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26 de agosto de 2010

“COM PEDAÇOS DE PAU E PEDRAS”


Laerte Braga

O presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad disse em discurso na inauguração da usina nuclear de Bushehr, em presença de autoridades russas e de seu país (a usina tem tecnologia russa e se destina à produção de energia) que a defesa da revolução islâmica no caso de um ataque norte-americano ou por parte de Israel, que “nossas opções não terão limites, envolverão todo o planeta”.

Documentos liberados pelo site WikiLeaks e criados pela unidade especial da CIA – CENTRAL INTELIGENCY AGENCY – apontam casos em que cidadãos norte-americanos financiaram atividades terroristas. [1]

Em documentos anteriores o mesmo site, perto de noventa e dois mil documentos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, mostra que o governo dos Estados Unidos exporta terrorismo na forma de seqüestros, assassinatos seletivos, prisões indiscriminadas em qualquer parte do mundo, práticas acentuadas no governo de George Bush como reação ao ataque às torres gêmeas do World Trade Center.

Uma das grandes dificuldades do atual presidente dos EUA Barack Obama é desmontar esse aparato repressivo, bárbaro, que, no todo, acaba se vendo presa fácil de quadrilhas de grande porte no tráfico de drogas, de mulheres e agora tráfico de petróleo a partir do México.

As políticas de terceirização de atividades de inteligência e militares postas em curso por Bush geraram distorções de tal ordem que nem a Casa Branca sabe mais a real extensão de todo o conjunto de insensatez do governo anterior.

Essas dificuldades se apresentam visíveis na reação de republicanos comandados agora pelo senador John McCain, derrotado nas eleições presidenciais por Obama e deixam claros os novos contornos do que era uma nação e hoje é um conglomerado de interesses privados de bancos, corporações do petróleo, das armas, com tentáculos capazes de paralisar o Estado e transformar a maior nação do mundo numa grande empresa voltada para o terrorismo.

Obama até agora não conseguiu entrar no salão oval.

A guerra global é uma realidade e pode ser entendida na afirmação feita por Hans Blinx, mês passado, sobre as advertências feitas a Bush que não existiam provas da presença de armas químicas e biológicas no Iraque. Blinx fala que os norte-americanos estavam “em estado de embriaguez pelo poder do arsenal que dispunham”. E continuam a dispor. Blinx foi um dos inspetores da ONU no Iraque à época que precedeu a invasão daquele país pelos EUA, à revelia do Conselho de Segurança da ONU.

Só que agora boa parte do que se convencionou chamar de forças armadas é controlada por empresas privadas e muitas ações pertinentes àquelas forças, são executadas por essas empresas. Generais norte-americanos são fachadas para executivos de companhias que tanto operam contra os Talibãs no Afeganistão, como traficam drogas, mulheres, armas, petróleo, lavam dinheiro, toda a sorte de operações criminosas de grande porte e possíveis.

A união de todas as máfias sonhada e desejada por cada chefe mafioso na história dessas organizações criminosas. Chegaram ao topo. Vendem democracia, drogas, mulheres, lavam dinheiro e têm milhares de ogivas nucleares capazes de destruir o planeta pelo menos cem vezes.

A vala com corpos de cidadãos latino-americanos que foi encontrada no México exibe o estado de caos que permeia aquele país. Ou “ex-país”. Colônia dos EUA desde a assinatura do NAFTA (tratado de livre comércio entre EUA, Canadá e México).

Uma das conseqüências ou exigências para que o conglomerado terrorista formado pelos EUA e por Israel opere é a presença de governantes dóceis e isso se consegue com corrupção. Foi o caso de FHC no Brasil, Menem na Argentina, Uribe na Colômbia e é agora com Calderón no México. Para citar apenas latino-americanos.

O chamado mundo institucional é a face visível em cor laranja dos operadores do terrorismo de estado.

No Brasil trabalham a partir do PSDB, DEM, PPS, mídia privada (GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, RBS, VEJA, ÉPOCA, etc) e corporações de banqueiros, empresas nacionais e multinacionais e latifúndio. Se abrigam simbólica e realmente na sigla FIESP/DASLU.

O golpe militar em Honduras e a farsa democrática montada com o governo terrorista de Pepe Lobo (mais um jornalista foi assassinado hoje, quinta-feira, dia 26 de agosto, o nono neste ano), não difere de ações na Colômbia a partir do governo central, ou no México, tanto quanto o massacre de palestinos por Israel e as guerras do Iraque e do Afeganistão.

Despejam seus dejetos em containers democráticos no mar da Somália, ou em navios que enviam ao Brasil.

São perto de quinhentas bases militares dos EUA em todo o mundo e uma série de operações em todo o planeta para manter intato o poder dos grupos que controlam a mega empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

Ahmadinejad não disse nada diferente do que acontece na prática, disfarçada de democracia cristã e ocidental. Quis apenas mostrar que seu país está pronto para reagir a esse terrorismo e tem condições militares de fazê-lo.

O Irã detém a terceira maior reserva de petróleo do mundo. Ao transformar-se numa potência coloca em risco os “negócios” das grandes corporações que detêm o controle acionário de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

São assassinatos de civis no México, na Colômbia, em Honduras, no Iraque, no Afeganistão, ou de líderes de movimentos de resistência por agentes de Israel com documentos oficiais, mas nomes falsos, de países controlados pelos EUA (Grã Bretanha, Itália e Alemanha) e tudo isso mostrado ao mundo em forma de torta de maçã com canela pela mídia privada e corrompida.

Ou como disse a um grupo de professores e alunos de uma universidade paulista em visita à redação do JORNAL NACIONAL, o apresentador do dito cujo, sobre determinada notícia. “Esta não, pois contraria os nossos amigos americanos”.

Um dos fatos mais significativos desse estado de terrorismo oficial está no último discurso do presidente Lula ao referir-se ao diretor da FOLHA DE SÃO PAULO como alguém que queria saber se ele falava inglês. Se não fala, como vai governar o País? É que a FOLHA pensa em inglês, e empresta caminhões para que mortos por tortura sejam desovados em pontos de São Paulo. Preconceito puro, estampado em cores vivas na imbecilidade dos subordinados ávidos de poder.

O que tem uma coisa a ver com a outra? O discurso de Lula, o Irã, a guerra global?

Todos os fatos se encadeiam num projeto terrorista gerado em Washington desde o fim da guerra fria, para controle do resto do mundo, o que Fidel Castro chamou de “governo mundial”.

Quem acha que Hitler perdeu está equivocado. Por enquanto, em boa parte do mundo está ganhando e levando. Só mudou de bandeira. Tem as estrelas do Tio Sam e a de Davi.

E de nome.
Quem tiver boa memória vai se lembrar dos momentos que antecederam ao anúncio da invasão do Iraque. O terrorista George Bush apareceu em rede mundial de tevê sendo maquiado. Transformado por pós e cremes em anjo de guarda da democracia. Dias depois, quando ainda era viva a resistência iraquiana à invasão, proclamou que se necessário fosse “para evitar a destruição em massa do planeta, os EUA usarão armas atômicas no Iraque”.

Essa destruição em massa está acontecendo desde que Ronald Reagan assumiu o governo dos EUA. O papel de presidente bonzinho vivido por Jimmy Carter terminou com o próprio.

No filme DOCTOR STRANGELOVE, do extraordinário cineasta Stanley Kulbrick, um general comandante de uma base nuclear norte-americana decide por conta própria atacar a ex-URSS. Afirma que o comunismo está chegando ao seu país “pela água”.

O terrorismo norte-americano/sionista chega por bases militares (a Europa Ocidental hoje é colônia dos EUA), por golpes de estado, pela mídia privada vendendo idéias e factóides montados para transformar o ser humano em mero objeto.

Reduzir o Irã, a Venezuela, a Coréia do Norte, a Bolívia, Cuba, Nicarágua e alguns outros países a classificação de “ditaduras” é parte desse jogo de dominação, é a guerra global em curso.

Assassinar civis latino-americanos e jogá-los em covas rasas (México, Colômbia e Honduras) é apenas construir outras formas de muros para que o genocídio de palestinos se transforme em algo corriqueiro.

E palestinos restamos sendo todos nós.

Comemorar a morte de civis iraquianos com expressões como “matamos os bastardos”, quer dizer apenas que boçais fardados tomaram o petróleo do Iraque. Que os “negócios” vão continuar prosperando.

Sustentar governos de fachada como na Colômbia, no México, em Honduras, Costa Rica (“sem a polícia, sem a milícia...” A canção cantada por Milton Nascimento já não tem mais sentido, só saudades, uma base militar dos EUA já está sendo montada em San José), Afeganistão, Iraque, etc, controlar os países europeus, avançar sobre a América Latina, matar a África de fome, isso é a guerra global.

A barbárie capitalista. Tem sede em Washington e em Tel Aviv e filiais em todos os cantos do mundo.

No Brasil a mídia privada vende vinte e quatro horas por dia a idéia que Hollywood é o paraíso.

Se você conseguir pular o muro e escapar dos “grupos organizados de extermínio”.

A não ser que seu nome seja William Bonner, Boris Casoy, ou outros menores como Miriam Leitão, Lúcia Hipólito, Pedro Bial, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, um monte. E lógico, o tal Frias da FOLHA da ditabranda.

Com sorte, consegue virar ex-BBB e escapar para as cavernas, pois a próxima guerra, a quarta, a terceira está em curso, como dizia Einstein, será travada “com pedaços de pau e pedras”.

O que Ahmadinejad disse foi apenas que seu povo resistirá. E está pronto para isso.



[1] Leia também o Ficha Corrida: VEJA quem defende o terrorismo de estado no Brasil

19 de agosto de 2010

“Ladrões durante o dia, terroristas à noite”


Hoda Abdel-Hamid, Al-Jazeera, Qatar

Por todos os lados para onde se olhe, em Cabul, capital do Afeganistão, só se veem paredes derrubadas, ruínas e grupos de guardas de segurança armados: são os funcionários das empresas privadas contratadas pelos EUA para fazer a segurança dos prédios onde circulam diplomatas, representantes de organizações não-governamentais e funcionários de grandes empresas norte-americanas.

Os mesmos guardas têm acompanhado comboios militares em deslocamento – quase sempre dirigindo em alta velocidade, causando pânico e gerando caos nas estradas. De fato, esses guardas privados armados, sejam afegãos, norte-americanos ou quaisquer outros, são odiados no Afeganistão. Vários deles têm-se envolvido em acidentes e outros eventos violentos, sempre com mortes de civis inocentes. O último desses casos envolveu funcionários da empresa Dyncorps (EUA), na estrada do aeroporto, em Cabul: quatro civis afegãos foram mortos num acidente de carro; os funcionários da Dyncorps fugiram do local do acidente, e uma multidão enfurecida incendiou os carros e atacou policiais afegãos.

O comportamento desses soldados mercenários há tempos preocupa o presidente afegão Hamid Karzai que, recentemente, se referiu a eles como “ladrões durante o dia, terroristas à noite”. Agora, ao que parece, Karzai decidiu fechar o cerco contra as empresas de segurança privada.

Decreto de Karzai

Decreto do presidente Karzai, dessa semana, exige que todas as empresas de segurança que contratam guardas armados no país sejam extintas, no prazo de quatro meses. Para o governo afegão, esses mercenários agem como exército paralelo e são causa de instabilidade no país.

Até o início do próximo ano, esses “geradores de confusão e instabilidade” deverão ser desmobilizados. Todos os vistos para permanência no país serão revogados.

Poucas horas depois de o decreto ser divulgado, conversei com um dos empresários estrangeiros encarregados daqueles funcionários – para saber se estavam preocupados com o risco de perderem os empregos em poucos meses.

A resposta foi um claro “Não”. E acrescentou: “Se sairmos, esse país mergulhará no caos completo”. É possível que tenha alguma razão.

O que dizem os militares

Há cerca de 40 mil guardas privados armados em operação no Afeganistão. Mais da metade, empregados por empresas contratadas pelo exército e pelo Departamento de Estado dos EUA.

Para os militares, são indispensáveis, porque liberam os soldados regulares para as missões de combate. As empresas de segurança privada cumprem várias das tarefas que, sem eles, caberiam aos soldados – segurança das bases, prédios e instalações, segurança pessoal e, sobretudo, a proteção armada aos comboios militares nas rotas de suprimento das bases e acampamentos militares. E é nas estradas que ocorrem a maioria dos confrontos que sempre fazem grande número de vítimas civis.

Recentemente, o governo decidiu que a segurança dos comboios passará a ser feita por soldados do exército afegão – empreitada difícil, se se considera que os soldados afegãos ainda estão pouco treinados, não dispõem de armas adequadas e não têm experiência.

Os comboios de suprimento são alvos preferenciais dos Talibã e de outros grupos de guerrilheiros e milícias armadas que proliferam no país, e não se acredita que os militares norte-americanos aceitem entregar a segurança de seus comboios aos afegãos. Para dificultar ainda mais, aumentam as notícias de que o exército afegão já estaria infiltrado de militantes da resistência afegã. E, isso, ainda sem considerar que as estradas que cortam o país são controladas por diferentes senhores-da-guerra locais, e acredita-se que as empresas privadas de segurança pagam regularmente a vários desses senhores-da-guerra, em troca do direito de circular pelas estradas – recurso ao qual nem o exército dos EUA nem o exército afegão podem recorrer diretamente, pelo menos em teoria.

Os contatos de Karzai

Outro motivo pelo qual o empresário com quem conversei não acredita que as empresas privadas de segurança armada venham a ser de fato expulsas do Afeganistão é que várias delas pertencem, totalmente ou em parte, a famílias influentes no país.

“Será que o irmão do presidente fechará sua empresa?”, perguntou ele, referindo-se a Ahmed Wali Karzai, meio-irmão de Hamid Karzai e temido governador da província de Candahar.

O que se diz no país é que Wali Karzai controlaria várias das empresas privadas de segurança na área crucial de Candahar, apesar de jamais se haver provado qualquer conexão financeira entre ele e as empresas de segurança.

Os mais cínicos – muitos, nas ruas em torno do Capitólio – garantem que o decreto servirá apenas para entregar à família do próprio Karzai o monopólio da segurança privada no país, depois de expulsas as empresas estrangeiras, quase todas norte-americanas. Para outros, seria golpe de propaganda que Karzai estaria tentando, em busca de maior apoio popular, com vistas às eleições previstas para meados de setembro.

Num ponto, todos concordam: os mercenários armados são força de desestabilização ativa no Afeganistão – ideia que se encontra até no último relatório do Congresso dos EUA.

De fato, vai-se firmando a ideia de que as milícias mercenárias constituem hoje uma ameaça ao sucesso da estratégia dos EUA no Afeganistão, exatamente como aconteceu no Iraque, antes. Mas não se sabe se a expulsão seria a melhor solução com vistas ao futuro do Afeganistão.

Há quem diga que a expulsão das milícias privadas mercenárias criaria um vácuo de segurança, que os militares dos EUA – já sobrecarregados –, dificilmente conseguiriam preencher.



Tradução Vila Vudu

19 de abril de 2009

Bolívia: dois mercenários foram presos

Fonte: Agencia Boliviana de Información

Dos mercenarios vivos y la punta del ovillo

Parte del arsenal descubierto en el almacén de Cotas, en el campo de la Expocruz (ABI)

Coco Cuba


La Paz, 17 abr (ABI) – Dos supuestos mercenarios, parte de la célula de terroristas desarticulada en la ciudad de Santa Cruz (900 km al este de La Paz), eran la punta del ovillo que las autoridades bolivianas exploraban el viernes en busca de despejar un sin número de incógnitas sobre la existencia de una compleja red irregular con contactos en Europa.

La información que se pueda extraer del boliviano Mario Fardig Astorga, un militar en retiro que frisa los 60 años y que se formó en centros castrenses croatas, y del húngaro Iedad Votel Toazo, dos de los cinco miembros de una facción irregular interceptada en un hotel de Santa Cruz, resulta vital para establecer el tamaño y las extensiones de lo que se supone un plan para desestabilizar Bolivia, o matar al presidente Evo Morales, que viene a ser lo mismo.

Fardig y Toazo salieron indemnes de una feroz balacera que siguió a una poderosa explosión que voló por los aires 30 habitaciones del cuarto piso del Hotel Las Américas, donde fueron abatidos el rumano Mayarosi Ariad, el irlandés Duayer Michael Martin y el boliviano Eduardo Rózsa Flores, primariamente identificado como Jorge Hurtado Flores.

Fardig y Toazo permanecen detenidos bajo un extraordinario dispositivo de seguridad en los calabozos de la Fiscalía de La Paz y, según el ministro de Gobierno, Alfredo Rada, que habló en el consulado boliviano en Río de Janeiro, ya admitieron su participación en los atentados terroristas a las residencias del viceministro Saúl Avalos, en marzo, y del jerarca de la iglesia católica boliviana Julio Terrazas, el pasado miércoles.

En poder de los caídos en el hotel, uno de ellos descoyuntado por la explosión del artefacto, se encontró una computadora que era objeto de un minucioso estudio por peritos en La Paz. El ordenador portátil era, a estas alturas del día, una caja de Pandora y su información podría trazar el curso de las pesquisas.

En la cómoda de Rózsa Flores, la policía encontró una Uzis, metralleta livianísima que es capaz de percutar 20 balas por segundo y que el boliviano, que comandó un batallón de 380 soldados en la guerra secesionista en la exYugoslavia, en la década de los ‘90, a favor de las fuerzas croatas, no alcanzó a blandir impedido por el fuego nutrido que se desató entre las 4h30 y 5h00 del jueves en el cuarto piso del hotel Las Américas, reveló el comandante de la Policía, general Víctor Hugo Escóbar.

El palmarés de Rózas Flores daba para confundir a los más esclarecidos, pues detrás del guerrero por Croacia, este hijo de húngaro comunista convencido y de boliviana ferviente católica nacido en Santa Cruz en 1960, había un corresponsal, nada menos que de la BBC y de la Vanguardia española.

Este hombre contactado en Croacia por el “Viejo”, un personaje, por el momento sin rostro ni nombre y que supuestamente opera desde algún punto de Bolivia, estuvo en la resistencia al dictador Augusto Pinochet en el Chile del primer presidente marxista de Latinoamérica, el inmolado Salvador Allende, en setiembre de 1973, y hasta compuso grupos humanitarios y, para plantear el rompecabezas, adscribió El Corán.

Miembro de una familia de artistas reconocida en Santa Cruz, Rózsas Flores, que ha sido filmado en traje de fajina, llegó a realizarse, también de cineasta.

Los cuerpos de los abatidos fueron levantados 14 horas después de la balacera, lapso en el que autoridades bolivianas tomaron todas las pistas que podrían conducir a la captura de otros miembros de la célula o integrantes de otra facción irregular que opera en Bolivia.

El vicepresidente Alvaro García Linera reveló que en el depósito de la privada telefónica Cotas, en el campo de la Expocruz, en el centro de Santa Cruz, se encontraron cajas vacías de armas de guerra y explosivos, lo que hace suponer que uno o varios grupos se han apoderado de rifles de alta precisión y metralletas de último generación.

“No estamos sólo ante una célula. Deducimos que hay otras, por la cantidad de armas encontradas en este stand y por las cajas vacías de armamento que deben ser encontradas”, argumentó.

Los suposiciones se han regado, pues la Policía halló en el almacén de Cotas C-4, un devastador explosivo de exclusivo uso militar que había sido combinado con gasolina. Este cóctel, por la cantidad de C-4 encontrado pudo haber volado por los aires el barrio en que se encuentra enclava la Expocruz.

En el depósito de Cotas también se hallaron planos, croquis y documentos con datos sobre los movimientos del presidente Evo Morales, García Linera y los ministros de Estado. En una lista de muerte recabada por la Policía de manos de los supuestos terroristas, estaba también el prefecto Rubén Costas, según informó el viceministro de Interiores, Marcos Farfán.

García Linera denunció que la célula de mercenarios planificaba un magnicidio en Bolivia.

En la madeja que las autoridades deben desenvolver con cuidado sumo figura el origen del financiamiento del plan y el establecimiento en las próximas horas de quién o quienes contactaron a los sicarios.

“Quién paga, quien contrata a estos extranjeros”, se preguntó Morales durante la cumbre de la Alternativa Bolivariana para Latinoamérica y El Caribe, celebrada en la ciudad venezolana de Cumaná.

“En Bolivia la derecha intentó sacarme con el voto del pueblo mediante el voto del pueblo(en julio último) y fracasaron; intentaron sacarme con un golpe de Estado cívico prefectural (en agosto y setiembre siguientes) y fracasaron, y ahora planificaban con mercenarios, fracasaron. Ojalá fracasen para siempre”, hizo votos el mandatario boliviano.

·El ascendiente croata Rózsas percutaba las miradas hacia el ex presidente del Comité Pro Santa Cruz, Branco Bora Marincovic, el poderoso empresario agropecuario convertido en el más fiero de los opositores de Morales, mientras un senador oficialista, Ricardo Díaz, afirmaba que la célula neofacista Ustasha opera en Bolivia, “no sólo de ahora, está trabajando esta organización hace ya tiempo”.

Los hallazgos en el depósito de Cotas, han puesto a la telefónica en el ojo de la tormenta, también por la composición de su plana gerencial, su poder económico y sus vinculaciones con una serie de cooperativas de servicios en Santa Cruz, todas vinculadas al político empresarial Comité Pro Santa Cruz, la oposición más radical a Morales.

“No tenemos ningún nexo, no tenemos la menor vinculación con este caso, esta es una cooperativa de telecomunicaciones que presta servicios a toda la población de Santa Cruz, ese es su fin y no tiene otro”, agregó el asesor jurídico de Cotas, Roberto Paz.

La envergadura del asunto llevó a García Linera a declarar a las investigaciones antiterroristas como prioridad de la seguridad del Estado.

“Estos actos han dejado de ser un tema meramente delincuencial para convertirse un tema de seguridad de Estado y de los bolivianos”, manifestó.

Las investigaciones policiales pasarán por esclarecer las interrogantes sobre quién o quiénes trajeron a los terroristas del extranjero; quién o quiénes los trajo de Croacia y de Irlanda a Santa Cruz; quién pagó sus pasajes; quién los mantenía; quién les daba el dinero para que vivieran en un hotel y contrataran casas; quién les daba información sobre el desplazamiento de las autoridades, quién los mantenía informados y protegidos y quién les proporcionó el armamento.

También cómo llegó a Bolivia el explosivo C-4; quién y a quién o quienes lo compraron.

García Linera pidió esclarecer los móviles ideológicos que impulsaron los actos terroristas que “estarían vinculados, por la documentación que hemos podido observar, a una ideología de extrema derecha fascista”.