28 de maio de 2007

Tá difícil...

Na família Cardoso, uma das máximas é essa: "é melhor ouvir essa coisa, do que ser surdo", com todo respeito às pessoas com necessidades especiais. Terminei de ouvir a notícia do Jornal Nacional sobre o fechamento da RCTV. Manipulação e mistificação é pouco. As fontes: Repórteres Sem Fronteiras e José Sarney. As cenas: revolta de estudantes universitários (maioria branca), choro dos funcionários, entrevista com uma atriz venezuelana. Papo: perigo de monopólio estatal.
Agora, nenhuma imagem, nenhuma entrevista com venezuelanos que estivessem a favor do fim da concessão. E tudo isso em nome da liberdade de expressão e de imprensa!
Assim, fica cada vez mais difícil acompanhar o noticiário nacional...

7 comentários:

César disse...

Eu já me libertei da Midiatrix, e espero que se discuta séria e republicanamente se devemos manter ou não a concessão da Globo e de outros canais aqui no Brasil. A concentração nas comunicações é republicanamente inaceitável, e nociva.

Carlos Maia disse...

O Estado tem todo o direito de revogar ou não autorizar uma concessão, mas deve fundamentar essa decisão. Chávez alega que a RCTV participou do lamentável golpe midiático. Mas o líder do golpe foi o Sr. Gustavo Cisneros, da Venevision. A Venevision participou ativamente do golpe. A RCTV apenas se omitiu. Mas, curiosamente, a Venevision continua no ar. E por que continua? Porque foi cooptada por Chávez. Na eleição presidencial de 2006, a Venevision dedicou 84% do tempo de informação política à posição oficialista de Chávez e 16% à coalisão de Rosales (oposicionista). Por outro lado, a RCTV, na eleição do ano passado deu 69% do tempo à coalisão de Rosales e Chávez 29%, mas sempre em tom crítico. A desculpa de Chávez é esfarrapada. Ele domina o executivo, o legislativo, o judiciário e agora controla a mídia. E dizem que ele não é ditador. E tem gente que acreditaaaaaa!

Claudia Cardoso disse...

Oi, ilustre Carlos Maia! Até que enfim, resolveste visitar o Dialógico. Já estava preocupada, achando que nosso blogue era mais um à direita. Com a tua visita e o teu pronunciamento, isso me deixou tranqüila: opa, estamos no caminho certo em infernizar a direita ingênua e a direita inescrupulosa. Alguns dados sobre a TV na Venezuela: 90% é da iniciativa privada que detém concessão pública; a RCTV era um dos "4 cavaleiros do apocalipse", apelido dado por Chávez as 4 (hoje 3) maiores redes de televisão, que não faziam oposição, mas agiam com falta de respeito mesmo; existem dois documentários que, a bem da honestidade, devem ser vistos por qualquer pessoa, antes de chamar Chávez disso ou de aquilo: "A revolução não será televisionada" e "Puente Llaguno" (podes baixá-los por Internet). E jamais esquecer, que a constituição venezuelana permite referendo para o povo decidir se o mandato de um presidente continua ou não. Chávez expôs seu nome e sua reputação e saiu vencedor. Bush Jr. faria a mesma coisa? No mais, obrigado pela visita e pelo comentário.

Claudia Cardoso disse...

Cesar, nem sei se teremos tempo de discutir a renovação das concessões públicas da Rede Globo e da RBS, que se encerram dia 5 de outubro deste ano. Pela entrevista da Dep. Erundina, mais abaixo no blogue, a coisa está complicada. O governo brasileiro optou pelo procedimento ser via Câmara dos Deputados. Este não deu conta, repassou para a Comissão de Ciência e Tecnologia, que também não deu conta e, neste novo mandato, com outros atores, resolveram criar uma subcomissão (da qual faz parte a Erundina) para dar conta de todos os processos. Por isso temos a Banda aqui do RS há mais de dez anos funcionando com sua concessão vencida, mais rádios Guaíba, Gaúcha e outras, também motivo de publicação aqui no Dialógico. Há muita coisa para o povo brasileiro se dar conta politicamente, como a relação direta entre mídia hegemônica e política. Não é uma discussão fácil. Abraço!

Carlos Maia disse...

Cláudia, você passou por cima de tudo o que eu disse. O argumento de Chávez é que a RCTV patrocinou o golpe midiático muito bem retratado pelo filme "A revolução não será televisionada" que assisti. Mas o grande nome da mídia que participou do lamentável golpe foi Gustavo Cisnero, dono da Venevision que foi cooptado por Chávez e que o ajudou na reeleição. O argumento de Chávez não convence, porque ele não manifestou nenhuma intenção em terminar com a concessão das empresas de seu amiguinho Cisnero. A única rede que tinha um discurso crítico contra Chávez era a RCTV. Cláudia, Cláudia, Cláudia, essa coincidência é muito incrível. E o povo unido que jamais será vencido está protestando nas ruas. A mídia chapa branca e cooptada não mostra as cenas. O pensée unique domina a Venezuela chavista. So sad. Bush júnior, o grande troglodita, faria o mesmo.

Jens disse...

Salve, salve combativa Cláudia:
Hehehe... É bom ver a direita esperneando, pra variar. Aqui estão chiando por causa da ação da Polícia Federal (onde já se viu algemar gente de bem - e branca, ainda por cima - e exibir as imagens na televisão? Só pode ser um atentado contra o Estado Democrático de Direito, orquestrado pelo metalúrgico com intenções totalitárias).
Lá foi o Chavez, com aquela cara de ladrão boliviano (sei que ele é venezuelano, mas quis fazer uma homenagem ao Nélson Rodrigues, o reaça genial), retomando: o Chaves com aquela cara de índio teve a ousadia de não renovar a concessão de uma emissora golpista, controlada por gente branca e limpinha - onde já se viu tamanho disparate?
Imagino o mesmo acontecendo aqui, e a elite branca convocando hordas de pretos, pardos, cafuzos e afins, desdentados dos mais variados matizes, para saírem às ruas em passeata defendendo os interesses da família Marinho. Provavelmente daria certo. Afinal se o pão escasso, o circo deve ser farto. Tudo pela liberdade de maipulação.
Um abraço. (Pro Eugênio também).

Carlos Maia disse...

Os sites e blogs de esquerda pedem que todos assistam ao vídeo " A revolução não será televisionada" disponível no youtube que mostra o lamentável golpe midiático que tentou, sem sucesso, derrubar Chávez. Detalhe importante, o ato golpista teve ativa participação do Sr. Gustavo Cisneros que é hoje amiguinho de Chávez. A Venevision, tv de Cisneros, apoiou Chávez na sua reeleição no ano passado e nunca criticou a revogação da concessão da RCTV, tv aberta. Tudo pela concorrência.

Caracas desde o fim da concessão da RCTV, vive em clima de protestos contra o totalitarismo chavista. 182 pessoas foram presas pela polícia de Chávez. Estudantes de Zulia, Mérida, Táchira, Bolívar, Carabobo, Aragua e Anzoátegui estão fazendo manifestações pacíficas. 20 mil pessoas se reuniram em Caracas. Esses protestos estão sendo televisionados?