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15 de agosto de 2010

Chomsky: “Os EUA são o maior terrorista do mundo”


Noam Abraham Chomsky, intelectual estadunidense, pai da linguística e polêmico ativista por suas posturas contra o intervencionismo militar dos Estados Unidos, visitou a Colômbia para ser homenageado pelas comunidades indígenas do Departamento de Cauca. Falou com exclusividade para Luis Angel Murcia, do jornal Semana.com, em 21 de Julho de 2010.

O morro El Bosque, um pedaço de vida natural ameaçado pela riqueza aurífera que se esconde em suas entranhas, desde a semana passada tem uma importância de ordem internacional. Essa reserva, localizada no centro da cidade de Cauca, muito próxima ao Maciço colombiano, é o cordão umbilical que hoje mantêm aos indígenas da região conectados com um dos intelectuais e ativistas da esquerda democrática mais prestigiados do planeta.

Noam Abraham Chomsky. Quem o conhece assegura que é o ser humano vivo cujas obras, livros ou reflexões, são as mais lidas depois da Bíblia. Sem duvida, Chomsky, com 81 anos de idade, é uma autoridade em geopolítica e Direitos Humanos.

Sua condição de cidadão estadunidense lhe dá autoridade moral para ser considerado um dos mais recalcitrantes críticos da política expansionista e militar que os EUA aplica no hemisfério. No seu país e na Europa é ouvido e lido com muito respeito, já ganhou todos os prêmios e reconhecimentos como ativista político e suas obras, tanto em linguística como em análise política, foram premiadas.

Sua passagem discreta pela Colômbia não era para proferir as laureadas palestras, mas para receber uma homenagem especial da comunidade indígena que vive no Departamento de Cauca. O morro El Bosque foi rebatizado como Carolina, que é o mesmo nome de sua esposa, a mulher que durante quase toda sua vida o acompanhou. Ela faleceu em dezembro de 2008.

Em sua agenda, coordenada pela CUT e pela Defensoria do Povo do Vale, o Senhor Chomsky dedicou alguns minutos para responder exclusivamente a Semana.com e conversar sobre tudo.

Quê significado tem para o senhor esta homenagem?

Estou muito emocionado; principalmente por ver que pessoas pobres que não possuem riquezas se prestem a fazer esse tipo de elogios, enquanto que pessoas mais ricas não dão atenção para esse tipo de coisa.

Seus três filhos sabem da homenagem?

Todos sabem disso e de El Bosque. Uma filha que trabalha na Colômbia contra as companhias internacionais de mineração também está sabendo.

Nesta etapa da sua vida o que o apaixona mais: a linguística ou seu ativismo político?

Tenho estado completamente esquizofrênico desde que eu era jovem e continuo assim. É por isso que temos dois hemisférios no cérebro.

Por conta desse ativismo teve problemas com alguns governos, um deles e o mais recente foi com Israel, que o impediu de entrar nas terras da palestina para dar uma palestra.

É verdade, não pude viajar, apesar de ter sido convidado por uma universidade palestina, mas me deparei com um bloqueio em toda a fronteira. Se a palestra fosse para Israel, teriam me deixado passar.

Essa censura tem a ver com um de seus livros intitulado ‘Guerra ou Paz no Oriente Médio?

É por causa dos meus 60 anos de trabalho pela paz entre Israel e a Palestina. Na verdade, eu vivi em Israel.

Como qualifica o que se passa no Oriente Médio?

Desde 1967, o território palestino foi ocupado e isso fez da Faixa de Gaza a maior prisão ao ar livre do mundo, onde a única coisa que resta a fazer é morrer.

Chegou a se iludir com as novas posturas do presidente Barack Obama?

Eu já tinha escrito que é muito semelhante a George Bush. Ele fez mais do que esperávamos em termos de expansionismo militar. A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.

Quando Obama foi galardoado com o prêmio Nobel de Paz, o quê o senhor pensou?

Meia hora após a nomeação, a imprensa norueguesa me perguntou o que eu pensava do assunto e respondi: “Levando em conta o seu recorde, este não foi a pior nomeação”. O Nobel da Paz é uma piada.

Os EUA continuam a repetir seus erros de intervencionismo?

Eles tem tido muito êxito. Por exemplo, a Colômbia tem o pior histórico de violação dos Direitos Humanos desde o intervencionismo militar dos EUA.

Qual é a sua opinião sobre o conceito de guerra preventiva que os Estados Unidos apregoam?

Não existe esse conceito, é simplesmente uma forma de agressão. A guerra no Iraque foi tão agressiva e terrível que se assemelha ao que os nazistas fizeram. Se aplicarmos essa mesma regra, Bush, Blair e Aznar teriam de ser enforcados, mas a força é aplicada aos mais fracos.

O que acontecerá com o Irã?

Hoje existe uma grande força naval e aérea ameaçando o Irã e, somente a Europa e os EUA pensam que isso está certo. O resto do mundo acredita que o Irã tem o direito de enriquecer urânio. No Oriente Médio três países (Israel, Paquistão e Índia) desenvolveram armas nucleares com a ajuda dos EUA e não assinaram nenhum tratado.

O senhor acredita na guerra contra o terrorismo?

Os EUA são os maiores terroristas do mundo. Não consigo pensar em qualquer país que tenha feito mais mal do que eles. Para os EUA, terrorismo é o que você faz contra nós e não o que nós fazemos a você.

Há alguma guerra justa dos Estados Unidos?

A participação na Segunda Guerra Mundial foi legítima, entretanto eles entraram na guerra muito tarde.

Essa guerra por recursos naturais no Oriente Médio pode vir a se repetir na América Latina?

É diferente. O que os EUA tem feito na América Latina é, tradicionalmente, impor brutais ditaduras militares que não são contestados pelo poder da propaganda.

A América Latina é realmente importante para os Estados Unidos?

Nixon afirmou: “Se não podemos controlar a América Latina, como poderemos controlar o mundo”.

A Colômbia tem algum papel nessa geopolítica ianque?

Parte da Colômbia foi roubada por Theodore Roosevelt com o Canal do Panamá. A partir de 1990, este país tem sido o principal destinatário da ajuda militar estadunidense e, desde essa mesma data tem os maiores registros de violação dos Direitos Humanos no hemisfério. Antes o recorde pertencia a El Salvador que, curiosamente também recebia ajuda militar.

O senhor sugere que essas violações têm alguma relação com os Estados Unidos?

No mundo acadêmico, concluiu-se que existe uma correlação entre a ajuda militar dada pelos EUA e violência nos países que a recebem.

Qual é sua opinião sobre as bases militares gringas que há na Colômbia?

Não são nenhuma surpresa. Depois de El Salvador, é o único país da região disposto a permitir a sua instalação. Enquanto a Colômbia continuar fazendo o que os EUA pedir que faça, eles nunca vão derrubar o governo.

Está dizendo que os EUA derruba governos na América Latina?

Nesta década, eles apoiaram dois golpes. No fracassado golpe militar da Venezuela em 2002 e, em 2004, seqüestraram o presidente eleito do Haiti e o enviaram para a África. Mas agora é mais difícil fazê-lo porque o mundo mudou. A Colômbia é o único país latinoamericano que apoiou o golpe em Honduras.

Tem algo a dizer sobre as tensões atuais entre Colômbia, Venezuela e Equador?

A Colômbia invadiu o Equador e não conheço nenhum país que tenha apoiado isso, salvo os EUA. E sobre as relações com a Venezuela, são muito complicadas, mas espero que melhorem.

A América Latina continua sendo uma região de caudilhos?

Tem sido uma tradição muito ruim, mas, nesse sentido, a América Latina progrediu e, pela primeira vez, o cone sul do continente está a avançando rumo a uma integração para superar seus paradoxos, como, por exemplo, ser uma região muito rica, mas com uma grande pobreza.

O narcotráfico é um problema exclusivo da Colômbia?

É um problema dos Estados Unidos. Imagine que a Colômbia decida fumigar a Carolina do Norte e o Kentucky, onde se cultiva tabaco, o qual provoca mais mortes do que a cocaína.

Fonte: Agência de Notícias Nova Colômbia. Original em espanhol.
Imagem: Luis Ángel Murcia, Semana

19 de janeiro de 2010

EUA ocupam o Haiti

Casa Grande e Senzala do mesmo lado

Obama aproveita a tragédia ocorrida no Haiti para fazer ocupação militar naquele país. E como ficam as "forças de estabilização" do Brasil nessa situação toda? Ficarão sujeitas ao comando estadunidense?

Do blog da Redação NovaE:

Lá vão os canalhas de novo

16/01/2010

O país mais pobre do Ocidente já foi o mais rico da América.

Só uma visita a sua história conseguiria resgatar sua posição pioneira. Pouco após a Revolução Francesa, em 1804, o Haiti declarou-se independente dos colonizadores franceses. Em 1791, o líder negro Toussaint L’Ouverture havia chefiado uma revolução de escravos que iniciou a extinção da escravidão no país, chamado então de Pérola das Antilhas. Mas os demais países, e mesmo os chefes latino-americanos das revoluções de independência, deram as costas ao país, com medo do contágio de sua revolução de escravos. O ‘pai da pátria’ Thomas Jefferson, por exemplo, tinha um belo discurso sobre a questão, mas era, ele mesmo, proprietário de escravos.

Assaltado até 1947 pela França, o Haiti foi sujeito a uma ditadura das mais assassinas de que se tem notíca na história humana, a de Duvalier, o Papa Doc. Depois dele veio o filho, Baby Doc. Ficaram 30 anos, pilharam toda a assistência mundial fornecida ao país. Foram apoiados pelos Estados Unidos da América, como aliados contra o comunismo. Mataram algumas dezenas de milhares de cidadãos com sua polícia sinistra, os Tonton Macoute.

O terremoto praticamente concentrado sobre a capital de 3 milhões de habitantes, 80% na miséria, vai desdobrar-se em outras piores conseqüências. A carência de tudo já vem transformando um precário equilíbrio social em aberta lei de selva: luta-se por comida, bens vendáveis, qualquer coisa. Epidemias são realidade palpável.

Perante esse quadro, o cara da Casa Branca (a expressão é dele para nosso digno presidente, e por isso adoto-a para ele) organiza uma “ajuda humanitária” cujo carro-chefe, coordenado pelo Pentágono e pelo seu militar Comando Sul, e anunciado oficialmente, compõe-se de base de 9 mil tropas. Fazem parte, conforme o prof. e ensaísta Michel Chossudovsky (dispensa-se tradução):

The amphibious assault ship USS Bataan (LHD 5) and amphibious dock landing ships USS Fort McHenry (LSD 43) and USS Carter Hall (LSD 50).

A 2,000-member Marine Amphibious Unit from the 22nd Marine Expeditionary Unit and soldiers from the U.S. Army’s 82nd Airborne division. 900 soldiers are slated to arrive in Haiti by January 15th.

Aircraft carrier, USS Carl Vinson and its complement of supporting ships. (arrived in Port au Prince on January 15, 2010): USS Carl Vinson CVN 70

The hospital ship USNS Comfort

Several U.S. Coast Guard vessels and helicopters

USS Carl Vinson

The three amphibious ships will join aircraft carrier USS Carl Vinson, guided-missile cruiser USS Normandy and guided-missile frigate USS Underwood.


USS Normandy

O Itamaraty já ensaia protestos pela ocupação militar do cenário da tragédia, e exige que toda e qualquer ajuda seja administrada pela ONU, sob cuja tutela se encontra a presença militar brasileira no país. O chanceler Amorim reclama do fato de agentes dos EUA já terem assumido unilateralmente o controle do aeroporto da capital. Que passa agora a fazer parte dos paranóicos controles aplicados no país de origem (afinal, a fictícia Al Qaeda poderia aproveitar-se da situação…). O Estadão, edição internet de 17 de janeiro, informa (negrito meu):

“Não foi só o Brasil que reclamou. Dois aviões do Programa de Alimentação Mundial da ONU tentaram pousar no aeroporto e foram desviados. Os EUA estão priorizando o pouso de seus aviões com tropas e equipamentos e de aeronaves para retirar americanos e outros estrangeiros do país”.

O jornal francês Libération, no mesmo dia, informa que o secretário de Estado para a Cooperação, Alain Joyandet, protestou contra Washington após um avião francês que transportava um hospital de campanha ter sido impedido de pousar na capital haitiana.

O papa acaba de receber as credenciais do embaixador de Cuba perante a Santa Sé. Veja aqui: http://resistir.info/cuba/discurso_papa.html

Em sua saudação ao novo embaixador, declarou:

“Cuba, que continua a oferecer a numerosos países sua colaboração em áreas vitais como a alfabetização e a saúde, favorece assim a cooperação e solidariedade internacionais, sem que estas estejam subordinadas a mais interesses que a própria ajuda às populações necessitadas.”

Mas esta lição não encontra ouvidos entre os criminosos de guerra e assassinos profissionais de povos que se revezam no poder nos Estados Unidos da América. O governo euamericano enxerga apenas a chance de realizar uma gigantesca operação de relações públicas para mostrar ao mundo e à América Latina sua “nova” política de reaproximação.

Já a secretária Hillary Clinton posou ao lado do presidente e sugeriu a instituição do toque militar de recolher para ‘facilitar’ os trabalhos. Pena que não explicou para onde iriam se recolher as centenas de milhares de pessoas e famílias que estão vivendo na rua, em barracas e tocas improvisadas. Na mesma ocasião, ms. Clinton também sugeriu mais poderes ao presidente e aos Estados Unidos, ignorando e passando por cima do mandato da ONU e das tropas brasileiras no Haiti.

Para a tragédia, soluções militares. Que tal eliminar as pessoas e acabar de vez com o problema? Soldados armados não faltarão para as execuções. Os corpos seriam cremados; a gasolina ficaria na conta do governo haitiano.

(Chico Villela)

Adendo: http://www.informationclearinghouse.info/article24416.htm- O analista político e repórter investigativo Greg Palast relata a sua visão sobre a predominância para o Pentágono e o governo de BHObama da ênfase militar e de segurança ANTES e ACIMA da ajuda humanitária. E revela fatos como os da demora na ação (igual ao pós-furacão Katrina em New Orleans, em que o governo mandou a tropa de mercenários Blackwater para proteger as propriedades ANTES da ajuda humanitária) e do navio Carl Vinson, com 2.000 marines, mísseis, helicópteros e NENHUM equipamento ou mantimentos para os haitianos.

http://www.countercurrents.org/lantier180110.htm Aqui o leitor encontra outro texto que esclarece a posição militar do governo BHObama sobre o Haiti, com absoluto desprezo a respeito dos cidadãos.

Leia também [em espanhol]: A Natureza Agressiva do Imperialismo no Haiti

Imagem: Reuters
Atualizado em 19/01/2010 às 3h16min.

17 de janeiro de 2010

Haiti: LLAMADO URGENTE A LAS ORGANIZACIONES FEMINISTAS Y DE MUJERES DE AMERICA LATINA Y EL CARIBE



SE NECESITA PERSONAL MEDICO ESPECIALIZADO.

Amigas, hermanas, aunque la ayuda empieza a fluir, cada vez es más claro que toda ella no parece ser suficiente ante la magnitud de esta la tragedia. Las misiones de muchos de sus gobiernos ya ha aterrizado en Puerto príncipe y la impotencia y desesperación por la sed y el hambre empieza a encontrar respuestas.

En reunión celebrada hoy entre las organizaciones de sociedad civil y las organizaciones de Naciones Unidas con sede en Republica Dominicana, se acordó trabajar coordinadamente y centrarnos en la atención de los heridos que han sido trasladados a los hospitales de la zona fronteriza y en Jacmel.

Estamos tratando der garantizar el abastecimiento de estos hospitales con la ayuda solidaria de la población dominicana, que se ha volcado masivamente con donaciones de alimentos y medicinas, pero urge PERSONAL MEDICO ESPECIALIZADO: Cirujanos/as,traumatólogos/as,radiólogos/as ,anestesiólogos/as y ortopedas, son las especialidades que se necesitan con mayor urgencia, dado el tipo de lesiones producidas ,casi siempre, por los derrumbes de viviendas y locales.

Quisiéramos solicitarles que organicen llamados y campañas, desde sus ongs y organizaciones, para que especialistas de estas aéreas consideren venir, aunque sea por un período corto, vía santo Domingo, a prestar atención en la frontera con Haití. La Comisión de Salud se hará responsable de ayudar con el visado, en caso de que sea necesario, de recibirlos en el aeropuerto y de su traslado a la frontera.,

Hasta el momento solo podemos ofrecer carpas para el alojamiento, pero estamos identificando algunas casas para hospedaje.

¡!ESTA ES UNA SOLICITUD URGENTE ¡! La ayuda oficial está llegando a Puerto Príncipe e incluso un barco hospital ,pero tenemos una gran demanda en la frontera y allí queremos concentrarnos, por ahora, como sociedad civil, para no duplicar esfuerzos.El personal especializado del país-que no es muy grande - está totalmente desbordado, ante la oleada de heridos que continúan llegando, muchos de ellos ya con infecciones o a los que hay que amputar..

Además de mi correo (magalypt@gmail.com), les incluyo aquí uno que hemos abierto para garantizar la atención permanente de las personas interesadas. El correo es : e incluir siempre copia a mí.

Amigas, compañeras esta es una acción solidaria concreta y urgente ¡Contamos con ustedes para promover este llamado, para motivar y apoyar el viaje de este personal médico.!! Con un gran abrazo y agradeciendo todas sus solidarias respuestas

Magaly Pineda Sergia Galván

COMISIÓN DE SALUD

Imagem: Daniel Morel

Relato da destruição, dor e solidariedade

Relato de Sergia Galván, educadora dominicana e militante do movimento negro. Publicação autorizada pela autora.

Queridas amigas, regresé en la madrugada de hoy de Haití, todo lo que pueda contar es poco. El olor a cadáveres nubla la razón, los miles de cuerpos atrapados y llorando debajo de los escombros te hace sentir una migaja, las personas parecen mirar a otro mundo, sus ojos parecen relámpagos que huyen del horror. Las gentes son caminantes, que van y vienen sin rumbo, deambulantes que cargan dolor y miseria, deambulantes que cargan sueños en ruinas, las gentes caminan, caminan, caminan, es como si al caminar se liberaran de la tragedia. Las calles están llenas de cadáveres en descomposición, ayer en la tarde decidieron, enterrar a sus muertos en fosas comunes, es probable que pidiendo perdón a sus dioses, diosas y ancestros, decidieran sobrevivir al terremoto de los olores, y enterrar a los suyos en fosas comunes.

Han construido improvisados campamentos en cada espacio que la tragedia haya dejado libre, en plazas parques, calles, solares vacíos, aun en las poquísimas estructuras que quedan levantadas, las gentes no entran, estar bajo algún techo genera temor, inseguridad, miedo, pues aun la tierra sigue danzando, reacomodando sus placas, cerrando su ciclo. Todavía ayer no llegaba asistencia médica a los campamentos, y en las calles las personas intentaban curar sus heridas y alargar la muerte mediante lo único que tenían a mano, la espera. La deshidratación marcaba la piel, pues su único techo era el sol, por suerte la lluvia ha contenido sus lágrimas y a la caída del sol las personas podían tirarse a los suelos arropados con su dolor.

Las caras lánguidas por el hambre y la sed, mermaban las energías y mostraban un cuadro de tranquila agonía. El lugar de reposo, es también el mismo lugar para hacer las necesidades fisiológicas.

Amigas, el llanto debajo de los escombros y el llanto por las heridas, por los golpes, el llanto por la cuasi vida, es imposible borrarlo, es imposible dejar de escucharlo, hoy, en medio de reuniones he intentado poner oídos sordos a esos llantos, pero siguen ahí.

Decidí buscar a mis amigas, a Lise, a Colette, a Ann Marie, a Miriam, a Nikette, a Susy, a Magui, a Olga y a otras, y fui a visitar sus oficinas, algunas estaban convertidas en polvo, otras semidestruidas y nos las encontré a ninguna. Una persona me informó que Ann Marie murió, lloré, lloré, lloré y seguí.

No, solo las personas, también las infraestructuras del Estado sucumbieron (Palacio Presidencial, Hospitales, Ministerio de Economía y Finanzas, Ministerio de Educación, Ministerio de Salud, Ministerio Publico, Ministerio del Interior, Obras Publicas, Fuerzas Armadas, Edificio de Impuestos Internos, en fin, el Estado no existe.

La ayuda es lenta, porque no hay con quien coordinar, el aeropuerto no tiene torre de control, no tienen espacio para que lleguen más aviones, no hay luz para trabajar en la noche. Naciones Unidas abrió un puente aéreo, pero no es suficiente.

Las organizaciones de sociedad civil, constituimos una comisión binacional para intentar crear una plataforma en Haití que pueda ser receptora de la ayuda, estamos haciendo intentos por infundirle un poco de fuerza a las amigas y amigos que no partieron, para que estructuremos una coordinación, tomará un poco de tiempo, pero vamos a lograrlo, las Haitianas y Haitianos son de una fuerza especial y se van a reponer.

Amigas, en este momento la solidaridad es el único aliciente, la solidaridad es la única fuerza que logrará contener el silencio del dolor y hacer que nuestras hermanas sientan emoción de mirar el futuro.

Un abrazo a todas.

[15/01/2010]

Imagem: EFE

Brasil no Haiti: laboratório para contenção de favelados

Ainda não havíamos publicado sobre o terremoto no Haiti. Através do blog História em Projetos, conhecemos o blog Lacitadelle de pesquisadores da Unicamp, que estavam nesse país desde novembro de 2009.

Sempre tivemos uma enorme desconfiança do papel do Brasil nessa tal de Minustah. E os nossos temores foram confirmados pelas palavras do Coronel Bernardes, integrante da força militar brasileira, que declarou, sem rodeios, que esta força serve de laboratório para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas [ler mais abaixo]. Ou seja, mais uma vez, os nossos militares se prestam ao papel de gendarmeria das classes dominantes contra as "ameaças" dos mais pobres. Parece que não aprenderam nada com o golpe de 64 e de como aqueles que os açularam contra o estado de direito, depois, desprezaram-nos como se fossem um estorvo. É chocante ver como um exército abdica do seu papel de força de defesa nacional para servir como uma milícia dos interesses do capital, leia-se interesses estadunidenses no Haiti.

Quantos haitianos já foram assassinados pela chamada força de "estabilização" do Haiti? Esta é uma história que está por ser contada. Será que, no futuro, teremos que reparar danos causados à essa população, como acontece agora com as vítimas da ditadura brasileira?

E, tal como no Haiti, estariam os EUA vendo, nas nossas populações pobres, uma ameaça em potencial e foco de resistência de seus interesses econômicos no Brasil? Estariam, mais uma vez, instrumentalizando os militares brasileiros para conter essa "ameaça"?

Médido haitiano atende compatriotas

Distribuição gratuita de água por empresa privada

Recolhimento de lixo

Rocheman nos visitou duas vezes em Port-au-Prince e em entrevista nos explicou como a fabrica de cimento do Haiti tinha sido privatizada e destruída sistematicamente pelos EUA durante a ocupação estado-unidense. Por este motivo os haitianos pobres que não podiam importar cimento dos EUA construíam suas casas com tijolos de areia.

Impossível esquecer isso no dia do terremoto, vendo aquelas casas desabando como areia

Ele também nos falou sobre o processo de desinvestimento no campo por parte do Estado haitiano, que tornava o Haiti dependente dos EUA em diversos produtos alimentícios, e ocasionava um grande êxodo do campo para a cidade, em construçoes precárias, como vimos em Cite Soleil, que também foi em grande parte destruída durante o terremoto.

Este brilhante jovem haitiano também disse que a Minustah não é uma força de estabilização do Haiti, porque, afinal de contas, como falar em estabilização num país faminto? Como falar em estabilização sem fortalecimento das instituições haitianas? Portanto fica evidente que a Minustah estava no Haiti como força de ocupação, e que não tinha um plano para sair dali, ferindo a soberania do povo haitiano.
[17/01/2010]

Mesmo com a ocupação de anos da ONU aqui, ainda não se investiu em áreas essenciais e não imediatistas, como educação e soberania alimentar dessa população, o que os ajudaria a se reerguer de sua pobreza cotidiana e com suas próprias forças.

Não sabemos onde estão, nesses dois primeiros dias logo após o desastre, enquanto ainda deve haver vítimas vivas e os corpos estão nas ruas, os mais de dez mil soldados da ONU que já estavam permanentemente no país. Apenas tivemos informações de pessoas que viram alguns deles em Pétion Ville, cidade de padrão mais alto, ao lado Porto Príncipe.
[15/01/2010]


Hoje, [...] vimos um acampamento imenso. Pessoas organizadas, fazendo comida, tomando banho, lavando roupa. Nem sinal da ajuda internacional que enche a boca de tantas autoridades. Espera-se o espetáculo da destruição para depois chegar ao espetáculo da cooperação internacional. [...] Além disso, os haitianos encontraram meios de manter a cotidiana rede de comércio, e sem alteração de preços. No Champs de Mars, centro da cidade, as “dames sara”, como são conhecidas as mulheres que constroem as redes de abastecimento “informal” da cidade, continuam na ativa e as cozinhas improvisadas funcionam à todo o vapor, fazendo frango, banana frita e macarrão. Um prato de “chen jambe” continua, impressionantemente, custando 100 gourds (2,5 dólares, aproximadamente). [14/01/2010]

Não vi nenhum carro da MINUSTAH nem ajuda internacional. Pessoas tentam tirar os escombros de escolas, das universidades e de mercados, na esperança de que haja alguém vivo lá em baixo. Sem escavadeiras, sem trator. [14/01/2010]


A ONU gasta meio bilhão de dólares por ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Ontem pela manhã estivemos no BRABATT, o principal Batalhão Brasileiro da Minustah. Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, Coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas. Infelizmente isto é o melhor que podemos fazer a este país. [13/01/2009]

Fotos: Cris Bierrembach
Revisto e atualizado em 17/01/2010 às 20h49min.