11 de outubro de 2010

Lula, o Pré-sal e os 5ª coluna

Vejam, noss@s leitor@s, a quantidade de instituições de pesquisas que o pré-sal impulsiona! E o potencial que ele tem para o desenvolvimento nacional. 
Mesmo assim, o tal David Zylberstein, infiltrado no tucanato, e que nem brasileiro é, quer entregar essa riqueza aos seus comparsas do estrangeiro.
Além dos quinta coluna de fora, temos os quinta coluna de dentro. Ouçam, AQUI, as declarações da venal Lucia Hippolito, para quem o pré-sal, antes de ser uma solução, é um monumental problema!

Do blog Guaciara [via @iavelar]:


Lula mandando seu recado: mais quatro anos de avanços econômicos e sociais com Dilma e aliados!

Mais uma vez o Demétrio faz com que este blog se torne melhor. Agora explica e desfaz algumas bobagens difundidas sobre o pré-sal. Assim que descobriram os recursos na profundidade, começaram a falar sobre a sorte do presidente Lula, como se as riquezas houvessem sido descobertas espontaneamente. O Demétrio desfez a bobagem nos debates acadêmicos, políticos e nas mesas de botequim. Disse que sem um ativismo científico do estado, típico do governo Lula, a fonte nunca teria sido descoberta. Desde então, a cada notícia publicada, checo com o representante do Guaciara em Massachussets. O texto, os links, as imagens e as legendas são do Demétrio. O cabra já virou blogueiro. RA!

  • O pré-sal, para todos os efeitos, ainda não existe. Ele precisará ser “criado” por meio de tecnologias e processos capazes de recuperar quantidades assombrosas de petróleo e gás nas condições mais adversas de exploração já enfrentadas desde as gigantescas descobertas no Mar do Norte na década de 1960.


  • A riqueza do pré-sal, essa então não apenas ainda não existe como pode nunca realizar todo o seu potencial. Maior ainda do que os desafios de desenvolver as tecnologias e processos de exploração e recuperação do petróleo e gás do pré-sal são os desafios políticos, econômicos e sociais de transformar essa riqueza potencial em motor do desenvolvimento nacional justo, distributivo e progressista.
  • O primeiro desafio, o desenvolvimento tecnológico e científico aplicado à exploração, beneficiamento e comercialização das riquezas do pré-sal, a Petrobrás já demonstrou que podemos vencer, como, aliás, vencemos, sob condições relativamente parecidas de dificuldades tecnológicas e produtivas quando das descobertas das reservas nos campos de Albacora e Marlim na Bacia de Santos, na década de 1980. Enfrentar e vencer esses desafios colocou a Petrobrás na condição de líder mundial em exploração petrolífera em águas profundas.


  • O segundo desafio, transformar a riqueza do pré-sal em desenvolvimento nacional econômico e justo, distributivo e progressista é muito mais difícil.  As dificuldades podem assumir duas ordens: a maldição dos recursos naturais e a doença holandesa. A maldição da abundância de recursos naturais refere-se à correlação negativa entre crescimento econômico e abundância de recursos naturais: quanto mais abundantes os recursos naturais, menor o crescimento econômico. A doença holandesa é mais específica, pois identifica um tipo de recurso natural (petróleo e gás) e o mecanismo causal que gera um crescimento econômico mais modesto e de menor qualidade, além de tratar de um caso histórico específico, os efeitos deletérios das descobertas de reservas petrolíferas no Mar do Norte sobre a economia holandesa. O argumento é o seguinte: a maior rentabilidade do setor de exploração do petróleo e gás combinada aos efeitos da apreciação cambial causada pelo enxurrada de divisas externas que afluirão ao país resultará em um movimento de fatores (capital e trabalho) dos setores manufatureiros para o setor de exploração dos recursos naturais e de serviços, diminuindo a competitividade do setor industrial exportador, deixando  no lugar uma economia especializada na extração e comercialização de recursos naturais que cedo ou tarde se esgotarão.
  • A descoberta de petróleo e gás no Mar do Norte na décade de 1960 oferece um caso raríssimo exemplo de quase-experimento nas ciências sociais: duas economias bastante parecidas – a holandesa e a norueguesa; o mesmo evento exógeno – descobertas de petróleo e gás no Mar do Norte – na mesma época – década de 1960; mas resultados muito diferentes a médio e longo prazo, com a Noruega desenvolvendo uma das sociedades mais justas e desenvolvidas do mundo , superando suas irmãs escandinávas Suécia e Dinamarca, e a Holanda emprestando seu nome a uma “doença”, feito de pouco ou nenhum mérito, convenhamos. A figura abaixo mostra a Noruega tirando a distância dos outros dois países escandinavos, Suécia e Dinamarca, em termos de PIB per capita (Produto Ingterno Bruto=Gross Domestic Product), de um ridículo terceiro e último lugar até a década de 1960 até a inquestionável dianteira:



  • Como explicar resultados tão diferentes? A Noruega, ao contrário da Holanda, adotou uma abordagem que tratava a enorme riqueza a que a sociedade norueguesa teria acesso nas décadas seguintes como uma oportunidade cheia de perigos e desafios. Trataram logo de garantir que  80% da riqueza gerada pelo petróleo e gás da plataforma continental norueguesa seria propriedade da nação; ampliaram e desenvolveram a companhia estatal norueguesa de petróleo (StatOil), dando a ela primazia na exploração e desenvolvimento do setor de petróleo e gás na Noruega; deram às companhias internacionais papel secundário e auxuliar no setor petrolífero norueguês, valendo-se das parcerias para garantir transferência de conhecimento das multinacionais para as empresas norueguesas – em um processo conhecido como capacidade adaptativa, em que um país consegue se apropriar de conhecimentos de fontes externas e aplicá-los para o desenvolvimento do país; desenvolveram o setor de subsea norueguês, dedicado a tudo que diz respeito à exploração subaquática, de risers – basicamente, tubos e conexões que, como sabemos, podem ser um baita mico nas mãos erradasv- até robótica e computação aplicadas à exploração de petróleo e gás – hoje em dia a norueguesa Aker Kværner é uma das maiores e mais importantes companhias do setor de subsea do mundo, setor altamente intensivo em capital e tecnologia e presente no mundo inteiro, isto é, em todo lugar em que os desafios tecnológicos para a extração do petróleo, logo, em que os custos envolvidos, portanto os lucros potenciais, são grandes; e a criação de um fundo soberano para reter e aplicar os dividendos do setor de petróleo e gás, evitando com isso a sobrevalorização cambial e as consequências da doença holandesa e a maldição que recai sobre quase todos os países ricos em recursos naturais mas pobres em futuro.
  • O pré-sal como fronteira tecnológica da exploração do petróleo é brasileiro, é nosso, foi feito por pessoas como você e eu que têm se dedicado a fazer do nosso país um lugar melhor para todos nós. O pré-sal como fenômeno geológico é muito provavelmente mundial, isto é, as condições geológicas de presença de petróleo nas camadas de pré-sal mundo afora são muito favoráveis e existem seguramente na costa ocidental da África (em que países como Nigéria e Angola já exploram petróleo e gás em suas plataformas marítimas) e possivelmente no Japão, no Golfo do México e no Mar Cáspio. O país que dominar as tecnologias de exploração dessa fronteira tecnológica terá uma vantagem competitiva de pelo menos duas décadas (o tempo que levou para o Brasil desenvolver a tecnologia capaz de extrair petróleo e gás do pré-sal) em relação aos demais – e no momento esse país é o Brasil.
  • Os desafios políticos, econômicos e sociais exigem muita atenção e sentido de futuro e de nação. Como mostram as histórias de inúmeros países ricos em recursos naturais – aqueles afetados pela maldição da abundância de recursos naturais – só isso não basta, é necessário saber o que fazer com tanta riqueza.
  • O Brasil precisa evitar a todo custo a tentação de gastar as riquezas do pré-sal em atividades e ações imediatas e com alto retorno político imediato mas baixo retorno no médio e longo prazo. Para isso, é preciso que o Brasil direcione a riqueza gerada pelo pré-sal para:
  1. Investir em educação em todos os níveis, de modo a qualificar a mão de obra não apenas do setor de petróleo mas de todos os outros setores da economia brasileira, mas sobretudo como forma de ampliar as condições mínimas de uma cidadania plena;
  2. Investir em inovação em todos os setores da economia brasileira, de modo a desenvolver no Brasil um tecido produtivo intensivo em conhecimento e competitivo internacionalmente;
  3. Garantir em alto grau o retorno das riquezas do pré-sal à sociedade brasileira, tanto no investimento dos recursos em políticas públicas de educação, inovação, ciência e tecnologia como na constituição de empresas brasileiras capazes de competir internacionalmente e gerar para o país empregos e dividendos que possam ser, via tributação, redistribuídos, reduzindo as tremendas desigualdades e injutiças que ainda existem no Brasil.
  • Mas pré-sal não é apenas e nem mesmo principalmente extrair petróleo e gás do fundo do mar de modo responsável e fazer com que isso se se reverta em um desenvolvimento nacional justo, distributivo e progressista. Como a experiência da Noruega nos mostra, para extrairmos todos os benefícios do pré-sal e evitarmos as armadilhas e roubadas que podem vir junto, uma geração inteira terá que se empenhar no esforço coletivo para aplicar da melhor maneira possível essa enorme riqueza. Nós precisaremos nos dedicar de corpo e alma à tarefa de compreender quais os impactos dessas descobertas sobre a fauna e flora marinhas, a chamada Amazônia Azul; as profundas alterações sociais e urbanísticas que afetarão os municípios e estados mais beneficiados com os royalties do pré-sal; os movimentos demográficos, a reconfiguração do mercado de trabalho e seus impactos sobre os ambientes urbanos que tenderão a crescer naquelas áreas; os desafios ambientais envolvidos na utilização intensiva de recuros energéticos de fontes fósseis; o que fazer para não perdermos a liderança no desenvolvimento e produção de biocombustíveis; e quais as políticas sociais mais adequadas para redistribuir toda essa riqueza sem com isso colocar em risco nosso futuro, uma vez que cedo ou tarde toda essa riqueza irá acabar e teremos que ter algo para colocar no lugar. Nossa geração e a de nossos filhos serão beneficiárias dessas riquezas, mas precisamos fazer com que nossos netos e bisnetos, assim como todos os brasileiros que vieram antes nós e sofreram a tragédia de um país injusto, racista e desigual, sejam contemplados com um país melhor.
  • É preciso lembrar, por último, que as forças reacionárias da sociedade brasileira encarnadas na candidatura de José Serra e sua aliança neo-udenista com a escória mais baixa da ditadura, o PFL, prometem fazer, no que toca ao pré-sal, mas não apenas a isso, o contrário de tudo que a experiência histórica de países que se desenvolveram com qualidade recomenda.  O mesmo partido que buscou sem sucesso privatizar a Petrobrás ameaça, segundo declarações de David Zilberstajn, assessor para assuntos energéticos de Serra: acabar com a necessidade de participação da Petrobrás na operação das áreas licitadas de modo a abrir caminho para as multinacionais do petróleo e gás, entregando de mão beijada a riqueza nacional para o capital estrangeiro à moda do que se fazia à época da colônia, e depois no império e por boa parte da história da república. Nós, nossos filhos e nossos netos pagaremos caro por isso se não agirmos a tempo e decididamente. E o momento é já!
  • Este filminho é aquele que nos enche de orgulho e nos informa mais sobre o pré-sal:

    3 comentários:

    Hélio Sassen Paz disse...

    Cláudia e Eugênio,

    O David Zilberstejn é (ou foi) genro de FFHH.

    Durante seu governo, houve um acordo com a Halliburton, já descrito pelo PHA e pelo Nassif

    A Halliburton, conforme bem explicado pelo Michael Moore em seus livros e também no documentário Fahrenheit 9/11, é uma indústria bélica de altíssima tecnologia vinculada aos neocons de Yale (os zilionários filhinhos de papai que se infiltram em todos os ramos top da economia mundial de onde surgiu George W. Bush). Hoje, eles não apenas viraram credores da reconstrução das republiquetas que os EUA invadem como também controlam toda a inteligência relacionada a esses recursos naturais.

    Isso NÃO FOI DESFEITO pelo Governo Lula, assim como a abertura de capital da Petrobras jamais poderia ter ultrapassado 50% -1 do total de ações lançadas no mercado ao invés de 52%.

    Enfim... É por essas e outras que não babo o ovo do PT e não faço campanha entusiasmada. Eles dão com uma mão e tiram com a outra. A diferença entre Serra e Lula é que o primeiro não faz políticas públicas, pertence a uma ala fascista e entreguista da nossa oligarquia. Mas, com o PT, é como diz o Guga Türck: a gente vai morrer igual. A diferença é que, com a direita, eles jogam uma bomba atômica e resolvem a merda logo. Com a centro-esquerda dócil, a gente morre sangrando lentamente.

    []'s,
    Hélio

    Dialógico disse...

    Td bem, Hélio, ninguém morre de ilusões com o PT. Só que não dá para abstrair o fato de que, apesar das crises cíclicas, o capitalismo ainda é uma força hegemônica no mundo e isso engessa muitas decisões políticas, incluso, as do próprio PT.
    E nosso amigo Türck esqueceu de dizer, que, com o Plínio, a gente tb morrará sangrando. Ou alguém carrega a ilusão de que o PSOL, PV e outros ajuntamentos de esquerda, tem uma visão desenvolvimentista diferente da do PT? O Plínio e a Marina fazem o fanfarrão discurso da sustentabilidade ambiental sem ter, sequer, sustentabilidade política para garantir esse discurso na prática.
    Quero ver a Marina e o Plínio dizerem para a velha classe média e esta que, agora, surge nos rastros das políticas públicas do Lula, que eles devem diminuir suas expectativas de consumo!
    No nosso modesto entendimento, já passamos do limite do desenvto. sustentável. Precisamos dar uma moratória ao planeta. Precisamos, como dizem alguns poucos especialistas, de um "retrocesso sustentável". Mas entre o nosso desejo e a prática, existe um abismo.
    Pelo menos, apoiemos políticas públicas e de desenvolviemento que, se não são as melhores, ainda assim, se comparadas a dos demais partidos, são as mais viáveis. Pq não te iludas, Helio, nossas riquezas serão exploradas de qquer maneira, por um mundo ávido de matérias primas. Não conseguiremos evitar isso. O que é preciso definir, é quem explorará essas riquezas: nós, ou os estrangeiros. Não é por acaso, que os zylbersteins querem entregar o pré-sal ao grande capital. E tb não é por acaso, que o Evo colocou 80% do efetivo do exército boliviano nas fronteiras para expulsar estrangeiros, inclusive, garimpeiros brasileiros.
    Como tu vês, na prática, a teoria é outra.

    Hélio Sassen Paz disse...

    Resposta no próximo post do meu blog.

    []'s,
    Hélio