8 de outubro de 2010
Ato Público pelo direito à informação
23 de setembro de 2010
SP e RJ promovem atos contra o golpismo midiático
CONTRA A BAIXARIA NAS ELEIÇÕES!
CONTRA O GOLPISMO MIDIÁTICO!
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3 de maio de 2010
Liberdade de Imprensa ou de empresa?

Merece ser comemorada apesar das distorções de que é vítima. No Brasil, por exemplo, temos que lamentar a confusão que se tenta impor aos cidadãos. A grande mídia tenta fazer com que leiamos “liberdade de empresa” onde está escrito “de imprensa”. Tenta fazer com que confundamos os dois conceitos, achando que é tudo a mesma coisa.
Merecem nossa homenagem os jornalistas que foram privados de sua liberdade, que foram perseguidos, que foram impedidos de trabalhar, coagidos, ameaçados, mortos. Também veículos que foram formalmente censurados, impedidos de divulgar informações. Mas quero propor uma discussão mais teórica, da prática diária do jornalismo no Brasil. Da falsa liberdade de imprensa.
Nesse Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, vale lembrar que não a temos no Brasil. Que ela está na lei, mas não está nos jornais, na TV, nas rádios. Na internet, há um pouco, mas de forma limitada. A concentração dos meios de comunicação mostra uma liberdade formal, teórica, mas impede que jornalistas independentes, que jornais com visão divergente, com outra política editorial tenham espaço. Por falta de espaço no mercado, fecham, não conseguem sobreviver.
A falta de fiscalização, de regulamentação, que permite esse oligopólio em que todas as grande empresas de comunicação mantêm o mesmo discurso da e para a elite, é o maior ataque à liberdade de imprensa. Porque não é formal, não é explícito, mas é forte, se impõe e impede a multiplicidade de vozes, de opiniões. É a ditadura do discurso único, disfarçado de plural.
A tentativa de confundir essa falsa liberdade com liberdade de imprensa é demonstrada pela gritaria quando qualquer iniciativa é tomada no sentido de reverter a situação, de controlar o oligopólio, de ampliar a quantidade de vozes. É tão forte que nenhuma perdura, nenhuma avança.
Nesse dia 3 de maio, vale a comemoração pela luta em busca da liberdade. Da liberdade de verdade, da pluralidade. Da democracia, que não existe sem a liberdade de imprensa. Que ela não acabe nunca, que cresça sempre.
Postado por Cris Rodrigues no JornalismoB
14 de abril de 2010
Entrevista do Presidente Lula na Band
12 de abril de 2010
Em defesa dos jornalistas Keka Werneck, Enock Cavalcanti e Fábio Pannunzio
O Movimento LutaFenaj!, que congrega jornalistas de diversos pontos do país, vem a público manifestar sua integral solidariedade com a jornalista Ana Angélica de Araújo Werneck, mais conhecida como Keka Werneck, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, que se tornou ré em ação protocolada pelo deputado estadual José Geraldo Riva (PP-MT) na 10a Vara Criminal de Cuiabá.O todo-poderoso Riva, que é presidente da Assembléia Legislativa de MT pela quarta vez consecutiva, não gostou do artigo “Os últimos coronéis”, publicado por Keka Werneck no blog do também jornalista Enock Cavalcanti. E não gostou porque, nesse artigo, a jornalista tece críticas à imprensa de Cuiabá, que deixou de divulgar sentença que condenou o parlamentar, em primeira instância, por improbidade administrativa.
Além de Keka Werneck, o Movimento LutaFenaj! expressa seu irrestrito apoio aos jornalistas Enock Cavalcanti e Fábio Pannunzio, os quais estão sendo igualmente processados por Riva, que pede longas penas de prisão para todos. O único “crime” cometido por esses colegas foi o de informar à população os desmandos e ilícitos cometidos pelo parlamentar e que são objeto de investigações do Ministério Público e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O Movimento LutaFenaj! espera que a justiça aja com responsabilidade no processo 47/2010, absolvendo os réus indevidamente processados por Riva. Eles limitaram-se a cumprir seu dever de jornalistas profissionais e por isso merecem nossos aplausos e nossa solidariedade incondicional.
Movimento LutaFenaj!
10/4/2010
9 de março de 2010
Liberdade de Expressão e seus 30 novos significados
A Confecom de Brasília trouxe à discussão temas como Produção de Conteúdo, Meios de Distribuição e os Direitos e Deveres da Cidadania, o Fórum de São Paulo propunha a defesa de valores como Democracia, Economia de Mercado e o Individualismo.
Todo cidadão brasileiro era bem-vindo para participar da 1ª Confecom. Para assistir ao Fórum Millenium era indispensável o pagamento de R$ 500,00 a título de inscrição. Na Confecom as seis maiores corporações empresariais de veículos de comunicação do Brasil fizeram questão de marcar sua ausência. No Millenium as ausentes se fizeram presentes. Dentre as quais destaco: Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), entidades que envolvem a Globo, o SBT, a Record, a Folha de S. Paulo, o Estado de S. Paulo, a RBS, Instituto Liberal, Movimento Endireita Brasil (MEB), e outras empresas que decidiram boicotar a I Conferência Nacional de Comunicação, numa demonstração de forte apreço pela democracia. Se essas entidades desejaram evitar o confronto na Confecom mostraram-se pintadas para guerra no Millenium.
Cotejando os temas abordados no Millenium e, principalmente, os conferencistas que lá foram vivamente aplaudidos, posso imaginar que se pretende agregar novos significados ao verbete “liberdade de expressão”.
São eles:
1. Liberdade de expressão é interditar todo e qualquer debate democrático sobre os meios de comunicação.
2. Liberdade de expressão só pode ser invocada pelos que controlam o monopólio das comunicações no país.
3. Liberdade de expressão é bem supremo estando abaixo apenas do Deus-Mercado.
4. Liberdade de expressão é moeda de troca nas eternas rusgas entre situação e oposição.
5. Liberdade de expressão é denunciar qualquer debate sobre mecanismos para termos uma imprensa minimamente responsável.
6. Liberdade de expressão é gerar factóides, divulgar informações sabidamente falsas apenas para aproveitar o calor da luta.
7. Liberdade de expressão é deitar falação contra avanços sociais, contra mobilidade social, contra cotas para negros e índios em universidades públicas.
8. Liberdade de expressão é cartelizar a informação e divulgá-la como capítulos de uma mesma novela em variados veículos de comunicação.
9. Liberdade de expressão é não conceder o direito de resposta sem que antes o interessado passe por toda a via crucis de conseguir na justiça valer seu direito.
10. Liberdade de expressão é explorar a boa fé do povo com programas de televisão que manipulam suas emoções e suas carências oferecendo uma casa aqui outro carro ali e assim por diante.
11. Liberdade de expressão é somente aprovar comentários aptos à publicação em sítio/blog da internet se estes referendarem o pensamento do autor e proprietário do sítio/blog.
12. Liberdade de expressão é ser leviano a ponto de chamar a ditadura brasileira de ditabranda e ficar por isso mesmo.
13. Liberdade de expressão é imputar ao presidente da República comportamento imoral tendo como fundamento depoimento fragmentado da memória de um indivíduo acerca de fato relatado quase duas décadas depois.
14. Liberdade de expressão é apresentar imparcialidade jornalística do meio de comunicação mesmo quando os principais jornalistas fazem de sua coluna tribuna eminentemente partidária.
15. Liberdade de expressão é fazer estardalhaço em torno de um sequestro que não ocorreu há quase 40 anos com a clara intenção de tumultuar o processo político atual.
16. Liberdade de expressão é assacar contra a honra de pessoa pública utilizando documentos de autenticidade altamente duvidosa e depois fazer mea culpa na seção “Erramos”.
17. Liberdade de expressão é submeter decisões editoriais a decisões comerciais de empresas e emissoras de comunicação.
18. Liberdade de expressão é somente dar ampla divulgação a pesquisas de opinião em que os resultados sejam palatáveis ao veículo de comunicação.
19. Liberdade de expressão é não ter visto “Lula, o filho do Brasil” e considerá-lo péssimo produto cinematográfico sem ao menos tê-lo assistido.
20. Liberdade de expressão é minimizar o descaso do poder público ante as enchentes de São Paulo e reduzir candidato à presidência a mero poste.
21. Liberdade de expressão é ter dois pesos em política externa: Cuba é o inferno e China é o paraíso.
22. Liberdade de expressão é demonizar movimentos sociais e defender a todo custo latifúndios vastos e improdutivos.
23. Liberdade de expressão é usar uma concessão pública para aumentar os níveis de audiência com o uso perverso de crianças no papel de vilões.
24. Liberdade de expressão é desqualificar quem não aprecia a programação servida pelo Instituto Millenium.
25. Liberdade de expressão é rejeitar in totum toda e qualquer proposição da Conferência Nacional de Comunicação.
26. Liberdade de expressão é apostar em quem ofereça garantias robustas visando manter o monopólio dos atuais donos da mídia brasileira.
27. Liberdade de expressão é obstruir qualquer caminho que conduza mecanismos de democracia participativa.
28. Liberdade de expressão é fazer coro contra qualquer governo de esquerda e se omitir contra malfeitorias de qualquer governo de direita. Ou vice-versa.
29. Liberdade de expressão é fugir como o diabo foge da cruz de expressões como liberdade, democracia, cidadania, justiça social, controle social da mídia.
30. Liberdade de expressão é lutar para manter o status quo: o direito de informar é meu e ninguém tasca.
*Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela
UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil,
Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.org
Email - wlaraujo9@gmail.com
7 de março de 2010
Mobilização durante o seminário
16 de setembro de 2009
Senado aprova reforma eleitoral sem restrição à internet
Senadores Marco Maciel [DEM] e Eduardo Azeredo [PSDB], os derrotados em suas pretensões de censurar a internetEmendas, que agora vão à Câmara, preveem eleição direta em caso de governador ou prefeito cassado; Divulgação de dados de doações pré-votação foi vetada
Por: João Peres
Publicado em 15/09/2009
Após meses de discussão, o Senado aprovou nesta terça-feira (15) em plenário a reforma eleitoral com parte das emendas apresentadas ao longo do debate. Mesmo com toda a tramitação pelas comissões e no plenário da Câmara, a apresentação de novas emendas e a alteração de outras geraram debate sobre supostas inconstitucionalidades.
Pomo da discórdia, o texto que previa restrições a páginas da internet teve a redação alterada pelos senadores Eduardo Azeredo e Marco Maciel, praticamente acabando com as proibições. O tucano, considerado autor do chamado AI-5 Digital, não abriu mão, no entanto, da proibição de anonimato e da concessão de direito de resposta.
Mesmo com as mudanças, o petista Aloizio Mercadante foi à tribuna defender a internet como o “grande passo da democracia contemporânea”, na qual “cada um pode falar o que pensa”. “Nossa relação com o eleitor não acaba nas urnas. A internet é onde se reúne o maior volume de conhecimento que a humanidade produziu, mas é também onde está o obscurantismo”, ponderou.
Na linha oposta, o senador Eduardo Azeredo aproveitou a ocasião para afirmar não temer aquilo que circula na internet e assegurou ser um defensor da inclusão digital. “A discussão sobre internet livre, sem censura, é um falso dilema. Não é isso o que está em questão”, apontou.
Ele colocou-se contra a derrubada de emenda que cria regras para notícias divulgadas em blogues e em redes sociais durante as eleições com o argumento de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fará o serviço se for necessário. “Se nós não colocarmos, o TSE coloca. Nós vamos abdicar novamente de nosso poder de legislar sobre o assunto? Não sejamos adeptos da falta de regras de convivência”, apontou.
Mais cedo, o plenário aprovou texto que prevê que as páginas pessoais de candidatos podem permanecer no ar durante o dia de votação.
Outra emenda aprovada foi a que estabelece a realização de eleição direta para escolher os substitutos de governadores e prefeitos – e os respectivos vices – que sejam cassados durante o exercício do mandato. O senador Demóstenes Torres (DEM – GO) considera impossível a realização de novas eleições quando a cassação ocorrer no ano final do mandato e defende que neste caso caiba ao Legislativo realizar uma eleição indireta. A defesa provocou discordância dentro do próprio partido. O líder Democrata José Agripino defende que as eleições, neste caso, sejam antecipadas.
A emenda do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que previa a divulgação dos dados de doações antes das eleições. O parlamentar gostaria que as informações saíssem na internet nos dias 6 e 30 de setembro, com valores recebidos e nomes de doadores. Mas os colegas decidiram seguir a versão do relator Marco Maciel (DEM-PE), que considera que a medida é de difícil aplicação.
A regra que determinava a impressão de 2% dos votos também foi derrubada. O PDT entende que a medida era importante para verificar fraudes nas urnas eletrônicas. Ficou estabelecido que a Justiça Eleitoral deverá manter por seis meses os arquivos eletrônicos de cada votação.
Antes de virar lei, a reforma eleitoral e todas suas emendas devem retornar à Câmara, sendo apreciada até 2 de outubro para que seja válida nas eleições do ano que vem.
Fonte: Rede Brasil Atual
Imagem: Bodega Cultural
12 de setembro de 2009
Eleições 2010: Campanha pela liberdade de opinião na WEB

Ainda que os grandes portais sejam os mais acessados; ainda que estes sigam a agenda da direita brasileira, manipulando as informações, quando não omitindo ou mentindo descaradamente, o que permitiria uma certa tranquilidade a determinadas políticas e determinados políticos, são as mídias alternativas/ou independentes/ ou livres que metem o pavor em quem tem culpa no cartório.
Estes Çábios devem pensar: na dúvida, melhor, proibir tudo...
Bom, enquanto há tempo da gente se mobilizar, assinem a petição [AQUI], ou, se preferirem antes, leiam este post do blog MegaNÃO.
20 de junho de 2009
14 de junho de 2009
O jornalismo e a comunicação em Cuba
Dezembro de 1956. A pequena ilha de Cuba fervilhava diante da possibilidade de uma mudança radical. A ditadura de Fulgêncio Batista recrudescia, como é comum aos regimes que estão morrendo. No começo do mês, um pequeno grupo de homens iniciou uma caminhada que só teria fim com o triunfo da revolução. Apesar da chegada trágica, com o barco encalhando e muitas vidas se perdendo, 22 dos 82 que vieram do México conseguiram montar um foco guerrilheiro ao pé da Sierra Maestra. Junto com eles estava o argentino Che Guevara que, em muito pouco tempo na selva, tratou de inventar um jeito de divulgar notícias que fizessem o contraponto à mídia cortesã. Ele sabia que perdendo a guerra informativa, perdia tudo. Assim, no meio da floresta, criou a primeira célula da imprensa rebelde com um velho mimeógrafo no qual imprimia manifestos e até um jornal.
Logo o argentino conheceu o sistema cubano responsável pela transmissão de informações do MR-26, movimento do qual saíra Fidel: a rádio bemba, espécie de boca-a-boca, eficiente e eficaz, que percorria toda a região rural da ilha. Então teve a idéia de criar, desde a sierra insurgente, uma rádio de verdade, a Rádio Rebelde. Era o mês de fevereiro de 1958 quando quatro combatentes, sob o comando de Che, colocaram no ar a primeira transmissão. “… Aquí, Radio Rebelde, la voz de la Sierra Maestra , transmitiendo para toda Cuba en la banda de 20 metros diariamente a las 5 de la tarde y 9 de la noche, desde nuestro campamento rebelde en las lomas de Oriente”. Com esta frase iniciava um dos mais importantes veículos de comunicação da guerrilha. Foram vinte minutos nos quais se denunciou os crimes da ditadura, se informou sobre os combates na sierra, as ações dos lutadores, e divulgou-se uma série de informações ao povo cubano sobre como agir diante da presença dos rebeldes. Começava também uma profunda relação de cumplicidade e confiança entre os “jornalistas” e a gente cubana. Não é sem razão que hoje, 51 anos depois desta histórica transmissão, a figura do jornalista cubano esteja intimamente ligada aos ideais da revolução. Quem afirma é o presidente da União de Periodistas de Cuba, Tubal Paez, que esteve em Florianópolis para a XVII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, promovida pela Associação Cultural José Martí de Santa Catarina.
Mas, se voltarmos na história, veremos que esta relação entre os jornalistas e os anseios populares não era uma novidade naqueles dias de 1958. Foi a imprensa, conforme conta o escritor Ramón Becali, que começou a difundir na Cuba colonial, lá pelos idos do setecentos, a idéia de uma pátria livre. E o maior de todos os jornalistas cubanos, José Martí, fez de sua vida e de sua obra um ato sublime de amor à liberdade cubana. Assim, um país que contou com a pena de um Martí, não poderia ter jornalistas diferentes. “Não merece escrever para os homens, aquele que não sabe amá-los”, ensinava.
“Em Cuba os jornalistas são críticos, porque é nossa função ser crítico. É o que nos ensinou a revolução, é o que ensinam na escola e é o que a união dos jornalistas exige. Defendemos a revolução, mas aquilo que é mal feito, nós criticamos”. É assim que o jornalista sintetiza a missão dos jornalistas na ilha revolucionária. Ele reafirma que, lá, os jornalistas foram e são protagonistas da mudança. Desde o começo das lutas de libertação houve grupos de jornalistas atuando e ajudando na transformação. “Ser protagonista do processo revolucionário é bom, mas às vezes há jornalistas que exageram na retórica ou no louvor. Até porque nós temos por princípio a idéia de informar, opinar e defender o país que está sob bloqueio há 50 anos e numa guerra em que o inimigo procura semear a desesperança. Isso, por vezes, é um problema, mas estamos sempre vigilantes”.
É certo que esta imbricada relação dos jornalistas com o processo revolucionário provoca outra maneira de olhar a realidade. “Se estamos diante da construção de um hotel, por exemplo, a primeira questão que a gente se coloca é: isso vai proteger o país ou não? Em que lugar do mundo um jornalista se põe estas questões? Só em Cuba. Isso pode ser bom, mas pode ser ruim também, caso vire um vício. É por isso que no nosso código de ética a gente coloca como falta grave tanto a apologia quanto o triunfalismo. Nosso propósito deve ser a crítica. Falamos de tudo o que ruim, dos sacrifícios que a população tem de passar. Mas também falamos da resistência”.
Tubal Paez conta ainda que na ilha caribenha também existem outros “jornalistas”, que assim são designados pelo Departamento de Estado estadunidense, e lá estão, fazendo suas reportagens “independentes”. Isso tudo é tolerado porque a população cubana tem educação suficiente para diferenciar a verdade da mentira. “Escrever para um povo alfabetizado politicamente não é coisa fácil. O povo está muito preparado para julgar tudo aquilo que o jornalista faz”. Também é certo que em Cuba ainda existe gente que prefere o anexionismo, que os Estados Unidos invada a ilha e que tudo volte a ser como antes, quando a ilha era um quintal dos ricos estrangeiros. Mas são poucos.
Liberdade de expressão
Quem fala que em Cuba não há liberdade de expressão não conhece Cuba. “Se assim fosse minha mãe estaria na prisão”, brinca Tubal. “Porque ela é boa na crítica ao que está mal”. Na verdade, como explica o presidente da UPC, Cuba é o país onde existe o maior número de imprensa de oposição. Só para que se tenha uma idéia, existem 32 emissoras de rádio transmitindo todos os dias desde a Flórida, sempre com conteúdo especificamente contra Cuba e contra o socialismo. “O governo estadunidense liberou este ano mais de 34 milhões de dólares para estas emissoras e, deste montante, 18 milhões são para pagar jornalistas, escritores, locutores, que vendem sua mão e sua voz na intenção de gerar desesperança entre os cubanos”. Além das emissoras de rádio ainda há uma emissora de TV, cinicamente chamada de TV Martí (nome do mais importante revolucionário cubano, também jornalista) que transmite diariamente conteúdo anti-Cuba com um sinal que é gerado por aviões que sobrevoam a ilha. “São, portanto, mais de 1900 horas semanais de informação anti-governo, o que nos faz crer que não há governo no mundo que tenha tanta oposição”.
Além disso, estão em Havana mais de 160 jornalistas que são correspondentes estrangeiros, podendo transmitir o que quiserem, sem qualquer censura. “Já os Estados Unidos sim não podem falar de liberdade de expressão, porque eles proíbem que um jornalista cubano esteja lá olhando e reportando. Então, quem precisa ter liberdade?” Tubal lembra que o único espaço onde os Estados Unidos permitem a presença de um jornalista cubano é nas Nações Unidas, mas ele só pode falar do que se passa ali, mais nada. “Isso é ou não censura? E quem a pratica não é o regime cubano”.
A democracia
Tubal Paez comenta as investidas do presidente estadunidense Barak Obama, quando este coloca como condição na mudança de relação com Cuba a questão da democracia. E questiona a chamada “democracia” do mundo capitalista que fica inviabilizada dentro de um sistema em que há tanta desigualdade econômica. “Como pode haver democracia numa sociedade dividida entre pobres e ricos? Que democracia é esta em que só os ricos podem ter os meios de comunicação, por exemplo? O fato é que no mundo capitalista quando se fala que as coisas devem mudar em Cuba no que diz respeito à democracia, isso significa sempre um passo atrás. Já para nós, mudança significa sempre um passo adiante”.
O jornalista cubano insiste que a democracia cubana é radicalmente diferente da que caracteriza o mundo liberal burguês. Lá, as pessoas não participam da vida política apenas uma vez a cada quatro anos. A participação é uma coisa entranhada no cotidiano. Tubal é parlamentar e conta que em Cuba uma pessoa que se candidata a um cargo público não faz campanha como nos países capitalistas, em que o dinheiro comanda o voto. “Em Cuba, ninguém se apresenta à comunidade dizendo o que vai fazer. Ele se apresenta dizendo o que já fez. Os candidatos visitam juntos os eleitores e são submetidos ao escrutínio dos seus atos passados. Depois, uma vez eleitos, eles precisam prestar contas anuais dos seus atos como representante. Essa é a nossa democracia que cada dia vai se aperfeiçoando. Não é perfeita, mas vamos avançando”.
Ele lembra que quando Cuba tinha o multipartidarismo o que imperava era o dinheiro. Até o prédio da Câmara nacional foi construído à semelhança do Capitólio e ali, segundo Tubal, foram aprovados os piores projetos contra a soberania nacional. O povo não tinha vez. “A minha mãe, que tem 85 anos, mostra como um orgulho a sua cédula eleitoral daquele dias antes da revolução. Está branca. Ela nunca votou. Dizia que jamais se prestaria àquela farsa. Hoje não há partidos. Quem decide é povo, diretamente na sua comunidade. Isso, para nós, é um avanço”.
A comunicação é prioridade
A obsessão informativa de Che e Fidel no início da revolução segue sendo uma diretiva entre os cubanos. As rádios são veículos fundamentais e todas as cidades têm a sua. Além disso, os grupos organizados também têm as suas mídias, sempre com alcance nacional. As mulheres, os camponeses, os jovens editam suas revistas, seus programas, enfim, passam suas pautas a toda a nação. O jornalista, para exercer a profissão em Cuba, precisa ser formado em curso universitário de jornalismo, o que também não é nenhuma novidade visto que lá, a formação universitária é estimulada e garantida a todos. “Hoje, com a explosão dos meios de comunicação, estamos vivendo uma situação em que há mais postos de trabalho do que jornalistas formados, então estamos buscando gente nas áreas afins como a de Comunicação Social”. Tubal Paez explica que um jovem recém-formado já tem assegurado o seu posto de trabalho tão logo saia da faculdade, o que também mostra a abissal diferença entre o regime cubano e a realidade de competição capitalista.
Em todo o país o contingente de jornalistas chega a quatro mil, com mais 700 estudantes prontos a se graduar. E ainda assim faltam profissionais. A considerar a população cubana que é de 12 milhões de pessoas, dá para perceber o quanto a informação é importante. E não basta a informação somente, ela tem de ser de qualidade, daí a necessidade da formação universitária. “Em Cuba nós não trabalhamos com esse jornalismo de espetáculo, não tem essa coisa de assalto a banco, nem bandos de mafiosos”.
Outra especificidade da imprensa escrita cubana é a quase inexistência da propaganda de produtos. “Nós somos muito pobres, o papel é caro. A publicidade estimula o consumismo e cria necessidades. Por isso não usamos o pouco que temos a disposição para este tipo de coisa”. Em Cuba os meios de comunicação não são todos estatais. A maioria é de propriedade social, o que significa que quem controla é a comunidade. Esta também acaba sendo uma diferença tremenda na relação com o mundo capitalista. “Estes veículos acabam se sustentando com a venda de seus produtos, mas é claro que o Estado não lhes dá as costas, porque a comunicação é uma coisa estratégica em Cuba”.
Já no campo da internet os cubanos ainda sofrem muita restrição. “Mas não é porque o governo não queria que o povo tenha acesso. O que acontece é que os Estados Unidos proíbem que os cabos de banda larga sejam conectados a Cuba. Nossa banda é estreita e então a prioridade acaba sendo para as instituições sociais”. Para se ter uma idéia dos efeitos do bloqueio, todos os serviços oferecidos pelo Google, que hoje são utilizados automaticamente pelos internautas do mundo todo, estão fechados para Cuba. “Estas são questões que ainda estamos tratando de resolver. O bloqueio nos causa grandes problemas, mas também nos coloca desafios. E o povo cubano, nestes 50 anos de revolução, tem dado respostas à altura”.
E assim segue a vida na pequena e resistente ilha cubana. Enquanto o gigante império trama contra a revolução, as gentes seguem ouvindo o chamado del Che insurgente, iniciado naquele distante 24 de fevereiro de 1958, com a voz do capitão Luiz Orlando Rodríguez: “…Aquí Radio Rebelde, la voz de la Sierra Maestra , transmitiendo para toda Cuba en la banda de 20 metros diariamente a las 5 de la tarde y 9 de la noche, desde nuestro campamento rebelde en las lomas de Oriente”. E a mesma rádio, ali está, há 51 anos, um a mais que a revolução, informando e formando o povo cubano. Não mais no acampamento em Sierra Maestra , mas sempre rebelde, infinitamente rebelde, tal como toda a comunicação.
“A imprensa é o cão guardador da casa pátria”, adverte Martí, e os jornalistas cubanos seguem à risca o conselho do grande colega.



