25 de setembro de 2009

Chargistas amestrados

Foi-se o tempo, em que os chargistas tinham a preocupação de usar o seu trabalho para se manifestarem criticamente sobre os acontecimentos políticos. Uma pesquisa feita no sítio ChargeOnline, no dia 24 de setembro, revela que a maioria deles não tem a menor ideia do que significa o golpe de estado em Honduras.
Ao contrário do que era feito durante a ditadura civil-militar, onde, muitas vezes, a charge era a única voz dissonante na unanimidade da imprensa de então, os chargistas de hoje parecem estar mais interessados em agradar o patrão, do que exercer o seu senso crítico.
Não se encontrou uma charge sequer, entre as que abordaram o tema Honduras e que foi a maioria delas, onde os golpistas fossem denunciados como tal. O que se viu, foi um humor rasteiro emoldurado por um reacionarismo à toda prova.
Zelaya é apresentado como preguiçoso, quando não um fantoche nas mãos de Chávez e Lula. Ou como um problema para o governo brasileiro. Falar da ação golpista das velhas oligarquias e dos EUA nem pensar!
Definitivamente, os chargistas não parecem entender que os acontecimentos em Honduras são um balão de ensaio para toda a América Latina. A consolidação desse golpe atiçará os saudosistas das quarteladas, sempre prontos a impedir avanços políticos nessa parte do mundo.
Como se vê, os golpistas de Honduras "devem" muito aos chargistas brasileiros pela manutenção do seu projeto de classe no poder. Certamente, esses lacaios da mídia corporativa serão reconhecidos, através da criação de alguma comenda a ser distribuída pelos "bons serviços prestados".
Seguem as charges postadas no dia 24/09, pois elas não ficaram armazenadas na página. Hoje, aguardemos a nova leva com igual teor.

Tacho

Sponholz

Sinfronio

Simon

Recchia

Pelicano

Paixão

Myrria

M. Borges

Ique

Glauco

Frank

Elvis

Aroeira

13 comentários:

Ludmila disse...

O problema de alguns chargistas e que o sonho deles e fazer tirinhas pra FSP e pro Estadao

Diego Novaes disse...

Hoje em dia o que vemos nos chargistas é um grande comprometimento em fazer humor pelo humor. Muitos chargistas hoje infelizmente não são politizados ou são completamente reacionários mesmo, defendendo os interesses da grande mídia.

Poucos hoje são os chargistas comprometidos comas causas verdadeiramente populares.

Foi-se o tempo do Pasquim.

Felipe disse...

Vejo a seguinte situação ocorrendo: "Fulano, desenha isso, isso e isso" e o cara se presta porque, afinal, além de ser o empregado, provavelmente já incorporou as idéias políticas do lugar que trabalha.

partisan disse...

Concordo com o Felipe além da submissão há o condicionamento ideológico. E não se trata de algo menor. Como foi salientado estamos vivenciando um "balão de ensaio" que caso dê bons resultados motivará todas as oligarquias da América Latina a tentarem o mesmo.

Madalena disse...

E hoje na zh tem matéria sobre o protesto dos apoiadores do golpe contra o Brasil. Que retrocesso!

ploktyn disse...

Sendo contra Lula e apatifando seu governo vale tudo. O sonho destes "chargistas" é aparecer no jô e/ou trabalhar num jornalão paulista ou carioca. Por outro lado um ex-presidente da república legitimamente eleito posar para uma foto arriado numa cadeira como um "cucaracha" plantador de bananas preguiçoso não ajuda nada - a solenidade do cargo, principalmente após ser expulso do cargo é fundamental! As vezes cansa!

Milton Ribeiro disse...

Mesmo sem ser chargista e mal sabendo desenhar, gostaria de ter escrito este post. Eu acho, Eugênio, que nem é uma questão de "manisfestação crítica", é mais, é uma postura geral equivocada.

Um artista, um escritor, um músico, precisa ter algo de rebeldia, nem que seja uma semente de rebeldia imbecil. Esses burocratas do desenho, que batem o ponto e afagam o patrão, serão trocados por um mais barato, pois não são lidos ou vistos.

Ninguém quer ver a repercussão do editoral em traços. Quer ver é algum descontrole, algo que escape ao senso comum ou uma observação que agrida, desagrade ou faça rir por crítica, nojo, coragem, argúcia ou anarquismo.

Esses chargistas não são chargistas. E ponto.

E um grande abraço.

Hélio Sassen Paz disse...

Eugênio,

De todas as aberrações deste post, nem mesmo tecnicamente os caras são bons. Só considerei bons os estilos de Aroeira, Frank e Ique.

Se é pra não saber desenhar, não ter idéias criativas e ser lacaio, isso, pra mim, não é ser chargista.

Eu digitalizava e trocava umas idéias aqui com o Iotti quando trabalhava no Terra e lá no Rio de Janeiro com o Chico Caruso. A gente tem todo o direito de questionar a ideologia e a temática que esses dois escolhem. Mas uma coisa é certa: os dois são muito bons.

Lá no Tinta China, diria que pelo menos 85% tem um traço que me agrada. E, em termos de idéias e de ideologia, 90% a 95% dos chargistas do Tinta são excelentes. Sempre que eu vejo essas estultices (ou estultícies?) no PIG, fico me perguntando se até um tosco como eu não poderia ser chargista de um jornal ou revista como esses.

Sobre essa questão de ser lacaio ou não, o que me impressiona é que a manobra diversionista da Folha pra se fazer passar por democrática e pluralista deixa passar o fantástico Angeli (que, pra mim, é o melhor do país).

[]'s,
Hélio

checarluxo disse...

Achar que esses chargistas 'ignoram' o golpe de estado em Honduras é ser condescendente demais com esses pulhas. Eles sabem muito bem de que lado estão e jogam pesado para formar consciências fascistas. O lugar deles é no freezer.

César Bento disse...

Nâo tinha visto nenhuma das charges. São muito reacionárias. A maioria das pessoas não consegue ver quando a história está acontecendo diante delas e não apenas nos livros. É o caso desses chargistas.

Dialógico disse...

Obrigada pela contribuição de vcs!

Raphael Tsavkko Garcia disse...

O Lute também deveria estar na lista: http://blogdolute.blogspot.com/2009/09/charges-do-dia_26.html

Raphael Tsavkko Garcia disse...

E, sem esquecer, http://blogdolute.blogspot.com/2009/09/charge-do-dia_27.html