9 de abril de 2007

A culpa é sempre do Fidel

A Folha de São Paulo, fiel ao seu conservadorismo, publica matéria de Flávia Marreiro nitidamente anti-castrista, alegando que Fidel ataca Lula, quando, na verdade, ele questiona o fato do Presidente brasileiro ter saído de Camp David sem nenhum acordo favorável na questão do etanol. Ao mesmo tempo, Fidel denuncia que nem Bush, muito menos Lula, respondem satisfatoriamente a respeito da área ocupada para a produção dos agro-combustíveis em detrimento da produção de alimentos. Tudo isto embasado em dados e declarações de autoridades internacionais.
No entanto, a Folha procura e acha, na USP, algum professor-doutor nisso e naquilo disposto a desqualificar a opinião de Fidel. Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP, obrigado a reconhecer a pertinência das palavras de Fidel, mesmo assim, acusa-o de "maniqueísta".
Lemos o texto do Fidel a procura do tal "maniqueísmo" que, como já era de se esperar, não foi encontrado. Dando uma rápida olhada no currículo de Dupas, ficamos suspresos com as suas palavras à FSP. Alguém com a sua titulação, poderia ser mais cauteloso.
Já para José Augusto Guilhon Albuquerque, fundador do departamento de Ciência Política e do Núcleo de Relações Internacionais da USP, o questionamento de Fidel "é uma velha tática bolchevista que tenta imprensar o centro: quem não está totalmente do meu lado está contra mim". Seria justo, se ele também tivesse dito, que Bush usou a velha tática imperialista do "dividir para reinar". Ou seja, o velho ranço da direita de que TUDO É COISA DE COMUNISTA. Até quando?
Não bastasse a FSP, ainda temos que agüentar fogo amigo, na bobagem proferida por Marco Aurélio Garcia, de que não o Brasil não "ideologizará" a questão do etanol.
O próximo passo dos nossos esquerdinhas será propor a desideologização da ideologia, coisa que nem a direita ainda ousou propor.
Êta, meu pai!!!
Fidel volta a criticar álcool e ataca Lula
Folha de São Paulo
Assunto: Mundo
Título: 1g Fidel volta a criticar álcool e ataca Lula
Data: 05/04/2007
Crédito: Da Redação

Em novo artigo, cubano diz que nem brasileiro nem Bush têm respostas para ameaças ambientais e alimentares do programaPara professor, apesar de maniqueísta, ditador tem bons argumentos e acerta ao questionar retórica ambientalista dos EUA.

DA REDAÇÃO: No segundo artigo em menos de uma semana sobre o tema, o ditador de Cuba, Fidel Castro, voltou a atacar ontem o programa do álcool impulsionado por Brasil e EUA, dessa vez com críticas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em texto publicado pelo jornal oficial cubano, o "Granma", Fidel afirmou que nem Lula nem o presidente americano, George W. Bush, responderam como conseguirão gerar biocombustível suficiente para substituir, ao menos em parte, o uso de petróleo e gás, sem pôr em risco o ambiente e o fornecimento global de alimentos. Fidel, que desde julho passado se recupera de uma delicada cirurgia no intestino, comentava a reunião entre Bush e Lula, no último fim de semana, em que o programa do álcool foi discutido. "Não é minha intenção lastimar pelo Brasil, ou me imiscuir em assuntos relacionados à política interna", começa o cubano. Depois, argumenta que a empreitada do álcool, em proporções mundiais, condena a população pobre do mundo a morrer de fome - "significa nada menos que a internacionalização do genocídio", já que as lavouras seriam redirecionadas para a produção de álcool e o preço dos alimentos subiria. O cubano também cita que Lula voltou dos EUA sem nenhum aceno na questão das barreiras comerciais à importação do álcool brasileiro: "Diante das demandas de seu visitante brasileiro quanto às tarifas alfandegárias e subsídios que apóiam e protegem a produção norte-americana de álcool, Bush não fez a menor concessão".
Estratégia
Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP, considera que, apesar da abordagem "maniqueísta", Fidel foi "inteligente" ao escolher a cruzada contra o álcool para sua "ressurreição" - o cubano já havia abordado o tema em um artigo há seis dias, o primeiro que escreveu desde que transferiu "provisoriamente" o governo ao irmão, Raul. "Fidel Castro, grande produtor de cana que é, aproveitou para bater no velho grande inimigo escolhendo a tese ambiental que é o foco de Bush. A temática dele é controvertida, mas tem aspectos que merecem relevo", afirma Dupas, que lembra que um dos objetivos de Bush com o projeto é tentar diminuir seu "passivo" na questão ambiental. Bush retirou os EUA do Protocolo de Kyoto e as emissões de gás carbônico crescem nos EUA. Além disso, Fidel não está sozinho ao soar o alerta - também o fazem ambientalistas e economistas, com apelo no eleitorado americano.Para José Augusto Guilhon Albuquerque, fundador do departamento de Ciência Política e do Núcleo de Relações Internacionais da USP, a escolha de Fidel revela a importância que Cuba e Venezuela dão ao tema e à aproximação entre os EUA e o Brasil de Lula. O que quer Fidel, e também seu aliado Hugo Chávez, diz Guilhon, é mostrar que não é possível uma posição de centro, como a que pretende Lula, de estar com os EUA e continuar aliado dos esquerdistas. "É uma velha tática bolchevista que tenta imprensar o centro: quem não está totalmente do meu lado está contra mim. "Fidel, diz o professor, atua em dois eixos conectados. O primeiro no sentido de reforçar a posição na região do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que "desistiu de compartilhar com Lula e com outras lideranças uma certa direção do latino-americanismo". A segunda meta é apelar à base da esquerda petista, ainda sua audiência. "É como se dissesse: "Lula, se já não nos traiu, está traindo agora'", aponta. (FLÁVIA MARREIRO)

4 comentários:

joice disse...

Legal! Postei no Vozes do Sul lincando pra cá. Um abraço, Joice.

Carlinhos Medeiros disse...

Olá, Cláudia.

Mais dias menos dias, ficaremos livres dessa mídia sabuja conservadora.

Mas ainda vejo com bastante preocupação a questão da sublevação dos amotinados, em parceria com os comandantes insatisfeitos com o governo e seu ministro.

Jens disse...

Quando não é o Fidel é o Lula. Quanta falta de criatividade.

Jean Scharlau disse...

Regra n° 1 - "Ditadores" são sempre "maniqueístas", mormente se forem "comunistas".

Regra n° 2 - Presidentes de países "emergentes" jamais ideologizam, caso em que deixariam de "emergir".