, de processar alguém. A questão realmente importante (também para a oposição) é saber se Ahmadinejad, no segundo mandato, voltará a lançar sua rede de pescar corruptos.


Rafsanjani perdeu a guerra


E Khamenei continua a ser o árbitro, líder supremo de fato e de direito. Ahmadinejad não contestou a legitimidade de Khamenei, antes a reconheceu e reafirmou, ao manifestar, em carta formal, sua "gratidão" a Khamenei por suas "preciosas observações" nas orações da 6ª-feira. O último ato no palco do poder, na 6ª-feira, mostrou que Khamenei efetivamente conseguiu abortar a tentativa, por Rafsanjani, de criar alguma espécie de levante entre os clérigos, em Qom. O ponto definitivo, que demarcou o fracasso do golpe de Rafsanjani aconteceu na 5ª-feira, quando a maioria dos 86 membros do Conselho dos Guardiões (que fora chefiado por Rafsanjani) abertamente apoiaram Khamenei. (...) Armado com todo esse apoio, Khamenei pôde fazer seu sermão histórico, na 6ª-feira, 19/6, quando negou definitivamente qualquer possibilidade de modificar o resultado das eleições. Rafsanjani não foi visto na mesquita, para ouvir o sermão em que Khamenei apoiou Ahmadinejad, aberta e claramente, chamando atenção para o quanto coincidem os pontos de vista de ambos.


Khamenei referiu-se a Rafsanjani pelo primeiro nome, não estando ele presente. A mensagem foi ouvida, alta e clara: a supremacia de Khamenei continua intacta e não deve ser contestada. Ainda mais significativo: Khamenei absolveu Rafsanjani nas acusações de corrupção pessoal; mas deixou aberta a possibilidade de que vários membros de sua família sejam processados por corrupção. Daqui em diante, Rafsanjani terá de pesar cuidadosamente cada um de seus passos; e tem de temer a espada de Dâmocles que foi pendurada sobre a cabeça de seus parentes, os quais -- segundo dizem muitos, em Teerã -- acumularam fortunas imensas, nem sempre por vias legais.


Khamenei, além disso, tampouco fez qualquer esforço para contradizer as acusações que Ahmadinejad introduziu na campanha eleitoral, de que Rafsanjani conspirara com o regime saudita para derrubar o governo Khamenei. É ideia que só pode ter chegado ao presidente por informes dos serviços de inteligência do Irã; e os serviços de inteligência trabalham sob supervisão direta e atentíssima de Khamenei.


No sábado, a Assembléia dos Especialistas deu um passo adiante e manifestou "integral apoio" às palavras de Khamenei. Conclamou a nação a seguir a orientação de Khamenei. Também no sábado, as forças armadas; a Associação de Professores do Seminário de Qom; e inúmeras outras vozes sociais influentes no regime declararam apoio a Khamenei. Os clérigos ditos "reformistas" alinhados com Khatami mudaram de ideia e já cancelaram as manifestações marcadas para o sábado.


A dura realidade, portanto, é que os imensíssimos poderes de Khamenei permanecem intactos. Pode deixar que prossigam as manifestações dos seguidores de classe média rica a favor de Mousavi, deixando que se autoconsumam no próprio alarido; tem autoridade e poder para fazê-lo. Isso implica dizer que é possível que os "protestos" continuem por mais algum tempo -- o que parece improvável , porque o próprio Mousavi já sabe que está num beco sem saída --, sem que qualquer manifestação urbana cenográfica implique qualquer ameaça ao poder de Khamenei.


Nas palavras de Taheri, "Autoproclamados 'especialistas' em Iran parecem não perceber que Mousavi foi uma espécie de balão-de-ensaio lançado por alguns setores da classe média, para expor sua ira contra não só o presidente eleito e reeleito, mas, também, contra todo o regime Khomeinista. De fato, não há sequer uma linha no currículo de Mousavi (...) que o torne mais atraente para aquela classe média ocidentalizante que Ahmadinejad."


No final de todo o espetáculo, a comunidade internacional só pode suspirar aliviada por, no momento em que se encenava esse drama complexo e extremamente difícil de decifrar, já não haver qualquer George W Bush na Casa Branca, em Washington. Parece pelo menos possível que o novo presidente dos EUA, Barack Obama, consiga entender ou pressentir as sutilezas da situação; é crível que tenha, sim, decidido adotar posição de distanciamento e equilíbrio e manter-se nela, apesar da pressão que parecem estar fazendo os mais conservadores.


Os comentários de Obama nem de longe contestaram a legitimidade de Ahmadinejad (nem de Khamenei) para governarem o país. Obama tampouco se identificou com a "exigência" (de Mousavi) de novas eleições. De fato, Obama deixou-se ficar ostensivamente separado de Mousavi. Mais que isso, nada fez que sugerisse a possibilidade de "retirar" a oferta de "mãos estendidas" em direção ao Irã.


(...) Os iranianos viram bem claramente que as palavras de Obama foram e continuam muito atentamente moduladas, embora, diz Teerã, a "Voz da América" tenha feito comentários contraditórios em relação ao que disse o presidente Obama. O ministro das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, em fala divulgada por rádio e TV em Teerã, criticou Inglaterra, França e Alemanha; mas não fez qualquer referência aos EUA (nem a Israel). Parece que Teerã está afinando a mira, primeiro, contra a Inglaterra.


Mottaki disse que os ingleses treinam sabotadores no Iraque e os infiltram em território iraniano. Sinal de que a autoconfiança de Teerã está em alta, é terem escolhido a Inglaterra como alvo, até, de ironias. Mottaki disse que o mundo mudou e é mais que hora de a Inglaterra aposentar velhas fantasias de que "o sol jamais se põe no Império Britânico".


*M. K. Bhadrakumar é diplomata de carreira do MRE indiano. Serviu na União Soviética, na Coreia do Sul, no Sri Lanka, na Alemanha, no Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia.



-------------


Lemos no VioMundo.

23 de junho de 2009

Irão: A mentira das "eleições roubadas"

por James Petras

"Mudança para os pobres significa comida e empregos, não um código de vestuário descontraído ou recreações diversas... A política no Irão é muito mais sobre guerra de classe do que sobre religião". Editorial do Financial Times, 15/Junho/2009


Introdução

Dificilmente haverá qualquer eleição, na qual a Casa Branca tenha um interesse significativo, em que a derrota eleitoral do candidato pró EUA não seja denunciada como ilegítima por todos os políticos e mass media da elite. Nos últimos tempos, a Casa Branca e os seguidores gritaram infracção após as livres (e monitoradas) eleições na Venezuela e em Gaza, enquanto alegremente fabricaram um "êxito eleitoral" no Líbano apesar do facto de a coligação liderada pelo Hezbollah ter recebido mais de 53% dos votos.

As eleições concluídas a 12 de Junho de 2009 no Irão são um caso clássico. O candidato à reeleição, o nacionalista-populista presidente Mahmoud Ahmadinejad (MA) recebeu 63,3% da votação (ou 24,5 milhões de votos), ao passo que o principal candidato da oposição liberal, apoiado pelo Ocidente, Hossein Mousavi (HM) recebeu 34,2% (ou 13,2 milhões de votos).

A eleição presidencial iraniana atraiu um comparecimento recorde de mais de 80% do eleitorado, incluindo uma votação sem precedentes 234.812 do estrangeiro, na qual HM obteve 111.792 e MA 78.300. A oposição liderada por HM não aceitou a sua derrota e organizou uma série de manifestações de massa que se tornaram violentas, resultando na queima e destruição de automóveis, bancos, edifícios públicos e confrontações armadas com a polícia e outras autoridades. Quase todo o espectro de fazedores de opinião ocidentais, incluindo todos os grandes media electrónicos e impressos, os principais sítios web liberais, radicais, libertários e conservadores, reflectiram a queixa da oposição de fraude eleitoral desenfreada. Neo-conservadores, conservadores libertários e trotsquistas juntaram-se aos sionistas louvando os protestários da oposição como a guarda avançada de uma revolução democrática. Democratas e republicanos condenaram o regime, recusaram-se a reconhecer o resultado da votação e louvaram os esforços dos manifestantes para subverter o resultado eleitoral. O New York Times, a CNN, o Washington Post, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel e toda a liderança dos presidentes das principais organizações judias americanas clamaram por sanções mais duras contra o Irão e anunciaram o proposto diálogo de Obama com o Irão como esforço inútil.

A mentira da fraude eleitoral

Os líderes ocidentais rejeitaram os resultados porque "sabiam" que o seu candidato reformista não podia perder... Durante meses publicaram entrevistas diárias, editoriais e reportagens de campo "pormenorizando" os fracassos da administração de Ahmadinejad. Mencionaram o apoio de clérigos, antigos oficiais, comerciantes do bazar e acima de tudo mulheres e jovens de cidades fluentes em inglês para provar que Mousavi estava destinado a uma vitória esmagadora. Uma vitória de Mousavi foi descrita como uma vitória das "vozes moderadas", pelo menos na versão da Casa Branca daquele vago cliché. Eminentes académicos liberais deduziram que a contagem de votos fora fraudulenta porque o candidato da oposição, Mousavi, perdeu no seu próprio enclave étnico entre os azeris. Outros académicos afirmaram que o voto da juventude" – baseado nas suas entrevistas com estudantes universitários da alta e média classe média das vizinhanças do Norte de Teerão eram esmagadoramente a favor do candidato "reformista".

O que é espantoso acerca da condenação universal do Ocidente do resultado eleitoral como fraudulento é que nem uma única partícula de evidência, tanto na forma escrita como de observação, foi apresentada tanto antes como uma semana após a contagem de votos. Durante toda a campanha eleitoral, nenhuma acusação crível (ou mesmo dúbia) de interferência junto aos eleitores foi levantada. Como os media ocidentais acreditaram na sua própria propaganda de uma vitória intrínseca do seu candidato, o processo eleitoral foi descrito como altamente competitivo, com debates públicos candentes e níveis sem precedentes de actividade pública e desembaraçada pelos prosélitos dos candidatos. A crença numa eleição livre e aberta era tão forte que os líderes ocidentais e os mass media acreditaram que o seu candidato favorito venceria.

Os media ocidentais confiaram nos seus repórteres que cobriam a manifestações de massa dos apoiantes da oposição, ignorando e subestimando o enorme comparecimento a favor de Ahmadinejad. Pior ainda, os media ocidentais ignoraram a composição de classe das manifestações competidoras – o facto de que o candidato à reeleição estava a ter o apoio da muito mais numerosa classe trabalhadora pobre, camponeses, artesões e empregados de sectores públicos ao passo que o grosso dos manifestantes da oposição provinha de estudantes da classe alta e média, da classe dos negócios e dos profissionais.

Além disso, a maior parte dos líderes de opinião e repórteres ocidentais baseados em Teerão extrapolou as suas projecções a partir das suas observações na capital – poucos aventuraram-se nas províncias, cidades e aldeias de pequena e média dimensão, onde Ahmadinejad tem a sua base de massa de apoio. Além do mais, os apoiantes da oposição eram uma minoria activista de estudantes facilmente mobilizada para actividades de rua, ao passo que o apoio de Ahmadinejad provinha da maioria da juventude trabalhadora e donas de casa que exprimiriam o seu ponto de vista na urna eleitoral mas tinham pouco tempo ou inclinação para empenhar-se em política de rua.
Um certo número de sabichões dos jornais, incluindo Gideon Rachmn do Financial Times, apresenta como evidência de fraude eleitoral o facto de Ahmadinejad ter ganho 63% dos votos numa província de língua azeri contra o seu oponente, Mousavi, de etnia azeri. A suposição simplista é que a identidade étnica ou a pertença a um grupo linguístico é a única explicação possível do comportamento eleitoral, ao invés de outros interesses sociais ou de classe.
Um olhar mais atento ao padrão de votação na região Leste-Azerbaijão do Irão revela que Mousavi venceu apenas na cidade de Shabestar entre as classes alta e média (e apenas por uma pequena margem), dado que foi completamente derrotado nas áreas rurais mais vastas, onde as políticas redistributivas do governo Ahmadinejad ajudaram os de etnia azeri a cancelarem dividas, obterem créditos baratos e empréstimos fáceis para os agricultores. Mousavi venceu na região do Azerbaijão Ocidental utilizando suas ligações étnicas para ganhar os eleitores urbanos. Na altamente populosa província de Teerão, Mousavi bateu Ahmadinejad nos centros urbanos de Teerão e Shemiranat ao ganhar o voto dos distritos da classe média e alta, ainda que tenha perdido duramente nos subúrbios adjacentes da classe trabalhadoras, pequenas cidades e áreas rurais.
A ênfase descuidada e distorcida sobre "votação étnica" citada por redactores do Financial Times e do New York Times a fim de apresentar a vitória de Ahmadinejda como uma "eleição roubada" é acompanhada pela obstinada e deliberada vontade dos media de recusarem um rigoroso inquérito de opinião à escala nacional efectuado por dois peritos dos EUA apenas três semanas antes da votação, o qual mostrava Ahmadinejad a liderar por uma margem de 2 para 1 – ainda maior do que a sua vitória eleitoral de 12 de Junho. Este inquérito revelava que entre os de etnia azeri Ahmadinejad era favorecido por uma margem de 2 para 1 em relação a Mousavi, demonstrando como os interesses de classe representados por um candidato podem ultrapassar a identidade étnica do outro candidato ( Washington Post, 15/Junho/2009). O inquérito também demonstrava como as questões de classe, dentro de grupos etários, eram mais influentes na moldagem de preferências políticas do que o "estilo de vida geracional". De acordo com este inquérito, mais de dois terços da juventude iraniana era demasiado pobre para ter acesso a um computador e aqueles com idade dos 18 aos 24 anos "incluíram o bloco eleitoral mais forte a favor de Ahmadinejad entre todos os outros grupos" ( Washington Post, 15/Junho/2009).
O único grupo de apoiou fortemente Mousavi foi o dos estudantes universitários e dos licenciados, donos de negócios e classe média alta. O "voto da juventude", o qual os media ocidentais louvou como "pró reformista", era uma clara minora de menos de 30% mas veio de um grupo altamente privilegiado, eloquente e que em grande parte falava inglês, com um monopólio sobre os media ocidentais. A sua presença esmagadora nas reportagens ocidentais criou o que foi mencionado como o "Síndroma de Teerão Norte", o confortável enclave da classe alta do qual provieram muitos destes estudantes. Se bem que eles pudessem ser articulados, bem vestidos e fluentes em inglês, no segredo da urna eleitoral foram profundamente derrotados.
Na generalidade, Ahmadinejad saiu-se muito bem nas províncias produtoras de petróleo e petroquímica. Isto pode ter sido um reflexo da oposição dos trabalhadores do petróleo ao programa "reformista", o qual incluía propostas para "privatizar" empresas públicas. Da mesma forma, o presidente em exercício saiu-se muito bem junto às províncias fronteiriças devido à sua ênfase no fortalecimento da segurança nacional em relação às ameaças estado-unidenses e israelenses depois de uma escalada de ataques terroristas transfronteiriços patrocinados pelos EUA a partir do Paquistão e de incursões apoiadas por Israel a partir do Curdistão iraquiano, as quais mataram grande número de cidadãos iranianos. O patrocínio e o financiamento maciço dos grupos por trás destes ataques é uma política oficial dos EUA desde a administração Bush, a qual não foi repudiada pelo presidente Obama. De facto, ele escalou-a como preparação para as eleições.
O que os comentadores ocidentais e os seus protegidos iranianos ignoraram é o impacto poderoso que as devastadoras guerras dos EUA e a sua ocupação do Iraque e do Afeganistão têm sobre a opinião pública iraniana: a posição forte de Ahmadinejad em matéria de defesa contrastou com a postura pró ocidental e fraca de muitos dos propagandistas da campanha da oposição.
A grande maioria dos eleitores favoráveis ao presidente em exercício provavelmente sentiu que os interesses da segurança nacional, da integridade do pais e do sistema de previdência social, com todas as suas falhas, podiam ser melhor defendidos e melhorados com Ahmadinejad do que com os tecnocratas das classe alta apoiados pela juventude privilegiada orientada para o ocidente que aprecia mais os estilos de vida individualistas do que os valores da comunidade e solidariedade.
A demografia dos votos revela uma polarização de classe real contrapondo capitalistas individualistas de alto rendimento e orientados para o mercado livre à classe trabalhadora, de baixo rendimento, apoiantes de uma "economia moral" baseada na comunidade na qual a usura e a especulação são limitadas por preceitos religiosos. Os ataques abertos de economistas da oposição às despesas do governo com a previdência, com o crédito fácil e com os pesados subsídios a alimentos básicos não os favoreceram junto à maioria dos iranianos beneficiários daqueles programas. O Estado era encarado como o protector e benfeitor dos trabalhadores pobres contra o "mercado", o qual representava riqueza, poder, privilégio e corrupção. O ataque da oposição à "intransigência" da política externa do regime e a posições "isolando" o Ocidente só tinha eco junto a estudantes liberais da universidade e grupos de negócios do import-export. Para muitos iranianos, o fortalecimento militar do regime foi vista como tendo impedido um ataque dos EUA ou de Israel.
A escala do défice eleitoral da oposição deveria contar-nos quão fora de sintonia ela está em relação às preocupações vitais do seu próprio povo. Deveria recordar-nos que ao mover-se para mais perto da opinião ocidental, ela removeu-se dos interesses quotidianos da segurança, habitação, emprego e preços subsidiados dos alimentos que tornam a vida tolerável para aqueles que vivem abaixo da classe média e do lado de fora dos portões privilegiados da Universidade de Teerão.
O êxito eleitoral de Ahmadinejad, visto na perspectiva do contexto histórico, não deveria surpreender. Em competições eleitorais semelhantes entre nacionalistas-populistas contra liberais pró ocidentais, os populistas ganharam. Os exemplos passados incluem Perón na Argentina e, mais recentemente, Chávez da Venezuela, Evo Morales na Bolívia e mesmo Lula da Silva no Brasil, todos eles tendo demonstrado uma capacidade para assegurar margens próximas ou mesmo superiores a 60% em eleições livres. As maiorias votantes nestes países preferem a previdência social em relação a mercados sem restrições, a segurança nacional e não alinhamentos com impérios militares.
As consequências da vitória eleitoral de Ahmadinejad estão abertas a debate. Os EUA podem concluir que continuar a apoiar uma minoria barulhenta, mas pesadamente derrotada, tem poucas perspectivas de assegurar concessões sobre o enriquecimento nuclear e um abandono do apoio do Irão ao Hesbollah e ao Hamas. Uma abordagem realista seria abrir uma discussão ampla com o Irão e reconhecer, como o senador Kerry destacou recentemente, que o enriquecimento de urânio não é uma ameaça existencial para ninguém. Esta abordagem diferiria agudamente daquela dos sionistas americanos, incorporada no regime Obama, que segue a orientação de Israel de pressionar por uma guerra antecipativa com o Irão e que utiliza o argumento especiosos de que nenhuma negociação é possível com um governo "ilegítimo" em Teerão que "roubou uma eleição".
Acontecimentos recentes sugerem que líderes políticos na Europa, e mesmo alguns em Washington, não aceitam a linha dos mass media sionistas de "eleições roubadas". A Casa Branca não suspendeu a sua oferta de negociações com o governo recém-eleitos mas centrou-se ao invés na repressão dos protestatários da oposição (e não na contagem de votos). Da mesma forma, os 27 países da União Europeia exprimiram "séria preocupação acerca da violência" e apelaram a que "as aspirações do povo iraniano sejam alcançadas através de meios pacíficos e que a liberdade de expressão seja respeitada" ( Financial Times, 16/Junho/2009, p.4). Excepto quanto a Sarkozy da França, nenhum líder da UE questionou o resultado da votação.
A interrogação na sequência das eleições é a resposta israelense. Netanyahu assinalou aos seus seguidores sionistas americanos que eles deveriam utilizar o ardil da "fraude eleitoral" para exercer a máxima pressão sobre o regime Obama no sentido de acabar com todos os planos para encontrar-se com o novamente reeleito Ahmadinejad.
Paradoxalmente, comentaristas estado-unidenses (da esquerda, direita e centro) que "compraram" a mentira da fraude eleitoral estão de forma não intencional a proporcionar a Netanyahu e seus seguidores americanos argumentos e falsificações: Onde eles vêm guerras religiosas, nós vemos guerras de classe; onde eles vêem fraude eleitoral, nós vemos desestabilização imperial.
The CRG grants permission to cross-post original Global Research articles on community internet sites as long as the text & title are not modified. The source and the author's copyright must be displayed. For publication of Global Research articles in print or other forms including commercial internet sites, contact: crgeditor@yahoo.com
© Copyright James Petras, Global Research, 2009