5 de dezembro de 2008

Sobre comentários

Na noite de quinta-feira, um médico foi assassinado em Porto Alegre. Suspeita-se de execução, uma vez que nada foi levado da vítima.
Pois bem, a notícia na página de ZH foi seguida do comentário abaixo, pelo qual solicitamos a sua retirada:La Vieja já havia solicitado a exclusão de outro comentário na página da mesma empresa jornalística.

A pergunta que não quer calar: qual o nível de conhecimento de História, princípios voltados aos direitos humanos tem o/a moderador/moderadora para liberar comentários tão infames?

2 comentários:

heliopaz disse...

Cláudia,

O grande barato dos comentários nas notícias dos portais é que o nível de detalhamento e de pauta acerca do que será publicado ou não é muito baixo.

Não existe algoritmo de programação capaz de filtrar toda e qualquer palavra que agrade ou desagrade ao dono da empresa ou a seus gatekeepers. O processo é 100% manual e não há como pagar dezenas de figuras pra moderar dezenas de milhares de comentários por dia em centenas de notícias.

Pra tu teres uma idéia: monitorei uma notícia sobre o escândalo do DETRAN no site de ZMentira no dia de sua publicação mais ou menos das 14h às 18h. Dos 23 comentários publicados nesse espaço de tempo, mais da metade (12) eram nitidamente de esquerda, baixando o pau no desgoverno. Isso foi lá por julho. Cerca de um ou dois meses depois, fiz uma busca, entrei na mesma notícia e os comentários estavam todos lá.

Não há um padrão editorial suficientemente complexo capaz de produzir um manual que defina quando, como e de que forma se pode ou se deve editar uma notícia ou escrever uma opinião de maneira que defina claramente uma posição estanque e explícita a favor ou contra A ou B. Patrocinadores, dono da mídia, seus empregados e seus consumidores têm uma noção do que fazer e são movidos por uma série de interesses. Contudo, eles mesmos se contradizem e abrem brechas quanto à supervalorização, minimização ou omissão de um lado do fato.

Nesse ponto, a parte predominante da esquerda partidária (aquela que não sabe que política é muito mais do que partido e sindicato) não sabe aproveitar essas brechas.

Se não for racista nem sexista; se não escrever palavrões; se não ofender; se conseguir formar umas frases inteligíveis e relacionadas ao assunto; se não acusar alguém sem provas; e, finalmente, se não copiar e colar indefinidamente as mesmas palavras (uma espécie de spam), qualquer grande portal acaba publicando comentários contrários à sua linha editorial.

Eles não estão nem aí pro Ustra. Se eu quiser escrever sobre Fidel, eles vão publicar. Só acho que filtrariam Hitler ou Stalin.

Besos e até terça! ;)

claudia cardoso disse...

Bom, então, essa interatividade é um problema muito sério. Se é manual, ou seja, se há pessoas escaladas, conhecimento é tudo. É claro que o trabalho de monitorar comentários nos grandes portais nem se compara a blogues em matéria de volume.Mas falta leitura a essa gente e noção de direitos humanos. Uma dica: mesmo que não tenham idéia de quem seja Ustra, esse negócio de considerar um problema "chamar assassinos de vª exciaª" tem que causar ruído no ouvido de quem lê tal coisa.
Ou sou uma velha rabugenta, ou essa juventude está por demais de alienada - imaginando eu que se trata de gente jovem...
Abraço!