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6 de maio de 2009

RS e a [des]educação

Recebemos correspondência a respeito da reporcagem, do jornaleco da Azenha, sobre o novo projeto de lei que altera a grade curricular das escolas estaduais do RS, tanto para o ensino fundamental, quanto do médio.

A moderninha Secretária Estadual Mariza Abreu, ao tratar da interdisciplinaridade no tal projeto, apresenta a seguinte política pública: professor e professora de uma determinada formação acadêmica e concurso específico, poderá se aventurar a dar aula de outra disciplina, mas pertencente à mesma área do conheicmento. Bastando para isso, claro, um treinamento anterior.

Por exemplo: pessoa habilitada em letras, com habilitação em língua portuguesa e em literatura, poderá dar aula de inglês, sem sequer saber a língua, pois receberá treinamento anterior.

A reporcagem cita fontes inspiradoras desse novo projeto, segundo Abreu: escolas paulistas, mineiras, argentinas e também o Colégio Aplicação.

Nosso interlocutor assim se manifesta:

A ZH estava hoje com uma matéria tosca sobra a nova política da secretaria de Educação do RS, e usou o Colégio de Aplicação [CAp] da UFRGS como exemplo de como essa política pode dar certo. Eu trabalho no CAp e afirmo que eles mentiram quando falaram que o CAp já adota o a proposta da SEC. da educação. As aulas são em blocos, para serem interdisciplinares, mas cada professor dá aula da sua disciplina junto com outros professores. Jamais um professor vai dar aula de uma disciplina que não é a sua. Essa proposta da Sec. é para sucatear ainda mais a educação, sobrecarregando os professores com tarefas que não são as correspondentes às de sua formação, além de servir de justificatica para contrarar menos professores, e pasteurizar ainda mais as aulas.

Ou seja, tudo bem que seja complicado [!!!!] obter informações sobre grade curricular de escolas paulistas, mineiras, argentinas e portuguesas. Mas o Colégio Aplicação fica em Porto Alegre! A Coordenação Pedagógica poderia muito bem explicar como se dá a Interdisciplinaridade [necessária, diga-se de passagem, mas jamais nesses termos] naquela escola padrão.

Sobram jornalismo chapa branca e sabujos na Ipiranga 1075!

Leiam também o Cloaca News sobre o mesmo tema.

17 de janeiro de 2009

Pedagogia do "toma lá, dá cá"?

Como bem observou La Vieja, o Grupo RBS parece ter um interesse todo particular na permanência de Mariza Abreu à frente da Secretaria da Educação do RS. Contrariando o seu modus operandi de prestar apoio incondicional a todas as decisões de Yeda Crusius, inclusive na saída do guru neoliberal Aod Cunha, no caso desta Secretária, a RBS joga todas as fichas na sua permanência.
Para quem tem dúvidas, é só folhear a Zero Hora de sábado, dia 10 de janeiro de 2009. São quatro páginas com matérias referentes a esse assunto, além, é claro, do editorial que defende uma nova política de educação para o Estado, onde a palavra pedagogia aparece espremida entre as palavras gerenciamento e administração. Cita como bom exemplo a ser adotado, a política educacional implantada por Serra em São Paulo, onde, pasmem, foi empregado um projeto importado de... Nova Iorque! Como podemos ver, educação de 1º mundo!
Mas não seria a Zero Hora se, além disso, não sobrassem críticas ao CPERS pelo açodamento em deflagar a greve e a forma desastrada como foi concluída. Ah, claro! É sempre bom lembrar a intransgiência do CPERS em querer discutir as propostas da tal Secretária.
Contudo é sempre possível especular, por exemplo, sobre o que seriam o tal gerenciamento e administração do ensino no RS. Seriam escolas com equipamentos adequados nas salas de aula e demais dependências, equipe de nutrição e limpeza, departamentos pedagógicos, secretaria, biblioteca, laboratórios completos de ciência e informática, quadro de funcionários e professores com remuneração condizente com as suas qualificações e adequado ao número de alunos? Se for isso, então, não é o forte do Governo Yeda e muito menos de sua Secretária de Educação.
Então, qual é a do Grupo RBS? Teria preço esse apoio? Estariam eles com intenção, tal qual a Editora Abril, de participar do mercado de produção de material didático, garantindo, de saída, um bom naco desse segmento editorial? Ou a idéia é, simplesmente, destruir qualquer resquício de projeto pedagógico comprometido com a formação cidadã para atrelá-lo aos interesses imediatistas do mercado?



Os leitores devem estar estranhando o fato de tratarmos desse assunto passada uma semana. Mas é que, na sexta, encontramos a edição de sábado, dia 10, no lixo.