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20 de agosto de 2010

Serra chafurda na própria sujeira

Escandalosas as manifestações do candidato José Serra [PSDB-DEMO- PIG] no Congresso da ANJ. Atacar as conferências de cultura, de comunicação e, principalmente, a de Direitos Humanos [pois cultura e comunicação são direitos humanos], é a prova de que este sujeito leviano precisa ser impedido de chegar à Presidência da República, bem como banido da vida pública brasileira

Esta sujeito sujo, na sua gestão de governador de SP, pagou por livros com dois Paraguais e mandou bater em professoras e professores grevistas. Por isso não nos espanta este desprezo pela cultura e pelos direitos humanos. Como não nos é surpreendente tal criatura atacar os movimentos que lutam pela democratização das comunicações, uma vez que meia dúzia de empresas de comunicação “limparam” [e limpam] a sua bunda suja todos esses anos, com seus silêncios, mistificações e/ou mentiras.

Serra, ao atacar os blogueiros e as blogueiras, acusando-os de receber dinheiro governamental, sem apresentar uma mísera evidência, o que dirá provas, beira à calúnia! Ainda mais que a sua queixa diz respeito ao fato de que se restabelece a verdade através dos blogues. Imaginem, A VERDADE! “Assim não pode, Assim não dá!”, deve bradar, inspirado no chefe maior, FHC:

- não dá mais para divulgar as sujas pesquisas eleitorais manipuladas;
- não dá mais para esconder sua incompetência como gestor público sujo, no caso da cratera do metrô, ou dos livros escolares com erros crassos;
- não dá mais para dissimular a sujeira de seu autoritarismo, como no caso da violência praticada contra os movimentos sociais e trabalhadores;
- não dá mais para aplicar golpes sujos, afirmando ser o pai dos genéricos;
- não dá mais para dizer que é economista formado, sujeira essa que ele até hoje não explicou.

Enfim, não dá mais para sustentar nenhuma de suas sujeiras, pois lá vem aqueles blogues denunciar suas mentiras!

Mas a cereja do bolo é afirmar, que participação social nas decisões do governo é um ato de militantes partidários. Aqui, a mentira e a leviandade se misturam ao mal caratismo e ao autoritarismo de quem quer impedir, a qualquer custo, a participação da população nas questões nacionais. Tomemos, como exemplo, a I Conferência Nacional de Comunicação [CONFECOM], em que participamos ativamente. Em torno de 30 mil pessoas participaram das conferências preparatórias municipais, distrital, estaduais, divididas em sociedade civil, empresários da comunicação e poder público. Qualquer governo democrático e minimamente responsável acolhe as demandas da população. A I CONFECOM foi uma delas.

A I CONFECOM foi a culminância de uma luta travada há mais de 20 anos pela sociedade civil para regulamentar o setor que é, sem sombra de dúvida, o mais antidemocrático da sociedade brasileira. É inconcebível que um país, que se pretenda democrático, esteja à mercê de meia dúzia de famiglias e seus capangas, que decidem sobre o que os brasileiros devem ser informados, ou desinformados. Na cabeça suja de Serra, é inconcebível que a população, representada pelas delegadas e pelos delegados da I CONFECOM, exija o direito à uma informação de qualidade.

O ódio de Serra aos blogues e seus mantenedores, a quem ele acusa de práticas às quais deve estar bem acostumado, pois quem mal não faz, mal não pensa, deve ser entendido como a reação de uma casta que, pela primeira vez na História do Brasil, perde o controle absoluto da informação. A Internet, em que pese às suas limitações, quebrou a hegemonia informativa das máfias midiáticas, que ainda tentam, através de expedientes sujos, como este que Serra lança mão, manter com mão de ferro.

Esse episódio não é um fato isolado, nem um momento de destempero de um candidato, cuja campanha desaba a olhos vistos. Ele está inserido num contexto bem maior e que envolve outros expedientes sujos, tais como: desqualificar o Mercosul; acusar a Bolívia de traficar drogas para o Brasil; criticar a diplomacia brasileira no acordo Brasil-Turquia-Irã; ligar o PT com as FARC e esta com o narcotráfico.

Observando isso tudo com mais cuidado, percebe-se que o discurso de Serra, alinha-se, incondicionalmente, com a doutrina do Departamento de Estado e da CIA para a América Latina. Serra é o nosso Uribe.

Por isso, sua chegada ao poder representa, no plano externo, confrontação com os países vizinhos; retrocesso na autonomia da política externa brasileira; ameaças a estabilidade na América Latina e a soberania nacional, ao alinhar o Brasil, incondicionalmente, aos interesses do EUA. No plano interno, repressão e violência contra os movimentos sociais, desmonte das políticas públicas, liquidação do que restou do patrimônio nacional e, aí sim, cerceamento da liberdade de informação que, no final das contas, é o objetivo de José Serra [PSDB-DEMO- PIG] ao atacar o movimento blogueiro.

6 de agosto de 2010

Lei Arizona: Evo Morales lembra a Obama origem migratória de seus pais

Fonte: Adital
Por Tatiana Félix *


Em dura crítica à Lei Arizona (SB 1070), que criminaliza a presença de imigrantes no Arizona, Estados Unidos, o presidente da Bolívia, Evo Morales, publicou uma carta ontem (5), dirigida ao presidente estadunidense Barack Obama, na qual ressalta a origem migrante dos pais de Obama. Na carta, Morales também acusa a norma de promover um tipo de apartheid.

Classificando esta como a mais dura lei migratória do território norte-americano, Evo Morales fez questão de relembrar ao presidente Obama, que como defensor de políticas sociais, ele não deve esquecer a "origem migrante de seus pais". "Você não pode permitir que o racismo se mantenha em seu país", enfatizou.

O líder boliviano segue descrevendo a história da família Obama, já que os pais do atual presidente estadunidense iniciaram sua vida "em um país que não era deles", onde puderam ter oportunidades para se desenvolver. "Eu não sei o que pensaria seu pai, que foi migrante, se sentisse que agora não poderia viver e trabalhar nos Estados Unidos", disse.

Morales criticou o discurso do governo estadunidense, ressaltando que o país "prega a justiça social, fala de livre circulação, negócios e mercado, no entanto, castiga aos seres humanos, neste caso aos latino-americanos, que tanto esforço e trabalho oferecem para contribuir e apoiar o desenvolvimento de seu país".

"Os Estados Unidos é um país de migrantes", afirmou Morales, defendendo ainda que foram os migrantes quem contribuíram para a prosperidade e o desenvolvimento da nação mais forte do planeta. O chefe da Bolívia acusou a Lei Arizona de ser uma tentativa de promover o "apartheid da discriminação política, econômica, cultural, social e racial contra os irmãos latino-americanos".

Para Evo Morales, a vigência da Lei Arizona, somada à diretiva do retorno voluntário, promovida pela União Europeia, submete a uma situação difícil, milhões de pessoas que se esforçaram para estabilizar uma condição de trabalho. "Senhor presidente, está em suas mãos evitar que em seu país retorne os dias obscuros de perseguição por cor de pele e de origem racial", finalizou.

Lei anti-imigração

A Lei Arizona entrou em vigor no último dia 29 de julho. Por conta de uma decisão judicial, alguns de seus pontos mais polêmicos foram retirados, como a permissão para que policiais detivessem pessoas suspeitas de estarem sem documentos e a abordagem a pessoas suspeitas de estarem ilegais.

* Jornalista da Adital

Imagem: Internet

7 de dezembro de 2009

NYT investe contra Evo Morales


O Viomundo publica artigo [traduzido] do New York Times [NYT] sobre as eleições na Bolívia, em que Evo Morales obteve uma vitória consagradora nas urnas nesse domingo [6 de dezembro de 2009].

Azenha, ao inserir ótimos comentários no meio do texto, auxilia na leitura de mais uma "obra" desrespeitosa, mistificadora, preconceituosa e mentirosa, muito bem acolhida pelo NYT, cultuando seu ódio de classe.

E não podemos esquecer, que este jornal divulgou a mentira das armas de destruição em massa no Iraque, bem como artigo de Larry Hoter que chamou o Presidente Lula de bêbado.


New York Times: Evo é Stalin indígena (eleição, qual eleição?)

O texto abaixo serve como exemplo da cobertura tosca, sem pé nem cabeça e cheia de preconceitos que a mídia americana faz da América Latina. Aí eles lá em Washington ficam sem entender porque a grande maioria vota em Evo Morales:

Na Bolívia, uma força pela mudança persiste

por SIMON ROMERO e ANDRES SCHIPANI, no
New York Times

Published: December 6, 2009

LA PAZ, Bolivia — Apesar dos slogans e posters de Che Guevara, não estamos em Havana, 1969 ou Manágua, 1979. Em vez disso, o fervor nos escritórios do vice-ministro de Descolonização só poderiam existir na Bolívia do presidente Evo Morales, que parece navegar para a vitória nas eleições de domingo.

Os escritos em uma parede, literalmente em dois idiomas nativos -- Quechua e Aymara -- oferecem sinais de um movimento político que chacoalhou as instituições dessa nação empobrecida.

“Jisk’a Achasiw Tuq Saykat Taqi Jach’a P’iqincha", diz a mensagem na sala de Monica Rey, que explica que se trata de Aymara para o nome do novo escritório que ela dirige, a Diretoria para a Luta contra o Racismo.

"Estamos no processo de conquistar as mentes de nosso país e, ainda mais desafiador, seus medos", diz Rey, listando uma variedade de projetos, inclusive com a troca dos retratos que aparecem na moeda da Bolívia, tirando os homens brancos que sempre governaram para colocar heróis como Túpac Katari e Bartolina Sida, líderes de um revolta contra os espanhóis no século 18.

[Nota do Viomundo: Aqui o jornal espanta os leitores americanos com referências à -- horror!!! -- troca de homens brancos por índios na moeda boliviana.]

Com uma oposição profundamente enfraquecida e sua conexão visceral com a maioria indígena -- que representa mais de 60% da população -- Morales, 50, é provavelmente o mais forte líder nacional em décadas.

Ele venceu facilmente a reforma constitucional deste ano que deu a Morales o direito de concorrer a um novo mandato de cinco anos. Agora as pesquisas mostram Evo e seus apoiadores bem adiante na eleição de domingo. Está próximo de obter sólidas maiorias legislativas que dariam a ele o poder de moldar a nação como o primeiro presidente indígena.

A votação parecia transcorrer em calma na maior parte da Bolívia domingo, de acordo com entrevistas com eleitores aqui e reportagens de rádio nos centros de votação. "Evo deve ficar para terminar o que começou", disse Juan Carlos Garcia, 24, um vendedor ambulante de El Alto, o bairro pobre que cerca La Paz, antes de votar em uma seção eleitoral na manhã de domingo. "Os que não concordam devem ceder à vontade da maioria", ele acrescentou.

O sr. Morales votou no domingo de manhã na vila 14 de setembro, uma comunidade em Chapare, nas florestas centrais da Bolívia, uma região de plantio de coca que é um bastião de apoio ao presidente. Ele disse que os eleitores tinham o direito de decidir entre "o processo de mudanças ou o neoliberalismo", o termo que ele usa para atacar as políticas econômicas de mercado.

[Índio que tem apoio onde se planta coca!!! Perigo!!!]

Mas o domínio de Morales deu a ele alguns rivais inesperados, além das faces da oposição das elites tradicionais das terras baixas do leste. A crescente influência de Evo também parece opressiva para uma coleção de líderes políticos indígenas que estão tentando emergir da sombra de Evo.

[Evo, a sombra ameaçadora!!!]

"Esse governo existe para gastar dinheiro nas campanhas de Evo às custas do resto de nós", diz Felipe Quispe, 67, um índio Aymara que entrou na política depois de liderar uma insurgência guerrilheira nos anos 80 e de ser preso nos anos 90. "Evo é um índio vestido com roupas chiques, cercado por homens brancos e mestiços".

O icônico Quispe, que lidera um grupo radical com uma pequena porcentagem de eleitores, diz que os Aymaras, que representam um quarto da população da Bolívia de 9,8 milhões, deveriam rejeitar a ideia de a Bolívia formar uma Nação com os povos que falam Aymara do planalto do Peru. "Devemos nos desbolivianizar", ele disse.

[Os autores deixam implícito que Evo Morales seria o autor da ideia de juntar os Aymara da Bolívia e do Peru!!! Índio, cocaleiro e traidor da Pátria!!!]

Ricardo Calla, um antropólogo e ministro para assuntos indígenas em um governo anterior [Ops, que "governo anterior"? O do FHC], disse que assim como o sr. Quispe estava à esquerda do presidente, líderes indígenas emergiram em todo o espectro ideológico, sugerindo uma classe política mais variada do que a apresentada pela mídia estatal daqui.

No centro, por exemplo, está Savina Cuéllar, um governadora de província do sul da Bolívia. À direita está Victor Hugo Cárdenas, um ex-vice-presidente cuja casa foi atacada por uma multidão pró-Morales este ano. Ainda mais à direita está Fernando Untoja, um intelectual Aymara que disputa o Congresso na coalizão de Manfred Reyes Villa, um ex-capitão do Exército que está bem longe de Evo Morales, em segundo lugar na disputa.

[O New York Times acaba de se desmentir. Primeiro o jornal tentou nos convencer de que Evo fazia sombra a outros líderes indígenas. Depois, apresentou líderes indígenas de todos os partidos, nenhum dos quais fantoche de Evo!!! Mas só faz isso para poder culpar a mídia estatal boliviana -- que é minoritária -- de distorcer a realidade!!! Nem Ali Kamel faria melhor]

"O Evo em si", disse o sr. Calla, o antropólogo, "poderia ser considerado de esquerda autoritária". Contribuindo para essa classificação, ele argumentou, está a resistência de Morales em cooperar com outros partidos, ameaças de prender adversários e a celebração de seu governo em publicidade paga. O sr. Calla chamou a exuberante demonstração das conquistas de Morales "um culto à personalidade" em andamento.

[Simon Romero, o Cesinha da Bolívia: o índio cocaleiro e apátrida, insuflador da rebelião indígena, é um novo Stalin!!!]

Cambio, um jornal diário controlado pelo estado como o Granma em Cuba, criado por Morales este ano, oferece um exemplo dessa fanfarra. No principal artigo deste domingo, descreveu Porto Evo Morales, uma acampamento pioneiro no norte do país. Num caderno à parte um gibi contava "Evo: Do Povo e para o Povo", mostrando a ascensão de Evo da pobreza.

[O cara tirou o Granma do arquivo!!!]

Há razões concretas para a popularidade de Morales. [Os dois parágrafos seguintes explicam tudo!!!] O maior pode ser o crescimento sustentado da economia da Bolívia, aplaudido por economistas que estão impressionados com as reservas de mais de 7 bilhões de dólares em moeda forte, apesar do país enfrentar persistentes níveis de extrema pobreza.

Apesar da crise financeira e de uma queda nos ganhos com a exportação de gás, a economia da Bolívia deve crescer até 4% este ano, uma das taxas mais altas da região, ajudada pelo estímulo dos gastos em programas sociais para crianças, muheres grávidas e os mais velhos.

"Até o FMI está feliz com a economia da Bolívia; imagine a ironia disso", afirmou Gonzalo Chávez, um economista educado em Harvard [Isso acalma o leitor americano], se referindo às duras críticas de Morales às instituições multilaterais de Washington, como o Fundo Monetário Internacional.

Ainda assim, as tensas relações diplomáticas de Washington com o sr. Morales podem ser as piores do hemisfério, com exceção de Cuba, mesmo com o novo governo Obama. A Embaixada dos Estados Unidos aqui permanece sem embaixador depois da expulsão no ano passado de Philip S. Goldberg e as operações conjuntas para combater as drogas foram suspensas quando o sr. Morales acusou a Drug Enforcement Administration de espioná-lo.

O sr. Morales passou boa parte de uma entrevista coletiva com jornalistas estrangeiros esta semana criticando o acordo militar do governo Obama com a Colômbia e o apoio dos Estados Unidos às eleições presidenciais em Honduras. E ele parecia cético quanto a uma reconciliação, dizendo que um encontro com o presidente Obama seria "desejável mas não decisivo".

[Alguém já viu um candidato elogiar os Estados Unidos em véspera de eleição???}

A marca do sr. Morales na sociedade é evidente na cidade de Warisala, onde outro experimento, a universidade indígena Túpac Katari, se descortina no planalto da Nação.

[Índio cocaleiro, apátrida e ditador, faz "experimentos"]

O campus, com sua linda vista do pico Illampu coberto de neve, enfatiza a instrução em Aymara e ecoa o sentimento do partido do sr. Morales, o Movimento pelo Socialismo. Colocada em uma porta, uma nota diz que é compulsório para integrantes da equipe acadêmica e administrativa participar de um curso sobre "O Capital", de Karl Marx; correm o risco de serem punidos se não participarem.

[Onde é que já se viu estudar? Índio cocaleiro, apátrida e ditador, quer forçar as pessoas a estudar e ainda mais em um idioma exótico!!! Pelo banimento de Marx, já!]

"O que foi trazido pelos invasores europeus e seu sistema colonial", perguntou David Quispe, 37, que dá um curso sobre a visão de mundo andina.

"A exploração capitalista e racista", um grupo de estudantes responde em coro, tendo nas mãos o livro didático "Tese Indígena", de Fausto Reinaga.

"Aqui jovem indígenas estavam acostumados a ficar em silêncio", o sr. Quispe disse depois da aula. "Agora é hora deles começarem a falar".

[Nota do Viomundo: Antes do climax desse artigo os gestores do site correram para se esconder embaixo da cama. Chamem o general Custer]

Imagens: Evo Morales por Javier Mamani/EFE e George Armstrong Cluster por Mathey Brady.

24 de setembro de 2009

Declaração sobre democracia é aprovada no Rio por aclamação

Ministro da Justiça Tarso Genro

Brasília, 18/09/09 (MJ) - Na cidade do Rio de Janeiro, de 17 a 18 de setembro de 2009, realizou-se o Seminário Internacional Democracias em Mudança na América Latina, reunindo o Ministro de Estado da Justiça do Brasil, Tarso Genro, o Ministro de Governo da República da Bolívia, Alfredo Rada, o Ministro do Interior do Paraguai, Rafael Filizzola e o Ministro da Justiça, Segurança e Direitos Humanos da República Argentina, Júlio César Alak, além de representantes da sociedade civil, membros do governo, da academia, universitários e demais interessados no tema que,

RECONHECENDO:

- que a democracia traduz-se em patrimônio dos povos latino-americanos;

- que o desenvolvimento das nações, por meio de transformações sociais, com transições lentas, por vezes dolorosas, legitima o processo democrático ainda em curso em vários países, inclusive nos da América Latina;

- que tais países vivenciam os efeitos da transição de Estados de fato, outrora vigentes;

- que é inegável que os períodos de ditadura produziram um passivo negativo caracterizado por um legado de dividas jurídicas, éticas, políticas, sociais e culturais a seus povos, inclusive regionalmente;

- que os Estados devem, permanentemente, reprimir as práticas de tortura, sob todas as formas de que pode se revestir o fenômeno;

- que os mecanismos e iniciativas voltados à reparação do legado de violação a direitos humanos devem ser combinados com políticas públicas para a memória e a educação, sem perder de vista a necessidade de feitura de justiça para a plena consolidação do Estado de Direito;

- o valor da dignidade da pessoa humana como sustentáculo das democracias e que estas não se efetivarão plenamente enquanto não forem supridas as necessidades básicas dos cidadãos, sejam alimentares, de saúde, educacionais, ambientais e de segurança;

- que as políticas sociais preventivas de segurança, aliadas às legitimas políticas repressivas do Estado, garantem o direito social fundamental à segurança e o aperfeiçoamento da cultura democrática, com desenvolvimento social;

- por fim, que os debates e reflexões realizados no seminário em questão, certamente direcionarão o necessário processo de materialização efetiva de Estados Sociais Democráticos de Direito,

DECLARAM:

- Repúdio às novas formas de subversão, inclusive terroristas, que atentam contra os valores democráticos e soberanos na América Latina;

- O crime organizado transnacional e o poder de corrupção que lhe dá vida constituem ameaça ao desenvolvimento das nações;

- Sejam reconhecidos os avanços sociais e de enfrentamento à criminalidade, com foco no desenvolvimento sustentável, por meio do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Brasil, e outras experiências regionais exitosas, referências de boas práticas a serem seguidas pelos países da América Latina;

- Seja reconhecida a necessidade de articulação e trabalho conjunto dos entes nacionais, sob a concepção inovadora de gabinetes de gestão integrada;

- Seja estabelecida a concepção de que as fronteiras entre os países são elementos de integração e reforço da soberania;

- A necessidade de permanente e integrada efetivação de políticas transicionais no Continente;

- A criminalidade organizada, que não reconhece fronteiras, somente será enfrentada com o somatório de esforços nacionais, regionais e internacionais, especialmente dirigidos ao tráfico de drogas, de armas, de pessoas e à lavagem de dinheiro;

- Repudiar a politização do crime organizado, desestabilizadora dos regimes democráticos e atentatória à soberania dos países e da America Latina;

ENCAMINHAM:

- Que haja continuidade do diálogo firmado na área da segurança, inclusive pública;

- Que são necessários novos encontros e, por sugestão do Excelentíssimo Senhor Júlio César Alak, Ministro da Justiça, Segurança e Direitos Humanos da República Argentina, que o Segundo Seminário Internacional “Democracias em Mudança na América Latina” seja sediado naquele País.


Rio de Janeiro, 18 de setembro de 2009.

Imagem: Issac Amorim

19 de abril de 2009

Bolívia: dois mercenários foram presos

Fonte: Agencia Boliviana de Información

Dos mercenarios vivos y la punta del ovillo

Parte del arsenal descubierto en el almacén de Cotas, en el campo de la Expocruz (ABI)

Coco Cuba


La Paz, 17 abr (ABI) – Dos supuestos mercenarios, parte de la célula de terroristas desarticulada en la ciudad de Santa Cruz (900 km al este de La Paz), eran la punta del ovillo que las autoridades bolivianas exploraban el viernes en busca de despejar un sin número de incógnitas sobre la existencia de una compleja red irregular con contactos en Europa.

La información que se pueda extraer del boliviano Mario Fardig Astorga, un militar en retiro que frisa los 60 años y que se formó en centros castrenses croatas, y del húngaro Iedad Votel Toazo, dos de los cinco miembros de una facción irregular interceptada en un hotel de Santa Cruz, resulta vital para establecer el tamaño y las extensiones de lo que se supone un plan para desestabilizar Bolivia, o matar al presidente Evo Morales, que viene a ser lo mismo.

Fardig y Toazo salieron indemnes de una feroz balacera que siguió a una poderosa explosión que voló por los aires 30 habitaciones del cuarto piso del Hotel Las Américas, donde fueron abatidos el rumano Mayarosi Ariad, el irlandés Duayer Michael Martin y el boliviano Eduardo Rózsa Flores, primariamente identificado como Jorge Hurtado Flores.

Fardig y Toazo permanecen detenidos bajo un extraordinario dispositivo de seguridad en los calabozos de la Fiscalía de La Paz y, según el ministro de Gobierno, Alfredo Rada, que habló en el consulado boliviano en Río de Janeiro, ya admitieron su participación en los atentados terroristas a las residencias del viceministro Saúl Avalos, en marzo, y del jerarca de la iglesia católica boliviana Julio Terrazas, el pasado miércoles.

En poder de los caídos en el hotel, uno de ellos descoyuntado por la explosión del artefacto, se encontró una computadora que era objeto de un minucioso estudio por peritos en La Paz. El ordenador portátil era, a estas alturas del día, una caja de Pandora y su información podría trazar el curso de las pesquisas.

En la cómoda de Rózsa Flores, la policía encontró una Uzis, metralleta livianísima que es capaz de percutar 20 balas por segundo y que el boliviano, que comandó un batallón de 380 soldados en la guerra secesionista en la exYugoslavia, en la década de los ‘90, a favor de las fuerzas croatas, no alcanzó a blandir impedido por el fuego nutrido que se desató entre las 4h30 y 5h00 del jueves en el cuarto piso del hotel Las Américas, reveló el comandante de la Policía, general Víctor Hugo Escóbar.

El palmarés de Rózas Flores daba para confundir a los más esclarecidos, pues detrás del guerrero por Croacia, este hijo de húngaro comunista convencido y de boliviana ferviente católica nacido en Santa Cruz en 1960, había un corresponsal, nada menos que de la BBC y de la Vanguardia española.

Este hombre contactado en Croacia por el “Viejo”, un personaje, por el momento sin rostro ni nombre y que supuestamente opera desde algún punto de Bolivia, estuvo en la resistencia al dictador Augusto Pinochet en el Chile del primer presidente marxista de Latinoamérica, el inmolado Salvador Allende, en setiembre de 1973, y hasta compuso grupos humanitarios y, para plantear el rompecabezas, adscribió El Corán.

Miembro de una familia de artistas reconocida en Santa Cruz, Rózsas Flores, que ha sido filmado en traje de fajina, llegó a realizarse, también de cineasta.

Los cuerpos de los abatidos fueron levantados 14 horas después de la balacera, lapso en el que autoridades bolivianas tomaron todas las pistas que podrían conducir a la captura de otros miembros de la célula o integrantes de otra facción irregular que opera en Bolivia.

El vicepresidente Alvaro García Linera reveló que en el depósito de la privada telefónica Cotas, en el campo de la Expocruz, en el centro de Santa Cruz, se encontraron cajas vacías de armas de guerra y explosivos, lo que hace suponer que uno o varios grupos se han apoderado de rifles de alta precisión y metralletas de último generación.

“No estamos sólo ante una célula. Deducimos que hay otras, por la cantidad de armas encontradas en este stand y por las cajas vacías de armamento que deben ser encontradas”, argumentó.

Los suposiciones se han regado, pues la Policía halló en el almacén de Cotas C-4, un devastador explosivo de exclusivo uso militar que había sido combinado con gasolina. Este cóctel, por la cantidad de C-4 encontrado pudo haber volado por los aires el barrio en que se encuentra enclava la Expocruz.

En el depósito de Cotas también se hallaron planos, croquis y documentos con datos sobre los movimientos del presidente Evo Morales, García Linera y los ministros de Estado. En una lista de muerte recabada por la Policía de manos de los supuestos terroristas, estaba también el prefecto Rubén Costas, según informó el viceministro de Interiores, Marcos Farfán.

García Linera denunció que la célula de mercenarios planificaba un magnicidio en Bolivia.

En la madeja que las autoridades deben desenvolver con cuidado sumo figura el origen del financiamiento del plan y el establecimiento en las próximas horas de quién o quienes contactaron a los sicarios.

“Quién paga, quien contrata a estos extranjeros”, se preguntó Morales durante la cumbre de la Alternativa Bolivariana para Latinoamérica y El Caribe, celebrada en la ciudad venezolana de Cumaná.

“En Bolivia la derecha intentó sacarme con el voto del pueblo mediante el voto del pueblo(en julio último) y fracasaron; intentaron sacarme con un golpe de Estado cívico prefectural (en agosto y setiembre siguientes) y fracasaron, y ahora planificaban con mercenarios, fracasaron. Ojalá fracasen para siempre”, hizo votos el mandatario boliviano.

·El ascendiente croata Rózsas percutaba las miradas hacia el ex presidente del Comité Pro Santa Cruz, Branco Bora Marincovic, el poderoso empresario agropecuario convertido en el más fiero de los opositores de Morales, mientras un senador oficialista, Ricardo Díaz, afirmaba que la célula neofacista Ustasha opera en Bolivia, “no sólo de ahora, está trabajando esta organización hace ya tiempo”.

Los hallazgos en el depósito de Cotas, han puesto a la telefónica en el ojo de la tormenta, también por la composición de su plana gerencial, su poder económico y sus vinculaciones con una serie de cooperativas de servicios en Santa Cruz, todas vinculadas al político empresarial Comité Pro Santa Cruz, la oposición más radical a Morales.

“No tenemos ningún nexo, no tenemos la menor vinculación con este caso, esta es una cooperativa de telecomunicaciones que presta servicios a toda la población de Santa Cruz, ese es su fin y no tiene otro”, agregó el asesor jurídico de Cotas, Roberto Paz.

La envergadura del asunto llevó a García Linera a declarar a las investigaciones antiterroristas como prioridad de la seguridad del Estado.

“Estos actos han dejado de ser un tema meramente delincuencial para convertirse un tema de seguridad de Estado y de los bolivianos”, manifestó.

Las investigaciones policiales pasarán por esclarecer las interrogantes sobre quién o quiénes trajeron a los terroristas del extranjero; quién o quiénes los trajo de Croacia y de Irlanda a Santa Cruz; quién pagó sus pasajes; quién los mantenía; quién les daba el dinero para que vivieran en un hotel y contrataran casas; quién les daba información sobre el desplazamiento de las autoridades, quién los mantenía informados y protegidos y quién les proporcionó el armamento.

También cómo llegó a Bolivia el explosivo C-4; quién y a quién o quienes lo compraron.

García Linera pidió esclarecer los móviles ideológicos que impulsaron los actos terroristas que “estarían vinculados, por la documentación que hemos podido observar, a una ideología de extrema derecha fascista”.

4 de fevereiro de 2009

O que a esquerda otária precisa aprender

Para enfrentar guerra da informação, Bolívia lança jornal estatal

No dia 22 de janeiro, começou a circular na Bolívia mais um jornal, "El Cambio. Não se trata de mais um jornal, mas sim de um diário estatal. Segundo o diretor do novo diário, Delfin Arias Vargas, a missão do novo jornal não é a de ser governamental. "Esse jornal não pode ser do governo, ele é estatal. Estamos manejando a informação como pensamos que se deve, como um bem social ao qual o povo boliviano tem direito", explica Vargas.

LA PAZ - Em 22 de janeiro, mesma data em que o presidente Evo Morales Ayma completou três anos à frente do governo boliviano e apenas três dias antes do referendo popular que consagrou a nova Constituição do país, começou a circular na Bolívia mais um jornal, El Cambio. A ver: nao se trata de mais um jornal, mas sim de um diário estatal. "A verdade nos faz livres" é o mote que acompanha o título do jornal em sua capa. E foi de liberdade jornalística que falou Evo na entrevista em que lançou a publicaçao: "[Aos jornalistas do novo diário] lhes pedimos não tergiversar nem mal-interpretar, como fazem alguns meios de comunicação". "Todos mentem e por isso precisamos ter nosso próprio diário. Pela primeira vez o Estado terá seu próprio jornal, o qual será distribuído todo dia com a verdade."

O diretor do novo diário, Delfin Arias Vargas, explica que foram dois os estopins para a decisão de lançar o jornal: primeiro, a forte campanha dos meios de comunicação contra a nova Constituição, ao longo dos últimos meses; segundo, uma reportagem do jornal La Prensa, em dezembro, que acusou Evo de estar vinculado aos donos de 33 caminhões de contrabando que foram liberados de forma irregular num posto aduaneiro da região de Cobija - fato ocorrido em agosto. A relação de Evo com os criminosos seria provada por um vídeo distribuído por um deputado da oposição - ao qual o governo acusou de ter forjado a suposta prova.

Mas a missão do novo jornal, que vem sendo publicado em formato tablóide, com 16 páginas, não é a de ser "pró-governamental", diz Delfin, que encontramos na última sexta-feira em seu escritório ainda improvisado, nas dependências do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), no bairro de Sopocachi, em La Paz. "Esse jornal não pode ser do governo, ele é estatal. Estamos manejando a informação como pensamos que se deve, como um bem social ao qual o povo boliviano tem direito*", vai explicando ele, em meio a interrupções de vários pedidos para assinar ordens de compra de materiais ou de gente que lhe avisa das providências que estão sendo tomadas para transformar o antigo depósito em uma redação jornalística. Pudera, entre a ordem de Evo para que fosse formado o diário, em 4 de janeiro, e ida de sua primeira edição às bancas, passaram-se meros 18 dias, segundo conta o jornalista.

A rapidez foi possível, conta ele, porque a base da equipe de El Cambio foi formada a partir dos profissionais da Agência Boliviana de Informação (ABI), a qual era comandada por Delfin até o inìcio do ano. Outra parte dos profissionais foi selecionada nas últimas semanas. "Aqui não há militantes, há jornalistas profissionais. Em nenhum momento se perguntou se eram filiados a algum partido ou movimento social, o que examinamos foi seu currículo profissional*", conta ele, que, junto com parte dos demais jornalistas que chefiam a equipe de 30 pessoas, atuou nos anos 80 no jornal Presencia. Esse diário, conta ele, era ligado à Igreja Católica e foi referência de bom jornalismo no país até o início dos anos 90.

Depois da passagem pelo Presencia, Delfin conta que ainda atuou alguns anos na imprensa comercial do país, em jornais como La Razón e La Prensa: "Conheço de dentro como esses jornais manejam a informação. Antigamente ainda era possível atuar porque havia um respeito à notícia, não a manipulavam como agora, restringiam-se às páginas de opinião. Hoje estão lidando com a informação sem nenhum respeito, tratam-na como bem comercial, não social*". A subida ao poder de Evo gerou efeitos poderosos na mídia comercial, segundo ele: "Esse respeito à informação ocorria quando não havia ameaca ao velho sistema político. Quando ele caiu, com o início do governo de Evo, os meios de comunicação viraram trincheiras, hoje eles fazem oposição política frontal*".

O jornalista conta que a direita recebeu com agressividade a criaçao de El Cambio: "Dizem que estamos violando a liberdade de expressão. Mas olhe como está o país, apesar de se terem cometido vários abusos, não há nenhum jornalista preso ou processado aqui. A liberdade de imprensa é plena na Bolívia e não vamos permitir que ela seja rompida. Só que não podemos também permitir que ela não seja usada para tratar a informação como bem social que é".

Na primeira edição de El Cambio, que imprimiu cerca de 5 mil exemplares distribuidos pelo país - a tiragem ainda está aumentando, conforme a capacidade de distribuição, e ainda não está estabilizada -, foi publicada uma entrevista exclusiva com Evo. Delfin foi um dos entrevistadores e conta que o próprio presidente lhe afirmou, logo após esse encontro: "Ele nos disse que está apoiando o jornal, mas não quer propaganda do governo, quero que dêem informações corretas sobre nossa gestão. 'Vocês devem dar uma aula de jornalismo aos meios comerciais*', ele completou".

Mesmo com o aval público de Evo, Delfin conta que foi procurado por diversos dirigentes partidários e de movimentos sociais na semana seguinte ao lançamento do jornal: "Cada um quer nos dar sua receita, eles nos dizem 'agora temos nosso jornal, vamos poder golpear a direita também', e eu até entendo, porque estão desesperados, para que haja mais meios alternativos no país. Só que o que nós faremos será simplesmente tratar a informação como bem social, com um manejo plural, responsável e veraz da informação. Isso nos fará independentes".

Para ele, comunicação "estatal" é algo muito diferente de simplesmente "defender o governo": "Quem tem de fazer defesa do governo é o Soberania, que é o semanário do MAS [partido de Evo]. Nós somos outra coisa, não vamos virar governamentais". Ele tampouco pensa em concorrer com a mídia comercial: "Nós não queremos nos comparar com ninguém, só queremos ser uma alternativa para a população".

A receita da equipe de Delfin para o diário estatal inclui espaço inclusive para a oposição ao governo. "Eu tenho pedido à equipe mais presença da oposição, aliás. Se dizem algo que merece destaque, tem de estar no jornal", diz ele, quando pergunto se não houve reclamação de algum integrante do governo pelo destaque em capa dado na edição do dia da entrevista a declarações de Ruben Costa, prefeito de Santa Cruz que é um dos mais duros adversários do governo.

Na seção internacional, El Cambio vem publicando artigos de diversas fontes, inclusive desta Carta Maior. O futebol também é destaque. No dia em que conversamos, o Cambio tambem destacava na capa a derrota do Real Potosí para o Palmeiras, por 5 a 1. "Neste país, somos todos fanáticos por futebol, do motorista de ônibus ao presidente. Cobrir futebol aqui é um serviço social. No futebol, quando joga nossa seleção nacional, nao há 'media luna', estamos todos unidos". diz ele, em referência à região oriental do país, foco da oposição e de idéias separatistas.

Os próximos passos do diário incluem a instituição de mecanismos de controle social*, agora consagrados pela nova Constituição: "O mecanismo não está definido. Vamos fazer, só que ainda não sabemos como. Por enquanto, estamos tratando de trazer pluralidade às páginas de opinião". Para Delfin, o maior desafio é a auto-sustentação: "É o mais importante para nós. Esse diário não pode ser um peso para o Estado". Por enquanto, o jornal tem publicado anúncios de empresas estatais e é vendido em banca a 2 bolivianos (o equivalente a R$ 0,70).

*Grifos nossos.