17 de agosto de 2009

O que a gente não sabia da Confecom...

Deve existir, em algum cartório, um acordo assinado entre Governo Federal e as entidades representadas pela ANJ [Associação Nacional de Jornais] e ABERT [Associação Brasileira de Rádio e Televisão], que garanta o alinhamento de tais entidades à pré-candidata à Presidência da República Ministra Dilma Rousseff.

Pois apenas este acordo assinado, justificaria a obstinada intenção do Governo Federal em manter 40% de delegados para o segmento empresarial da comunicação na I Confecom - Conferência Nacional de Comunicação, mais o voto qualificado de 60% para os temas sensíveis desta Conferência. Mesmo depois da saída da ANJ e da ABERT da Comissão Organizadora Nacional...

Não conseguimos vislumbrar outra razão, senão a eleitoral, para garantir a presença de um segmento da sociedade civil, que não possui tal representatividade, na I Confecom. Provavelmente, uma barganha: o Governo garante uma Conferência com o jeitinho do empresariado e, no dia seguinte, jornais, rádio e tv passarão a adotar a política "Amamos a Dilma!".
Justificar
Só pode ser isso! Acordo assinadinho: a Conferência beneficiando os empresários e a Dilma é eleita com "aquela" ajudinha!

2 comentários:

Hélio Sassen Paz disse...

Cláudia,

Qualquer governo precisa da mídia hegemônica. Por mais que ela minta, omita, distorça e procure fazer a cabeça, é ela quem detem grande parte da audiência. Para a esmagadora maioria da população, o único acesso possível do Governo até ela é a mídia corporativa.

A Globo e a RBS (entre outras) chiam porque a verba de publicidade oficial (Governo, ministérios, Petrobras, Eletrobras Correios, Caixa, BB, etc.) diminuiu para elas. Por outro lado, a Record só é menos "pig" porque recebe muito mais anúncios oficiais.

A TV Brasil é ótima em termos de pautas, mas sua infraestrutura e a não-obrigatoriedade da sua difusão em VHF em TODOS os estados lhe traz audiência traço. Isso obriga o Governo a investir na Record e na Carta Capital como contrapontos à Globo e à Veja.

Sem desobedecer à lei vigente (que, definitivamente, não é uma boa lei para a democratização dos meios), a mídia corporativa tem totais condições de se auto-regular, pois sabe pensar em rede: todos juntos, cada um na sua especialidade, todos conhecem a todos, todos fazem alianças entre si e as suas divergências se tornam meramente comerciais e ocorrem em apenas alguns pontos.

Enfim... O Governo acha que precisa dar a ela toda essa representatividade por todas as questões acima.

Por isso, insisto: deve-se apostar e discutir a mudança do modelo de democracia representativa para uma democracia emergente. Quando a economia política da Comunicação não leva em conta nem o pensamento em rede e nem um embasamento técnico e jurídico suficientemente significativos, é sinal de que as mudanças ora possíveis nunca serão suficientes. Afinal de contas, ainda prefere-se manter o modelo.

[]'s,
Hélio

Dialógico disse...

Hélio,
tb concordo que o Governo precise de mídia. O que discordo é: por que essa mídia?
Essa mídia tem problemas: ela está formada sobre o monopólio e o oligopólio. E isso é proibido no Brasil. Com a esperteza de que o Art. 220, inciso 5º não está regulamentado, as coisas continuam igual.
Não há legitmidade numa mídia ilegal. E, na briga de bugios entre Globo e Record, a única coisa que não se fala é concessão público, o que significa monopólio. A Record enche a boca para falar do "monopólio" da Globo, mas ela mesma tb é monopolizada.
Eu vislumbro um mundo sem Globo e sem Record com abrangência nacional. Um mundo em que elas se desfaçam de seus negócios ilegais: ou fiquem com a tv, ou o rádio, ou o jornal, tal qual ordena a lei no Brasil, ficando bem parecidinho como nos EUA.
Muito mais gente estaria trabalhando, muito mais gente estaria produzindo. A briga com as radcom, é porque estas tiram audiência. Tiram audiência, porque o público quer se ver retratado culturalmente.
O sistema digital japonês tb foi escolhido, porque impede a pluralidade e mantém o monopólio.
Mídia sim. Isso que aí está, não!
Abraço!