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7 de maio de 2014

diZimaçãO de abELhas ameaça vidA no pLaNEta

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3.4.07
FiM dO MUNdO
Se a abelha desaparecer da superfície do planeta, então ao homem restariam apenas quatro anos de vida. Com o fim das abelhas, acaba a polinização, acabam as plantas, acabam os animais, acaba o homem.

diZimaçãO de abELhas ameaça vidA no pLaNEta

Potira Preiss envia matéria publicada (*) pelo semanário alemão Der Spiegel (O Espelho) na última sexta-feira, sobre uma misteriosa dizimação das populações de abelhas na Alemanha, semelhante ao acontecido nos Estados Unidos.
Segundo a matéria do jornalista Gunther Latsch, o problema tem várias causas, uma delas o ácaro Varroa, oriundo da Ásia, e outra a prática disseminada na agricultura de borrifar as flores silvestres com herbicidas e promover a monocultura. Outra possível causa, apresentada por Walter Haefeker, do Conselho Diretor da Associação Alemã de Apicultores (Dbib), é o uso crescente e controverso de engenharia genética na agricultura.
"Já em 2005, Haefeker encerrou um artigo para o qual contribuiu no jornal "Der Kritischer Agrarbericht" (Relatório Agrícola Crítico) com uma citação de Albert Einstein: 'Se a abelha desaparecer da superfície do planeta, então ao homem restariam apenas quatro anos de vida. Com o fim das abelhas, acaba a polinização, acabam as plantas, acabam os animais, acaba o homem'."

"Eventos misteriosos nos últimos meses repentinamente fizeram a visão apocalíptica de Einstein parecer mais relevante. Por motivos desconhecidos, as populações de abelhas por toda a Alemanha estão desaparecendo - algo que até o momento está prejudicando apenas os apicultores. Mas a situação é diferente nos Estados Unidos, onde as abelhas estão morrendo em números tão dramáticos que as conseqüências econômicas poderão em breve ser calamitosas. Ninguém sabe o que está causando a morte das abelhas, mas alguns especialistas acreditam que o uso em grande escala de plantas geneticamente modificadas nos Estados Unidos poderia ser um fator."

"Felix Kriechbaum, um representante da associação regional dos apicultores na Baviera, informou recentemente um declínio de quase 12% na população local de abelhas."


"Manfred Hederer, o presidente da Associação Alemã de Apicultores, quase que simultaneamente informou uma queda de 25% nas populações de abelhas por toda a Alemanha. Em casos isolados, disse Hederer, declínios de até 80% foram informados. Ele especula que "alguma toxina em particular, algum agente do qual não estamos familiarizados", está matando as abelhas."

"Mas isto poderá mudar em breve. Desde novembro passado, os Estados Unidos estão vendo um declínio das populações de abelhas tão drástico que ofusca todas as ocorrências anteriores de mortalidade em massa. Os apicultores na Costa Leste dos Estados Unidos se queixam de terem perdido mais de 70% de suas colônias desde o final do ano passado, enquanto a Costa Oeste vê um declínio de até 60%."

"Em um artigo em sua seção de negócios no final de fevereiro, o "New York Times" calculou os prejuízos que a agricultura americana sofreria em caso de dizimação das abelhas. Especialistas da Universidade de Cornell, no interior de Nova York, estimaram o valor que as abelhas geram -polinizando plantas responsáveis por frutas e legumes, amendoeiras e trevos que alimentam animais- em mais de US$ 14 bilhões."

"Os cientistas chamam o fenômeno misterioso de "Colony Collapse Disorder" (CCD, desordem de colapso da colônia) e ele está se transformando rapidamente em uma espécie de catástrofe nacional. "

"Uma coisa é certa: milhões de abelhas simplesmente desapareceram. Na maioria dos casos, tudo o que resta nas colméias são proles condenadas. Mas as abelhas mortas não são encontradas - nem nas colméias e nem em qualquer lugar próximo delas. Diana Cox-Foster, um membro do Grupo de Trabalho para CCD, disse ao "The Independent" que os pesquisadores estão "extremamente alarmados", acrescentando que a crise "tem o potencial de devastar o setor de apicultura americano". É particularmente preocupante, disse ela, o fato da morte das abelhas ser acompanhada por um conjunto de sintomas "que não parece se enquadrar em nada na literatura".

"Em muitos casos, os cientistas encontraram evidência de quase todos os vírus de abelha conhecidos nas poucas abelhas sobreviventes encontradas nas colméias, após a maioria ter desaparecido. Algumas apresentavam cinco ou seis infecções ao mesmo tempo e estavam infestadas de fungos - um sinal, disseram especialistas, de que o sistema imunológico dos insetos pode ter entrado em colapso."

"Os cientistas também estão surpresos com o fato de abelhas e outros insetos geralmente deixarem as colméias abandonadas intactas. Populações próximas de abelhas ou parasitas normalmente atacariam os depósitos de mel e pólen das colônias que morreram por outros motivos, como um frio excessivo no inverno. "Isto sugere que há algo tóxico na própria colônia que os repele", disse Cox-Foster."
TRaNSgênicos
"Os pesquisadores examinaram os efeitos do pólen de uma variante geneticamente modificada de milho transgênico, chamada "milho Bt", sobre as abelhas. Um gene de uma bactéria do solo foi inserido no milho, que permitiu à planta produzir um agente que é tóxico a pragas de insetos. O estudo concluiu que não havia evidência de "efeito tóxico do milho Bt em populações saudáveis de abelhas". Mas quando, por acaso, as abelhas usadas nas experiências foram infestadas por um parasita, algo estranho aconteceu. Segundo o estudo da Jena, "um declínio significativamente forte no número de abelhas" ocorreu entre os insetos que se alimentaram de uma ração altamente concentrada de Bt."
"Segundo Hans-Hinrich Kaatz, um professor da Universidade de Halle, no oeste da Alemanha, e diretor do estudo, a toxina bacteriana no milho geneticamente modificado pode ter "alterado a superfície dos intestinos das abelhas, o suficiente para enfraquecê-las e permitir a entrada dos parasitas - ou talvez tenha sido o contrário. Nós não sabemos".
"É claro, a concentração da toxina era dez vezes superior nas experiências do que no pólen normal do milho Bt. Além disso, a ração das abelhas foi ministrada ao longo de um período relativamente longo de seis semanas. Kaatz preferia ter continuado estudando o fenômeno, mas carecia dos recursos necessários. "Aqueles que têm o dinheiro não estão interessados neste tipo de pesquisa", disse o professor, "e aqueles que estão interessados não tem o dinheiro"."
(*)tradução de George El Khouri Andolfato

6 de agosto de 2010

Quando o Roundup já não faz efeito

Brasil Livre de Transgênicos *
Fonte: Adital
A resistência que o mato desenvolve aos herbicidas (agrotóxicos do tipo "mata-mato") nas lavouras plantadas com sementes transgênicas tolerantes a estes produtos é um problema desde sempre previsto.

Segundo fontes da própria indústria de biotecnologia 62% dos transgênicos plantados hoje em todo o mundo são deste tipo: com a modificação genética, pode-se pulverizar o veneno sobre a lavoura, eliminando-se todas as plantas do terreno, menos a plantação transgênica (a soja transgênica tolerante ao Roundup representa, sozinha, mais da metade dos transgênicos plantados). Outros 15% são plantas inseticidas (Bt), ou seja, são tóxicas e matam as larvas que atacam as lavouras; e o restante (21%) combina as duas características: são inseticidas e também tolerantes a herbicidas -- o que faz com que a tolerância a herbicidas seja uma característica presente em 83% dos transgênicos plantados globalmente.

O mato desenvolve resistência quando um mesmo veneno é largamente usado, ciclo após ciclo. Em outras palavras, o veneno vai deixando de fazer efeito.

Com a difusão das sementes transgênicas, aumentou-se enormemente na agricultura o uso do herbicida a elas associado. Nos EUA estimativas conservadoras indicam que entre 1996 (ano da introdução das lavouras transgênicas) e 2008 o uso de glifosato (princípio ativo do Roundup, da Monsanto) tenha aumentado em 174 mil toneladas.

No Brasil, a Anvisa estima que entre 2004 (primeiro ano em que, graças à Medida Provisória 131, pode-se plantar soja transgênica legalmente) e 2007 as vendas de glifosato tenham saltado de 60 mil para mais de 110 mil toneladas, embora no mesmo período, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a área plantada com soja no país tenha diminuído cerca de 8%.

O resultado não poderia ser outro: cada vez mais espécies de mato vêm se mostrando resistentes ao glifosato, provocando prejuízos aos agricultores e fazendo-os voltar a usar herbicidas mais antigos e ainda muito mais tóxicos do que o já terrível glifosato, como o paraquat e o 2,4-D (um dos dois componentes do famoso Agente Laranja, usado como desfolhante na Guerra do Vietnã e conhecido por ter provocado milhares de mortes e malformações congênitas). Em muitos casos, agricultores têm recorrido à capina manual para controlar o mato que o glifosato já não elimina.

Já tratamos deste tema neste Boletim por diversas vezes. O que nos faz voltar a ele novamente é o destaque que tem sido dado à questão nas últimas semanas.

Em 26 de julho o jornal gaúcho Zero Hora publicou uma entrevista com o pesquisador Stephen Powles, diretor da Escola de Biologia Vegetal da Universidade Wersten Australia e também da WA Herbicide Resistance Initiative (Iniciativa sobre Resistência a Herbicidas, na tradução livre).

Segundo o próprio jornal, "dos 38 milhões de hectares plantados com lavouras de soja, milho e algodão transgênicos no Brasil, cerca de 4 milhões -- 10,5% da área -- estão infestados com plantas daninhas resistentes ao glifosato".

Segundo o especialista entrevistado, "Se [o Brasil] não agir agora, terá o mesmo fim que os Estados Unidos -- um milhão de hectares inutilizados, onde o glifosato não pode mais ser usado, nem mesmo em sistema de rotatividade com outras culturas e herbicidas."

Em outra entrevista, concedida ao site AGNetwork em abril último, o pesquisador Charles Benbrook, outro grande especialista no assunto e atualmente cientista chefe da ONG Organic Center, já havia relatado que milhares de hectares foram abandonados pela agricultura nos EUA devido à infestação de ervas invasoras resistentes ao glifosato, como o amaranthus, que crescem e se alastram ao ponto de danificar as colheitadeiras mecânicas de algodão.

Em 27/07 foi a vez do site AgroLink comentar as dificuldades enfrentadas pelos agricultores brasileiros adeptos à transgenia com a proliferação da buva resistente ao glifosato. Segundo a matéria, "O grande problema é que há cerca de quatro anos a buva era facilmente eliminada pelo glifosato. Porém, o gene do vegetal sofreu mutações e agora resiste ao produto."

Em 25 de julho o jornal Post-Dispatch, da cidade sede da Monsanto, St. Louis - Missouri, EUA, também tratou da questão e relatou o fenômeno do abandono de áreas por agricultores devido à superinfestação de mato resistente ao glifosato. Segundo a matéria, as várias espécies de mato resistente ao glifosato já estão presentes em 22 estados americanos.

Ainda segundo a reportagem, "a Monsanto reconhece que pode ter subestimado a rapidez com que as plantas invasoras se tornariam resistentes ao agrotóxico", e está até mesmo oferecendo subsídios de US$ 30 por hectare a agricultores do Sul dos EUA como incentivo para que usem produtos de outras empresas (mais caros que o Roundup) de modo a conservar a viabilidade do produto. Buscando contornar o problema, a Monsanto anunciou também o lançamento de um "novo" herbicida, chamado Warrant (em inglês, "garantia"), para ser usado em soja e algodão (trata-se do herbicida acetocloro, registrado no Brasil para café, cana, milho e soja e comercializado pela Monsanto aqui sob a marca Kadett).

Também em seu informativo oficial no Brasil, a Monsanto admite o problema da resistência das ervas invasoras e informa que está "reduzindo seu portfólio de produtos a base de glifosato e desenvolvendo soluções integradas para o manejo de ervas daninhas nas plantações que usam a tecnologia Roundup Ready."

Segundo Benbrook, a estratégia da Monsanto é "reembalar" sua tecnologia, incluindo o uso de outros herbicidas, mas a partir do programa Roundup Ready: sem redução da área tratada e sem redução na quantidade de glifosato usada, apenas adicionando-se outros herbicidas na mistura para controlar o mato. Segundo o especialista, é como "jogar gasolina para apagar o fogo".

Benbrook explica ainda que, neste momento, todas as grandes empresas de biotecnologia estão correndo para desenvolver e comercializar variedades de milho, soja e algodão geneticamente modificadas para tolerar pelo menos dois, mas às vezes três ou mais herbicidas (aqui no Brasil a CTNBio já deu sinal verde para plantio experimental da soja transgênica da Dow resistente ao veneno 2,4-D). Como resultado, o preço das sementes aumentará 30% ou 40%, além de os agricultores terem que aplicar três ou quatro herbicidas -- múltiplas aplicações de glifosato e mais os outros herbicidas. Além disto custar dinheiro, irá piorar o problema do mato resistente.

Aliás, o aumento na quantidade de veneno aplicado já é uma das primeiras consequências do desenvolvimento de resistência pelo mato. Blake Hurst, um produtor de milho e soja de Missouri e vice presidente do conselho do Missouri Farm Bureau, uma organização de produtores, relatou ao Post-Dispatch: "Estamos pulverizando mais. É preciso fazer rotação de agrotóxicos e variar os modos de ação, e provavelmente teremos que voltar aos agrotóxicos mais antigos".

E quem foi mesmo que disse as lavouras transgênicas permitiriam aos agricultores reduzir o uso de agrotóxicos? [Número 501 - 06 de julho de 2010].

20 de março de 2009

MoGDeMA convida:

Senhoras e Senhores:

O Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente – MoGDeMA – convida para sessão de vídeo comentada:

O MUNDO SEGUNDO A MONSANTO

Convidados: Marciano Silva e Leonardo Melgarejo.
Dia 24 de março, as 19:00 horas
Auditório do Semapi Sindicato (Lima e Silva, 280)
Sessão gratuita

O MoGDeMA é uma articulação que reúne ONG's ambientalistas, movimentos sociais do campo e da cidade, sindicatos, representantes de classe, lideranças religiosas, estudantes, professores, pesquisadores e demais lutadores sociais. Surge em decorrência da situação de crise deliberada e progressiva da gestão ambiental no Rio Grande do Sul. Visa ações conjuntas que fortaleçam as políticas públicas em defesa da natureza, promovendo o debate e a luta socioambiental, propondo a reflexão crítica ao modelo de desenvolvimento predatório hegemônico, e construindo as bases sociais para um novo modelo com sustentabilidade ambiental. O MoGDeMA é um espaço universal e plural, aberto a homens e mulheres, instituições e movimentos sociais.

Carta de Princípios http://mogdema. blogspot. com/ .

Agradecemos desde já e contamos com sua participação.

Ecólogo Felipe Amaral

Secretário Executivo - Instituto Biofilia

17 de fevereiro de 2009

O México e a contaminação do milho nativo

O boletim eletrônico nº 426 da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos traz notícia grave a respeito da contaminação em variedades crioulas de milho em localidades no México, denúncia realizada em 2001, mas que sofreu forte resistência no momento da sua publicação em revistas científicas. Ou seja, quando isto acontece, mais temerosa deve ficar a população do mundo inteiro no que diz respeito ao consumo de alimentos transgênicos!

Confira a notícia:Pesquisadores confirmam a contaminação transgênica do milho no México

Número 426 - 16 de janeiro de 2009

Car@s Amig@s,

Uma equipe de pesquisadores liderados pela Dra. Elena Álvarez-Buylla, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), na cidade do México, detectou a presença de transgenes em variedades crioulas de milho em localidades no México, confirmando resultados similares publicados na revista Nature em 2001. “Nosso estudo fornece evidências inequívocas da presença de transgenes em Oaxaca em 2001”, afirmam os autores.

O México é considerado o Centro de Origem do milho e o mais importante centro de diversidade genética da espécie. Além disso, o milho é o alimento básico mais importante do país, tendo também grande importância cultural e até mesmo religiosa para sua população, sobretudo os indígenas. Por todos estes motivos, o governo mexicano nunca permitiu o plantio de milho transgênico, proibindo-o oficialmente em 1998.

A revelação dos pesquisadores Ignacio Chapela e David Quist, da Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA), de que variedades crioulas em comunidades remotas do México estavam contaminadas por transgênicos, gerou uma inflamadíssima polêmica no meio científico. Logo em seguida à publicação do estudo na conceituada revista científica Nature, em 2001, diversos cientistas foram a público questioná-lo.

Em seu livro/documentário “O Mundo Segundo a Monsanto” (ver Boletim 422) a jornalista francesa Marie-Monique Robin revela que os primeiros ataques ao estudo que começaram a circular em fóruns eletrônicos de cientistas partiram, na verdade, da própria Monsanto, que assinava com o nome de pesquisadores inexistentes. As críticas se difundiram entre cientistas simpatizantes da biotecnologia e o estardalhaço alcançado foi tamanho que a própria Nature publicou, em seu número seguinte, uma espécie de retratação alegando que os métodos e resultados da pesquisa de Chapela não eram suficientes para embasar suas conclusões.

Chapela e Quist jamais aceitaram as críticas à sua pesquisa, mas passaram a enfrentar tremenda perseguição e descrédito no meio acadêmico.

Em 2005 uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio (EUA), publicou no PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) uma pesquisa que indicava a ausência de transgenes no milho das regiões amostradas no estudo de Chapela. Apesar deste estudo ter sido criticado como estatisticamente inconclusivo e carente de amostras representativas, ele foi largamente usado para denegrir o estudo original de 2001.

A equipe da Dra. Ávarez-Buylla se propôs a esclarecer a polêmica realizando milhares de testes em amostras de sementes e folhas de milho, e confirmou a presença de transgenes em 2001 e 2004 em baixas freqüências, inclusive em três das localidades analisadas por Quist e Chapela em 2001. Os resultados positivos foram repetidos três vezes e reafirmados por um segundo método.

No artigo publicado na edição de dezembro da revista Molecular Ecology os pesquisadores ainda apresentam uma discussão sobre as limitações de se estimar a probabilidade de detecção de transgênicos em amostras retiradas de variedades crioulas, ressaltando que os métodos utilizados podem levar a baixas probabilidades de detecção: “a não detecção de transgenes em estudos individuais não deve ser tida como evidência da ausência com base nos métodos amostrais e moleculares usados até hoje”, dizem.

Por incrível que pareça, a pesquisadora levou dois anos para conseguir publicar o novo estudo. “Ao longo de toda a minha carreira eu nunca encontrei tantas dificuldades! Houve esforços para barrar a publicação destes dados científicos!”, declarou ela.

José Sarukhan, pesquisador da UNAM e membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, recomendou a publicação do artigo no PNAS. A publicação foi rejeitada: em uma carta aos autores em março de 2008 o editor-chefe do periódico, Randy Scheman, um professor da Universidade da Califórnia, escreveu que os revisores da pesquisa apontaram que o artigo poderia “ganhar excessiva exposição na mídia devido a questões políticas ou ambientais”.

Allison Snow, uma das pesquisadoras da equipe que publicou o artigo de 2005 desmentindo a contaminação, publicou uma nota complementar no mesmo número da Molecular Ecology em que o estudo foi finalmente publicado dizendo que considera as análises moleculares conduzidas pela equipe da UNAM “muito boas” e que elas revelam “evidência positiva da presença de transgenes”.

“É bom ver isto”, declarou Ignacio Chapela, “mas levou sete anos!”.

Vale mencionar que o novo estudo não investigou uma importante conclusão da pesquisa original de Chapela: se os transgenes se integraram ao genoma das variedades crioulas de milho e estão sendo carregados de uma geração para outra. Álvarez-Buylla suspeita que seja este o caso, mas diz que não está interessada em enfrentar uma nova rodada de batalhas politicamente carregadas e deixará o trabalho para outros.

O que mais impressiona nesta história, entretanto, é o fato de que os transgenes conseguiram se espalhar e contaminar variedades crioulas de milho nas profundezas das montanhas de Oaxaca, assim como no estado de Sinaloa, no norte, o maior produtor de milho para consumo humano, e em Milpa Alta, na periferia do distrito federal. Como já se disse, o plantio de transgênicos nunca foi permitido no país. Além disso, 75% das sementes de milho plantadas no México são provenientes de produção própria, produzidas e selecionadas pelos próprios agricultores.

Tudo isto só comprova, mais uma vez, a tese de que a chamada “coexistência” entre lavouras transgênicas e convencionais é absolutamente impossível, uma vez que não existem meios eficazes para evitar a dispersão dos transgenes e a conseqüente contaminação das lavouras convencionais.

Com base nos resultados obtidos, os pesquisadores da UNAM concluem que os transgenes podem persistir em freqüências detectáveis nas populações de milho local e que é urgente o estabelecimento rigorosos critérios moleculares e de amostragem para o biomonitoramento de centros de origem e de diversificação de cultivos.

A situação é grave. A contaminação foi descoberta e confirmada num país em que o milho transgênico é oficialmente vetado. Ademais, após doze anos de seu plantio em larga escala pelo mundo chega-se à conclusão de que um bom método de detecção ainda deve ser desenvolvido.

Quanto tempo será necessário para que se reconheçam os danos ocasionados pela contaminação? E por quanto tempo a ciência corporativa usará de seus meios para negá-los? Até lá, o que restará fora do controle das multinacionais das sementes e da biotecnologia?

Com informações de:

- Native Corn Endangered
Latinamerican Press, Peru, 20/11/2008.
http://www.latinamericapress.org/articles.asp?art=5756

- GMO Contamination in Mexico's Cradle of Corn
Le Monde, 11/12/2008.
http://www.truthout.org/121208D

- Modified genes spread to local maize - Findings reignite debate over genetically modified crops.
Nature News, 12/11/2008.
http://www.nature.com/news/2008/121108/full/456149a.html

Corrupción transgénica al descubierto
Silvia Ribeiro
La Jornada, México, 03/01/2009.
http://www.jornada.unam.mx/2009/01/03/index.php?section=opinion&article=015a1eco


Imagem: Transgênicos por Eugênio Neves