18 de junho de 2007

Futebol sem violência

O Dialógico abrirá uma exceção para tratar de futebol. Para quem ainda não sabe, eu sou gremista. Já o Eugênio tem verdadeiro pavor de futebol. Como acreditamos que há coisa muito mais importante de discutir, esse assunto passa ao largo das nossas conversas.
Resulta que, para a família Cardoso, futebol é coisa séria. Minha mãe sempre nos lembra que, graças ao Grêmio, nós existimos. E o meu filho Felipe, neto apaixonado e filho dedicado ao pai, saiu-se um gremistão fervoroso. É pensando nele e nos filhos de todas as demais pessoas que participarão do jogo do dia 20 e de todos os demais jogos de futebol, independente qual seja o time e de que lugar seja, que resolvi escrever.
Quero deixar expressado o meu mais veemente repúdio a qualquer tipo de intolerância e violência dentro e fora de campo, bem como antes e depois deste. Que os gremistas vitimados na Argentina busquem seus direitos por tal sofrimento, mas tirem da cabeça qualquer intenção de vingança ou revanche, inclusive aquelas pessoas que tomaram as dores pela violência dos colegas torcedores. É apenas um jogo de futebol! No dia 21, acordar-se-á um pouco mais alegre ou um pouco mais triste, mas a vida não alterará na sua substância, lembrem-se disto.
E chamo, à responsabilidade, os dirigentes de futebol, em especial o Sr. Paulo Odone. Tem que ir para a mídia exigir postura aos torcedores do Grêmio! Isto não será problema, com certeza. Como gosta de apelar para os sentimentos, que o faça conclamando aos gremistas receberem muito bem os visitantes! Que sejam corteses! Que diga aos gremistas darem exemplo ao resto do país, na qual a rivalidade não será sinônimo de barbárie. O seu silêncio e a sua omissão, num momento desses, será, no mínimo, um crime.
E, dos comentaristas, exijo a mesma coisa. Usem do bendito microfone a que tem acesso da manhã à noite para cimentar o caminho da civilidade no futebol. Estou horrorizada com o rumo que as coisas estão tomando no futebol sob a complacência de dirigentes e autoridades.
Afirmar que o futebol é um jogo viril, até aí, tudo bem. Sou filha de ex-jogador que foi campeão da América e do Mundo em 1967. Que futebol é bom, eu também sei, porque gosto, mas sei colocá-lo no lugar certo e na medida certa dentro da minha vida. Mas fazer do futebol um pretexto para extravasar frustrações de tudo que é ordem, é escolher o campo errado.
Futebol tem que ser festa e alegria. Mesmo quando se perde, já que ninguém abandonará o time do coração, qual ele seja, em virtude disso.
Futebol tem que ser isso: sorriso no rosto, uma flauta,
porque ninguém é de ferro, mas tudo dentro das normas de civilidade.

3 comentários:

Claudia Cardoso disse...

Mandei esta publicação para o Dep. Paulo odone. Aguardemos resposta.

Jens disse...

Beleza, Cláudia. A imprensa e os dirigentes têm uma boa parcela de culpa no acirramento da paixão em determinados jogos, como este Grêmio X Boca. Os caras incendeiam a torcida, criam um clima de guerra e, na última hora, tentam jogar água na fervura. Nem sempre conseguem acalmar os ânimos. Torço para que amanhã tudo corra em paz.
***
Por razões profissionais, tenho a possibilidade de assistir ao prélio de amanhã à beira do gramado, com a rapaziada da imprensa. No entanto, não irei. Não, não é por medo de algum eventual ato de violência. É que preciso secar em casa. Sorry, mas meu coração é vermelho - a cor do amor.
Um abraço.

Anônimo disse...

Rapidamente, aqui, sobre uma ocorrência no Grenal.

Milton Ribeiro