16 de dezembro de 2010
Sindsprev promove debate sobre narcotráfico
15 de dezembro de 2010
Debate: a desvinculação dos Bombeiros da BM
Saiba mais sobre o assunto AQUI e AQUI.
Mídia guasca: o retorno do discurso da insegurança
1 de dezembro de 2010
Nelson Jobim: afastem esse 5ª coluna do Governo!
#forajobim
Arte: Blog da Dilma
28 de novembro de 2010
Guerra do Rio – A farsa e a geopolítica do crime
Violência no Rio é fruto da omissão crônica do poder público
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| Foto: Marcos de Paula/AE |
O Rio de Janeiro está passando por uma situação criada pela má gestão de seus últimos governantes. A ausência do poder público nas favelas abriu espaço para o surgimento de um poder paralelo. Para o deputado federal carioca Chico Alencar (Psol), os atuais governos combatem de maneira errada esses criminosos. Insistem em intervir no varejo das armas e das drogas enquanto fazem vista grossa aos atacadistas. Enquanto a polícia faz ações espetaculares nos morros, os “traficantes burgueses” continuam a lucrar com as transações internacionais. Até porque “não havia nenhum barão das drogas naquela marcha tétrica da Vila Cruzeiro ao Alemão”.
Alencar vê como simplista a responsabilidade dada às Unidades Policiais Pacificadoras (UPPs) como a principal causa dos ataques ocorridos desde o domingo 20. Para ele, as UPPs são um início, mas como elas mesmo mostraram, não serão eficazes a longo prazo se não houver uma política estrutural junto. Leia abaixo a entrevista feita por telefone com o deputado que está no Rio para acompanhar de perto os acontecimentos dos próximos dias.
CartaCapital: Como você enxerga o que está acontecendo no Rio de Janeiro?
Chico Alencar: O diretor daquela cena que corre o mundo, de mais de 200 jovens, pobres, de baixíssima escolaridade, armados, atravessando àquela estrada, que liga uma comunidade pobre a outra, chama-se: omissão crônica do poder público. Quem arregimenta esses figurantes do mal é a política institucional, do clientelismo e da reprodução das áreas de abandono das grandes cidades. Evidente, nessa altura, que isso acabaria nessa situação dramática, que não vai durar muito tempo, como sabemos. É necessário combinar as ações estruturantes das políticas que nunca existiram no Rio de educação, saúde e urbanismo, para não ter uma sociabilidade de barbárie como há nessas comunidades pobres, com a ação imediata. Víamos ontem o contraste de vários homens de chinelo com armas de potencial letal enorme nas mãos. Quem lembra de alguma operação, seja nas fronteira do Brasil, do Estado do Rio de Janeiro, na Baia de Sepetiba ou na Baia de Guanabara interceptando comboios de armas e munição de maneira expressiva? Isso não acontece. O negócio transnacional das armas ninguém enfrenta.
CC: Isso mostra que os governos não agem no ponto exato, apenas na consequência do processo?
CA: Claro, agem muito mais na consequência do que na origem. Muito mais atacando o varejo armado das drogas do que nos grandes atacadistas. Claro que uma juventude sem perspectiva de vida, criada no ambiente da violência e de individualismo máximo que a sociedade de mercado estimula cria um caldo de cultura para esse tipo de situação. O interessante que nessas comunidades pobres, que são conviventes, mas não coniventes com o poder do tráfico ou das milícias igualmente criminosas, os políticos vão lá buscar votos periodicamente e muitos deles fazem acordos com os poderes locais. Na verdade é um conluio, uma cumplicidade que acabou levando a essa situação.
CC: Existe alguma solução?
CA: A esperança são a de autoridades, que respeito muito, como o secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, e o secretario nacional de Segurança Pública, Roberto Balestra. Eles têm uma visão mais profunda sobre o problema e não são adeptos da política do extermínio dos bandidos. Os grupos armados se reproduzem muito rápido porque há uma profunda crise de valores na sociedade e de noção de país. É uma luta de todos contra todos. O monopólio da força pelo Estado só será legitimado e eficaz se de fato for poder público, ou seja, estiver a favor da sociedade e das maiorias sempre esquecidas. Temos hoje um Estado privatizado que vê os pobres das cidades como massa de manobra eleitoral e de negócios escusos.
CC: Há um avanço na política de segurança pública do Rio de Janeiro na gestão do Beltrame?
CA: Ele, ao contrário da tradição da cúpula de segurança e do ex-chefe de segurança Álvaro Lins, um emblema fortíssimo disso, não faz pacto com a corrupção. Atualmente, na cúpula, até por uma questão de sobrevivência, foram colocadas pessoas dignas. Isso não significa que acabou a corrupção na polícia. Ainda precisa de uma profunda reforma nas polícias, uma renovação, uma dignificação salarial, enfim, isso leva tempo, mas o Beltrame sempre deixou claro o respeito pelas populações dos morros. Embora, eu tenho que deixar claro, que em 2007 houve uma operação no mesmo complexo do Alemão que matou 23 pessoas, várias inocentes, algumas executadas sumariamente. Foi o Estado de barbárie entrando lá. E não adiantou absolutamente nada. Está lá uma área com o poderio entocado do tráfico. Esse tipo de ação espetacular é muito midiático, sensacionalista e ineficiente.
CC: E as UPPs?
CA: Elas representam o controle de apenas 2% do total de áreas dominadas fora do poder do Estado. Dominadas em sua maioria pelas milícias e também em boa parte pelo narcotráfico armado. Só 2% das áreas fora do controle do Estado foram, digamos “reconquistadas”. Mas pacificar não é ocupação militar. Se não houver, como não houve no Chapéu Mangueira, que é uma das UPPs mais antigas, políticas sociais, creches, atendimento de saúde, oportunidades de trabalho e espaços culturais, não resolverá o problema em profundidade. As UPPs só se realizam plenamente quando um conjunto de políticas sociais estiver sendo oferecido no morro como é oferecido em qualquer bairro do asfalto. É exagero também dizer que os ataques são apenas uma reação às UPPs, porque elas controlaram áreas do Rio de Janeiro turístico e olímpico, o que foi uma escolha política do Cabral. Claro que tem também uma insatisfação por perda de territórios, mas é um conjunto de fatores que provocaram essa reação dos traficantes, que deveria ser previsível por um serviço de Inteligência meramente decente. Não dá para prever que dois moleques vão incendiar um carro, isso é incontrolável, agora, uma previsão de que poderia haver essa orquestração, deveria estar nos cálculos, mas aparentemente houve uma surpresa do poder público com os ataques.
CC: E essa história das ordens terem saído dos presídios?
CA: É outro ponto importante que nos deixa indignados em aceitar que a ordem de articulação desse banditismo, que é tosco, iletrado e muito precário, por mais que as armas que tenham sejam poderosas, veio do Elias Maluco, do Marcinho VP, ou seja, dos presídios. Isso revela que a tal segurança máxima é muito débil porque se não consegue monitorar minimamente um advogado numa conversa ou bloquear um celular. Há muito mais do que crime organizado. Há um Estado desorganizado e dentro da própria institucionalidade do Estado um crime organizado em suas altas esferas.
CC: Há uma legitimação, nesse momento, do extermínio dos traficantes pela polícia do Rio?
CA: Acho que não. É uma expressão da opinião pública que não chegou à compreensão que o Estado não pode agir com os mesmos métodos dos bandidos. Ele tem o dever da racionalidade. Ao contrário do que aconteceu em 2007 no Alemão, a ocupação da Vila Cruzeiro, embora tenha acontecido a perda de uma menina de 14 anos por uma bala perdida, no geral, o confronto que se esperava, não aconteceu. Houve uma ação intimidatória, forte, mas o confronto foi pequeno em relação ao que poderia acontecer. Eles poderiam de imediato invadir o complexo do Alemão ou metralhar aqueles bandidos em fuga, mas não o fizeram porque há uma maior racionalidade, cautela e tática nessas ações. Além de uma maior preocupação com os direitos humanos, que é uma conquista nossa. Estou falando isso agora, mas nada me garante que nesse momento esteja acontecendo alguma atrocidade, gente desarmada sendo executada.
CC: Você anunciou que entrará com um pedido de investigação na comissão de Direitos Humanos da Câmara.
CA: Nós vamos formar uma comissão de acompanhamento, com vários deputados, para dialogar com o secretário nacional de Segurança Pública, com o ministério da Defesa e as autoridades locais do Rio de Janeiro. No sentido de acompanhar, inclusive, os recursos. Soube que no começo deste ano, o Programa Nacional de Segurança da Cidadania destinou 100 milhões de reais para o Rio. Iremos acompanhar como os recursos estão sendo utilizados para garantir uma ação que seja, no imediato, mais ponderada e efetiva, e a médio e longo prazo as políticas estruturantes. Se não cortar as fontes de abastecimento do crime pela sua cúpula que não está nos morros, porque não havia nenhum barão das drogas naquela marcha tétrica da Vila Cruzeiro ao Alemão, vai se estar sempre enxugando gelo de alguma maneira.
CC: Você chegou na quarta-feira ao Rio de Janeiro, vindo de Brasília, no meio de todos os problemas. Como estão as ruas da cidade?
CA: Eu dei uma circulada pela cidade. Eu moro numa rua, em Santa Tereza, onde ao lado dela, esses rapazes do crime passam na porta de casa, mas estão mais interessados no seu negócio, que tem muitos consumidores. O problema não é a droga, que é tão antiga quanto à sociedade humana, mas é a letalidade do negócio da droga e de seu armamentismo. Nas ruas há um ambiente de tensão. Qualquer carro que passa com a sirene ligada, como acabou de passar aqui no Largo do Machado, todo mundo olha assustado. Há uma discussão acalorada, porque o descontrole do poder público foi tão grande que qualquer muleque, estimulado pelo espírito de zoar mesmo, taca fogo em um carro. Ontem, desceram dois do Salgueiro, em área de UPP, e tocaram fogo em um ônibus. O curioso é acontecer em uma área dita “pacificada”, o que mostra que ainda tem uma relação psico-social com as populações marginalizadas, que enquanto elas não forem integradas na sociedade através da escola, cultura e no trabalho, ficam na marginalidade a disposição dessas movimentações. Atribui-se ao varejo armado das drogas um poder além do que tem de fato. Ele não terá grande fôlego se houver ação preventiva e policiamento ostensivo, mas o grande problema é estrutural, que continua criando espaço para apropriação pelo poder paralelo, que elege políticos, como no caso das milícias nessas eleições.
27 de novembro de 2010
A crise no Rio e o pastiche midiático
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| Vila Cruzeiro, Rio de Janeiro |
23 de outubro de 2010
Inauguração da Agência da Boa Notícia Guajuviras
Esse é um projeto inovador de jornalismo cidadão, uma iniciativa da secretaria de Segurança Pública com Cidadania (SMSPC), da Prefeitura de Canoas, que faz parte do Programa Nacional de Segurança Pública com cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça. O objetivo é capacitar 240 jovens do bairro Guajuviras, em Canoas, para produzir conteúdos de comunicação cidadã, videodocumentários, boas notícias, programas de webtv e rádioweb, além de conteúdos multimídia para Internet. Os participantes terão à sua disposição uma sede com dois estúdios e salas de oficinas, assim como com equipamentos para a criação de conteúdos próprios e receberão formação em sete tipos diferentes de oficinas.
Uma equipe com 17 pesquisadores da Unisinos acompanha e avalia, conjuntamente com a equipe de técnicos municipais, o andamento dos trabalhos.
Contamos com VCS!
Um abraço,
Andrea de Freitas,
Coord. Observatório de Comunicação Cidadã - Agência da Boa Notícia Guajuviras,
Diretoria Pronasci,
Secretaria Municipal de Segurança Pública com Cidadania - Prefeitura Municipal de Canoas - RS.
8 de setembro de 2010
Araponga do Piratini
Espionagem política
27 de maio de 2010
O DEVER DE DIZER NÃO E A CORAGEM DE DIZER BASTA.
Por Adão Paiani*A omissão do Secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, General Edson Goularte frente às denúncias contra a atual direção da Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE), teve o seu capítulo mais vergonhoso na decisão de manter no cargo o superintendente, Mário Santa Maria Júnior.
Para Goularte, a revelação que Santa Maria e assessores; ocupantes dos principais cargos de confiança da Superintendência, e agentes a eles ligados; são réus em crimes como tortura e corrupção, são insuficientes para justificar sua saída. O atual superintendente continua no cargo, e prestigiado.
A decisão do General Secretário não significa, necessariamente, não ser ele um homem de bem. Mas certamente indica que coragem não é característica a qual seja afeiçoado; ou teria pedido demissão do cargo que ocupa com notória inapetência e visível incompetência.
Essas características de Goularte já haviam feito a rotina administrativa do órgão ser absorvida por seu Chefe de Gabinete, Coronel Paulo Renato Biacchi Rodrigues; figura que realmente manda no prédio da Voluntários da Pátria. Como capitulação final, agora o Secretário decide transferir de fato suas funções e permitir que sejam exercidas a partir da ante-sala da Governadora do Estado, pelo Chefe de Gabinete desta, o notório Ricardo Lied.
Ricardo Lied, violador do Sistema de Consultas Integradas, dentre outros crimes – impune graças ao colega de Governo e Partido, Francisco Luçardo -, garantiu no cargo Santa Maria; seu afilhado político, com quem mantém relação umbilical; comprovada no episódio envolvendo a “visita” de ambos ao ex-presidente do Detran, Sérgio Bucchmann, quando, ilegalmente, intrometeram-se numa operação policial, pondo em risco a vida dos agentes envolvidos.
A covardia e falta do senso de dever de homens como Goularte, deixa a segurança de toda uma população à mercê de gente como Lied. Tolerando o intolerável, o General Secretário envergonha a trajetória que o conduziu ao generalato-que deveria ser um indicativo de postura mais digna à frente do cargo que hoje ocupa-, e acaba se misturando aos frutos de uma árvore envenenada.
O poder de Ricardo Lied e sua afrontosa impunidade mostram quem realmente manda na segurança e no Estado; e dá a perigosa impressão que a única diferença entre os recolhidos ao sistema prisional e aqueles que deveriam guardá-los é o lado das grades em que se encontram.
A utilização política dos órgãos policiais ocorre em todo o Estado, numa subversão total da lei, da ordem e dos valores mais elementares da moralidade pública; causados pela desídia de quem não cumpre seu dever e covardia que impede dizer basta.
A frase do início, numa tradução livre, “um homem deve cumprir o seu dever, não importando os obstáculos, não importando as conseqüências pessoais, o perigo ou a pressão. Essa é a base de toda a moralidade humana.”, poderia inspirar a reação, ao lembrar os valores perdidos de uma sociedade que permite ser comandada por delinqüentes.
*Advogado
Imagem: via Google
29 de março de 2010
Sobre a foto do Clayton de Souza II

Foto: Blog A Carapuça

Marcha do MST, 24/07/2008
Foto: Blog Ponto de Vista

Marcha Fórum dos Servidores Públicos Estaduais do Rio Grande do Sul (FSPE/RS) e outras entidades, 30/04/2009
Fotos: Blogues Cel3uma e RSurgente
Outro fato gravíssimo, talvez o mais importante de tudo, a se confirmarem os rumores de que a polícia infiltrou P2 na manifestação dos professores, diz respeito há uma possível ação terrorista, que seria perpetrada por um policial e que foi impedida pelos próprios professores. É impressionante, como as polícias brasileiras ainda se comportam como se estivessem em plena ditadura! E mais impressionante ainda, é que existe gente capaz de obeceder uma ordem como essa! Mesmo depois do que aconteceu no Rio Centro.
Se Serra sabia, ou não sabia dessa ordem, é irrelevante. O fato é que ele é o governdador do estado de SP e, portanto, responsável por tudo aquilo que acontece em seu governo. Especialmente abuso de poder do aparelho do estado e das decorrências que isso possa gerar.
Aos poucos, as coisas vão se aclarando sobre esse episódio.
Leia também matéria do Portal Vermelho sobre as arbitrariedades do Governo Serra, durante a manifestação de professores na capital AQUI.
O Ficha Corrida também publicousobre "paramilitares" dos "dois governos desastrados do PSDB": RS e SP. Leia AQUI.
Atualizado às 4h27min.
13 de fevereiro de 2010
O espetáculo deprimente da BM em tempos de PSDB no RS
Do blog Tomando na Cuia, imagem de Marcio Schenatto [divulgação]:Segundo Assis, a manifestação é pacífica e visa melhorar distribuição do Programa de Participação nos Resultados (PPR). Os funcionários alegam que essa unidade da empresa recebeu um valor menor se comparado a que os trabalhadores das outras empresas do grupo receberam.
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11 de novembro de 2009
Atentado em carro-forte no RS
Denuncia o blog Tomando na Cuia:
Apagão na Serra

26 de outubro de 2009
A queda do helicóptero e os problemas insolúveis do Rio de Janeiro

No sábado dia 17 de outubro o Brasil foi lembrado de que sua antiga capital, com mais de 6 milhões de residentes, é um conjunto de territórios retalhados pela disputa de domínio e soberania de poderes formais e paralelos. O ataque executado por narcotraficantes e que resultou na derrubada de um helicóptero da Polícia Militar (PMERJ), no Morro dos Macacos, no bairro de Vila Isabel, Rio de Janeiro, não é uma exceção à regra do cotidiano de cariocas (moradores da capital do estado) e fluminenses (residentes no antigo Estado do Rio). Todo o Grande Rio, ultrapassando os 10 milhões de habitantes, vivem um cotidiano de não-governo em espaços geográficos onde o Estado entra de forma negociada ou à força. Conforme afirmam a maioria dos especialistas e repórteres da editoria de polícia, derrubar um helicóptero com arma de grosso calibre implica um aumento em escala e não da natureza do conflito. Vejamos.
Breve retrospectiva da história que se repete
A invasão de morros dominados por redes de quadrilhas rivais, cujo eufemismo da mídia corporativa insiste em chamar de “facções criminosas” como se isso resolvesse algo, é um costume na cidade. Desde o final dos anos ’70 que duas redes de quadrilhas se organizam por laços de coação e coerção de dentro do sistema penal e levam suas lealdades e associações para os morros da cidade. As mais conhecidas, o Comando Vermelho (CV) e seu eterno rival, Terceiro Comando (TC), já deram em dezenas de desdobramentos, cujo ramo mais conhecido é a Amigos dos Amigos (ADA). No início dos anos 2000, a ação de para-policiais evolui em forma organizada e, com o beneplácito das forças da “ordem” (protagonizadas pelo Comando Azul, a cor do uniforme da PMERJ), instaura o regime de “milícias” (para desgraça dos milicianos da Revolução Espanhola dentre outras formações de tipo povo em armas), dominando áreas de comunidade de favela.
O uso de caminhões-baú, aplicando táticas de tipo “cavalo de tróia” é empregado desde a guerra no Complexo da Maré (conjunto de 13 favelas, mais de 100 mil pessoas, localizado ao lado dos aterramentos da Baía de Guanabara), entre 1999 e 2000, quando veteranos da guerra civil angolana operaram a serviço do TC contra uma das redes do Comando Vermelho. Já o desvio de armas de uso exclusivo das Forças Armadas (FFAA) é outra constante, uma vez que o Rio segue concentrando quartéis militares das três forças e absorvendo em larga escala a mão de obra temporária de jovens em idade de serviço militar obrigatório. Ao serem dispensados das FFAA como reserva não-remunerada, alguns tem um nível técnico profissional, servindo em unidades operacionais como a Brigada de Infantaria Pára-quedista (BPqd). Ao saírem da caserna, muitos são empregados como soldados do tráfico. Por distintos motivos, o Rio segue sendo um centro militar de importância, embora a zona deflagrada para controle de fronteiras não esteja na antiga capital. O que gera esse contra senso? Um costume de militarizar a cidade, no convívio de vizinhos entre quartéis e locais sob comandos outros que não o do Estado de Direito sob regime de democracia liberal burguesa. Os efeitos de tamanho desvario se notam na presença de armas de grosso calibre nas mãos de menores de idade, com pouca ou nenhuma escolaridade e mínima expectativa de vida.
Já a passagem de comboios de homens armados numa cidade como essa, revela algo de maior profundidade. Com a tecnologia de GPS, a instalação de radares e os grupamentos táticos móveis, é praticamente impossível que os “bondes” não sejam notados. Os “bondes” são formados por caravanas de automóveis, caminhonetas e até caminhões baú (do tipo caminhões de mudança de longa distância) e trafegam sem discrição. Embora não se pode afirmar de forma leviana que houve conluio na tentativa de invasão do último fim de semana (sábado dia 17 e domingo 18 de outubro), mas no mínimo negligência. 150 homens armados não trafegam na segunda cidade mais importante da 11ª economia do mundo sem serem notados por profissionais da segurança pública. Aí há um problema de fundo, incluindo o aproveitamento político das operações policiais e a fragmentação das forças de segurança, tão ou mais responsáveis pela guerra de favelas do que as redes de quadrilhas que a mídia corporativa insiste – equivocadamente – em denominar de crime “organizado”.
Raízes do problema
Não é por falta de militarização que a cidade vive sob pânico. Há milico de sobra, a começar pelo absurdo de termos como policiamento ostensivo uma força descendente do Guarda Real de Polícia (nascida em 1809) e cuja obra magistral foi despejar moradores do Rio para alojar os fujões da família real portuguesa que cruzaram o Atlântico correndo de medo da invasão da França napoleônica. No Brasil, vivemos sob o segundo absurdo de ter a polícia judiciária (a Civil) coexistindo com uma força castrense com patentes e hierarquias semelhantes à infantaria do Exército. Isto tem de dar errado, porque é feito para criar injustiça e violência estatal.
O convívio e influência de militares profissionais e conscritos com o universo policial e da bandidagem fornece a representação ideológica que motivará a carne de canhão que usa uniforme. Não por acaso, o famoso e temido Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da PMERJ realiza seus primeiros treinamentos dentro da unidade dos Toneleros, batalhão de elite da Força de Fuzileiros de Esquadra do Corpo de Fuzileiros Navais. Em ocasiões recentes, chegaram a ensaiar o emprego ostensivo e permanente da BPqd para a segurança no Rio. O desastre só iria aumentar.
Sendo direto, a verdade é que tanto a capital como sua Região Metropolitana vive um estado cotidiano de guerra civil, motivada pelo controle clássico de território, o que inclui sua população, recursos e o próprio terreno. O descaso vem de antes, da década de ’50, quando os esforços por urbanização não levaram em conta os moradores de morros. Já os morros, nascem no final do século XIX e aumentam a população com os despejos em massa de cortiços e mocambos cujo ápice foi a Revolta da Vacina (1904). Durante o período da ditadura militar (1964-1985) nada se fez para melhorar as condições de vida daqueles que sobreviviam em condições precárias – com desemprego estrutural - e numa forma de vida razoavelmente autônoma para com o Estado em seus distintos regimes. E, para desespero coletivo, a situação de controle territorial por parte de quadrilhas organizadas em torno da baixa economia do tráfico se agrava desde 1983! No meu entendimento, esta é a raiz de todos os problemas de ordem pública da “Cidade Maravilhosa”.
Em busca de conclusões possíveis
Pode parecer um pensamento extremo, mas em situações como as do Rio, somente as soluções extremas são possíveis de serem aplicadas. Vale lembrar que o descontrole também é um ramo importante de negócios. As forças da “ordem” do Rio sempre coexistiram com o Jogo do Bicho. O perigo constante era o de bandidos independentes, com atenção especial para os assaltantes de banco. Esse é o período anterior às lealdades de falanges da cadeia que vieram a se transformar em “comandos”.
O desmando é filho da desigualdade com a injustiça. Isto porque a violência policial-estatal, a que garante a impunidade do andar de cima da sociedade brasileira, é a mesma que regiamente cobra o arrego semanal dos gerentes de boca de fumo e fornece mão de obra para as “milícias”. No quesito ordem urbana, trata-se de uma forma de vida e amplo setor de economia organizada em paralelo ao sistema impositivo. O fornecimento de serviços, indo além da venda de drogas ilegais, complementa a renda e lavam o dinheiro do tráfico ou da extorsão para policial. Implicam em fornecimento de gás, no transporte de passageiros em Vans e Kombis, redes de gatos nos pontos de energia e cabeamento pirata das TVs por assinatura. Na hora do negócio, o braço armado do Estado em paralelo “vende” os morros de porteira fechada, com a população e o quociente eleitoral dentro.
Seria necessário um amplo e profundo movimento civil dos moradores dessas áreas, como foi na época da Abertura, quando a Federação de Associações de Moradores de Favelas (Faferj) era um espaço massivo de luta popular, indo além da corrida eleitoral a cada dois anos. Tampouco bastariam maquiagens ou obras inacabadas como o antigo projeto Favela Bairro, todos sabem que o problema é de ordem estrutural.
Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU).
Imagem: Globo [Legenda: Natalino, Jerominho, Carminha, Quebra-Ossos, Sprinter, Fazendinha e outros ignóbeis fazem parte da solução para-estatal no quesito ordem política e social. Os para-policiais dominam e executam em lugar da força do Estado e tomam conta de territórios para se locupletarem e ao mesmo tempo colaborarem com os poderes vigentes. ]
21 de outubro de 2009
Três perguntas a Adão Paiani*

Decidimos, então, enviar-lhe três perguntas, cujas respostas vocês conferem abaixo:
Dialógico: 1. Qual a sua visão da mídia antes dos fatos que o levaram a escrever para a blogosfera?
Adão Paiani: Não era diferente da que tenho agora. Sempre tive muito clara a existência de uma relação absolutamente promíscua entre a grande mídia, e não apenas entre essa, como corporações, mas também individualmente entre determinados jornalistas e comunicadores, e os mandachuvas do momento, sejam eles quais forem. O poder e suas benesses têm um fantástico poder de atração. Não vamos nos esquecer que mídia é business; e se a essa visão somar-se uma falta de compromisso com a verdade e o interesse da sociedade; já sabemos no que dá.
Olhando para trás e analisando fatos da história recente do nosso país, como a campanha pela anistia, pelas diretas, o impeachment do Collor; é fácil constatar que eles só ganharam manchetes nas primeiras páginas quando não havia mais como segurar, desconstituir ou ignorar o apelo das ruas. Mas até o último segundo, as mídias e profissionais comprometidos com o establishment, defenderam os interesses de quem lhes acenava com polpudas verbas de publicidade, e outras coisas mais, em troca de uma pauta domesticada, covarde e conivente. O que menos interessa para essa gente é o interesse público. Aí querer falar em imprensa livre num contexto desses é conversa mole pra boi dormir.
D: 2. Em que momento o senhor percebeu que seria necessário escrever para a blogosfera?
AP: Há bastante tempo que eu já acompanhava determinados blogs. Gosto da discussão livre de idéias e a interação entre quem escreve e quem lê e opina. É um espaço plural, de exercício dialético e que cada vez mais pelas suas características se transforma em um instrumento poderoso de disseminação de idéias.
A mídia convencional mantém com seus colaboradores uma relação igualmente convencional. O espaço para exercício de uma visão crítica é muito limitado e condicionado aos interesses dos quais falei anteriormente. Como permitir a crítica ao anunciante? Como apontar as falhas dos poderosos, quando essa relação de poder pauta, dentro de um veículo convencional, o que deve ou não deve ser publicado; deve ou não deve ser mostrado?
No meu caso pessoal, a busca pela blogosfera foi uma conseqüência natural do processo que vivenciei quando de minha saída do governo. Saí de um governo que, não contente em afastar fisicamente quem se contrapõe a suas práticas criminosas, também busca desacreditar e silenciar os desafetos. E sabe que tem poder para isso na mídia corporativa. Só que, sem falsa modéstia, comigo eles tomaram o bonde errado; pelo simples fato de que tenho o que dizer, e sei como dizer.
Pensando que me silenciariam com a mera exoneração de um cargo e com a certeza de que não teria espaço nos espaços que eles dominam; acabaram abrindo caminho para que eu pudesse expressar minhas idéias a um público qualificado, formador de opinião e que pode ser atingido rapidamente, sem intermediários, com a possibilidade de um debate enriquecedor.
D: 3. Como avalia a relação da mídia corporativa com os acontecimentos envolvendo a política no RS?
AP: Promíscua, indecente, imoral, abjeta, vergonhosa; e por aí eu poderia ficar desfiando um corolário de outros qualificativos de igual calibre. Mas também não é pra menos. O que o Governo YRC tem despejado de dinheiro na mídia guasca é algo que duvido tenha precedentes desse porte.
Temos hoje dois tipos de posicionamento da imprensa gaúcha com relação às denúncias contra Yeda e sua quadrilha. Uma parte finge exercer um jornalismo imparcial; na base do “morde, assopra”, muito mais assoprando do que mordendo. A outra descaradamente defende o pior governo da história do Rio Grande, sem se ater a tudo que já foi provado e faz uma leitura Orwelliana da realidade; onde mentira é verdade, promiscuidade é pureza, falta de caráter é valor.
Mas é claro que não podemos creditar à permanência de Yeda e sua quadrilha apenas aos seus lacaios da imprensa. Como disse no início, por mais que exista essa relação espúria entre governo e mídia corporativa, a voz e a pressão das ruas sempre poderão falar mais forte.
O que temos é uma conjunção de fatores; um ambiente que favorece a um governo de ratos se manter a tona. Além da mídia, uma base parlamentar comprada por um valor em muito superior ao que realmente vale; e uma opinião pública que não se manifesta com a veemência que deveria. Sem tomada de consciência da sociedade, e uma verdadeira mobilização popular, continuaremos a ser espoliados até o fim. E ainda mais além.
*Adão Paiani, advogado e ex-Ouvidor da Secretaria da Segurança Pública do Governo YRC, exonerado após ter denunciado vazamento de escutas do Sistema Guardião.
Foto: Guerreiro/AG AL.
24 de setembro de 2009
Declaração sobre democracia é aprovada no Rio por aclamação
RECONHECENDO:
- que a democracia traduz-se em patrimônio dos povos latino-americanos;
- que o desenvolvimento das nações, por meio de transformações sociais, com transições lentas, por vezes dolorosas, legitima o processo democrático ainda em curso em vários países, inclusive nos da América Latina;
- que tais países vivenciam os efeitos da transição de Estados de fato, outrora vigentes;
- que é inegável que os períodos de ditadura produziram um passivo negativo caracterizado por um legado de dividas jurídicas, éticas, políticas, sociais e culturais a seus povos, inclusive regionalmente;
- que os Estados devem, permanentemente, reprimir as práticas de tortura, sob todas as formas de que pode se revestir o fenômeno;
- que os mecanismos e iniciativas voltados à reparação do legado de violação a direitos humanos devem ser combinados com políticas públicas para a memória e a educação, sem perder de vista a necessidade de feitura de justiça para a plena consolidação do Estado de Direito;
- o valor da dignidade da pessoa humana como sustentáculo das democracias e que estas não se efetivarão plenamente enquanto não forem supridas as necessidades básicas dos cidadãos, sejam alimentares, de saúde, educacionais, ambientais e de segurança;
- que as políticas sociais preventivas de segurança, aliadas às legitimas políticas repressivas do Estado, garantem o direito social fundamental à segurança e o aperfeiçoamento da cultura democrática, com desenvolvimento social;
- por fim, que os debates e reflexões realizados no seminário em questão, certamente direcionarão o necessário processo de materialização efetiva de Estados Sociais Democráticos de Direito,
DECLARAM:
- Repúdio às novas formas de subversão, inclusive terroristas, que atentam contra os valores democráticos e soberanos na América Latina;
- O crime organizado transnacional e o poder de corrupção que lhe dá vida constituem ameaça ao desenvolvimento das nações;
- Sejam reconhecidos os avanços sociais e de enfrentamento à criminalidade, com foco no desenvolvimento sustentável, por meio do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Brasil, e outras experiências regionais exitosas, referências de boas práticas a serem seguidas pelos países da América Latina;
- Seja reconhecida a necessidade de articulação e trabalho conjunto dos entes nacionais, sob a concepção inovadora de gabinetes de gestão integrada;
- Seja estabelecida a concepção de que as fronteiras entre os países são elementos de integração e reforço da soberania;
- A necessidade de permanente e integrada efetivação de políticas transicionais no Continente;
- A criminalidade organizada, que não reconhece fronteiras, somente será enfrentada com o somatório de esforços nacionais, regionais e internacionais, especialmente dirigidos ao tráfico de drogas, de armas, de pessoas e à lavagem de dinheiro;
- Repudiar a politização do crime organizado, desestabilizadora dos regimes democráticos e atentatória à soberania dos países e da America Latina;
ENCAMINHAM:
- Que haja continuidade do diálogo firmado na área da segurança, inclusive pública;
- Que são necessários novos encontros e, por sugestão do Excelentíssimo Senhor Júlio César Alak, Ministro da Justiça, Segurança e Direitos Humanos da República Argentina, que o Segundo Seminário Internacional “Democracias em Mudança na América Latina” seja sediado naquele País.
Rio de Janeiro, 18 de setembro de 2009.
Imagem: Issac Amorim









