26 de outubro de 2006

O bode expiatório das eleições


Pelo visto, os marqueteiros têm outra função nesta eleição, além de transformar políticos em caixas de sabão em pó.
desvirtuando o sentido da política e do debate.
Na eminência da derrota da direita, eles cumprem a função de bodes expiatórios. Ontem, foi o Álvaro Dias (PSDB/PR) e, hoje, o ACM (PFL/BA), acusando os marqueteiros pelo fracasso da campanha do Alckmim.
O curioso é que, em nenhum momento, os dois mencionam aquilo o que é, no final das contas, determinante na política:
um projeto e propostas consistentes.
Reconheço que fórmulas marqueteiras vencem eleições, mas a sua eficácia está diretamente relacionada à despolitização do eleitorado - o RS que o diga.
O Lula está vencendo a eleição, apesar de toda a campanha midiática e marqueteira movida contra ele. Mas que não se iluda a esquerda. As fórmulas marqueteiras continuarão vencendo eleições. Não é pelo fato do eleitorado estar reconhecendo o trabalho de Lula neste momento, que isso seja garantia de que continuará votando no PT.
Basta aparecer algum marqueteiro com chamadas de campanha do tipo "manter o que está bom, mudar o que está ruim", "está na hora de mudar" e uma "cara nova", que o eleitorado estará sempre disposto a dar um voto de confiança, porque, afinal de contas, o PT "já teve a sua chance".


Eugênio Neves

2 comentários:

msilvaduarte disse...

Bem observado, Eugênio.
Espera-se que isso volte a politizar os discursos da direita daqui por diante.
Também convém observar que as falas de Álvaro Dias e ACM revelam muito sobre os frágeis laços que unem tais candidaturas de direita, ao contrário do que ocorre com a militância petista e da esquerda em geral, que não precisa nem de pesquisas e nem de promessas para nunca esmorecer.

Eugênio Neves disse...

Debate, debate, debate, debate...

Pois é, Marcelo. Mas parece que uma parte da esquerda não percebe isso e cai nas armadilhas marqueteiras, quando deveria fazer justamente o contrário, ou seja, buscar aprovar uma rígida legislação eleitoral, onde este tipo de picaretagem fosse definitivamente banida. A esquerda deveria batalhar, para que a disputa política ficasse centrada no debate, se possível, todos os dias no horário eleitoral nos períodos de campanha. A nossa grande arma são os projetos e as idéias. E hoje mais ainda, quando é possível fazer uma comparação entre aquilo que a direita faz no poder e o que nós fazemos. A direita não tem como se contrapor a isso e sem a muleta do marketing está completamente desamparada. O Álvaro Dias e o ACM sabem disso muito bem.
Por outro lado, a esquerda jamais poderá competir com a direita no terreno do marketing, pois não tem dinheiro para comprar espaço na mídia e repetir uma mentira até que ela se torne verdade.
Este entendimento é fundamental para a nossa sobrevivência política.