20 de março de 2008

Jornalismo estragado

Lemos, no RSurgente, o alerta de Fábio Carvalho a respeito do que foi escrito na imprensa sobre o pagamento da Lei Britto. Tais informações induzem o servidor público ao erro, podendo este sofrer prejuízo irreparável.
Da coluna de Rosane do Oliveira, "os servidores que acionaram o Estado na Justiça têm duas opções: desistir do processo e aceitar o parcelamento [até 2010] ou continuar a demanda para receber todo o reajuste de uma só vez", Carvalho responde: "a assertiva parece desconsiderar a hipótese de claro prejuízo do servidor que renunciar à demanda judicial (os casos devem ser analisados individualmente por pessoa da confiança do servidor). Para além da perspectiva de ter o implante integral antes de 2010, existe um passivo, ora. Esse dinheiro devido ao servidor aparece ao final do texto da colunista, quando lemos que "o governo terá de discutir o passivo acumulado nos últimos cinco anos, uma babilônia de R$ 3 bilhões". Por razões que transcendem os jardins suspensos, não existe, até agora, anúncio para saldar essa babilônia. E aí? Isso significa, hoje, duas opções para quem se sente prejudicado: Justiça ou Justiça. Não se oferta outra alternativa".
Fábio Carvalho é incisivo ao desmentir a declaração de Mateus Bandeira da Sefaz: "não é verdade" que sairá mais barato ao servidor aguardar o parcelamento, bem como "não é verdade" que o retroativo vire precatório. Importante ler a publicação desta carta ao RSurgente AQUI.
Como exposto logo abaixo, a mentira faz parte da estratégia da blindagem midiática que a RBS promove aos governos que lhe são simpatizantes. Portanto não causa estranheza a publicação de tamanho descalabro.
A novidade, é que a ONG "Movimento dos Sem Mídia" entrou com uma representação (ler AQUI), no Ministério Público Federal em São Paulo, para que esta instituição "investigue, se os meios de comunicação promoveram alarmismo durante o mês de janeiro disseminando a hipótese de que haveria uma epidemia de febre amarela urbana no Brasil". O protocolo recebeu o nº PR/SP-SEPJ-001848/2008 e os veículos citados são Grupo Folha, Grupo Estado, Grupo Abril, Organizações Globo, Jornal do Brasil, jornal Correio Brasiliense, revista Veja e revista IstoÉ.
Ou seja, tal representação diz respeito à mídia impressa - à exceção das Organizações Globo - que, no Brasil, está dentro de um regime jurídico diferenciado em relação à mídia eletrônica (rádio e televisão são concessões públicas). Por princípio, quem possui um jornal ou uma revista pode escrever o que quiser, respondendo, naturalmente, pelo que assina. São conhecidas ações judiciais de pessoas ofendidas pela mídia impressa, algumas acatadas com direito de resposta, outras não. Mas esta representação dos "Sem Mídia" ganha fôlego, na medida em que foi fato a sobredose da vacina da febre amarela, levando a óbito em certos casos, a ponto das autoridades de saúde terem sido acionadas para prestarem esclarecimentos à população, pasme-se, pelos próprios veículos de comunicação!
Assim, este precedente não pode ser ignorado, alguma coisa está mudando. Não esquecer também que jornal e revista são produtos a serem consumidos. Paga-se por eles, tal como qualquer produto de super-mercado, o qual temos tanto zelo pelo nosso dinheiro. E se costuma pedir providências às autoridades da saúde e de defesa do consumidor em caso de produto estragado.
Será que não estará na hora de nos defendermos de jornalismo estragado?



Nas fotos, o presidente dos "Sem Mídia" Eduardo Guimarães em frente à sede do Ministério Público Federal e a primeira página da representação com o carimbo do protocolo.

3 comentários:

Anônimo disse...

E há ainda os que negam a parcialidade da mídia...
Cláudia, como foi a reunião? Infelizmente não pude ir...tô querendo abraçar o mundo mas os braços são curtos! abraços e feliz páscoa!

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Claudinha disse...

Foi excluído o comentário de Gardagami : "see here or here".
Há dias, o Dialógico recebe este tipo de comentário, que mais parece um robô, sempre de destinatários diferentes, mas mesmo conteúdo. Como consideramos perigoso, estamos apagando cada um.