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17 de dezembro de 2010

Hoje é o Dia do Pampa!

Informa o blog da ONG CEA - Centro de Estudos Ambientais:


Já que hoje é o dia do Pampa, bioma brasileiro localizado apenas no Rio Grande do Sul (mas que se estende até Uruguai e Argentina), convidamos a todos e todas para apreciar belas imagens desse bioma que  devemos seguir lutando para preservar e conservar.
Para nós do CEA, preferencialmente longe de se tornar um  deserto verde de eucalipto para celulose e afins…

Confira a exposição virtual AQUI.




1 de outubro de 2010

Relação entre as Regiões 6 e 8 de Porto Alegre

Dificuldades atuais e ameaças graves para futuro próximo
 
Uma avaliação articulada do estudo e formulação das propostas das organizações das Regiões RP8 e RP6 de nosso município de Porto Alegre são muito claras nas profundas dificuldades que vivem e a possibilidade desta realidade tornarem-se muito mais agudas, em decorrência da manutenção de uma dinâmica de desenvolvimento em toda nossa área urbana porto-alegrense, que afeta diretamente as duas regiões.

O surgimento de automóveis e outros modos de deslocamento representam um aumento complementar destas dificuldades. A verdadeira essência das dificuldades está concentrada em uso do solo com muitos erros, iniciando de obras de habitação em áreas sem geração de capital e de ocupação da mão de obra. Da mesma forma muito limitada no conjunto de equipamentos e serviços sociais necessários como educação, saúde, saneamento com esgoto e água em condições adequadas. Também devemos considerar a absoluta falta de cuidado com lazer, preservação da memória da história local e inclusive com problemas muito sérios de meio ambiente em decorrência da absoluta falta de respeito como a construção em terrenos que são impossíveis, por exemplo, até em restingas.

A composição física e populacional destas duas regiões na cidade de Porto Alegre é enorme desde o ponto de vista físico, agregada com enormes espaços urbanos vazios, e uma população da mesma forma muito grande e que cresce de maneira muito acentuada, embora a população de Porto Alegre em seu todo tenha um aumento bastante reduzido. Esta contradição demonstra outro aspecto social que exige atuação estatal, no caso da Prefeitura, para corrigir. É o deslocamento social sem ordenamento nenhum.

As dificuldades já existentes são de origem antiga e correspondem a orientações políticas concretas. No período do autoritarismo de nosso país, com o objetivo de melhoria urbana em outras regiões da cidade, como a construção da avenida da Primeira Perimetral, em outras ocasiões mais com a intenção de capitalizar o Brasil através de investimentos do exterior e amenizar as dificuldades financeiras do país.  Amplos setores da população foram deslocados com violência do centro histórico ou da cidade baixa para a construção de um bairro mais a sul de Porto Alegre, depois denominada Restinga.

Atualmente temos na Região 8 uma enorme dificuldade de sua população com o objetivo de encontrar geração de emprego, serviços de escola, saúde e tudo o mais que já sistematizamos para a vida urbana. Ocorre que estas deficiências fazem que a população local gaste uma quantidade enorme em deslocamento e transfira fluxos de transporte enormes para a região seguinte a RP6.

Fica evidente que as duas regiões carecem de maneira enorme de todos os serviços e gastem uma quantidade significativa em transporte. É evidente que além de todas as dificuldades de vida as perspectivas de desenvolvimento social no futuro é simplesmente péssimo. Não é por acaso que em nosso país estamos adotando soluções “compensatórias” nas grandes cidades para superar estas barreiras de evolução para a população mais pobre.

É grave e devemos entender que esta dinâmica de crescimento tem sido estimulada de diversas maneiras. A compra do solo urbano nestas regiões ainda é mais barato ou não existe motivação de aproveitamento de outras áreas urbanas que eventualmente podem ser um pouco mais caros, mas que já tem todos os serviços instalados. Na verdade no final torna-se até mais barato, como investimento e mais ainda na manutenção da cidade. Este aproveitamento não é de interesse porque outros investimentos para outros setores sociais e com custo de construção diferenciado poderiam ter alguma vantagem ou desvantagem imediata.

São faltas de políticas para o desenvolvimento urbano de Porto Alegre. Não é só o nosso Plano Diretor, mas as políticas específicas como Habitação Popular.  Em tempos recentes tivemos iniciativas de aproveitamento e restauração de prédios para habitação Popular no Centro Histórico e outros bairros com o crescimento mais lento embora com os serviços públicos e as demandas urbanas já instaladas. Infelizmente esta política não se manteve e novos investimentos em regiões pouco qualificadas estão sendo feitas tanto por motivações estatal como particular. Não é casual que a RP8 cresça 4,5% ao ano, muito mais que a cidade. Agora é urgente colocarmos novas políticas de desenvolvimento urbano, particularmente aproveitando o enorme investimento federal em habitação popular.
                                                                      

                                                                                  Jaime Rodrigues.
                                                                       Representante do IPES no CNDUA
Porto Alegre, 27 de setembro de 2010.

22 de setembro de 2010

LANÇAMENTO DO MANIFESTO E PLATAFORMA SOCIOAMBIENTAL – ELEIÇÕES 2010

Por um outro modelo mais justo, fraterno e sustentável, que aponte para uma vida com dignidade e felicidade para todos!

O Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente -  MOGDeMA, espaço apartidário de articulação socioambientalista e que congrega organizações, cidadãos, movimentos sociais e sindicatos, juntamente com a Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente - APEDeMA, instância que congrega as entidades ecológicas do Rio Grande do Sul, convidam para ato de lançamento do Manifesto Socioambiental e Plataforma Socioambiental – Eleições 2010.

O lançamento público dos documentos acontece dia 23 de setembro, na Assembléia Legislativa/RS, Sala do Fórum Democrático

Data: 23 de setembro - Quinta-feira
Horário: 11 horas
Local: Sala de Reuniões do Fórum Democrático - Espaço Convergência - Térreo
Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul - Praça Marechal Deodoro, 101.

Convidam:
Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente – APEDeMA/RS
Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente - MOGDeMA

28 de agosto de 2010

Ovos podres e nossa democracia rompida

28 de agosto de 2010, coluna semanal de Amy Goodman

Qual é a relação entre 500 milhões de ovos e a democracia? A retirada em massa de ovos infectados com salmonela do mercado de consumo, o maior recolhimento de produtos primários na história dos Estados Unidos, permite-nos ver o poder que as grandes corporações transnacionais têm. Poder este que se exerce não apenas sobre nossa saúde, senão também sobre nosso governo.

Ainda que sejam muitas as marcas retiradas do mercado de consumo, todas estas podem ser rastreadas até chegar a só duas granjas de produção de ovos. Cada vez mais, a provisão de alimentos está em mãos de enormes companhias, crescendo vertiginosamente, e que exercem um enorme poder sobre nosso processo político. A mesma situação que ocorre com a indústria alimentícia, dá-se também com as petroleiras e os bancos: são corporações gigantescas (algumas com orçamentos superiores a maioria dos países do planeta), estão controlando nossa saúde, nosso meio ambiente, nossa economia e, cada vez mais, nossas eleições.

O surgimento de salmonela é só o episódio mais recente de uma série de outros que demonstra uma indústria alimentícia desenfreada. Patty Lovera, subdiretora do grupo pela segurança alimentar Food & Water Watch, me disse: “Historicamente, sempre tem havido resistência por parte da indústria a todo tipo de norma de segurança alimentar, seja esta ditada pelo Congresso ou por outros organismos governamentais. Existem grandes associações comerciais para cada setor de fornecedores dos nossos alimentos, desde os grandes produtores agroindustriais até as lojas produtos comestíveis.”

Os ovos contaminados com salmonela provinham de apenas duas granjas com porte de fábrica, a Hillandale Farms e a Wright County Egg, ambas do estado de Iowa. Por trás deste surgimento da doença está o empório do ovo de Austin “Jack” DeCoster. DeCoster é proprietário da Wright County Egg e também da Quality Egg, provedora de frangos e de alimentos para frangos das duas granjas de Iowa. Patty Lovera afirma que: “DeCoster é um nome que se escuta muito quando alguém começa a falar com conhecedores da indústria do ovo ou com pessoas que provem dos estados de Iowa, Ohio ou dos outros estados em que DeCoster opera. Por isso achamos que DeCoster é o perfeito exemplo do que sucede quando temos este tipo de concentração e produção em grande escala. Não se trata só de segurança alimentar ou só de dano ambiental ou do tratamento que recebem os trabalhadores. Quando estamos em frente a este tipo de produção em massa, responsável por enormes quantidades e variedades de nossos alimentos, se trata de um pacote completo de efeitos colaterais negativos.”

A agência de notícias Associated Press produziu um resumo das violações às normas sanitárias, de segurança e de leis trabalhistas presentes nas operações de DeCoster com ovos e porcos em vários estados. Em 1997, a empresa DeCoster Egg Farms aceitou o acordo da Justiça e resolveu de pagar uma multa de dois milhões de dólares pouco depois que o então ministro de Trabalho Robert Reich qualificou sua granja de “tão perigosa e opressora como qualquer empresa maquiladora (ver nota 1 no final do texto). Em 2002, a companhia de DeCoster pagou USd 1 milhão e meio de dólares para chegar a um acordo fruto de uma demanda legal apresentada pela Comissão Federal de Igualdade de Oportunidades Trabalhistas, que representou judicialmente contra a empresa, em defesa de mulheres mexicanas que informaram ter sido submetidas a assédio sexual, inclusive violação e estupro, incluindo abusos e represálias por parte de seus supervisores. Este verão, outra companhia vinculada a DeCoster teve de pagar USd. 125 mil dólares ao estado de Maine por ser acusada de trato cruel contra os animais.

Apesar de tudo isto, DeCoster tem prosperado no negócio de ovos e porcos, o que o põe à altura de outras grandes corporações transnacionais, como a British Petroleum (BP) e os grandes bancos. O derramamento de petróleo da BP, o maior na história deste país, esteve precedido por uma longa lista de fatos criminosos e graves violações às normas de segurança no trabalho. Sendo que todas estas denúncias já datam de vários anos. Um dos mais conhecidos destes atos foi a grande explosão da refinaria da cidade de Texas, desastre esse que custou a vida de quinze pessoas no ano 2005. Se a BP fosse uma pessoa física (um cidadão qualquer), teria ido a prisão faz muito tempo.

A indústria financeira é outro delinqüente crônico. Pouco tempo após o maior desastre financeiro mundial (desde a Grande Depressão iniciada com o Craque da Bolsa de Valores de Nova York em 1929), bancos como Goldman Sachs, cheios de dinheiro depois resgate financeiro governamental - quando os cofres públicos jorraram dinheiro para a salvação da Banca - interferiram no processo legislativo que justamente os tentava controlar.

O resultado foi um novo e amplamente ineficaz organismo governamental de proteção ao consumidor, além de uma implacável oposição à designação, para a direção deste organismo, da defensora dos direitos do consumidor Elizabeth Warren, que seria a pessoa quem supervisionaria aos bancos tanto como o novo organismo lhe permitisse. Este é o motivo pelo qual se opõem a sua designação os banqueiros, dentre eles, Timothy Geithner e Larry Summers. O primeiro foi nomeado pelo Presidente Obama nomeou como Secretário do Tesouro e Assessor Econômico.

Permite-se às corporações transnacionais operar praticamente sem supervisão e nem regulação. Permite-se que o dinheiro das grandes empresas exerça influência sobre as eleições, e por tanto, sobre a conduta de nossos representantes. Depois da decisão da Corte Suprema no caso apresentado pelo grupo de direita Citizens United, permitindo doações corporativas ilimitadas às campanhas, o problema vai de mau em pior. Para ser eleitos e manter no poder, os políticos deverão satisfazer mais e mais a seus doadores empresariais. Se poderia dizer que o lobo vigia ao galinheiro (e aos ovos podres que há nele). No entanto, há esperança. Existe um crescente movimento para reformar a constituição dos Estados Unidos, para tirar das corporações transnacionais o status legal de “pessoa jurídica”, conceito pelo qual estas empresas têm os mesmos direitos que as pessoas normais.

Isto faria que as corporações estivessem sujeitas à mesma supervisão que existiu durante os primeiros cem anos da história dos Estados Unidos. Mas para que as pessoas sejam as únicas com direito à participação política será necessário um verdadeiro movimento de base, dado que o Congresso e o governo de Obama parecem não ser capazes de implantar nem sequer as mudanças mais básicas. Como diz o refrão: “para se fazer um omelete, é preciso quebrar alguns ovos”.

1 Observação do tradutor: maquiladoras são empresas de montagens de peças industriais localizadas na fronteira entre os EUA e o México, que basicamente emprega mulheres, paga salários aviltantes e oferece tratamento desumano.


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Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna.


© 2010 Amy Goodman: Âncora de Democracy Now!, um noticiário internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de rádio e televisão em inglês e em mais de 250 em espanhol. É co-autora do livro "Os que lutam contra o sistema: Heróis ordinários em tempos extraordinários nos Estados Unidos", editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur.

Texto traduzido do castelhano e revisado do original em inglês por Bruno Lima Rocha; originalmente publicado em português por Estratégia & Análise. É livre a difusão em língua portuguesa, desde que citando a fonte do original e neste idioma.

Imagem: The Quality Egg of New England, uma das gigantescas empresas de Austin “Jack” DeCoster, empresário da alimentação e acusado de ser o responsável final pela praga de salmonela nos ovos. Tal como no ramo alimentício, a concentração produtiva e de poder, faz com as corporações transnacionais estejam acima da cidadania.

27 de agosto de 2010

Patagônia: vende-se o fim do mundo*


21/8/2010, Pepe Escobar, Asia Times Online,
reproduzido em Huffington Post

No glaciar Perito Moreno. A "deserta e estéril” Patagônia (na avaliação inicial de Charles Darwin), são nada menos que 230 mil quilômetros quadrados de bacias de rios que deságuam no Atlântico. São 4.000 quilômetros quadrados de gelo continental e glaciares – além de uma das maiores reservas de água doce do planeta.

Vivemos hoje os estágios avançados de uma guerra global sem fim à caça de petróleo e gás (há dos dois, aliás, na Patagônia). Relatório crucial da Unesco, em 2000, já avisava que, nos 50 anos seguintes, praticamente todos os seres que habitam o planeta enfrentariam problemas relacionados à falta de água ou à contaminação de grandes massas de água. Quando eclodir a Grande Guerra das Águas – esperada para 2020 – essa Patagônia de lagos azuis translúcidos e glaciares milenares será posta a prêmio; ter água implicará riqueza infinitamente maior do que, hoje, ter petróleo ou gás.

Mentes analítico-bélicas no Pentágono e na Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA não conseguirão deter os sonhos molhados de uma Patagônia secessionistas, que será uma espécie de última Arábia Saudita líquida da Terra; população rarefeita (menos de 2 milhões de habitantes), com toda aquela água, abundantíssima energia hidrelétrica e 80% das reservas de petróleo e gás natural da Argentina. O grau de descaso e negligência de que se ressentem os habitantes da Patagônia, em relação a Buenos Aires, pode ser comparado ao que se sente no Baluquistão, no Paquistão, em relação a Islamabad. Pesquisas recentes mostraram que o desejo de viver numa Patagônia independente sempre está acima de 50% (e chega a 78% entre os mais jovens e os desempregados).

Descrição de uma rota de colisão e desastre, de quatro séculos de “desenvolvimento” patagônico, teria aproximadamente o seguinte feitio. No começar foram os povos nativos. Depois vieram os navegadores ibéricos, os piratas ingleses, todos os tipos de aplicados cientistas europeus, os missionários religiosos, os exilados que sonhavam fazer da Patagônia uma versão austral da América. Então chegaram os latifundiários – do Chile ou da Holanda, de Gales ou da Polônia, de Escócia ou Dinamarca. Livrar-se das populações nativas foi colonialismo nu e cru; os patagônios do norte foram exterminados da infame, eufemística, Campanha do Deserto, de 1879; os do sul foram convertidos, à força, em força de trabalho para o agro-business. E então, nos anos 1990s, chegaram os bilionários do Primeiro Mundo.

Como bem o sabem todos os bilionários encantados com a vida selvagem e seus executivos corporativos enfarpelados, a venda da Patagônia começou em 1996, no governo do ultra-neoliberal Carlos Menem. Em suas próprias palavras, Menem desejava vender “o excesso de terra” do país que presidia. Não há legislação federal, na Argentina, que regule a venda de terras a estrangeiros. Só no final da década dos 1990s, venderam-se mais de 8 milhões de hectares de terra. Segundo o exército argentino, mais de 10% do território nacional argentino pertence hoje a estrangeiros – e as vendas prosseguem. O problema não é a venda; o problema é o controle, virtualmente nenhum, sobre os projetos propostos para investimento.

Se você for abonado, ainda comprará o que quiser, onde quiser – inclusive as áreas dos espetaculares parques nacionais. Cada província fixa regras próprias. Se você encontrar o funcionário certo e levar com você a mala certa carregada com os dólares certos, o mundo – à moda de Tony Montana** – é seu. Não surpreende que praticamente todos os moradores das províncias de Rio Negro ou Santa Cruz digam que o gabinete do prefeito é a principal agência de venda de terras da cidade. Os mesmos moradores inevitavelmente lamentam que a Patagônia esteja sendo comprada por estrangeiros – de Ted Turner à família Benetton. E duas das maiores empresas de petróleo da Patagônia pertencem a estrangeiros; uma delas, estatal, foi vendida à Espanha; a outra, privada, à Petrobrás brasileira.

Andando sobre as águas

Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse – versão local, no fim do mundo – são Tompkins, Turner, Lewis e Benetton. São a safra do século 21 dos conquistadores, aventureiros e piratas da Patagônia – de Francis Drake e George Newbery a Butch Cassidy e Sundance Kid (o rancho deles continua lá, em Cholilla, resto de pueblo que combinaria perfeitamente no cenário das áreas mais miseráveis do Novo México). Os estrangeiros sempre sonharam com esse fim do mundo. A beleza violenta desse lugar – como adiante se verá – leva às lágrimas muito homem feito.

Doug Tompkins é guru ‘verde’ californiano, fundador de duas organizações, The North Face e Esprit. Na Patagônia é conhecido como “o dono da água”. É o maior proprietário privado de recursos naturais da Patagônia chilena, e da região de Corrientes, na Argentina; e é dono de várias estâncias, todas estrategicamente distribuídas pelo mapa. Quando Tompkins bateu os olhos pela primeira vez no sul da Patagônia, do lado chileno, e depois no noroeste da Patagônia, do lado argentino, em 1961, chorou feito bebê. Depois voltou – e pôs-se a comprar.

Ted Turner, fundador da CNN e fanático por pesca de trutas, é dono de uma villa espetacular, em área de 5 mil hectares, no sul da província de Neuquen, de onde controla completamente o acesso a um dos rios mais virgens da Patagônia. Tem outra propriedade de 35 mil hectares na mesma província, mais outra, de 5 mil hectares, na Terra do Fogo. Ted só comprou terra nos EUA e na Patagônia.

Villa Traful é um vale verde, privado, que cerca o espetacular lago de mesmo nome – e faz pensar que dessa matéria são feitos todos os Xangrilás, antes do advento do Facebook. Comprar terras em Traful, nos anos 1990s, era sopa. Quem sabia jogar o jogo rapidamente virou proprietário da terra pública em torno do lago. Agora, a festa acabou. Só Jorge Sobisch, de família de emigrados croatas e ex-governador da província de Neuquen que quer ser presidente, já praticamente vende tudo, todos os dias, para gigantescas massas de turistas.

Mas, acima de tudo e todos, toda essa terra pertence a Ted Turner. Turner é proprietário de La Primavera, estância cinematográfica, de 5 mil hectares na boca do rio Traful. Ali pesca, como abençoado, a melhor truta e o melhor salmão que a natureza consegue gerar. Jane Fonda era doida por La Primavera. Tompkins era hóspede frequente, além de George Bush pai e Henry Kissinger. A área é policiada por satélite. Estive lá no inverno, tudo vazio e gelado. Assim, não tive o prazer de navegar em águas que pertencem a Ted Turner. Claro. Ted jamais se deixa ver na Vila Traful – mas sabe-se que visita a estância La Primavera algumas vezes por ano.

La Primavera foi fundada, de fato, por um dentista norte-americano e ex-vice cônsul dos EUA em Buenos Aires, George Newbery, em 1894. George e Ralph Newbery (pai do famoso aviador Jorge, cujo nome hoje decora o portal de entrada de um dos aeroportos de Buenos Aires) convenceram-se de que, para povoar a Patagônia, o melhor seria importar cowboys do Texas.

Assim, já desde o início do século 20, temia-se, em todo o norte da Patagônia, uma onda de colonização yankee. Mas a fonte de cowboys exilados do Texas logo secou. La Primavera foi vendida para um inglês, depois para um francês, depois para um argentino, até que, finalmente, pousou no colo de Ted Turner, que andava profundamente envolvido num projeto conservacionista de 2 milhões de hectares – ou expansão territorial – em Montana, Novo México e Nebraska. Mas, sobre a Patagônia, ele jamais negociou nem cedeu um palmo. Coisas de pescador de trutas.


Um, dois, mil Xangrilás


Brit Joseph Lewis, dono da 6ª maior fortuna do Reino Unido, conhecido na Patagônia como “Tio Joe”, por causa de incontrolável mania de fazer filantropia, controla todos os 14 mil hectares de terra em volta do sublime, indescritível Lago Escondido, a 92 km de Bariloche, junto à fronteira com o Chile, e controla também toda a bacia do premiado rio Azur. O ultradiscreto Lewis, que vive entre Londres, Orlando, as Bahamas e a Patagônia é alto tubarão da especulação financeira, além de acionista da pesquisa genética, e as garras de seu Tavistock Group estão pousadas sobre tudo, do petróleo e gás da Sibéria, aos sapatos e roupas marcas Puma e Gottex.

A Xangrilá andino-patagônica de Lewis não fica longe de El Bolson, a meca dos hippies argentinos nos anos 1970s, convertida, por transmigração dos espíritos, na primeira prefeitura ecológica do início dos anos 1990s. Nas florestas, ao estilo Tolkien, há árvores multimilenares, os alerces, de madeira lahuan – os organismos vivos mais antigos que há na Argentina, os terceiros entre os mais antigos do planeta. Assim como se veem alerces por todos os lados e até onde a vista alcança, também se veem até onde a vista alcança sinais de que, hoje, Lewis só pensa, mesmo, em fazer o trabalho que caberia às autoridades provinciais e nacionais – quer dizer: em construir um estado de fato, dentro do estado.

Em apenas alguns poucos anos, Lewis comprou terras em metragem equivalente a três quartos da cidade de Buenos Aires – mas sob a forma de florestas milenares, glaciares, lagos e rios intocados. Por pouco, Lewis não comprou o próprio lago, o que a lei não permitiu. Mas, sim, comprou toda a terra à volta do lago, o que significa que, se você quiser chegar até o lago, tem de viajar por 18 km, em estrada dentro de sua propriedade. Conhecer essa Xangrilá só é possível com ajuda do alto, i.e., dos guardas de Lewis. Há suspeitas de que Lewis tenha tentado comprar as nascentes de vários rios da região. E, considerando que o Grupo Tavistock está pesadamente envolvido em pesquisa genética e biotecnologia, há suspeitas, também, de que já esteja extraindo e exportando as espécies mais raras que vivem (viviam) na Cordillera.

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*Esse artigo é a segunda parte de trabalho maior. A primeira parte, “In Tierra del Fuego, Darwin still rocks”, pode ser lida em http://atimes.com/atimes/Front_Page/LH21Aa01.html.

**Antonio Montana, conhecido como “Tony Montana”, é o personagem interpretado por Al Pacino no filme Scarface (1983). Sobre o filme, ver http://www.imdb.com/character/ch0003932/.

18 de agosto de 2010

A partir de 21 de agosto, humanidade estará consumindo as reservas ecológicas da Terra


Em poucos dias, no dia 21 de agosto, teremos desperdiçado todo o capital que o planeta colocou à nossa disposição neste ano. Teremos utilizado toda a água que se recarrega espontaneamente nas camadas subterrâneas, as ervas que os campos produzem, os peixes do mar e dos lagos, as colheitas das terras férteis, o frutos dos bosques.

E, ao mesmo tempo, teremos exaurido o espaço útil para amontoar os nossos detritos, começando pelo gás carbônico que está desencadeando o caos climático. A partir do dia 22 de agosto, se deveria declarar a falência ecológica da espécie humana.

A reportagem é de Antonio Cianciullo, publicada no jornal La Repubblica, 17-08-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas, visto que parar é impossível, e as alternativas continuam na gaveta, resolveremos o problema repassando a conta para os nossos netos: deslocaremos o problema para o futuro. Pegaremos a água que corre nos depósitos fósseis, aqueles que não se alimentam com as chuvas. Forçaremos o ciclo do pastoreio sacrificando os campos no deserto. Esvaziaremos mares e rios das várias formas de vida, retirando mais do que a restituição geracional oferece. Continuaremos perdendo uma superfície florestal igual a 65 campos de futebol por minuto. E deixaremos que os gases poluentes invadam a atmosfera, prendendo o calor sobre a nossa cabeça e multiplicando as enchentes e os incêndios.

O alarme vem da Global Footprint Network, que há muitos anos calcula a pegada ecológica que corresponde aos vários estilos de vida. Se todos vivêssemos como os cidadãos dos EUA, precisaríamos de outros quatro planetas para satisfazer as nossas exigências. Se vivêssemos como os ingleses, seriam necessários outros dois países e meio. Os italianos consomem um pouco menos, mas também precisamos de um suplemento igual a mais de um planeta e meio. Para chegar a uma média per capita (embora uma média temporária, dada a taxa de crescimento), deve-se tomar os chineses como ponto de referência. Os indianos, ao contrário, usam aquilo que precisam e deixam os recursos de mais de meio planeta à disposição de outras espécies.

Tirando as somas globais, descobre-se que hoje já se consomem os recursos de um planeta e meio, e a taxa de voracidade continua aumentando. Por milhares de anos, os seres humanos satisfizeram suas necessidades utilizando só os juros do "capital natureza". O limite crítico – o momento em que a demanda de serviços ecológicos superou a taxa com a qual a natureza os regenera – foi tocado no dia 31 de dezembro de 1986. Em 1987, o a linha vermelha caiu no dia 19 de dezembro. Em 2008, ficamos na estaca zero no dia 23 de setembro, enquanto em 2009 o Earth Overshoot Day foi alcançado no dia 25 de setembro. Neste ano – também por força de um cálculo mais sistemático dos campos efeticamente disponíveis –, teremos que começar a pedir empréstimos a nossos netos já no dia 21 de agosto.

"Se uma pessoa gastasse o seu salário anual inteiro em oito meses, teria que estar muito preocupada", comentou Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network. "A situação não é menos alarmante quando tudo isso ocorre com o nosso crédito ecológico: as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, a falta de alimentos e de água demonstram que não podemos continuar financiando os nossos consumos endividando-nos. A natureza está prestes a perder a confiança na nossa conta ambiental".

Porém, como nota Roberto Brambilla, que trabalha no cálculo da pegada ecológica para a rede Lilliput, para começar a reduzir o nosso impacto no ambiente basta pouco: comer menos carne, preferindo a do circuito biológico, utilizar bicicleta ou metrô algumas vezes, usar fontes renováveis. A soma de milhares desses pequenos gestos faz a diferença entre os consumos de um norte-americano (que tem uma pegada ecológica de nove hectares) e o de um alemão, que é de quatro hectares.

Lixo é mercadoria de exportação para países ditos civilizados

O espantoso é a compra desse lixo por empresa brasileira, como nota de outra mercadoria! Que "ganho" é esse? E os ditos países civilizados participam dessa trampa. É muito comum os nossos deslumbrados tupiniquins comentarem o quanto "a Europa é limpinha, as pessoas não jogam um papel de bala no chão". Assim, até nós somos "civilizados"...

A notícia é do sítio Brasília Confidencia:

Ibama pune importação de lixo doméstico da Europa

18/08/2010

AYRTON CENTENO


Vinte e duas toneladas de lixo procedentes da Alemanha foram descobertas no porto de Rio Grande, a 310 quilômetros de Porto Alegre, pelos fiscais da Receita Federal. Embora a declaração da carga se referisse a “aparas de polímeros de etileno”, material cuja importação é legal e destinada a empresas de reciclagem, o conteúdo era lixo doméstico urbano: fraldas descartáveis, embalagens de produtos de limpeza e outros detritos. O lixo foi embarcado no porto de Hamburgo e tinha como destino uma empresa da cidade de Esteio, na Grande Porto Alegre.

O Ibama multou em R$ 1,5 milhão a empresa Hanjin Shipping, que transportou o lixo. Ela também terá que reenviar a carga para a Europa dentro do prazo de dez dias. O descumprimento da determinação acarretará nova multa.

A Recoplast Recuperação e Comércio de Plástico, que importou o lixo, foi multada em R$ 400 mil. A firma Dashan, de Hong Kong, responsável pela exportação, registrou na documentação de embarque que o carregamento seria oriundo da República Tcheca.

No ano passado, outras 1.400 toneladas de lixo, embarcadas na Inglaterra, foram interceptadas também nos portos de Santos (SP), de Rio Grande e no porto seco de Caxias do Sul (RS). O governo brasileiro exigiu o retorno do carregamento e denunciou a Inglaterra no secretariado da Convenção de Basiléia, na Suíça. O Brasil é um dos 168 signatários da Convenção de Basiléia, acordo internacional que controla a movimentação de resíduos danosos à saúde humana e ao meio ambiente.


19 de julho de 2010

Liberdade de imprensa nos EUA?

Gerald Herbert em foto de 9/5/2010 para AP. Se fosse nos dias de hoje, pagaria 40 mil dólares de multa.

O blog Agente65 apresenta nota de indignação sobre a aplicação de multa de até 40 mil dólares, conforme uma norma que converte em delito grave qualquer jornalista, repórter, bloguista, fotógrafo ou cidadão aproximar-se de operações de limpeza de petróleo, equipamentos ou embarcações no Golfo do México. Quer dizer, o público ficará sem informação a respeito do desastre ecológico promovido pela BP naquela região.

Perguntamo-nos, onde está a SIP e o Repórteres Sem Fronteira para acusar o Governo de Barak Obama de violar a liberdade de imprensa? Como os políticos dos EUA, que se jactam das liberdades democráticas de seu país, podem ficar calados sobre o autoritarismo de tal norma?

A bem da verdade, estamos ironizando: tais instituições estão pouco se importando com a liberdade de imprensa ou de expressão. O que desejam, é assegurar o interesse das corporações que sustentam os EUA. O lamentável, disso tudo, é que ainda exista gente que crê na democracia estadunidense.

Abaixo, o artigo, fonte da nota do Agente65.

Catástrofe do Golfo: BP restringe o acesso dos media


por Dahr Jamail


Petróleo no Golfo do México. NOVA ORLEANS, (IPS) – Na semana passada, a Guarda Costeira dos EUA, que está a agir em coordenação com a gigantesca empresa petrolífera BP, impôs novas restrições em toda a Costa do Golfo americano que impedem os media de se aproximarem a menos de 20 metros das barreiras de contenção (booms) ou dos barcos de limpeza, tanto na costa como no mar. Mas a astúcia destas restrições vai ainda mais longe.

“Não pode vir cá", disse Don, o guarda de segurança contratado pela BP no Centro para a Reabilitação da Fauna Contaminada pelo Petróleo, em Fort Jackson, Louisiana.

Lá dentro, o Centro Internacional para Investigação e Salvamento de Aves, uma das companhias contratadas pela BP para limpeza dos animais, encarrega-se de limpar o petróleo das aves antes de as devolver ao seu habitat natural. O Centro tem limitado o acesso aos media. Antes estava aberto às segundas, quartas e sextas durante duas horas por dia. A IPS chegou ao Centro numa quarta-feira, e foi informada que os dias para os media tinham sido reduzidos de três para dois dias, e já não abria às quartas-feiras.

Quando a IPS perguntou ao guarda de segurança privada para quem é que trabalhava, ele respondeu, “Trabalho para a HUB, uma companhia de segurança contratada pela BP”. A Hub Enterprises, de Broussard, Louisiana, tem um contrato com a BP para fornecer “funcionários de segurança” e “supervisores”. Don está a receber entre 13 a 14 dólares por hora para manter a imprensa afastada do maior desastre ambiental provocado por uma fuga de petróleo de toda a história dos EUA. Continuam a jorrar mais de 60 mil barris de petróleo por dia no Golfo, mais de dois meses depois da explosão de 20 de Abril na plataforma Deepwater Horizon operada pela BP.

MULTAS ATÉ 40 MIL DÓLARES

As restrições da semana passada que a Guarda Costeira impôs aos meios de comunicação sujeitam os jornalistas e os fotógrafos a uma multa até 40 mil dólares, e à pena de cadeia de um a cinco anos como um crime de classe D, se violarem a regra dos 20 metros, que o Comando Unificado designa por “zona de segurança”.

Tem havido muitos indícios de um amordaçamento maior e mais profundo dos meios de comunicação na região, de muitas outras formas. Na semana passada, a IPS tinha uma entrevista agendada com o Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual da Louisiana, em Nova Orleans. A entrevista devia ser com um especialista das estratégias de investigação da Universidade, sobre o possível impacto na região do desastre petrolífero da BP. Na manhã em que se devia realizar a entrevista, o entrevistado, que pretende manter-se anónimo, enviou um email à IPS declarando: “Disseram-me para cancelar a entrevista. Lamento quaisquer inconvenientes que vos possa ter causado”. Quando a IPS lhe perguntou se havia alguma razão especial para o cancelamento da entrevista, respondeu, “Não”. Uma fonte anónima revelou posteriormente à IPS que a decisão de cancelar a entrevista fora tomada pelo chanceler Larry Hollier, que chefia o Centro de Ciências da Saúde da Universidade.

A BP disponibiliza a maior parte do financiamento para estudar os efeitos do desastre petrolífero e prometeu 500 milhões de dólares para projectos de investigação e de reabilitação. Robert Gagosian é o presidente do Consórcio para a Direcção Oceânica, que representa instituições de investigação oceânica e aquários e administra um programa de investigação sobre perfuração marítima. Geoquímico marítimo, Gagosian está preocupado com a forma como vai ser utilizado o dinheiro, e espera que seja gerido através de doações aprovadas pelos pares. A sua preocupação, partilhada por outros cientistas e investigadores, tem origem no interesse da BP em preservar o seu negócio. Também têm dúvidas quanto aos critérios adequados para determinar que tipo de investigações é que devem ser feitas.

Jeff Short, um antigo cientista da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, que é actualmente membro do grupo de preservação Oceana, disse que, ao aceitar que a BP pague a investigação, o governo abre mão do controlo sobre que tipo de estudos devem vir a ser feitos. “Pergunto a mim próprio porque é que a BP quer dar dinheiro para projectos que demonstrarão claramente um prejuízo ambiental muito maior do que se viria a saber, se não fossem esses estudos?”, disse.

Os primeiros 25 milhões de dólares dos fundos da BP foram rapidamente distribuídos pela Universidade Estatal da Louisiana, pelo Instituto de Oceanografia da Florida na Universidade da Florida Sul e por um consórcio chefiado pela Universidade Estatal do Mississípi. Muitos cientistas e jornalistas independentes receiam que isto faça parte de uma tentativa para influenciar quais os estudos a fazer e a disponibilidade dessas instituições públicas para falar com os meios de comunicação sobre o desastre da BP.

Num outro incidente, a 2 de Julho, Lance Rosenfield, um repórter fotográfico da publicação de investigação sem fins lucrativos ProPublica, foi detido por breves instantes pela polícia quando tirava fotografias perto da refinaria da BP na cidade do Texas. Rosenfield declarou que foi confrontado por um funcionário da segurança da BP, pela polícia local, e por um homem que se identificou como agente do Departamento da Segurança Nacional. Rosenfield foi libertado depois de a polícia ter analisado as fotografias e registado a data do seu nascimento, o número da segurança social e outras informações pessoais. Depois o agente da polícia entregou essas informações ao guarda da segurança da BP, alegando, segundo disse Rosenfield, “procedimento normal de funcionamento”.

Também foram instituídas restrições no espaço aéreo sobre as zonas onde estão a decorrer operações de limpeza e de contenção. A Administração da Aviação Federal proibiu voos dos meios de comunicação a menos de 900 metros sobre as áreas afectadas pelos lençóis do petróleo.

07/Julho/2010
O original encontra-se em http://dahrjamailiraq.com
Tradução de Margarida Ferreira
Foto: Gerald Herbert para AP.

11 de julho de 2010

MANIFESTAÇÃO PELO CÓDIGO FLORESTAL


DATA: 11 de julho, domingo, às 10h

LOCAL: Parque da Redenção (concentração na esquina da José Bonifácio com a Osvaldo Aranha)

7 de junho de 2010

Convite: palestras sobre efeito estufa

Estamos vivendo um momento histórico fundamental: a continuidade da nossa civilização será decidida nos próximos 5 anos.

Campanha Sobrevivência Ambiental em Risco: pela Redução de 80% dos Gases Efeito Estufa.

É necessário começarmos imediatamente um movimento popular que reivindique a imediata implantação de políticas publicas de redução de emissão de 80% dos gases de efeito estufa, pois a sobrevivência da humanidade está cada vez mais em risco.

Estamos chegando ou já atingimos o ponto de não-retorno, onde apesar de toda a redução política das emissões de gases de efeito estufa ocorre o Processo de Realimentação Natural pela Emissão de Metano da Groenlândia, Sibéria, Escandinávia, Canadá e Alasca, aliado ao início da liberação de 30 bilhões de toneladas de carbono existentes (na forma de claratos de metano) do fundo do mar, o que tornará inútil qualquer ação futura.


Estamos vivenciando os piores cenários possíveis.




Palestras


Duas palestras serão realizadas na Semana do Meio Ambiente da SMAM:

Dia 8 de junho, terça-feira, às 16h30

Palestra:

Mudanças Climáticas: por que precisamos reduzir 80% das Emissões de Gases Estufa?

Palestrante: engenheiro agrônomo Celso Copstein Waldemar – Vice-presidente da AGAPAN

Local:

Centro de Eventos do CIEE - Rua Dom Pedro II, 861 - Bairro São João - Porto Alegre



Dia 11 de junho, sexta-feira, às 16h

Palestra:

Mudanças Climáticas: Ações necessárias para o Ponto de Retorno

Palestrante: engenheiro agrônomo Celso Copstein Waldemar – Vice-presidente da AGAPAN

Local:

Parque Farroupilha - SMAM - Sala de oficinas, junto ao Monumento ao Expedicionário – Porto Alegre




Após a palestra o público será convidado a participar da elaboração de políticas públicas municipais de enfrentamento ao aquecimento global.

A presença do movimento ecológico é fundamental em uma destas palestras para:

  • conhecer a atual situação climática - junho de 2010 (ela piora a cada mês!)
  • fortalecer um espaço aberto pelo poder municipal para discutir o assunto.

Participe das palestras sobre Mudanças Climáticas e também da Campanha Sobrevivência Ambiental em Risco: pela Redução de 80% dos Gases Efeito Estufa.


Mensagem enviada pelo Movimento Defenda a Orla.

5 de junho de 2010

Dia mundial do meio ambiente

Esta vitória foi uma luta da comunidade portoalegrense:Rua Gonçalo de carvalho*, Patrimônio Histórico, Cultural, Ecológico e Ambiental de Porto Alegre.


Agora, falta esta vitória do povo riograndense!

Não à venda do Morro Santa Teresa!

*Obrigada, Rodrigo!

1 de maio de 2010

PL 154 e PL 388 dia 4 de maio na ALERGS


Do blog Somosandando:

Mais uma manobra baixa do governo Yeda

Para desviar o foco e dividir as atenções, o governo Yeda lançou mão de mais um artifício. Na próxima terça-feira, dia 4 de maio, vai a votação na Comissão de Constituição de Justiça não só o Projeto de Lei 388, o do terreno da Fase, mas também o PL 154, que prevê grandes e graves alterações no código ambiental gaúcho.

Entra elas, a redução da margem preservada de lagos de 30 para 5 metros e o fim de Áreas de Proteção Permanente.

Até entendo que as coisas não avancem com relação ao meio ambiente em governos como o de Yeda. Já é difícil para governos mais preocupados com a qualidade de vida de sua população enfrentar os interesses de mercado, que dirá para a ala mais reacionária da política gaúcha, que não está nem aí para seus eleitores.

Acontece que discutir meio ambiente e, saindo para a ação, preservá-lo, está na moda, e pega mal até para Yeda.

Se o PL 154 não for mais grave que o 388, é tão prejudicial quanto. Convoco a todos que puderem e tiverem alguma expectativa de preservar o estado ambientalmente tão rico que temos que vão para a Assembleia terça-feira às 9h. Se enchermos o quarto andar da Casa, se não tiver mais ar para respirarmos lá dentro de tanta gente acumulada, talvez os deputados sintam a pressão. Mas não dá pra deixar passar sem fazer nada.

O pedido de preferência que levou foi feito pelo deputado Luiz Fernando Záchia, do PMDB. É bom lembrar.

10 de março de 2010

Justiça: todas as ações de Meio Ambiente tramitando em uma única Vara

Na página do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul:

Março inicia com todas as ações de meio ambiente tramitando em uma única Vara

A partir da próxima segunda-feira, 1º/3, passarão a tramitar na 10ª Vara da Fazenda Pública da Capital todas as ações em andamento sobre meio ambiente ajuizadas em Porto Alegre em que uma das partes é o Estado do Rio Grande do Sul ou algum de seus organismos ou o Município de Porto Alegre. Desde setembro de 2009, as novas ações propostas já tramitam na Vara, instalada no Foro Regional da Tristeza.
Para o titular da nova Vara, Juiz de Direito Eugênio Couto Terra, “ao invés de haver entendimentos díspares sobre casos similares, a sociedade terá mais segurança jurídica na prestação jurisdicional” Destaca o magistrado também que será possível um diálogo mais produtivo com os setores públicos envolvidos na matéria no sentido de se otimizar fluxos e dar mais eficácia ao próprio serviço público.


Juiz de Direito Eugênio Couto Terra é o titular da nova Vara

Outra das vantagens da especialização é que o magistrado terá condições de ter uma visão geral de determinada situação quando várias ações são propostas tratando da mesma demanda. O Juiz Eugênio pretende propiciar audiências públicas em algumas situações para que todos os interessados nos assuntos tenham condições de manifestar-se democraticamente.

A medida também vai ajudar o funcionamento das atuais Varas da Fazenda Pública que contam com processos que serão encaminhados à Tristeza a partir da próxima semana.
Saúde – A competência da Vara também inclui as ações que envolvam o Sistema Público de Saúde, como o fornecimento de medicamentos, internações hospitalares que não se derem por negativa do SUS, entre outros.

Texto e Foto: João Batista Santafé Aguiar
Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend

imprensa@tj.rs.gov.br
Publicação em 26/02/2010 18:00
Link para a página de notícias do Tribunal de Justiça:
Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul

Leia mais aqui:
Audiência no Tribunal de Justiça (19/junho/2008)
RS terá Varas Ambientais (02/outubro/2008)

Postado por
Amigos da Rua Gonçalo .

8 de março de 2010

Demagogia e burla

O professor Althen Teixeira Filho*, indignado com o artigo de Sergio da Costa Franco "Fraternidade ou Demagogia", publicado no jornaleco da Azenha, em 21/02/2010, escreve:

Inicialmente declaro-me cristão, mas não católico, e sem o intento de debater questões religiosas. Não obstante, mesmo sem esquecer aspectos que acho controversos, salientaria, até com admiração, a atitude corajosa de muitos de seus religiosos, que fazem a defesa desinteressada e intransigente dos necessitados, pondo em risco as próprias vidas, muitas já extirpadas por balaços oriundos do interesse acumulativo. Neste sentido, as "Campanhas da Fraternidade" são, inequivocamente, orientações importantes e fundamentais ao cenário nacional, impondo uma agenda de discussão que governo e sociedade negligenciam.


O assunto "agronegócio" toma relevância pelo o que é, como atua e a que interesses atende. No âmbito das informações que ele próprio oferece, revela-se como um negócio predador, que ajudou a transformar o Brasil no maior consumidor mundial de venenos agrícolas, matando não só a vida que a terra abriga, mas também gerando com seus químicos a intoxicação alimentar. Nas safras de 2008/2009 foram aplicadas em lavouras de destruição 629.705 ton. de tóxicos (deste total só a soja é responsável por 318.818 ton.), numa área de plantio bem inferior à dos USA, o qual, mesmo assim, consome menos venenos agrícolas que nós. Será que estes são os químicos definidos (e ardilosamente "confundidos") como "adubos"?


O agronegócio produz fundamentalmente para exportações que oferecem lucro com base em expressivas isenções fiscais. É verdade que ajuda a chamada "balança comercial" a equacionar números favoráveis, mas poucos prestam atenção no "dedo" do governo desequilibrando as forças, mediante intenso financiamento público. Só no ano passado esse setor recebeu dos cofres públicos R$ 92.5 bi, sobrando para a agricultura familiar R$ 15 bi, mesmo que esta seja 67% mais produtiva do que aquele. Não nos esqueçamos dos R$ 300 milhões que o BNDES repassa para que os já ricos "empresários" recuperem áreas que eles mesmos degradam, enquanto que para os agricultores familiares aplica-se a fria letra da lei. Nem citamos todas as isenções fiscais que ajudam esse "setor produtivo" a saracotear lucros, enquanto que tais impostos são cobrados dos brasileiros até à exaustão.


Esse é, também, um negócio que deturpa e faz mal uso da ciência (aliás, quanto mais deturpada melhor), ao transformar importantes avanços científicos, em reações que combinam irresponsabilidade e criminalidade. Particularmente não vejo problema no estudo da transgenia, mas o desvirtuo científico e ético que sofre, torna-a instrumento na busca de lucro assassino. Se bem utilizado, o químico corretivo de determinadas pragas deve ser aplicado, mas a imposição do uso de venenos como fonte de renda para empresários bilionários, torna seu comércio em ato delituoso e desumano. As plantações organizadas para saciar a fome de todos devem ser estimuladas, mas as promover às custas da destruição da natureza, expulsão do homem do campo e, mais uma vez, para o acúmulo doloso e fraudulento dos já ricos, transforma-as em mortalhas para muitos. Dizer genericamente que "o agronegócio gera emprego" é falso e leviano, pois, segundo dados governamentais, 81% das pessoas ocupadas no campo atuam na agricultura familiar. Aliás, a bem da verdade, o índice de desemprego no campo aumenta, justamente por conta dessas lavouras de silêncio.


Esta forma de produção é tão desumana quanto irracional, trazendo um lucro bilionário que jamais satisfaz e sacia as empresas, alinhando-se com a ausência de ética de muitos empresários. A avidez pelo dinheiro ultrapassa o respeito pela vida. Que insensibilidade e alienação são estas que dizem ser "saudável e indispensável o ânimo de lucrar", aceitando o amealho a custas de mal formações fetais, mortes prematuras e envenenamento coletivo?


O trator que vimos em inúmeras repetições televisivas, destruindo as laranjeiras - as quais foram plantadas mediante a destruição da natureza (vida!) que antes lá estava, tem o tamanho de um brinquedo se comparado com o maquinário do agronegócio. Ele destrói desde a Floresta Amazônica até o nosso Pampa, onde as empresas pasteiras insistem em aplicar o mesmo modelo colonialista de sempre (muito anterior ao tal "Jeca Tatu"), exportando pasta de celulose (sem qualquer valor agregado), fazendo um "trabalho" que exige investigações não só da polícia, como de vários órgãos públicos. O princípio capitalista é tão notório que, óbvio, geram desemprego, miséria, destroem a natureza, secam rios, promovem favelização e desorganização social, afrontam imposições constitucionais e infra-constitucionais - só para dizer o mínimo. Onde estão as imagens e notícias destas negociatas? Os animais silvestres vêm desaparecendo por conta da destruição de seus hábitat, promovida pelos que buscam o lucro de forma insana e animalesca. E, mais uma vez, os casos de intoxicações e morte de crianças, mulheres e homens que foram vitimados por químicos aplicados por exportadores não são pequenos!


Que "negócio" é este e que pessoas são estas que vêm cobrar de uma instituição como a Igreja Católica que apóie o agronegócio em detrimento dos que não recebem de volta os benefícios dos impostos que pagam e, muitos, sequer têm onde trabalhar com dignidade? Que "negócio" é este que deprecia as posturas de um clero, mas que tem como atitude já noticiada a grilagem? Que pessoas são estas que exigem defesa dos que trabalham com os pobres, enquanto se empanturram no ócio que a fortuna lhes propicia?


Lucro e agronegócio não têm "espírito", têm metas bem definidas; acúmulo financeiro acima de tudo, custe o que custar, doa a quem doer. Aliás, mesmo que ocasione a submissão nacional a interesses estrangeiros. Criticar uma instituição milenar baseado em comportamento isolado só serve para justificar teses particulares, absurdas e, obviamente, infundadas.


Transformar o acúmulo financeiro em meta de vida, é tirar o sentido e meta da própria vida. É não entender o processo evolutivo (social, racional, psicológico, intelectual e humano, em geral), usurpando do homem a sua responsabilidade para com os demais e com o desenvolvimento ambiental sustentável.


Este tal de "agronegócio" só acumula valores para poucos e, nisto eu concordo, é muito bem definido como "o motor básico da iniciativa capitalista". Entretanto, não podemos escamotear que este tal "motor" tem como combustível exatamente "o capital meramente especulativo, que entra e sai à socapa nas bolsas de valores, e que se refugia em ilhas de imunidade fiscal".


Assim, esta lógica financista não serve para nenhuma sociedade, seja ela cristã, budista, islâmica, atéia ou qualquer outra que respeite a vida.

*Professor Titular
Universidade Federal de Pelotas
Instituto de Biologia
Disciplina de Anatomia dos Animais Domésticos

[Endereço eletrônico e telefones suprimidos pelos editores do blog.]

23 de janeiro de 2010

Dust Bowl
















Assistimos a um programa na TV a cabo, sobre a tempestade de areia ocorrida nos EUA na década de 30 do século XX, denominada Dust Bowl, que muito nos lembrou a função do PL 154. Segundo a Wikipedia:

[...] O efeito "dust bowl" (taça de pó) foi provocado por condições persistentes de seca, favorecidas por anos de práticas de manejo do solo que o deixaram susceptível às forças do vento. O solo, despojado de umidade, era levantado pelo vento em grandes nuvens de pó e areia tão espessas que escondiam o sol durante vários dias. Estes dias eram referidos como "brisas negras" ou "vento negro.

[...]

Uma vez passado o Dust Bowl, observava-se claramente que muitos factores contribuíram para o severo impacto da seca. Era preciso desenvolver uma melhor compreensão das interacções entre elementos naturais (clima, plantas e solo) e as actividades humanas (prática agrícola, economia e condições sociais) das Grandes Planícies. As lições foram aprendidas, e devido a esta seca os agricultores adoptaram novos métodos para ajudar a controlar a erosão do solo nos ecossistemas de terras secas. As secas subsequentes nesta região tiveram menor impacto devido a estas práticas de cultivo."

Acima, algumas fotos da tempestade de areia. E torçam, para que o pior não aconteça no RS!

Imagens: Google
Revisto e atualizado em 23/01/2010 às 16h03min.

13 de dezembro de 2009

Audiência Pública sobre Código Florestal não é notícia para a mídia guasca

Do blog Porto Alegre Resiste:

Não saiu na mídia

Imprensa não noticiou a Audiência Pública, em Porto Alegre, sobre o Código Florestal

Vereador Beto Moesch defendeu o Código Florestal na Audiência Pública

O convite que não teve divulgação

Ué? Não foi notícia?

A Audiência Pública que aconteceu na sexta-feira, dia 11 de dezembro, não existiu para a nossa isenta imprensa gaúcha. Apenas o jornal Correio do Povo noticiou no sábado uma “Assembléia” de agricultores que teriam se posicionado contra uma deliberação do governo federal sobre a Reserva Legal.

O jornal Zero Hora, nem isso noticiou. Segundo a ZH de sábado há uma “Polêmica Ambiental” e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente criou um grupo de trabalho para avaliar os decretos que alteram o Código Florestal. Sobre a Audiência Pública… nada.

ZH - notícia perdida na página e sem falar na Audiência

CP fala em "Assembléia de agricultores" e ignora ambientalistas

Apenas a Rede Vida e Canal Rural foram identificados no Hotel Continental, fazendo cobertura da Audiência. Mas a matéria do Canal Rural(RBS/GLOBO) simplesmente desconheceu os defensores do Código Florestal. Vejam aqui: http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=90297&channel=99

Para a RBS, Globo, Band, SBT e Record uma Audiência Pública que debate Código Ambiental não é notícia.

JC - notícia da Agência Estado que desconhece o lado ambientalista.

A edição online do Jornal do Comércio reproduz uma notícia da Agência Estado que não cita a participação de ambientalistas, Ministério Público, estudantes e entidades de classe que lá compareceram para defender o Código Ambiental, apesar de ter sido pouco divulgada. Será que estragamos a “Audiência Pública” com nossa presença?

Júlio de Almeida (Ministério Público) fez importantes alertas sobre ameaças ao meio ambiente.