11 de janeiro de 2010

Alegre convescote no litoral gaúcho

Maneco escreve um excelente artigo sobre o almoço de final de semana que reuniu o Dep. Fed. Beto Albuquerque [PSB], Francisco Turra [PP, ministro do FHC e anfitrião], Dep. Fed. José Otávio Germano [PP, Rodin, Ação de Improbidade Administrativa], Dep. Fed. Manuela D'Ávila [PCdoB] entre outros:

Beto candidato. Dou-lhe uma, dou-lhe duas…

O deputado Beto Albuquerque (PSB), que se auto-apresenta como terceira via para a eleição de 2010 ao governo do Estado, declarou dias atrás que o momento na política gaúcha é vergonhoso por conta do assédio do PMDB e do PT ao PDT. “Virou leilão”, reclamou o parlamentar. Mas, afinal, o que pode haver de errado em o PT tentar recompor uma aliança com um partido que, como ele, construiu-se à esquerda. E que, inclusive, já foi seu parceiro de governo? E que mal há em o PMDB querer manter um aliado que o levou à Prefeitura de Porto Alegre? E será mesmo falta de vergonha do PDT tentar vincular o apoio de agora à eleição municipal de 2012?

É curioso que Beto Albuquerque considere estes movimentos vergonhosos mas não tenha dito uma palavra sequer sobre o fato de os dois deputados estaduais de seu partido, Miki Breier e Heitor Schuch, estarem entre os que apoiaram a indicação de Marco Peixoto (PP) para o Tribunal de Contas do Estado. Sim, Miki e Schuch assinaram a indicação o que, certamente, não lhes deixou confortáveis, afinal, já sabiam da suspeita de envolvimento de Peixoto com a máfia do Detran. E deve ter sido difícil explicar aos eleitores socialistas porque é que mantiveram a indicação de Peixoto para o Tribunal de Contas mesmo depois de assistir à sabatina em que ele não soube responder sequer quais eram os princípios básicos da administração pública. Pior ainda deve ter sido encontrar uma justificativa razoável para a manutenção da indicação depois de a imprensa ter revelado que Peixoto mantinha sócios-laranja numa empresa.

De todo modo, tanto Miki quanto Schuch já vinham mantendo uma certa distância das ações do bloco de oposição na Assembleia Legislativa. Foi assim, por exemplo, na CPI da Corrupção que eles praticamente ignoraram. E foi assim, também, no esdrúxulo episódio em que o PSDB representou contra o deputado Raul Pont (PT) à Comissão de Ética por uma suposta agressão à deputada Zila Breitenbach. Miki Breier, o corregedor da Comissão de Ética, aceitou a presepada.

Nada disso, contudo, mereceu qualquer crítica do deputado Beto. Ao contrário, tudo leva a crer que tenham sido movimentos devidamente combinados com o deputado federal. Ele sabe que sua candidatura majoritária só terá alguma chance de decolar se contar com o apoio de algum partido que disponha de boa estrutura no interior do Estado. Que nome dar a isso, então? Leilão?

Como o PT e o PMDB já se definiram em torno dos nomes de Tarso e Fogaça, só uma aliança com o PP pode salvar o sonho de Beto de chegar ao Piratini. Daí que apoiar Peixoto e distanciar-se da oposição a um governo corrupto pode não ser exatamente o que se espera de um partido com a história do PSB, mas serve perfeitamente aos interesses imediatos de Beto Albuquerque. Não é à toa que a sigla, nos meios políticos, seja conhecida como o “Partido Só do Beto”.

O PREÇO DO APOIO - De sua parte, o PP costuma cobrar caro por seus apoios eleitorais. Veja-se o caso de José Otávio Germano que para apoiar Yeda Crusius, teria exigido o direito de continuar dando as cartas no Detran. Tanto que, na presidência da autarquia, botou seu fiel escudeiro, Flávio Vaz Netto. Estaria Beto Albuquerque disposto, por exemplo, a entregar o Detran para o PP caso se tornasse governador do Estado? Pelo andar da carroça, Beto parece disposto a pagar qualquer preço. Até mesmo cair na armadilha de se tornar alvo da própria crítica. Porque se é verdade que as conversas entre PT, PDT e PMDB carecem de conteúdo programático, uma aliança PSB/PP seria imbatível no quesito conveniência eleitoral.

O certo é que diante do pragmatismo que marca as decisões das cúpulas dos grandes partidos e das pesquisas que insistem em mostrar que a disputa de 2010 será mesmo entre Tarso Genro e José Fogaça, a tal terceira via com Beto vem fazendo mais água dos que as chuvas do verão. Isto porque embora mantenham o flerte com o PSB, os progressistas não dão sinais de que desejem sair tão cedo do colo de Yeda Crusius. Além do mais, apoiar Beto seria uma aventura e tanto, afinal, eles estiveram em postos-chave dos governos de Britto e Rigotto e o PSB, naqueles períodos, fazia oposição. É de considerar, ainda, que com os reveses que sofreu nos últimos tempos por conta de ver seus quadros envolvidos em enormes escândalos, o PP vai pensar muito antes de arriscar uma diminuição de suas bancadas em nome de uma candidatura com poucas chances como a de Beto que, ao menos até agora, não encontrou sua identidade.

O mote da “pacificação do Estado” insinuado por Beto nas campanhas de tv do PSB confunde-se com o estilo adotado por Germano Rigotto em 2002 e todo mundo já sabe que aquela conversa fiada resultou num governo que, quando disputou a reeleição, ficou fora até mesmo do segundo turno.

A outra tese que permeia as falas de Beto é a de que os gaúchos estariam cansados da disputa entre PMDB e PT. Os números de Tarso e Fogaça nas pesquisas, contudo, se não servem para refutar de vez esta hipótese, ao menos mostram que ela está longe de ser comprovada. Restaria ao PSB, então, enveredar para o apelo ético já que nenhum de seus quadros teria envolvimento com os recentes escândalos da política gaúcha. A aliança com o PP, entretando, de saída acaba com este discurso.

Assim, se insistir na candidatura majoritária, Beto que sempre foi o puxador de votos do PSB, corre o risco de ficar sem mandato e reduzir ainda mais os espaços de seu partido. E este pode ser um preço alto demais para uma sigla que ainda merece respeito.

Em tempo: este post foi escrito antes da foto que Zero Hora publica na edição de hoje em que um alegre Beto Albuquerque aparece num convescote na casa de praia do ex-ministro de FHC, Francisco Turra, ao lado, entre outros, do indefectível José Otávio Germano. (Maneco)

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Correm boatos, pelos alegres convescotes, que a Dep. Fed. Manuela D'Ávila [PCdoB] está em vias de fundar um novo partido. O Partido Comuno Oportunista. Na foto acima, a Deputada e os possíveis integrantes da nova sigla. Consta, que o Dr. Robalo, também presente ao almoço, solicitou retoques na imagem, na parte em que ele aparecia.

Foto: DANIELA MIRANDA, DIVULGAÇÃO

5 comentários:

Milton Ribeiro disse...

Parece pida, né?

Milton Ribeiro disse...

Errata: piada.

jairo disse...

Cara Dialógica:
Meu pai já dizia: “Quem quer fazer faz. Quem não quer manda fazer.”
Pesquisei na Internet e achei o site do Grupo Tortura Nunca Mais.
Nele é uma RELAÇÃO DE TORTURADORES, com um dossiê completo sobre cada um deles.
Porque Voce não coloca um banner para essa RELAÇÃO no blog?

O link é esse aqui: http://www.torturanuncamais-rj.org.br/listagem.asp?NumArray=1&NumFiltro=0&Refresh=2010011123133255047765

Se os extremistas de direita e os colaboracionistas como Serra, FHC , Folha, Globo , Band e estadão não querem a verdade, então vamos divulgar aos quatro cantos pela Internet onde ela está, para que os interessados possam assessar essas informações.

Sugiro ainda que consigamos autorização para publicar o Livro Tortura Nunca Mais inteiro na Internet!

A melhor defesa é o ataque! Querem esconder a verdade? Então publicaremos seu enderêço, já. Sem renunciar é claro, ao Plano Nacional de Direitos Humanos, é lógico. Por favor, se os demais leitores gostaram dessa sugestão, difundam-na em outros blogs, tentando convencer seus proprietários a fazerem o mesmo. A batalha dos Caças, já ganhamos pela web. Vamos à proxima vitoria! Torturadores, tremei ! Colaboracionistas, cagai-vos de medo! A blogosfera emputeceu-se!

Dialógico disse...

Está aí à direita da tela, Jairo!

Milton, só não me cairam os butiás do bolso, pq a dita é reincidente!!!!

Anônimo disse...

A esquerda que vai muito para esquerda, acaba se encontrando com a direita lá do outro lado.

Eu já vi esse filme: Marina Silva, Gabeira, Heloisa Helena etc...


São todo uns oportunistas.