1 de abril de 2009
TV Brasil mostra debate histórico entre Jarbas Passarinho e o filho de Vladimir Herzog
Brasília - Amanhã (1º), às 22 h, a TV Brasil exibe o programa 3 a 1 com um debate sobre os 45 anos do golpe militar que depôs o presidente João Goulart e estabeleceu um regime ditatorial por 21 anos. Para discutir a história política brasileira contemporânea, foram convidados o ex-ministro Jarbas Passarinho, o deputado federal cassado em 1964 Marco Antônio Tavares Coelho e o engenheiro Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975. O programa, mediado pelo jornalista Luiz Carlos Azedo, expõe as diferenças de visão entre os setores que apoiaram o golpe e as pessoas depostas e perseguidas pelo regime. Para Jarbas Passarinho, coronel reformado do Exército, ex-ministro do Trabalho do governo Castelo Branco e ex-ministro da Educação do governo Médici, o golpe foi “preventivo” e funcionou como uma “contra-revolução”, pois setores da esquerda gestavam seu próprio levante. Em sua opinião, a intervenção foi desejada por boa parte da sociedade brasileira. “Nós fomos tirados dos quartéis por pressão dos civis”, acredita.
A lógica de Passarinho é que o Ato Institucional nº 5 (AI-5), baixado pelos militares em 13 de dezembro de 1968 anulando direitos e garantias individuais, também foi de reação e precaução. Segundo o ex-ministro, “já havia guerrilha desde setembro de 1967” e era necessário uma decisão de força. “Nós não tínhamos condições de manter a ordem interna e a ordem externa com as ações da guerrilha”.
O AI-5 concentrou grande parte do debate que será exibido pela TV Brasil. Passarinho, um dos 16 ministros que juntamente com o ex-presidente Arthur Costa e Silva subscreveu o AI-5, confessa que hoje “nas mesmas circunstâncias, assinaria o ato”.
Após a reafirmação do ex-ministro, Marco Antônio Tavares Coelho, ex-deputado federal e ex-dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), fez questão de frisar: “Eu fico satisfeito de ouvir Jarbas Passarinho dizer que não se arrepende”, disse, lembrando da frase atribuída ao ex-ministro na hora da edição do ato [“às favas com os escrúpulos”]. Para Coelho, “a consciência do senhor Jarbas Passarinho é um pouco complacente”.
Em meio às críticas que associaram o AI-5 às torturas e mortes de dissidentes do regime, Passarinho se defendeu: “Eu não quero, neste momento em que estamos falando supostamente para a história, bancar o bonzinho”. Ele disse que suas mãos estavam “livres do sangue de qualquer adversário”. O ex-ministro afirmou altivo: “Nunca pratiquei uma violência, mesmo como ministro do Trabalho enfrentando greves. E minhas mãos também são livres de dinheiro mal-havido. Essa honra eu tenho”.
A defesa do ex-ministro fez Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog, se dirigir diretamente a Passarinho de forma contundente,: “O senhor me desculpe, mas as mãos do senhor não estão limpas. O senhor foi conivente com o regime que matou meu pai, então as suas mãos estão tão sujas quanto a pessoa que deu choque nele”, disse emocionado antes de repetir as acusações.
“Eu reitero, gravo e vai para os anais da história: as pessoas que eram coniventes com aquele regime, estava assinado em baixo. O senhor assinou junto com aquelas pessoas um modelo de Estado que permitiu que pessoas como o meu pai e Manoel Fiel Filho (metalúrgico morto por tortura em janeiro de 1976) fossem assassinadas. O senhor foi conivente com aquilo lá. Isso daí a gente não pode esquecer”.
Para Herzog, “as pessoas que fizeram parte da Arena (Aliança Renovadora Nacional, partido que apoiava o governo militar])como um todo eram coniventes com um sistema que aceitava a morte, a censura e a violência pra pregar o ideal deles. Se é ideal, ponha em um sistema democrático para o debate”, disse no último bloco do programa 3 a 1.
Serviço
Programa “3 a 1”, TV Brasil (canal 2, sinal aberto)
Nesta quarta-feira, 1º de abril, às 22 horas (horário de Brasília)
Por Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
Cartum: Carlos Latuff
Fonte: Agência Brasil
11 de março de 2009
8 de março de 2009
Ato em frente a FSP: PT não compareceu?
Nota de AgradecimentoAos que não se calaram - 8 DE MARÇO DE 2009
O Movimento dos Sem Mídia, por meu intermédio, agradece formalmente o apoio das seguintes pessoas físicas e entidades da sociedade civil ao Ato Público de Repúdio contra o jornal Folha de São Paulo que teve lugar no último sábado.
Articulação Mulher e Mídia
Celso Lungaretti
Central Única dos Trabalhadores - CUT
Centro Acadêmico Benevides Paixão - PUC - SP
Centro Acadêmico de História da Unicastelo - SP
Centro Acadêmico de História da USP
Centro Acadêmico Wladimir Herzog - fac. Casper Líbero
Ciranda em defesa à Educação Infantil
Círculo Bolivariano de SP
Coletivo Estudantil de Direito da PUC - SP
Coletivo Socialismo e Liberdade - PSOL
Conselho Indigenista Missionário de SP
Deputado Carlos Neder
Facesp - Federação das Assoc Comunitárias de SP
Fórum em Defesa da Infância
Fórum Permanente ex-presos políticos de São Paulo
Grêmio Libre Estudantil Bertold Brecht - ETESP
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos
Intervozes
Ivan Seixas
Jornal Brasil de Fato
Luiza Erundina
Marcha Mundial das Mulheres
Ministério da Justiça - Comissão de Anistia
Movimento das Fábricas Ocupadas - Flasko
Movimento do Ministério Público Democrático
Movimento pelo Voto Aberto no Congresso Nacional
Padre Júlio Lancelotti
PC do B
Portal Vermelho
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
Revista Caros Amigos
Sindicato dos Bancários
Setor de Direitos Humanos do MST
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
Sindicato dos Metroviários da Capital
Sindicato dos Tralhadores em Editoras de Livros de São Paulo- SEEL
Toshio Kawamura
TV Brasil
UBES - União dos Estudantes Secundaristas
UNE - União Nacional dos Estudantes
União da Mulher de SP
União de Núcleos de Educação popular para Negros
O Movimento dos Sem Mídia agradece o apoio e cumprimenta as pessoas e entidades supra mencionadas. Pedimos aqueles que porventura não foram citados que deixem aqui seu comentário para incluirmo-los na relação de agradecimentos. Explicamos que nossas anotações, devido ao acúmulo de manifestantes, foram precárias e alguns nomes ficaram ininteligíveis.
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Como o presidente do MSM também ressaltou a dificuldade em anotar todos os nomes, solicita que escrevam para ele, a fim de atualização da lista. Ainda há tempo de verificar, se a ausência do PT é fato ou não. Para tanto, vá que alguém leia o Dialógico, mas não leia o Cidadania, favor deixar um comentário no blog do Eduardo, o Cidadania.com, acessando AQUI.
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Segundo a polícia militar de SP, compareceram 65 pessoas ao ato. Olhem a foto e tirem suas conclusões!
7 de março de 2009
Encerrado o ato Ditabranda
O Eduardo Guimarães, do blog Cidadania.com e presidente do MSM, está de parabéns!!!!
Nós acompanhamos, em tempo real, as publicações do blog Nas Retinas e do Guto Carvalho via Twitter e tivemos, até agora, mais de 400 visitas.
Adoramos a experiência e esperamos ter colaborado com a divulgação deste ato a contento.
Agora, aguardaremos mais notícias sobre as repercussões e mais fotos. Como o Dialógico entra em curtíssimo recesso, acompanhem essas informações através dos blogues:
Nas retinas
Blog do Guto Carvalho
e via Twitter [recomendamos a inscrição, foi uma excelente ferramenta - valeu, Hélio, pela insistência].
Ato bombando em frente a FSP
gutocarvalho: http://twitpic.com/1wjp7 - banners sobre torturadores #ditabranda
gutocarvalho: http://twitpic.com/1wjto - microfone aberto, dê seu depoimento #ditabranda
gutocarvalho: http://twitpic.com/1wjxb -Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra presentes no ato #ditabranda
Via Twitter
gutocarvalho: eduardo guimarães inicia o ato #ditabranda
gutocarvalho: a coisa está fervendo, vários pessoas gravando, fotografando, blogando, eduardo continua lendo o manifesto #ditabranda
gutocarvalho: temos mais de 200 pessoas na porta da folha, com placas, cartazes, banners, vamos subir algumas fotos #ditabranda
gutocarvalho: segura as pontas notebook, segura as pontas, só tem 30 pessoas penduras #ditabranda :)
gutocarvalho: na base do olhometro já tem umas 500 pessoas #ditabranda
gutocarvalho: ivan seixas ao microfone #ditabranda
gutocarvalho: tem uma galerinha estranha que chegou querendo bagunçar, não entrem na onda, vamos conter os exaltados #ditabranda ato pacífico!
gutocarvalho: @emerluis nos bastidores agregando informações e falando com jornalistas #ditabranda vai ficar tudo nas retinas!
gutocarvalho: Eduardo Guimarães está no twitter @eduguim #ditabranda
gutocarvalho: jornalistas da folha aparecendo para cobrir o ato #ditabranda
gutocarvalho: base digital do ato #ditabranda http://twitpic.com/1wikb
gutocarvalho: foto da os colaboradores como ato #ditabranda http://twitpic.com/1wijq
gutocarvalho: sites conservadores continuam sem falar uma linha do ato contra a #ditabranda
gutocarvalho: Estatísticas do movimento contra a #ditabranda mais de 100 sites abordaram o tema, somando temos mais de 60 mil visualizações dia....
gutocarvalho: .... sobre a #ditabranda, tudo feito em menos de 1 semana, informações circulando de forma independente na internet com liberdade!
gutocarvalho: toda a infra-estrutura wireless do ato contra a #ditabranda foi feita com tecnologia livre/open source/linux .
gutocarvalho: galera do softwarelivre aparecendo por aqui, to com camiseta do FISL8 e o pessoal tem vindo falar comigo e ver a infra #ditabranda
gutocarvalho: http://twitpic.com/1wjkt - foto dos participantes do ato #ditabranda
gutocarvalho: http://twitpic.com/1wjto - microfone aberto, dê seu depoimento #ditabranda
gutocarvalho: mais de 8 cabos USB ligados no micro, baixando fotos de 4 máquinas ao mesmo tempo #ditabranda
gutocarvalho: quem quiser disponibilizar as fotos para galera da ilha digital é só passar aqui na lanchonete que copiamos agora! #ditabranda
gutocarvalho: A BAND acaba de chegar para cobrir o evento, é o primeiro grande veículo que chega aqui, começamos a repercutir #ditabranda
gutocarvalho: TVBrasil presente no ato #ditabranda
gutocarvalho: Depois de 3 horas de ato a manifestação se encerra #ditabranda
Começou o ato Ditabranda
Começo ato Ditabranda
Até o momento pelo menos 100 pessoas estão presentes em frente ao prédio da Folha de São Paulo.
Viaturas da polícia em frente a Folha
Policiais estão presentes para acompanhar o ato. Viaturas passam o tempo todo em frente do jornal.
Seguranças da Folha
Barbosa, o primeiro a chegar vindo de Taubaté, informa que desde 8h seguranças da Folha estão de prontidão.
Leitura do manifesto
O primeiro ato da manifestção será a leitura do manifesto do Movimento dos Sem Mídia.
Faixas contra a ditabranda da Folha
Os manifestantes estenderam faixas em frente da Folha: A ditadura foi branda para a Folha. Ditadura nunca mais

Eduardo Guimarães começa o ato
Eduardo agradece a todos os presentes pela vinda, de Goiania, Brasília, Taubate, São Roque e São Paulo
Palmas do publico
Publico aplaude o ato e a coragem de todos que comparecem ao ato. Eduardo lembra que esta sendo apagado da memoria dos jovens as informaçoes reais sobre a ditadura.
Manifesto
Leitura do manifesto do MSM. Repudio a revisão historica da ditadura no Brasil. A naçao brasileira foi usurpada, com censura e tortura.
Limites a Chaves
Eduardo lembra que o editorial da Folha minimizou a ditadura no Brasil para atacar o presidente da Venezuela Hugo Chavez
Mais de 200 pessoas
Neste momento, dois lados da Barao de Limeira estao tomados. Mais de 200 pessoas ocupam a rua.
Manifesto
A Folha abriu espaço para pessoas que defendem metodos de controle da cidadania.
Uso da Internet
Toda a mobilizaçao para o ato desta manhã foi feita pela internet.
Imprensa presente
Funcionarios da Rede Record estao presentes ao ato.
Apeoesp
A APEOESP subsede norte em reunião dos representantes de escola publicou uma moçao de apoio a manifestacao e repudio ao editorial da Folha na ultima quarta, segundo Segisvaldo Caldo, da Apeoesp.
Ines Buschel
Promotora de Justica aposentada de SP, fundadora do Movimento do Ministerio Publico democratico, cuja missão é difundir a doutrina dos direitos humanos nas instituicoes da justica, em especial dos ministerios publicos do Brasil, presente ao ato. O MP democratico enviou protesto a Folha, que sequer publicou.
Ines Buschel
Promotora de Justica aposentada de SP, fundadora do Movimento do Ministerio Publico democratico, cuja missão é difundir a doutrina dos direitos humanos nas instituicoes da justica, em especial dos ministerios publicos do Brasil, presente ao ato. O MP democratico enviou protesto a Folha, que sequer publicou.
Marco Aurelio de Araujo Silva
Presente ao ato, o estudante de pedagogia da USP, com mais cinco estudantes, repudiam a forma com a qual a Folha de São Paulo distorce a historia, menosprezando o sofrimento das vitimas e a luta pelos direitos humanos.
Julio Lancelotti
O padre Julio lenbra que imprensa brasileira não lembrou os 100 anos de nascimento de D. Helder Camara
Lula Ramires
Coordenador do Corsa, entidade de defesa da cidadania GLBT, presente ao ato, diz que é um acinte um veiculo como a Folha distorcer a memória historica do povo brasileiro, relativizando todo o horror que o Brasil viveu sob a ditadura.
Presente ao ato
Deputado estadual Carlos Néder.
Flavia Brites
Presente ao ato, a sociologa Flavia Brites nos informa que está começando um novo blog, Algodão Hidrofilo no endereo flaviabrites.blogspot.com
Números da rede
Mais de 100 blogs agregados ao planeta conseguiram somar 60.000 visitas, todas tratando do tema ditabranda
União via rede
A mobilização, que trouxe 500 pessoas para a porta da Folha, foi realizada sem ajuda da imprensa tradicional. Tudo foi realizado via Internet, por Twitter e e-mail.
Pablo Simpson
Vindo de Campinas para o ato, o professor Pablo está cedendo fotos de hoje para publicarmos nos sites
Rodrigo Vianna
Pelo blog Escrevinhador, está presente no ato o jornalista Rodrigo Vianna
Rollan Hirano
Com uma camiseta estampada Abaixo a Ditabranda, o estudante Rollan comperece ao ato na porta da Folha
Dalva Oliveira
Filiada e fundadora do Movimento dos Sem Midia, Dalva é uma cidada que luta ccontra a ditabranda da Folha por ser testemunha da história política no Brasil.
Repercussão
Com a repercussão do ato na rede, até a TV Band está presente
Policiais presentes na manifestação

Policiais presentes na manifestação
Ato encerrado
Quase duas horas e meia depois, termina o ato em frente ao prédio da Folha
Muito material
Temos muito material para subir entre fotos e videos. Isso ocorrerá ao longo do dia.
Atoa em frente a FSP: Manifesto Ong MSM
Movimento dos Sem Mídia
Pela Justiça e pela Paz no Brasil
A Organização Não Governamental Movimento dos Sem Mídia – MSM, entidade de direito privado constituída juridicamente em 13 de outubro de 2007, exorta a sociedade brasileira a repudiar a perniciosa e ameaçadora revisão histórica perpetrada recentemente por editorial do jornal Folha de São Paulo, texto que relativizou a gravidade de crimes cometidos pelo Estado brasileiro entre os anos de 1964 e 1985, período durante o qual a Nação brasileira sofreu usurpação de um golpe militar ilegal e inconstitucional que, por seu turno, gerou aos brasileiros conseqüências nefandas tais como censura à liberdade de pensamento e de expressão, prisões arbitrárias e crimes de tortura, de estupro e de morte, atos de terror que destruíram as vidas de milhões de brasileiros, muitos dos quais sobreviveram àquele terror e, assim, carregam até hoje seqüelas daquele período de trevas.
No âmbito desse repúdio, cumpre à nossa entidade tornar públicos os pontos daquele texto jornalístico que julgamos perniciosos e ofensivos às vítimas que tombaram e às que sobreviveram àquele regime de força, que suprimiu os princípios e mecanismos do Estado Democrático de Direito e as garantias, liberdades e direitos individuais e coletivos, somente restituídos ao povo brasileiro com a edição da vigente Constituição Federal de outubro de 1988.
O editorial do jornal Folha de São Paulo intitulado “Limites a Chávez” foi publicado em 17 de fevereiro deste ano. O veículo de comunicação exerceu um direito óbvio e que não se questiona, o direito de opinar. Criticar o resultado do plebiscito recente na Venezuela ou emitir qualquer outra opinião, portanto, jamais estimularia nossa Organização a protestar de forma tão solene e veemente se não fosse a tentativa de revisão histórica que afirmou que o regime dos generais-presidentes teria sido “brando”, pois tal afirmativa constituiu-se em dolorosa bofetada nos rostos dos que sobreviveram, em verdadeiro deboche dessas vítimas expresso por meio do termo jocoso “ditabranda”, corruptela do único termo possível para identificar aquele regime, o termo ditadura.
Em poucas palavras, o editorial da Folha de São Paulo criou teorias novas, como se verá em trecho a seguir. Disse a Folha de São Paulo: “As chamadas "ditabrandas" – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”.
O perigo e a afronta residem no eufemismo. Com efeito, o diabo está nos detalhes. Diga-se essa barbaridade de “acesso controlado à Justiça” aos que ficaram pelo caminho da máquina opressora do Estado brasileiro de então, aos que sofreram tudo que foi acima enumerado. Diga-se a eles que tiveram acesso “controlado” para buscarem reparação pelas violências que sofreram. Achem um só que tenha encontrado guarida e reparação na Justiça, à época, pelas violências que sofreu. E mais: diga-se isso aos que não sobreviveram às ações arbitrárias daquele Estado ditatorial e aos seus famliares.
No conceito de nossa Organização, conceito este amparado no melhor Direito Universal, o que fez o jornal em questão foi dizer “brandos” aqueles crimes, abrindo espaço para a proliferação de mentalidades que ainda defendem publicamente métodos excepcionais de “controle” da Cidadania e das próprias vidas dos cidadãos.
Dizem os defensores da usurpação do Estado Democrático de Direito que ocorreu naquele período obscuro de nossa história que havia então uma “guerra” no Brasil. Uma guerra em que tantos jovens idealistas, muitas vezes pouco mais do que imberbes, sucumbiram defendendo a Constituição, por sua vez violentada pelos desejos de poucos, que estupraram o desejo da maioria que delegou o Poder a um governo constitucional que a ditadura derrubou por meio de golpe de Estado.
O Brasil daquele 1964 tinha um governo eleito pelo voto. Não foi destituído por um processo democrático que se valeu dos mecanismos constitucionais que existiam e que poderiam ser usados se os que se opunham àquele governo acreditassem que tinham representatividade popular para fazer tais mecanismos prevalecerem. Não. Por não estarem amparados pela maioria dos brasileiros, os usurpadores do Poder de Estado legalmente constituído em eleições livres e democráticas trataram de usar a violência, a sedição e a ilegalidade para fazerem prevalecer suas visões, desejos e interesses minoritários, impondo-os sobre uma maioria que mais tarde seria amordaçada e ameaçada, de forma que não pudesse contestar a ruptura do Estado de Direito.
Equiparar o Estado àqueles que os defensores do regime de exceção diziam ser “terroristas”, era, é e sempre será uma aberração jurídica, para economizar palavras. Não cabe no conceito de democracia, de Estado de Direito, a hipótese de agentes do Estado imporem suplícios físicos desumanos e criminosos àqueles dos quais desconfiavam de que não compartilhavam suas idéias totalitárias.
O que torna mais dramática essa revisão afrontosa daquele período da história é que o jornal Folha de São Paulo não se contentou só com ela. Diante dos protestos de dois dos expoentes mais respeitados da intelectualidade brasileira tanto no Brasil quanto no exterior, a professora Maria Victória Benevides e o professor Fábio Konder Comparato, o jornal tratou de insultá-los de forma virulenta, qualificando-os como “cínicos e mentirosos”, claramente tripudiando da indignação dos justos ante absurdo tão rematado quanto o acima descrito.
Nem as poucas opiniões contrárias que o jornal permitiu que fossem vistas em suas páginas opinativas, sempre de forma tão “controlada” quanto afirmou antes que fazia a sua “ditabranda”, puderam minorar a dor dos sobreviventes dos Anos de Chumbo, e tampouco fizeram a justiça necessária à memória das vítimas fatais da ditadura cruel que vigeu naquele período triste da história deste País.
Tanta injustiça, desrespeito, deboche talvez encontre “explicação” quando se analisa o papel exercido pelo jornal contra o qual protestamos durante boa parte do tempo em que a ditadura militar oprimiu esta Nação.
Em obra literária de autoria de um colaborador desse meio de comunicação, do jornalista Elio Gaspari, intitulada “A Ditadura Escancarada”, figura acusação ao jornal Folha de São Paulo que este jamais rebateu de forma adequada e pública, a acusação de que cedeu veículos à sua “ditabranda” para o transporte de presos políticos.
Mas é em editorial desse grupo empresarial publicado em 22 de setembro de 1971, no auge da ditadura, que transparecem as relações de então entre a mídia e o regime. Diz aquele editorial pretérito tão nefasto quanto o editorial mais recente, sendo ambos do grupo empresarial de comunicação da família Frias:
“Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca ouve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. O país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o sentimento deste." Octávio Frias de Oliveira, 22 de setembro de 1971”.
Apesar desse documento histórico com dia, mês e ano, e que pode ser encontrado nos arquivos desse grupo empresarial de comunicação, apesar desse documento que mostra faceta do jornal Folha de São Paulo que ele teima em não reconhecer e que certamente não quer ver conhecido por seu público atual talvez por ter vergonha de seu passado, sua alegação contemporânea é a de que “combateu” a ditadura que aquele editorial, assinado por seu proprietário de então, qualificava como “séria, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular”.
Não se consegue entender como a Folha de São Paulo, então, media o “apoio popular” à ditadura, pois não havia eleições livres ou mesmo pesquisas sobre a popularidade dos ditadores. Era, pois, uma invenção a tese de que a ditadura estaria “levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social”, porque, à luz do conhecimento histórico daquele período, o que se sabe é que o que gerou foi concentração de renda, ou seja, empobrecimento dos mais pobres e enriquecimento dos mais ricos.
No dia em que o editorial profano mais recente foi lido pelos Sem Mídia, o que nos veio às mentes foram as palavras imortais do ativista negro norte-americano doutor Martin Luther King que pregaram, há tantas décadas, a conduta dos democratas diante dos violadores da democracia: “O que preocupa não são os gritos dos maus, mas o silêncio dos bons”. E é por isso que estamos aqui hoje, porque a sociedade civil não aceita e não ficará inerte assistindo a defesa velada de uma ditadura e a tentativa de vender a tese de que ela foi menos do que ilegal, imoral e terrivelmente dura, tendo sido tudo, menos “branda”.
São Paulo, 7 de março de 2009
Eduardo Guimarães
Presidente5 de março de 2009
Ditabranda
4 de março de 2009
Passado
3 de março de 2009
Frias
Sobre cancelamentos
Além de oferecer a modesta ajuda na divulgação do ato, eu apresento o recibo de cancelamento da minha assinatura:

Todas as fontes confirmam que o impacto do episódio fez com que se batessem muitas cabeças na redação da Folha de São Paulo. Sem saber muito bem como lidar com a grande repercussão, sem ter a dignidade de se desculpar, desprovido da transparência de repensar a sua colaboração com a ditadura, o jornal embarcou numa sequência de emendas que pioraram muito um já péssimo soneto. Publicaram umas poucas linhas de Benevides e de Comparato, sem resposta injuriosa mas sem retratação. Escalaram um colunista, Fernando Barros e Silva, para “discordar” do editorial num texto cuja ênfase maior era uma bizarra comparação entre a metáfora usada por Comparato – de que o jornal deveria se desculpar ajoelhado em praça pública – e os métodos da Revolução Cultural chinesa (haja liberdades com as metáforas alheias!). O coroamento foi um post de Marcelo Coelho que afirmava que “há pelo menos 30 anos, a Folha reprova o autoritarismo”, omitindo a simples matemática de que em 1979 a Folha já tinha 15 anos de leais serviços prestados à ditadura militar.
O episódio reitera mais uma vez algo que o Biscoito vem afirmando há tempos: os funcionários da grande mídia continuam sem ter a menor idéia da grande revolta que toma conta de parte significativa do público leitor. Como a internet tem sido o principal meio de expressão dessa revolta, eles seguem colocando a culpa da febre no termômetro.
2 de março de 2009
Caindo a ficha
Troquem a FSP pela Zerolândia, pelo O Globo e outras tantas publicações. Quem se diz de esquerda, precisa desfazer a fantasia de que há espaço democrático em empresas de comunicação da direita. Benevides, em entrevista à Conceição Lemes, demonstrou que a sua ficha caiu, quando exclamou que, hoje em dia, existem outros espaços para dizer a sua palavra, manifestar o pensamento, emitir opinião. E cita a revista Carta Capital, o jornal Brasil de Fato e a Internet.
É de vital importância a criação de seus próprios meios de comunicação pelo campo progressista, e/ou popular, e/ou de esquerda, a fim da contrução de uma sociedade mais humana-ética-ecológica-inclusiva.
A esquerda não pode se relacionar com os lobos de cara de cordeiros da mídia corporativa e acreditar que estes ficaram mansinhos por isso. A população que já identificou a mídia como a inteligência orgânica da direita; que compreendeu que ela é parcial travestida de isenta, neutra e imparcial, merece ter acesso a informação e entretenimentos de qualidade, bem como a análises críticas fundamentadas.
A Internet já dá/oferece esta qualidade comunicacional. No entanto, a maior parte da população brasileira se informa pela televisão [segundo Laurindo Leal Filho, em seminário em Porto Alegre, o cálculo é de 90%] e a classe média se considera informada, porque lê/tem acesso a jornais e revistas [Regina Martins, profª Unicamp, em evento no FSM 2005].
Junte-se a isso o acesso ao rádio como fonte de informação, que, em alguns casos, costuma ser da mesma empresa concessionária de televisão [ferindo a CF/88] e se tem uma situação complexa no campo da comunicação, na qual o campo progressista, e/ou popular, e/ou de esquerda, obstinadamente, independentemente da matiz ideológica, recusa-se a levar a sério!
Haja paciência!
A ditabranda por Latuff
1 de março de 2009
Mobilização em frente a FSP dia 7 de março
Chamado de apoio para a manifestação do dia 07/03*
Como já deve ser de conhecimento dos que frequentam este blog, e mais ainda daqueles que acompanham sempre o Cidadania.com do blogueiro independente Eduardo Guimarães, o Movimento dos Sem Mídia em São Paulo, fundado por Eduardo, convocou manifestação diante da sede do jornal Folha de São Paulo no próximo sábado, 07/03. O motivo é preciso sempre ser lembrado: a Folha minimizou a ditadura no Brasil em editorial do dia 17/02, desrespeitando os que morreram durante o regime e os seus familiares, que ainda sentem a dor brutal da perda.
A manifestação ganhou força na rede, uma vez que os veículos conservadores e corporativistas não deram e provavelmente não darão uma linha sobre o assunto. Por isso é preciso que blogueiros independentes formem um rede de colaboração para difundir o ato, convocando as pessoas, e também, no dia do evento, estejam lá para cobrir os fatos, reportando as informações para seus blogs e twitters.
Mas para isso é preciso de ajuda. A idéia é que o evento tenha uma rede wifi para permitir a conexão de todos. Para isso necessitamos que alguém nas imediações da Barão de Limeira, perto da Folha, ceda um ponto de rede para montarmos uma nuvem de conectividade. O ideal seria alguém em frente ao prédio. Alguém se habilita? Teremos técnicos prontos para subir a rede no dia, basta o sinal.
Independentemente disto, as pessoas que quiserem ir para lá com suas conexões móveis 3g poderão simplesmente montar seus notebooks na porta e blogar, e se possível, ceder seu computador para que outras pessoas postem informações também. Lembramos que cada notebook, se configurado corretamente, pode gerar sua própria nuvem de conexão. Os técnicos que estarão lá tb podem fazer isso, se as pessoas permitirem. Imaginem muitos notebooks, com conexão 3g, gerando pequenas nuvens de wifi. Com isto todos poderiam se conectar para enviar textos, fotos, vídeos e áudios para seus blogs.
Este é um chamado de colaboração de muitos que acontecerão durante esta semana. De Brasília saio eu, Emerson Luis do Nas Retinas, os técnicos e blogueiros Guto Carvalho e Fernando Ike, a blogueira Rachel Quintiliano do Mundo da Rua e a cineasta Andréa Vieira, que fará um mini-documentário sobre o ato.
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Isso, aqui, é uma aula de como se faz política de comunicação e, sobretudo, de como se maximiza a utilização desses recursos que temos em mãos.
Uma lição para os letárgicos partidos de esquerda deste país, que, em plena era da informática, ainda vivem no tempo do mimeógrafo!
Nós, do Dialógico, estaremos acompanhando essa cobertura para divulgá-la em tempo real.
Precisamos saber que blogues estarão acompanhando ao vivo para que possamos retransmitir as informação aqui em Porto Alegre. Escrevam para nós: dialogico . blog arroba gmail . com
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*Chamada geral
Data: 07/03
Horário: 10h
Local: Barão de Limeira 425, São Paulo
28 de fevereiro de 2009
Memória
27 de fevereiro de 2009
"... a grande luta é pela democratização das comunicações..."
Palavras finais da entrevista com a Profª Drª Maria Victória Benevides, concedida à jornalista Conceição Lemes e publicada no Viomundo [AQUI].Benevides também afirma, que, hoje, há outros meios legítimos para propagar o pensamento: a mídia alternativa.
26 de fevereiro de 2009
Sobre a FSP por Idelber Avelar
Convenhamos que de ser “cínica e mentirosa” a Folha de São Paulo entende. Mas ela nunca, sejamos justos, havia nomeado dois profissionais, professores de currículo infinitamente superior ao de qualquer um dos membros de seu Conselho Editorial, para uma injúria gratuita. Com a agressão a Fabio Konder Comparato e Maria Victoria de Mesquita Benevides, o jornal já conhecido como Façamos Serra Presidente chegou a um novo limite, um mais recente e enlameado piso. Pouca coisa o diferencia do lamaçal de publicações como a Veja. Neste episódio, o mais urgente, acredito, é assinar a petição em defesa dos Professores e de protesto contra a injúria. A petição é encabeçada pelo maior crítico literário brasileiro, o Mestre Antonio Candido.
O já infame editorial da Folha, além de insultante à memória das vítimas da ditadura militar brasileira e comprometido com a ocultação da história colaboracionista do próprio jornal, fazia exatamente o contrário do que deve fazer o jornalismo: ele desinformava, contava uma mentira. Qualquer bom professor de história do primeiro grau sabe que não há nenhuma tradição bibliográfica de uso do termo “ditabranda” para designar o regime militar brasileiro, a ditadura de 1964-1985. Aos escrever as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985, o jornal simplesmete mentia aos leitores. Não “errava” ou “tinha um ponto de vista diferente”. Mentia, pois a ditadura brasileira não é “chamada” de ditabranda por ninguém. Não era, pelo menos, até o dia 17 passado.
Se tivessem, para compensar os livros que não leram, utilizado por dois minutos a internet que tanto temem, os membros do Conselho Editorial da Folha teriam descoberto que o termo “ditabranda” vem do espanhol e foi usado para caracterizar o regime que precedeu a República Espanhola dos anos 30. Depois, na Argentina, a ditadura de Onganía (1966-70) chegou a ser chamada de “ditabranda”, a princípio por falta de notícias sobre a extensão de seus crimes, e depois ironicamente, para acentuar os horrores da outra ditadura que se seguiria (1976-83).
O termo não tem qualquer história bibliográfica no Brasil para designar o período 1964-85, e é curioso que um jornal suspeito de ceder seus automóveis para a repressão, colaboracionista até a medula na divulgação das versões mentirosas dos assassinatos cometidos pelo regime, venha fingir que a ditadura brasileira tenha sido chamada de “ditabranda” -- e, para completar, chame de “cínicos e mentirosos” dois professores com os currículos de Fabio Konder e Maria Benevides, pelo simples fato de eles não aceitarem a chantagem da falsa comparabilidade entre o regime cubano e os regimes militares da América do Sul com os quais a Folha colaborou.
Por uma postura de opinião – abalizada por vastas obras, diga-se –, intelectuais são chamados de “cínicos e mentirosos”, sem direito de resposta, por um jornal de tiragem de 300 mil exemplares, cuja história colaboracionista é vastamente conhecida. Não é o máximo? São esses os lacaios que vêm nos falar de “liberdade de imprensa” todas as vezes em que são questionados. São esses os lambe-botas que vêm posar de “linchados” quando sua cumplicidade com os poderosos é desvelada. São esses os que falam de “apurar notícias” e até hoje não nos disseram quais são os jornalistas que recebem dinheiro de Daniel Dantas e se a lista que circula por aí – com Noblat, Fernando Rodrigues, Miriam Leitão – é verdadeira ou falsa.
Onde estão os jornalistas que se indignaram tanto e chamaram de "linchadores" os dois blogs que fizeram posts sobre as peroratas racistas da correspondente da Globo, agora que um jornal de 300 mil leitores chama de “cínicos e mentirosos”, por uma opinião política, dois professores com as histórias de Fabio Konder e Maria Victoria Benevides?
O mais cretino, o mais absurdamente revoltante dessa história, o mais fundamental que passou até agora sem menção, é que se você tomar os currículos de todos os jornalistas funcionários do Globo, da Folha, da Veja e do Estadão – eu disse se você tomar todos eles em conjunto --, você não chega a algo remotamente comparável ao currículo de Fabio Konder Comparato. Não adianta o Pedro Dória honestamente matutar de lá pra cá se ele não entender essa premissa básica que deve estar sobre a mesa para o início da conversa: o paupérrimo, o assombrosamente rasteiro nível intelectual da grande mídia brasileira. Além de mentirosos, venais e pouco transparentes, são fraquíssimos.
Não percebem, por exemplo, que é vergonhoso o maior jornal brasileiro não saber de onde vem o termo “ditabranda”.
Com o insulto a Fábio Konder e Maria Benevides, o portal UOL perdeu de vez minha assinatura. O Biscoito entra em fase de apoio radical a qualquer ridicularização, boicote, ataque verbal, protesto, charges, manifestação ou sabotagem não violenta dirigida contra os Frias, os Marinho, os Civita e suas corjas de servidores. Cada assinatura que eles percam, cada desmoralização que sofram, cada restinho de credibilidade que escoe pelo ralo, é mais um tijolinho no prédio da democracia.
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Já deixamos nossa assinatura na petição.















