2 de outubro de 2010

Declaração Infeliz

"Prefiro a imprensa livre, ainda que com calúnias e injúrias, ao silêncio das ditaduras" 
Dilma Rousseff


Mais uma declaração, entre tantas, para acrescentar ao besteirol petista em relação à mídia corporativa. Numa democracia de verdade, que tenha uma imprensa livre de verdade, não se pode tolerar nem a calúnia e nem a difamação. Poderíamos ter passado sem essa. Se Dilma disse o que disse para dar uma satisfação a mídia corporativa, predeu seu tempo. O baronato midiático não se comoverá com isso. Além do mais, a mídia corporativa não tem moral, depois de tudo o que fez nessa campanha, para acusar quem quer que seja de práticas ditatoriais.
A candidata Dilma Rousseff foi vítima de todo o tipo de patifaria engendrada pela velha mídia: carteirinha falsa de terrorista, vazamento de dados sigilosos, espionagem, tráfico de influência e por aí vai. Esse denuncismo só não vingou, porque o movimento social engajado e, particularmente, a blogosfera, atuaram de forma contundente, praticamente, estabelecendo um cordão sanitário ao redor da candidata, protegendo-a dessas infâmias veiculadas pela mídia corporativa. 
Se Dilma eleita, pensa que poderá continuar convivendo com o criminoso denuncismo lacerdista, seu governo irá muito mal. Pois chega um momento em que, mesmo o empenho e a boa vontade militante, não serão suficientes para dar conta de campanhas orquestradas pelos interesses golpistas que usam seu braço midiático para desestebilizar governos que não que não seguem sua agenda.
A candidata, se eleita, precisa sinalizar, para a sociedade, com muito mais do que uma declaração simplória como essa acima. Da forma que ela coloca as coisas, parece que se não tolerarmos as calúnias e as mentiras da mídia, estaremos incorrendo em práticas ditatoriais. Justo nós????!!!!!!
Dilma precisa mostrar para a sociedade, principalmente seus apoiadores, que fizeram esse trabalho decisivo na área da comunicação e que a ajudou em sua trajetória vitoriosa na campanha, que ela terá uma atitude firme com a mídia. 
Ou será que ela acha pouco, por exemplo, o que fez o blogueiro Eduardo Guimarães, às expensas da ONG Movimento dos Sem Mídia, ao entrar na Justiça contra certos institutos que, em conluio com a mídia, manipulavam pesquisas? Dilma pensa que chegou até aqui só pela sua competência ou pelo carisma de Lula? A atitude de Guimarães foi fundamental no processo eleitoral, pondo, praticamente, um fim à publicação de pesquisas manipuladas ao bel prazer da mídia corporativa.
Esse é um fato histórico fundamental, um divisor de águas, que ainda merecerá a devida atenção daqueles que estudam as eleições no Brasil. 
Mais que declarações pró-forma, Dilma precisa por em pratica as resoluções da I Conferência Nacional de Comunicação, conferência esta postergada por Lula até o apagar das luzes de seu governo e que acolheu demandas sociais na área das comunicações, da forma mais transparente e democrática. Agora, só falta alguém com coragem para pô-las em prática. 
E, se isso for feito, certamente, teremos que desmentir uma campanha midiática nunca vista, de injúria, calúnia e difamação, pior que a que fizeram na campanha eleitoral, contra quem ousar contrariar os privilégios da velha mídia. 
Não temos procuração dos blogueir@s deste país, para afirmar isso. Mas pode ficar certa, Dilma Rousseff, que el@s estarão na linha de frente, com tudo que tem nas mãos, para defender as tão necessárias medidas de regulação das leis da comunicação no Brasil.

7 comentários:

Anônimo disse...

Claudia, um beijo. Eduardo Guimarães

Omar disse...

Oi Claudia,
Dá uma olhada: http://doomar.blogspot.com/2010/10/presidente-lula-si-fuera-por-la-prensa.html#links
Abraço
Omar

MIRABEAU BAINY LEAL disse...

.
.
QUANDO DILMA FEZ ESSA AFIRMAÇÃO,

O QUADRADO BRUXO AINDA NÃO TINHA A ATACADO MORALMENTE.

PARECE QUE HOUVE INGENUIDADE, PELA INEXPERIÊNCIA ELEITORAL DA CANDIDATA.

AGORA, DEPOIS QUE ELA PRÓPRIA, DILMA, FOI DIRETAMENTE ATINGIDA PELA MÍDIA CORPORATIVA

COM CALÚNIAS E DIFAMAÇÕES QUE ESTÃO ABAIXO ATÉ DO MAIS BAIXO GRAU DA ÉTICA,

ACHO QUE ELA PERCEBEU O QUÃO CRUÉIS AS FAMÍLIAS DA ELITE MIDIÁTICA PODEM SER
E SE CONVENCEU DE QUE O BRASIL PRECISA DE UMA URGENTE REGULAÇÃO DA MÍDIA COMERCIAL.
.
!!! DILMA NO 1º TURNO !!!
.
.

Dialógico disse...

Cassiano Leal deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Declaração Infeliz":

Preferir "a" a "b" não significa necessariamente *gostar* de "a", e sim achá-lo melhor que "b".

Eu, por exemplo, prefiro o Atlético-MG ao Corinthians, mas isso não significa que goste do Galo. Muito pelo contrário!

Portanto, a declaração de Dilma me parece muito bem colocada: é *muito* melhor esta imprensa livre, caluniadora, golpista,
etc., do que a ditadura.

Se tu preferes a ditadura, ainda há países no mundo com este tipo de governo.
A Argentina, com seu governo latifundiário de Néstor e Cristina Kirschner,
está caminhando rapidamente para isto, e é bastante próxima a nós, tanto geografica quanto culturalmente.
Pode ser uma alternativa para saudosistas da ditadura como o autor do blog.

Boa sorte a todos nós!

Dilma e Tarso, para seguir mudando e sendo mundialmente reconhecidos por coisas realmente boas, não somente por samba,
sexo e futebol.

Um grande abraço!

=============================

O seu sofisma é tão salafrário, que merece uma resposta. Onde vc viu, no nosso texto, bem como no blog, defesa de qualquer
ditadura?

O que nós afirmamos, e continuaremos afirmando sempre,é que nenhum governo poderá conviver com uma imprensa
caluniadora e golpista. Democracia não pressupõe esse tipo de prática. A imprensa tem a obrigação de ser factual.

A frase da Dilma é infeliz, pq mostra uma tolerância com práticas que não se podem tolerar de forma alguma e
isso não tem nada a ver com posturas ditatoriais.

Quanto aos Kischner, vc deveria se informar melhor, principalmente, sobre o que eles estão fazendo em relação ao Clarín
e La Nación. Os donos desses jornais sofrem ações criminais, pelo que fizeram em relação a empresa Papel Prensa.
Isso não tem nada a ver com perseguição política.

Vc, pelo visto, faz parte da legião de ingênuos, que compram o discurso de que a imprensa está acima do bem e do mal,
podendo-se valer, inclusive, de práticas criminosas para atingir seus objetivos. Além do mais, a imprensa na América Latina,
sempre esteve associada a atividades golpistas e todas as ditaduras. Vide o caso recente do Equador.

E, se vc não consegue enxergar tão longe, aqui, bem embaixo do nosso nariz, a RBS, que se apropria de senhas do estado para
espionar a vida dos cidadãos.

Cassiano Leal disse...

Caro,

Se me excedi, peço desculpas. Especialmente por sugerir saudosismo pela ditadura. Por isto, entendo o teor de tua resposta.

Porém, creio que esta, assim como o post original, não passam de um artifício baixo, para ser modesto.

Viste em meu comentário algum sofisma. Aceito a tua opinião, mesmo discordando. Porém vejo, nas tuas palavras, falácia com intuito sensacionalista.

Coloquei apenas que a Dilma, não afirmava que a imprensa golpista é ideal. A afirmação é de que assim ainda é melhor que a ditadura. Neste ponto se encontra o sensacionalismo de teu texto. Utilizaste uma frase fora de contexto, distorceste o significado em favor de teu argumento e clamaste por ações irracionais.

Ou por acaso acreditas que seja razoável atacar esta imprensa, especialmente sabendo de suas intenções golpistas? Lula não chegou ao ponto de ser um dos políticos mais influentes do mundo através de ações impensadas. Foi, sim, com diplomacia. Foi com a grandeza e a inteligência de um verdadeiro estadista. E é nesta direção que eu, como eleitor e cidadão, espero que a minha candidata siga.
(continua em outro comentário)

Cassiano Leal disse...

Sobre a Argentina, tenho sim algum conhecimento da situação. Tenho família direta e amigos de lá. Através destes, vejo não só o que está acontecendo de fato por lá, como também como a própria população argentina pensante (cada vez em menor número, porém ainda em proporções drasticamente superiores à brasileira) está vendo e vivendo a situação. Talvez seja melhor tu te informares mais a este respeito, mas não da mesma forma que um expatriado nosso nosso se informaria através dos olhos da Folha e da Veja.

Os atos dos Kirchner contra veículos de imprensa tiveram, sim, caráter político. Ou talvez enviar 200 agentes federais para dentro do Clarín para interrogatórios e revistas seja uma ação democrática? Ou o fato de uma governante entrar em uma guerra pública e pessoal contra uma empresa acusando o diretor de adoção ilegal? Seria isto uma atribuição sua?

A situação do Equador, no entanto, é o oposto da Argentina. Me desculpa, mas Cristina Kirchner está muito mais para Yeda Crusius do que para Lula ou Dilma.
(continua)

Cassiano Leal disse...

Quanto à RBS, tenho amigos lá dentro que, como qualquer gaúcho com algum senso crítico, iniciam qualquer conversa a respeito do veículo com o bordão "a RBS mente". Portanto, sei, não somente por já ter consumido as besteiras vindas do grupo durante décadas, como também por conhecer pessoas que aí trabalham, que a RBS não é um veículo de imprensa. A Zero Hora é, na minha opinião, um folhetim de luxo. Uma espécie de The Sun com pretensões de grande periódico. Portanto, não é necessário perder tempo tentando me convencer das intenções do clã Sirotsky.

Quando o tempo permite, leio o teu blog com intenção de ter mais um contra-ponto ao que é publicado na grande mídia. Porém, vejo que o teu estilo - assim como o de muitos outros - é análogo ao deles. É claro que, sendo este um blog, é esperado que estejam expressas tuas próprias opiniões. Porém, se estás tão engajado numa luta contra este golpismo, não seria melhor dar o exemplo, em vez de contra-atacar com as mesmas armas?

Afinal, qual é o objetivo-fim? Provar um ponto de vista, ou realmente alcançar um ponto de convivência?

Finalizo deixando o meu respeito e a minha admiração por todos aqueles que, como tu, tentam - e muitas vezes erram neste intento - trazer a público o que não é dito por quem deveria informar.

Com sincero respeito,
Cassiano Leal