25 de dezembro de 2006

Efeito flatulência

Aquilo que poderia ser uma notícia alvissareira, ou seja, de que está havendo um crescimento da pecuária e, conseqüentemente, pelo menos em tese, uma maior oferta de alimentos, termina por não ser tão promissor quanto se esperava.
A FAO acaba de divulgar um relatório sobre a emissão dos gases que amplificam o efeito estufa, no qual a pecuária é apontada como uma das grandes responsáveis por este problema.
"Entre os gases procedentes do esterco a FAO cita o óxido nitroso (N2O), que tem quase 300 vezes mais GWP, Potencial de Aquecimento Global, do que o CO2. O setor gera 65% do óxido nitroso presente na atmosfera." (Leia o artigo na íntegra AQUI.)
No final das contas, o que fica evidente, é que a coisa chegou a tal ponto, que qualquer atividade humana, num planeta que está no limite da sua capacidade, mesmo quando "positiva", de uma forma ou de outra altera o equilíbrio ambiental. Isto nos põe diante de uma outra perspectiva, ou seja, de que as políticas ambientais já não podem mais dar conta dessas alterações. Qualquer projeto que a humanidade execute, daqui para adiante, fatalmente produzirá efeitos indesejáveis.
E isto se deve a quê? Na minha modesta opinião, todas as fronteiras para um possível crescimento, já foram atingidas. Entre as alternativas pensadas para contornar o problema, duas delas terão que contemplar, necessariamente, a mudança do paradigma de consumo e o estancamento, melhor ainda, a redução do crescimento populacional global e a pressão que este crescimento exerce sobre os recursos do planeta.
Eugênio Neves

Este desenho foi publicado em junho de 1979 na revista "Agricultura e Cooperativsmo", editada pela Coojornal - Cooperativa dos Jornalistas - para a Fecotrigo. Foi por esta época que se iniciaram, no Brasil, as discussões sobre o aproveitamento de energia produzida a partir da decomposição de resíduos orgânicos tanto vegetais, quanto animais. A idéia era utilizar biodigestores para o aproveitamento dos gases gerados a partir dessas fontes, o que também foi proposto como solução pelo relatório da FAO para minimizar os efeitos dessas emissões. Resta saber, se haverá recursos para os pequenos produtores financiarem a construção destes equipamentos. Esta edição recebeu vários prêmios, na época, pelo seu conteúdo.

3 comentários:

jean scharlau disse...

Isto sem falar no potencial GWP multiplicado do peido humano depois de comer uma churrascada...

Anônimo disse...

Concordo que precisamos mudar nossos conceitos sobre alimentação. Por exemplo: comer menos carne, é comprovadamente mais saudável e ao mesmo tempo uma medida eficaz de descontrução do sistema do consumo que induz as pessoas a uma "comilança" permanente. No entanto temos aí uma contradição absurda, pois sabemos que a super produção da pecuária deixa de fora a maioria dos famintos do planeta. O agronegócio e a pecuária visam só o enriquecimento dos donos do dinheiro no mundo.
A redução populacional do planeta é inútil nesse caso porque a pecuária só produz para poucos!
A mudança de conceitos de consumo é mais uma arma que podemos utilizar para combater o sistema que se apossou da produção de alimentos no mundo.
Corina

Eugênio Neves disse...

Corina, fiz essa ressalva, quando disse que, em tese, o aumento da produção beneficiaria a humanidade. Concordo, que o acesso ao consumo de carne é restrito. De qualquer forma, acho uma medida salutar, para a humanidade e o planeta, que consigamos estancar ou reduzir o crescimento da população. Ou a gente pensa nisso enquanto ainda podemos tomar medidas preventivas, ou certamente medidas drásticas terão que ser tomadas no futuro.