24 de novembro de 2010
Por uma comunicação pública e plural no governo Tarso
18 de novembro de 2010
OS “MISERÁVEIS” E O AUTOMÓVEL
27 de outubro de 2010
Serra consegue o inimaginável: exumar o cadáver da CPI do Banestado
Do Tijolaço:
As relações perigosas de Serra
16 de setembro de 2010
Movimento em apoio ao Jornal JÁ
Do boletim do Sindicato dos Jornalistas RS:
13 de setembro de 2010
Movimento Resistência JÁ luta pelo direito à informação
Foi deflagrado na manhã deste último sábado o movimento “Resistência JÁ”, em alusão à ação movida pela família do ex-governador Germano Rigotto, agora candidato ao Senado pelo PMDB do Rio Grande do Sul e supostamente alheio ao processo aberto em 2001 por sua mãe, dona Julieta, contra o Jornal JÁ, de Porto Alegre.
Segundo Elmar Bones, jornalista e proprietário da publicação, “o processo não é contra o jornal ou contra o Elmar, mas contra toda uma escola de jornalismo”. Ele admite a resistência para evitar que aconteça com o JÁ o que aconteceu com o Coojornal no passado que, por pressões do Serviço de Informações do Exército (SIEX), durante o governo do general Ernesto Geisel, acabou fechando.
“Me recusei a pagar porque a matéria foi absolvida em outros processos. Isso seria uma confissão de culpa, e não fiz nada errado. Pelo contrário. Produzimos uma reportagem bem feita, correta e de interesse público, que ganhou os maiores prêmios. Como posso aceitar pagar por isso?”, indaga-se. “Seria contra a minha própria profissão”, emenda.
Sem condições de sobrevivência pela retirada dos anúncios, Elmar acredita que o jornal ficou queimado na praça, afinal, perdeu um processo para a mãe de um ex-governador. “Estamos sofrendo um efeito político colateral muito grande”, resume, pois o governo é o maior anunciante dos veículos de comuncação. “Nosso problema hoje é fazer o jornal se reabilitar perante os anunciantes”.
A idéia, a partir deste primeiro encontro - realizado na sede da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) - é executar uma série de atividades que tratem do direito à informação.
Apoio
“Somos culpados porque não discutimos a imprensa. Aos poucos estamos tendo mais coragem para debater. Mas precisamos de mais ênfase”. Ercy Pereira Torma, presidente da ARI.
“Esse processo é contra o exercício da profissão e não contra o JÁ”. Adroaldo Correa, jornalista.
“Estão querendo massacrar a informação de cima para baixo. Quero ter o direito de ir na banca e escolher o que quero ler”. Marcia Camarano, diretora de Comunicação do Sindsep.
“O judiciário se ajoelha perante à grande mídia. A questão aqui não é contra o jornalista, mas contra a informação”. Vania Barbosa, diretora aposentada da Escola do Legislativo da AL-RS.
Entenda o caso
A família Rigotto atacou em duas frentes, indignada com uma reportagem de quatro páginas, publicada em maio daquele ano num pequeno mensário (tiragem de 5 mil exemplares) de Porto Alegre, o JÁ, que jogava luzes sobre a maior fraude da história gaúcha e repercutia o envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irmão de Germano.
Uma ação, cível, cobrava indenização da editora por dano moral. A outra, por injúria, calúnia e difamação, punia o editor do JÁ e autor da reportagem, Elmar Bones da Costa, hoje com 66 anos. O jornalista foi absolvido em todas as instâncias, apesar dos recursos da família Rigotto, e o processo pelo Código Penal foi arquivado. Mas, em 2003, Elmar Bones, jornalista e dono do jornal, acabou sendo condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil.
Em agosto de 2005 a Justiça determinou a penhora dos bens da empresa. O JÁ ofereceu o seu acervo de livros, cerca de 15 mil exemplares, mas o juiz não aceitou. Em agosto de 2009, quando a pena ascendera a quase R$ 55 mil, a Justiça nomeou um perito para bloquear 20% da receita bruta de um jornal comunitário quase moribundo, sem anúncios e reduzido a uma redação virtual que um dia teve 22 jornalistas e hoje se resume a dois – Bones e Patrícia Marini, sua companheira.
Cinco meses depois, o perito foi embora com os bolsos vazios, penalizado diante da flagrante indigência financeira da editora.
Até que, no mês passado, no maldito agosto de 2010, a família de Germano Rigotto saboreou mais um giro no inacreditável garrote judicial que asfixia o jornal e seu editor desde o início do Século 21: o juiz Roberto Carvalho Fraga, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, autorizou o bloqueio on-line das contas bancárias pessoais de Elmar Bones e seu sócio minoritário, o também jornalista Kenny Braga.
Assim, depois do cerco judicial que está matando a editora, a família Rigotto assume o risco deliberado de submeter dois dos jornalistas mais conhecidos do Rio Grande ao vexame da inanição, privados dos recursos essenciais à subsistência de qualquer ser humano.
Por Tatiana Feldens, Asscom PT-POA, com informações de Luiz Claudio Cunha, do Observatório da Imprensa.
O jornalismo punido
8 de setembro de 2010
Quem é Sandra Terra, a jornalista envolvida no caso do sargento araponga?
Do ColetivaNet:
MP levanta suspeição em relação aos telefonemas trocados por Sandra Terra e o militar do Palácio Piratini
Reportagem da edição desta quarta-feira, 8, do jornal Zero Hora relata que a investigação do Ministério Público (MP) que resultou na prisão do sargento César Rodrigues de Carvalho, lotado na Casa Militar do Palácio Piratini, encontrou indícios de que ele faria parte de uma rede de interesses que envolvia espionagem de adversários políticos do governo estadual e proteção a aliados, além de negócios com contraventores visando a benefícios financeiros para o grupo. ZH registra que nas interceptações telefônicas feitas pelo MP, “Rodrigues aparece falando com pelo menos uma assessora do Piratini, a jornalista Sandra Terra. Quando a investigação em relação a ele já era de conhecimento da cúpula da Brigada Militar e do governo, foram captadas ligações em que o sargento trata com a assessora sua permanência na Casa Militar. Também há ligações em que é citada outra assessora de Yeda, Walna Vilarins Meneses. O monitoramento do MP detectou que a exoneração de Rodrigues chegou a ser adiada por interferência de assessores do Piratini”.
Em seguida, a reportagem registra que no pedido de prisão preventiva feito pelo MP à Justiça, há o seguinte questionamento: “Ora, o que pode ligar um sargento às duas assessoras diretas da governadora? Por qual motivo Rodrigues é tão protegido pelo alto escalão do governo?”. Segundo o jornal, a assessoria do Piratini informou que apenas o comandante da Brigada Militar, João Carlos Trindade, se manifestaria sobre o caso. Contatado por Zero Hora, ele não atendeu às chamadas.
Sandra Terra é funcionária do governo do Estado e está lotada na representação de Brasília, da qual é coordenadora. Integra também o Comitê Executivo de Comunicação Social, cujo objetivo é gerenciar a área de comunicação do governo estadual.
Mais informações AQUI.
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Em 20 de agosto de 2008, Weissheimer fez a seguinte postagem em seu blog:
As muitas viagens e funções de Sandra Terra
Aug 20th, 2008 by Marco Aurélio Weissheimer.
A paixão da jornalista Sandra Terra por viagens vem de longa data. A assessora da governadora Yeda Crusius (PSDB) na “embaixada” do Rio Grande do Sul em Brasília gastou em oito meses mais diárias do que aquelas a que um deputado estadual tem direito em um ano, conforme informou hoje a jornalista Rosane de Oliveira, em Zero Hora. Já foram 98 viagens, de janeiro até aqui. Coordenadora da comunicação da campanha de Yeda, Sandra Terra ganhou a fama de “lobista da Monsanto”, por suas freqüentes incursões na Assembléia Legislativa quando os transgênicos começaram a ser introduzidos no Rio Grande do Sul.
Em um artigo publicado no site No Mínimo, em 29/09/2003, Xico Vargas destacou a paixão da jornalista pelas viagens e pelos transgênicos. Apresentando-a como “testemunha” do fenômeno da introdução dos transgênicos no país, Vargas descreveu assim a atuação de Terra:
“A jornalista Sandra Terra, que há 20 anos percorre áreas de plantio de grãos geneticamente modificados no país, garante que as diferenças que observa têm sido sempre para melhor. Com a redução no uso de agrotóxicos, relata, ‘as lavouras estão limpas. Os lagos e açudes estão repovoados e os pássaros estão de volta’, entusiasma-se”.
Segundo o chefe da Casa Civil do governo Yeda Crusius, José Alberto Wenzel, Terra ocupa uma função estratégica no governo. Wenzel não explicitou que função seria esta. Assessora direta e confidente da governadora Yeda Crusius, a jornalista é vista como uma eminência parda no governo, sem uma função determinada, mas encarregada de resolver “problemas especiais” [grifo nosso].
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16 de agosto de 2010
O "jornalismo" sórdido da Time
Por Chico Villela em NovaE
O governo BHObama estimula campanha antiTaleban na mídia grande dos EUA para compensar os estragos das revelações do coletivo WikiLeaks.
Tudo indica que as revelações do Diário da Guerra Afegã, do coletivo de ativistas políticos WikiLeaks, continua fazendo estragos sem conta. A revista Time deu a partida da reação do governo BHObama com uma capa de rara indignidade: uma moça afegã bonita, 18 anos, de véu, com o nariz semidecepado e a orelha (oculta) mutilada, obra de seu marido apoiado por líder taleban em reação a sua vontade de deixar o lar após abusos e ofensas.
A apelação foi e vem sendo questionada da parte de críticos e analistas até mesmo afinados com as posições da revista. Mas a indignidade está mais no título, algo como: é o que acontece se os EUA saírem do Afeganistão.
E o assassinato pelo Taleban de uma dozena de médicos e assessores ocidentais deflagrou uma onda de notícias repetitivas sem fim. Há vários subtextos nestas demonstrações da capacidade da grande imprensa de superar recordes de canalhice.
A moça de nariz mutilado acha-se nos EUA para ganhar plástica facial. Pena que milhões de mutilados pelas armas aliadas em suas guerras sem fim não tenham a mesma compensação.
1 O primeiro subtexto é o racismo e a manifestação de superioridade: se os EUA saírem do Afeganistão, o país voltará a mergulhar na barbárie mais abjeta. Ou seja: a presença das tropas invasoras é garantia de civilização e outras banalidades afins.
Idéia 1 Substituir a moça da capa por uma grande foto de um casamento que uniu há uns quatro anos duas aldeias e duas famílias tradicionais. Uma festa rara no Afeganistão, em que os clãs se fecham em suas tradições e pouco se abrem para outros clãs, inda mais de etnias diversas. A cerimônia, confundida pelos invasores com uma reunião do Taleban (uma prova da eficácia dos seus serviços de Inteligência), foi severamente bombardeada. Morreram mais de 140 pessoas, a maioria mulheres e crianças, inclusive a noiva. Quase não havia cadáveres, apenas pedaços de corpos misturados. A Time perdeu uma boa capa.
Curioso é que esta não foi a primeira vez: desde 2001, dezenas de festas, reuniões e casamentos vêm sendo bombardeados. As tropas alemãs da OTAN patrocinaram recentemente outra carnificina. Dois caminhões de combustível roubados pelo Taleban atolaram num riacho. Centenas de moradores próximos acorreram para pegar um pouco de algo que, lá, é precioso e raro. O comando alemão entendeu que o Taleban se reunia em mais de centena e solicitou bombardeio dos aviões e helicópteros do governo BHObama, que foi agravado pela explosão dos caminhões. Resultado: alguns insurgentes talebans e mais de 150 mortos civis afegãos e um presidente alemão que renunciou em parte por isso.
2 O segundo subtexto é insistir nas diferenças culturais entre muçulmanos fundamentalistas e outras correntes religiosas, radicais ou não, e entre as incompatibilidades entre as concepções “ocidentais” e as muçulmanas, com privilégio para as “ocidentais” e desprezo pelas muçulmanas. (Para o Ocidente, é condenável cobrir o corpo e o rosto da mulher com túnicas. Mas para o Ocidente é lícito expor o corpo da mulher de todos os modos, de elegância a putaria, de uma forma que, para muçulmanos, é igualmente condenável.)
Idéia 2 Os fundamentalismos muçulmanos são tão odiosos quanto os cristãos (nascidos por perto dos anos 1920 nos EUA e hoje alastrados como erva maligna pela política e a vida social do país) , os judaicos (que favorecem invasão e ocupação de terras palestinas e elegem governos de extrema-direita como o atual) e outros menos votados. O marido muçulmano afegão que mutila a mulher tem tanto peso quanto o ex-combatente que volta da guerra do Afeganistão, não encontra espaço na sociedade, arrasta traumas e psicoses, não tem assistência adequada e um dia mata a família e suicida. Os índices de suicídio entre ex-combatentes do Iraque e do Afeganistão é superior ao de todas as outras categorias classificáveis. Mas eles apenas matam e suicidam, não mutilam os seres amados.
3 O terceiro subtexto é o pretenso desrespeito do Taleban aos colaboradores altruístas e desinteressados, como médicos missionários, que socorrem, em geral, os feridos de tropas invasoras. Mais uma demonstração da barbárie do “inimigo” e da superioridade do invasor, que socorre até mesmo famílias afegãs atingidas pelos combates (leia-se: atingidos pelo fogo maciço dos invasores).
Idéia 3 Se não tivesse havido invasão, os médicos não estariam presentes, a não ser que fizessem parte de entidades dedicadas ao socorro a sofredores, sejam talebans ou chineses. Mas estes são sempre bem-vindos pelos governos e pelos opositores. Para os cidadãos do país, como os da etnia pashtun que enforma o Taleban, há milênios instalados em seu espaço, tropas armadas e médicos que se locomovem junto são ambos invasores.
A leitura, do ponto de vista do combatente taleban, é absolutamente correta. Seria pedir demais ao guerreiro taleban separar uns de outros. Logo para ele, que assiste ao seu inimigo que não sabe separar sequer combatentes de civis, ou adultos insurgentes de mulheres e crianças.
4 O quarto subtexto é a gratuidade do ataque taleban à equipe de médicos e assessores, o que reforça a característica de barbárie dos atos do inimigo.
Idéia 4 Os registros do Diário da Guerra Afegã trazem milhares de relatos de mortes em postos de controle, em estradas, dos invasores e da polícia afegã. Assim como os explosivos caseiros respondem pela maior parte de mortes de militares invasores, os assassinatos em postos de controle avultam entre os principais responsáveis pelas mortes de civis. Os invasores chamam essa barbárie de “escalation of force”, que começa no medo do que não se conhece (uma família afegã num carro é um potencial atacante) e culmina com civis metralhados, muitas vezes dentro de ônibus. Gratuidade?
5 Infere-se da foto, da chamada de capa e da leitura do texto que a violência de fundamentalistas muçulmanos é pior que qualquer outra.
Idéia 5 As contagens variam, mas todas convergem para cifras abismantes. No Iraque morreram até agora, após a invasão de 1991 por Bush pai, do bloqueio econômico e dos bombardeios entre 2001 e 2003, e pela invasão e posterior carnificina de Bush filho em 2003, mais de 1.350.000 civis. Exilados, contam-se por volta de 4.500.000, mais da metade fora do país. Desde a invasão russa de 1980-1989 até agora, após nove anos de invasão dos EUA-OTAN, morreram no Afeganistão estimados 3.000.000 de civis.
Mas a violência dos fundamentalistas muçulmanos é inimaginável: assim reza a grande mídia obediente aos desígnios e aos dólares do governo e das corporações que o elegem e mantêm. Consegue ser pior que a brasileira.
Fato que, este, sim, é um feito memorável!
15 de agosto de 2010
Obama e o sorriso de Mona Lisa

14/8/2010, M K Bhadrakumar, Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/LH14Ak02.html
As interpretações que o pequeno grupo de jornalistas convidados para o briefing que o presidente dos EUA Barack Obama divulgou sobre o Irã, semana passada, são realmente impressionantes. Vem à cabeça a canção Mona Lisa, eternizada na doce voz de barítono que se ouvia há 60 anos, antes de Obama nascer, de outro afro-americano de Chicago, Nat King Cole:
“Você sorri para tentar um amante, Mona Lisa,
Ou é seu jeito de esconder o coração partido?
Quantos sonhos entregues aos seus pés!
Ali jazem, ali morrem...”[1].
Havia um “sorriso místico” nos lábios de Obama, ao falar à mídia? David Ignatius, do Washington Post, garante que Obama “repôs firmemente sobre a mesa” a possibilidade de negociar com o Irã; Peter David, do Economist garante, com igual convicção, que Obama “não apontou qualquer política nova”.
Marc Ambinder e Jeffrey Goldberg de The Atlantic entenderam que Obama pavoneava-se, ante o público doméstico, do sucesso de sua política de engajamento associado ao simultâneo aperto econômico e político contra o Irã.
Robert Kagan, comentarista político conhecido, gostou de Obama ter indicado que “não há à vista qualquer nova iniciativa diplomática [que tenha a ver com o Irã]”. De modo geral, os neoconservadores nos EUA deliciaram-se por a luva de seu presidente deixar transparecer bem nítido o reforço oculto de aço de alta qualidade.
A seu modo, é possível que tenham acertado. Afinal, e à vista das eleições para o Congresso em novembro, o principal objetivo do briefing foi reafirmar diretamente a Israel e ao influente lobby pró-Israel nos EUA que a política do governo Obama, que tanto repete o mote ‘das conversações com o Irã’, absolutamente não implica qualquer ameaça real aos interesses do Estado judeu.
O xis da questão é que a política dos EUA para o Irã está outra vez numa encruzilhada. Obama diz que tentou atrair o Irã para a mesa de negociações no início do governo, e que Teerã não respondeu. Mas... será que tentou mesmo? OK. Obama ofereceu algumas aberturas a Teerã, mas, enquanto isso, serviços sob seu comando trabalhavam para uma “mudança de regime” no Irã e houve operações secretas. O Irã foi ‘convidado’ à mão armada, para negociar.
Num certo momento, depois das eleições presidenciais no ano passado no Irã, Washington meteu-se na cabeça que haveria vantagem em encenar mais uma “revolução colorida” em Teerã. Isso, num momento em que a prioridade teria sido negociar com o presidente Mahmud Ahmadinejad, muito firme e legalmente instalado no poder e em posição que lhe permitiria tomar decisões difíceis. Em vez disso, Obama tentou contato com o Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei, esquecendo completamente que Obama não passa de (mais) um Cesar.
Em segundo lugar, Obama insiste em que um dos pilares de sua estratégia para o Irã seria enfatizar sempre sua agenda de não-proliferação nuclear, para cumprir os deveres dos EUA nos termos do Tratado de Não-Proliferação Nuclear e organizar uma bem-sucedida conferência dos países do Tratado. Fato é que, como o mundo as vê, as políticas dos EUA são eivadas de contradições e, de fato, são elas que, hoje, já praticamente reduziram o Tratado a cacos.
Moscou corrige a rota
De fato, Obama apresentou sua política de “desligar-reiniciar” [ing. reset] os contatos com a Rússia como o terceiro e crucial pé do tripé da política dos EUA para o Irã. Em resumo, Washington gostou de ver que Moscou não só atraiçoou Teerã como, além disso, mexeu pauzinhos para estimular a China, a União Europeia e o Canadá a também golpearem o Irã.
A Rússia atacou economicamente o Irã por motivos fortemente oportunistas. Mas, oportunista uma vez, oportunista outras vezes; e os EUA parecem estar farejando novas ocasiões para novos oportunismos.
Nada, senão isso, explica a hilariedade que se viu na secretária de Estado Hillary Clinton, ao apelar ao Senado dos EUA, 4ª-feira, para que aprove o “novo tratado START” – Strategic Arms Reduction Treaty [Tratado de Redução de Armas Estratégicas] com a Rússia, que Obama assinou em abril com Dmitry Medvedev, e que tem de ser ratificado pelo Senado para viger.
Por seu lado, Moscou, que deposita grandes esperanças no tratado START com vistas ao retorno da Rússia aos palcos mundiais, calcula que são necessários 67 votos no Senado, para a ratificação; Obama terá de mobilizar todos os 59 deputados Democratas e os independentes e, além desses, ainda terá de encontrar pelo menos seis Republicanos; ou o “novo START” não será ratificado. Até agora, só Richard Lugar, Republicano de Indiana, comprometeu-se publicamente a votar a favor da ratificação.
Moscou parece convencida de que a mudança na sua política para o Irã foi longe demais, sem que os EUA lhe tenham pago qualquer correspondente compensação; alguma correção de rota parece útil. A retórica do Kremlin amainou. Volta a parecer viável o negócio pelo qual a Rússia fornecerá mísseis S-300 ao Irã.
Semana passada, a empresa russa Lukoil forneceu petróleo refinado ao Irã, ignorando as ameaças de retaliação dos EUA – e o petróleo foi fornecido em parceria com a empresa Zhuhai Zhenrong, chinesa. Moscou recebeu o ministro iraniano do Petróleo, para discutir os termos de uma cooperação bilateral; os funcionários russos falaram de encomendas prováveis, para a nova usina nuclear iraniana, Bushehr, a partir de agosto. O front diplomático também dá sinais de incômodo. A Rússia associou-se à China, para criticar os EUA e a União Europeia, por terem imposto sanções unilaterais ao Irã.
Desligar-reiniciar 2, depois do Desligar-reniniciar 1, entre EUA e Rússia?
Na 2ª-feira, o embaixador iraniano em Moscou Reza Sajjadi visitou o ministério russo de Relações Exteriores, para “uma frutuosa troca de ideias” com o vice-ministro Alexei Borodavkin, sobre “temas relacionados ao desenvolvimento da cooperação econômica e comercial Rússia-Irã, mutuamente benéfica”. Segundo o ministério russo de Relações Exteriores, “o mútuo interesse expressou-se pelo revigoramento da colaboração bilateral nessa esfera”.
Na 3ª-feira, Sajjadi voltou ao ministério, para encontrar-se com o secretário Andrey Denisov. Documento oficial russo diz que “as partes trocaram ideias sobre assuntos da agenda bilateral, regional e internacional, com especial atenção ao diálogo político Rússia-Irã e trabalho conjunto com vistas à solução de problemas internacionais e regionais chaves” (negritos meus.)
O ‘desligar-reiniciar 1’, dos EUA para a Rússia, parece ser a perna mais bamba do tripé da política dos EUA para o Irã. Curiosamente, aconteceu também de essa mesma perna problemática ter sido fundida numa liga pouco confiável, de metais russos e chineses.
Os sucessivos atos de provocação dos EUA contra a China no Pacífico asiático, durante as últimas semanas, podem também ter abalado a convicção dos chineses no que tenha a ver com a questão iraniana. Não por acaso, os EUA já deram puxão de orelhas público, na China. Robert Einhorn, conselheiro especial dos EUA para temas de não-proliferação e controle de armas, que irá a Pequim no final de agosto, disse:
“Queremos a China como parceiro responsável no sistema internacional. Isso significa cumprir as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Isso significa não jogar pelas costas, não tirar vantagens da autocontenção responsável de outros países.”
Preocupação já manifestada por vários países, no que tenha a ver com tomar medidas contra o Irã é que “se aplicarmos sanções contra o Irã, a China logo aparecerá por lá e tirará vantagem de nossa autocontenção.”
Para o Irã, as apostas também são altas. O vice-ministro do Petróleo do Irã Hossein Noghrehkar disse semana passada que a China investiu 29 bilhões de dólares no setor de petróleo do Irã e outros 11 bilhões no oleoduto, inclusive para a instalação de sete refinarias.
Para garantir, entra em cena o desligar-reiniciar à moda chinesa. Pequim parece entender que o desligar-reiniciar EUA-Rússia não avançou muito além da “diplomacia de hambúrguer” de Obama com Medvedev. Na 2ª-feira, um comentário chinês examinava detidamente a política de Moscou para o Irã. Dizia:
“Como aliada do Irã com muitos interesses estratégicos e econômicos no país, dificilmente se manterá a visão pró-ocidente entre os russos. (...) O Irã é não apenas importante aliado regional dos russos; é também importante ferramenta de barganha nas relações diplomáticas com o Ocidente, sobretudo com os EUA. Aconteceu apenas que, num certo momento, a Rússia decidiu que suas relações com os EUA seriam mais importantes que suas relações com o Irã.
Aproximar-se de países ocidentais trouxe para a Rússia mais resultados negativos que positivos (...). A Rússia ganhou pouco com a atitude pró-ocidente. No período, os russos manifestaram mais dúvidas e críticas sobre Medvedev. Nesse quadro, a Rússia não se pode expor a perder o Irã. Assim sendo, é muito provável, no futuro próximo, que a Rússia suavize o tom, em relação ao Irã.”
Feitas as contas, o ‘sorriso de Mona Lisa’ de Obama tem de ser posto em perspectiva. Por um lado, dá a impressão de estar dizendo a Teerã que a “trilha” para solução pacífica do impasse nuclear permanece aberta; e que permanece aberta também para uma solução que garanta ao Irã o direito de conservar seu programa nuclear civil, desde que se possa negociar “um claro conjunto de passos” que sejam “suficientes para mostrar que eles não trabalham para construir armas nucleares.”
Ao mesmo tempo, Obama também propôs “trilha separada” de conversações sobre o Afeganistão, considerados os “mútuos interesses” de Irã e EUA em combater os Talibã. Disse que o Irã deve ser “parte”, em conversações regionais sobre a estabilização do Afeganistão e que “poderia ser um parceiro construtivo”. Foram palavras de conciliação.
Por outro lado, Obama insistiu que os EUA continuem no controle, que os iranianos haviam ficado diplomaticamente isolados, que as sanções estavam “mordendo” e que, no contexto geral, estaria apenas sendo lógico, no movimento de defender a vantagem no jogo, ao escolher reengajar o Irã. E ofereceu promessas vagas, dirigidas aos linhas-duras, de que não descartara o uso da força, onde a diplomacia falhe.
Volta-se à pergunta de Nat King Cole: “Você é quente, você é real, Mona Lisa?"
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[1] Do you smile to tempt a lover, Mona Lisa, / Or is this your way to hide a broken heart?/ Many dreams have been brought to your doorstep / They just lie there and they die there. No texto, em tradução aproximada, só para ajudar a ler. Pode-se ouvir, em arranjo grandiloquente mas com cantor perfeito, em http://beemp3.com/download.php?file=54851&song=Mona+Lisa [NT]
12 de agosto de 2010
O dia em que a Waldvogel ouviu quieta
28 de julho de 2010
Eleições na FENAJ
Para se informar a respeito do processo eleitoral, clique AQUI.
Conheça as chapas:
Chapa 1, Virar o Jogo
Chapa 2, Luta, Fenaj!
PARTICIPE!
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Celso Schröder é eleito presidente da Fenaj
Atualizado em 30/07/2010 às 19h51min.
12 de maio de 2010
Mais um caso de desinformação e de preconceito pela Rede Globo

A comparação mais palpável, para que o público compreenda, diz respeito às estradas. Elas são públicas, mas permitem-se que empresas privadas, mediante licitação, sejam responsáveis pela sua manutenção. A gente até chama tais empresas de "concessionárias", não é mesmo?
Voltando ao caso da radiodifusão, apesar dos dispositivos constitucionais, a formação de monopólio e oligopólio midiáticos faz com que concessionárias de um bem público ajam da forma que bem entendem, desrespeitem qualquer regra de responsabilidade social na informação e ainda por cima, "formem" funcionários subalternos que, por fim, se acham "donos", devido à situação privilegiada dentro de tal empresa de comunicação. Neste caso, estamos falando do Alexandre Garcia, funcionário da Rede Globo.
Este sujeito, do alto da sua arrogância, fruto de um monopólio midiático atuando impunemente há mais de 40 anos no Brasil, e expressando a sua ira ao Governo do operário Lula, resolveu atacar o Ministério da Saúde e a sua política pública em relação aos direitos sexuais e reprodutivos de pessoas portadoras do vírus HIV [Leia AQUI].
É bom que se diga, que no espaço de 1 mês, a Rede Globo promoveu dois desserviços em relação à saúde sobre o mesmo tema e com o mesmo teor de preconceito e desinformação. [Leia caso BBB10, campeão da baixaria na TV brasileira AQUI.] Houvesse Congresso e Justiça nesse país e as emissoras de rádio [CBN/Garcia] e TV [Globo/Dourado], ambas da Rede Globo, poderiam sair do ar e, ainda por cima, deveriam produzir programas que tratassem de saúde, com informações sobre transmissão de DST/AIDS, bem como qualidade de vida de pessoas soropositivas, com carga horária maior ao tempo utilizado para tais mentiras, mistificações, desinformações e, acima de tudo, preconceitos, verdadeiros atentados aos Direitos Humanos! [Conheça o caso "Direitos de Resposta" AQUI.]
Abaixo, segue a Carta Aberta ao Alexandre Garcia, escrita pela Rede Feminista de Saúde, em repúdio às palavras, proferidas na CBN dia 7 de maio de 2010:
Carta aberta ao jornalista Alexandre Garcia
A Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, entidade civil que congrega quase três centenas de organizações de mulheres em defesa da saúde, vem a público para manifestar profundo desconforto produzido pelos comentários e opiniões emitidas pelo senhor, no exercício do jornalismo, e ao mesmo tempo reconhecer e apoiar as manifestações da Rede Parto do Princípio e do Departamento de DSTs/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, em contestação às suas palavras.
Inicialmente, informar ao conhecido jornalista que o Brasil reconhece os direitos sexuais e reprodutivos das pessoas, em particular das mulheres, com parte dos direitos humanos. E que há vedação constitucional para o exercício da discriminação e do preconceito, manifestações essas que impregnaram seus comentários por meio de comunicação mantido por concessão pública e reproduzidos em http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/mais-brasilia/MAIS-BRASILIA.htm.
É fruto da luta do movimento de mulheres o reconhecimento de um conjunto de procedimentos técnicos e éticos que assegurem a humanização da atenção à gestação, parto e puerpério, o que inclui a presença de um acompanhante de sua livre escolha no pré-parto, parto e pós-parto imediato. Longe de uma bobagem, este é um direito previsto por Lei Federal n° 11.108 de 2005, que por sua vez vem sendo descumprida, à exceção de serviços que comprovam os benefícios à gestante e ao bebê.
Ademais, também é fruto de luta o reconhecimento do direito das mulheres de decidir pela maternidade, direito este ainda incompleto, pois o acesso ao aborto é restritivo no Brasil. Os métodos anticonceptivos e contraceptivos, embora previstos em leis e políticas, ainda não cobrem toda a população, sendo portanto as mulheres credoras e não devedoras de direitos. O direito à maternidade, por sua vez, é assegurado às mulheres que assim o desejem, indistintamente à sua condição sorológica, havendo importantes avanços para a redução da transmissão na gestação e após parto.
Seus comentários, prezado jornalista, colaboram para ampliar os obstáculos culturais à garantia da saúde integral das mulheres como um direito humano, ao contrário da missão do Jornalismo, que é de informar e colaborar para a mudança de padrões culturais da sociedade, numa perspectiva de respeitar a autonomia das pessoas na sua tomada de decisão, assim como do acesso a bens e serviços de qualidade, pautados na dignidade humana.
Por acreditarmos e lutarmos cotidianamente pelo direito democrático à informação, solicitamos de Vossa Senhoria que busque no seu cotidiano profissional desfazer os males que produza, seja por desinformação, seja por preconceitos inaceitáveis em nossa sociedade.
A Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos espera de sua parte a postura digna de um profissional no exercício do Jornalismo.
Colegiado da Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
Telia Negrão – Secretária Executiva – Maria Luisa Pereira de Oliveira - Adjunta
Porto Alegre, 12 de maio de 2010.
Atualizado às 23h26min.





