20 de agosto de 2008

O "jornalismo" ultra-canalha da Veja

Publicamos o arremedo de matéria jornalística do panfleto neocon Veja. O texto é de uma burrice e de uma agressividade inauditas.
O que nos leva a publicá-lo, é necessidade da denúncia desse fenômeno neo-nazista que toma conta das redações da mídia corporativa no Brasi, que tem como carro-chefe uma espécie de pogrom-midiático contra os movimentos sociais e qualquer manifestação que se assemelhe a um pensamento progressista.
Segue, a essa mixórdia, a excelente análise que a professora Maria da Conceição Carneiro Oliveira escreveu em seu blog.



Prontos para o século XIX
Monica Weinberg e Camila Pereira
Tema para reflexão: vale a pena usar chocadeiras artificiais para acelerar a produção de frango? Deu-se com isso o início de uma das aulas de geografia no Colégio Ateneu Salesiano Dom Bosco, de Goiânia, escola particular que aparece entre as melhores do país em rankings oficiais. Da platéia, formada por alunos às vésperas do vestibular, alguém diz: "Com as chocadeiras, o homem altera o ritmo da vida pelo lucro". O professor Márcio Santos vibra. "Você disse tudo! O homem se perdeu na necessidade de fazer negócio, ter lucro, exportar." E põe-se a cantar freneticamente Homem Primata / Capitalismo Selvagem / Ôôô (dos Titãs), no que é acompanhado por um enérgico coro de estudantes. Cena muito parecida teve lugar em uma classe do Colégio Anchieta, de Porto Alegre, outro que figura entre os melhores do país. Lá, a aula de história era animada por um jogral. No comando, o professor Paulo Fiovaranti. Ele pergunta: "Quem provoca o desemprego dos trabalhadores, gurizada?". Respondem os alunos: "A máquina". Indaga, mais uma vez, o professor: "Quem são os donos das máquinas?" E os estudantes: "Os empresários!". É a deixa para Fiovaranti encerrar com a lição de casa: "Então, quem tem pai empresário aqui deve questionar se ele está fazendo isso". Fim de aula.
Os dois episódios, ambos presenciados por VEJA, não são raridade nas escolas brasileiras. Ao contrário. Eles exemplificam uma tendência prevalente entre os professores brasileiros de esquerdizar a cabeça das crianças. Parece bobagem, uma curiosidade até pitoresca num mundo em que a empregabilidade e o sucesso na vida profissional dependem cada vez mais do desempenho técnico, do rigor intelectual, da atualização do pensamento e do conhecimento. Não é bobagem. A doutrinação esquerdista é predominante em todo o sistema escolar privado e particular. É algo que os professores levam mais a sério do que o ensino das matérias em classe, conforme revela a pesquisa CNT/Sensus encomendada por VEJA. Pobres alunos.
Eles estão sendo preparados para viver no fim do século XIX, quando o marxismo surgiu como uma ideologia modernizante, capaz não apenas de explicar mas de mudar o mundo para melhor, acelerando a marcha da história rumo a uma sociedade sem classes. Bem, estamos no século XXI, o comunismo destruiu a si próprio em miséria, assassinatos e injustiças durante suas experiências reais no século passado. É embaraçoso que o marxismo-leninismo sobreviva apenas em Cuba, na Coréia do Norte e nas salas de aula de escolas brasileiras. As chocadeiras produzem os frangos vendidos a menos de 5 reais nos supermercados brasileiros, e isso propicia a dose mínima de proteína a famílias que, de outra forma, estariam mal nutridas. A realidade não interessa nas aulas como a do professor Márcio Santos. O que interessa? Passar a idéia de que as máquinas tiram empregos. Elas tiram? Tiraram no começo dos processos de robotização e automação de fábricas nos anos 90. Hoje, sem robôs e máquinas, os empregos nem sequer seriam criados. Mas dizer isso pode desagradar ao espírito do velho barbudo enterrado no novo Cemitério de Highgate, em Londres. Os professores esquerdistas veneram muito aquele senhor que viveu à custa de um amigo industrial, fez um filho na empregada da casa e, atacado pela furunculose, sofreu como um mártir boa parte da existência. Gostam muito dele, fariam tudo por ele, menos, é claro, lê-lo – pois Karl Marx é um autor rigoroso, complexo, profundo que, mesmo tendo apenas uma de suas idéias ainda levada a sério hoje – a Teoria da Alienação –, exige muito esforço para ser compreendido. "A salada ideológica resulta da leitura de resumos dos grandes pensadores", diz o filósofo Roberto Romano. Gente que vê maldade em chocadeiras e mal em empresários que usam máquinas em suas fábricas no século XXI não pode ter lido Karl Marx. É de supor que não tenham lido muito, quase nada. Mas são esses senhores que ensinam nossos filhos nas melhores escolas brasileiras – sem, diga-se, que os pais se incomodem com isso.
A pesquisa CNT/Sensus ouviu 3 000 pessoas de 24 estados brasileiros, entre pais, alunos e professores de escolas públicas e particulares. Sua conclusão nesse particular é espantosa. Os pais (61%) sabem que os professores fazem discursos politicamente engajados em sala de aula e acham isso normal. Os professores, em maior proporção, reconhecem que doutrinam mesmo as crianças e acham que isso é sua missão principal – algo muito mais vital do que ensinar a interpretar um texto ou ser um bamba em matemática. Para 78% dos professores, o discurso engajado faz sentido, uma vez que atribuem à escola, antes de tudo, a função de "formar cidadãos" – à frente de "ensinar a matéria" ou "preparar as crianças para o futuro". Muito bonito se não estivessem nesse processo preparando os alunos para um mundo que acabou e diminuindo suas chances de enfrentar a realidade da vida depois que saírem do ambiente escolar. Para atacar um problema, o primeiro passo é reconhecer sua existência. Esse é o mérito da pesquisa CNT/Sensus.
Adversária do exercício intelectual, a ideologização do ensino pode ser resultado em parte também do despreparo dos professores para o desempenho da função. No ensino básico, 52% lecionam matérias para as quais não receberam formação específica – 22% deles nunca freqüentaram faculdade. Para esses, os chavões de esquerda servem como uma espécie de muleta, um recurso a que se recorre na falta de informação. "Repetir meia dúzia de slogans é muito mais fácil do que estudar e ler grandes obras. Por isso, a ideologização é mais comum onde impera a ignorância", diz o historiador Marco Antonio Villa. A questão não é exatamente nova na educação. Meio século atrás, a filósofa alemã Hannah Arendt já alertava para o equívoco de fazer das aulas um lugar para a doutrinação ideológica, qualquer que fosse o matiz. Em A Crise na Educação, ela dizia: "Em vez de (o professor) juntar-se a seus iguais, assumindo o esforço da persuasão e correndo o risco do fracasso, há a intervenção ditatorial, baseada na absoluta superioridade do adulto". Ao refletirem sobre o atual cenário, os especialistas concordam com a idéia central da filósofa. Está claro, e a própria experiência mostra isso, que o viés político retira da escola aquilo que deveria, afinal, ser seu atributo número 1: ensinar a pensar – verbo cuja origem, do latim, significa justamente pesar. Diz o sociólogo Simon Schwartzman: "O verdadeiro exercício intelectual se faz ao colocar as idéias e os juízos numa balança, algo que só é possível com uma ampla liberdade de investigação e de crítica".
Não é o caso na maioria das salas de aula. Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.
Entre as figuras históricas e da atualidade mais citadas em classe está, como não poderia deixar de ser, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As referências a Lula são contidas. O presidente brasileiro obtém aprovação menor entre os professores, segundo relatam os estudantes, do que aquela com que a sociedade brasileira em geral o brinda. Ele tem 70% de avaliação positiva dos brasileiros, mas na boca dos professores esse índice cai para 30% – com 27% de citações negativas e 43% de neutras. Ressalte-se aqui que é um ponto louvável para os mestres o fato de, como mostram os números relativos a Lula, eles não fazerem proselitismo eleitoral em classe – mesmo que seja preciso relevar o fato de o ditador venezuelano Hugo Chávez ter merecido 51% de citações positivas. A neutralidade e o comedimento em relação a Lula desautorizam a interpretação de que os professores tentam direcionar o voto dos alunos, o que seria desastroso. É sinal de que sua pregação, mesmo equivocada, se mantém no nível das idéias – o que é excelente.
"Eu e todos os meus colegas professores temos, sim, uma visão de esquerda – e seria impossível isso não aparecer em nossos livros. Faço esforço para mostrar o outro lado", diz a geógrafa Sonia Castellar, que há vinte anos dá aulas na faculdade de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP) e escreveu Geografia, um dos best-sellers nas escolas particulares (livro que tem dois de seus trechos comentados por VEJA na reportagem seguinte). "Reconheço o viés esquerdista nos livros e apostilas, fruto da formação marxista dos professores. Mas não temos nenhuma intenção de formar uma geração de jovens socialistas", diz Miguel Cerezo, responsável pelo conteúdo publicado nas apostilas do COC (de onde foram extraídos quatro trechos comentados pela revista). À luz de outra pesquisa em profundidade feita pelo Ibope em colaboração com a revista Nova Escola, editada pela Fundação Victor Civita, os professores da rede pública revelam que, para eles, o principal problema da sala de aula é, de longe (77%), a ausência dos pais no processo educativo. Repousam na colaboração entre pais e professores a correção dos rumos do ensino no país e a aceleração da curva de melhora de desempenho que começa a se desenhar. A questão do excesso de ideologização é um desses problemas que podem ser abordados em conjunto por pais e professores. Demanda para o diálogo existe. O advogado Miguel Nagib fundou, há quatro anos, em Brasília, a ONG Escola Sem Partido, com o objetivo de chamar atenção para a ideologização do ensino na sala de aula. Nagib se incomodou com os sinais do problema na escola particular de sua filha, então com 15 anos, onde o professor de história gostava de comparar Che Guevara a São Francisco de Assis. Foi ao colégio reclamar. Diz Nagib: "As escolas precisam ficar sabendo que muitos pais não concordam com essa visão".
Com reportagem de Camila Antunes e Marcos Todeschini
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E quem nos livrará do jornalismo das trevas de Veja?
Maria da Conceição Carneiro Oliveira
Esta semana Veja reedita a cruzada iniciada por Kamel em setembro de 2007 contra os autores de livros didáticos de História. Desta vez, a revista símbolo dos neocons tupiniquins inclui em seus processos inquisitoriais travestidos de reportagens os professores de História e Geografia concluindo que são todos uns 'incompetentes', passadistas ultrapassados e maus-caráteres por 'incutir ideologias anacrônicas e preconceitos esquerdistas nos alunos'.
Não há nada de novo na matéria de Veja que Kamel já não tenha feito e seus asseclas dado continuidade em matérias publicadas na Época, Estadão, Folha e afins em 2007.
Na reedição de Veja estão presentes as mesmas estratégias que buscam validar o antiesquerdismo doentio de seus editores neocons travestidas de 'verdades científicas'; 'jornalismo de isenção' e outras inverdades que a grande mídia neoconservadora deseja incutir na mente dos leitores.
Pergunto-me como o professor Romano, Villa e Schwartzman ainda se prestam a falar para Veja. Não está suficientemente claro para esses intelectuais que esta revista símbolo do anti-jornalismo buscará encaixar as opiniões acadêmicas (sempre retirando-as de seus contextos) para legitimar a caçada de Veja contra tudo o que se opõe ao seu projeto ‘arremedo de liberalismo’?
Dentre tantas bobagens, repletas de juízos de valor, tão ideologizadas quanto a crítica que Veja pretende fazer a seus opositores, destaco um trecho no qual a revista acusa os professores brasileiros de idolatrarem figuras que, segundo ela, não trouxeram nenhuma contribuição significativa ao país e/ou humanidade:
"Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado."
Como levar a sério uma revista que tem a pretensão de qualificar pejorativamente de 'arcano' um dos pensadores mais significativos do século XX , cujas contribuições para a filosofia da educação são reconhecidas entre seus pares no mundo todo?
Como levar a sério um periódico que obriga seus leitores a escolherem (sob pena de serem taxados de ultrapassados e equivocados) entre um educador e um físico teórico e que, excetuando o que a revista denomina de 'civilização ocidental', não reconhece humanidade no resto do planeta?
Como levar a sério uma revista que sequer se dá ao trabalho de conhecer a vasta produção de Paulo Freire e a reduz a 'um método de doutrinação esquerdista'?
Freire afirma que a pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora é feita de dois momentos distintos: o primeiro, 'em que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo-se na práxis, com a sua transformação; o segundo, em que, transformada a realidade opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em processo de permanente libertação'. E o pensador complementava que em qualquer um destes momentos, fosse nos trabalhos educativos como parte do processo de organização dos oprimidos ou na educação sistemática como projeto político educacional de uma sociedade revolucionária, 'será sempre a ação profunda, através da qual se enfrentará, culturalmente, a cultura da dominação". (FREIRE, 1968: 44)
Não podemos afirmar que uma revista tão desinformada e capaz de subverter tanto os fatos e valores é um representante genuíno da ‘cultura de dominação’ da qual falava Freire e diante da qual os educadores comprometidos com a transformação da realidade opressora deveriam se opor. Veja não pode ser associada à cultura de espécie alguma, nem mesmo à dominante, pois o que esta revista produz é lixo cultural.
Veja sequer tem um pensador conservador à altura capaz de debater com um pensamento de esquerda do naipe da produção de Paulo Freire. Esse arremedo de revista nem é original em suas acusações a Freire: repete as mesmas falas dos ditadores e censores do período militar dirigidas ao educador libertário, reproduz a mesma ladainha preconceituosa contra a pedagogia freiriana que recentemente alguns procuradores ultraconservadores do MP-gaúcho que desejavam criminalizar o MST produziram. Veja só se dá ao trabalho de papagaiar tudo que existe de mais retrógrado no país, incluindo aí o jornalismo kameliano.
Não há debate no mundo de Veja, não há conflitos de interesses e projetos políticos que se opõem. Em Veja existe o dicotômico e tedioso mundo do ‘bem contra o mal’, do ‘liberalismo estereotipado versus o esquerdismo estereotipado’, do Brasil ‘ame ou deixe-o’, dos ‘cristãos versus os infiéis’. O mundo de Veja é um binômio irreal, sem graça e sem importância no qual somos obrigados a escolher entre a filosofia da educação de Paulo Freire e teoria da relatividade de Albert Einstein. Não podemos buscar conhecer as diferentes contribuições destes dois importantes homens do século XX.
Talvez seja por isso que ao comemorar 40 anos, Pedagogia do Oprimido segue viva e original estimulando historiadores e educadores a refletirem sobre as contribuições e os limites da extensa e rica produção freiriana e Veja (que também faz quarenta anos) no máximo servirá aos historiadores interessados em pesquisar a capacidade de degradação de um veículo de comunicação: ao longo de quatro décadas quais diferenças existem entre a época áurea sob direção de Mino Carta e a era dos bobos da corte feito os Reinaldos e Mainardis, arremedos mal feitos dos neocons? Quem tiver paciência que faça a análise.
O que é patente aos leitores críticos que Paulo Freire ajudou a formar é que na atualidade Veja não faz jornalismo, ela arroga a si o direito de julgar produções, personalidades, projetos, políticas públicas e insiste em nos enfiar goela abaixo a sua visão pobre e restrita e deturpada do mundo.
Veja tal qual os velhos senhores feudais encastelados que dominavam o governo, o poder de legislar e o poder de Justiça em suas possessões, sequer chegou ao século XIX onde ela julga estarem estagnados os professores que critica. A revista parou na Idade das Trevas seja qual for esse tempo-espaço (façam suas escolhas, qualquer um serve, desde que tenha sido uma era de truculência, intolerância e sectarismo bem ao estilo Veja - inquisição moderna, o terror, a ditadura, o fascismo, o nazismo, o macarthismo ou a era Bush de Guantânamo e Abugrai).
O que Veja ainda não descobriu é que os professores, proprietários de escolas e pais cada dia mais sabem distinguir o jornalismo medieval do estilo Veja do bom jornalismo produzido por profissionais menos subservientes e ignorantes. Veja precisa entender que quarenta anos de Pedagogia do Oprimido fez diferença positiva em nosso país, que grande parte da população pouco a pouco briga por sua cidadania, pelo direito de pensar, opinar, refletir e se recusa a permanecer na Idade das Trevas sob a batuta do tribunal arrogante de Veja. Pais e professores cada vez mais abrem mão, de bom grado, do jornalismo medieval produzido por Veja.

13 comentários:

Lau Mendes disse...

Preocupante seria se professores recomendassem a leitura do “jornalismo” praticado por esta coisa chamada Veja.

Carla Beatriz disse...

Que barbaridade! E pensar que fui assinante da Veja por muitos anos.

Excelente texto e crítica da professora Maria da Conceição Carneiro Oliveira.

Cristóvão Feil disse...

Veja atira pedras no futuro. Como o mundo se estreita e se afunila cada vez mais para os projetos da direita, no mundo todo, eles ficam tomados de pânico e desesperança e procedem assim como Veja. Babam como cães hidrófobos.

CF

Dialógico disse...

Estávamos discutindo sobre isso, parece que a Veja não tem como fazr diferente, mesmo perdendo a credibilidade. É da sua natureza: Veja está vinculada aos interesses do grande capital, é o braço midiático de tais interesses.
O grande problema é que quer se passar por democrata e acusa qualquer um/uma que discuta a democratização das comunicações. acusando-o/a de ir contra a liberdade de imprensa (sic).

Dialógico disse...

Carla, Veja já foi dirigida por Mino Carta, segundo entendidos, o auge de suas publicações. :-)

Milton Ribeiro disse...

Li. O que dizer de um cocô desses?

Carlos Eduardo da Maia disse...

Estudei Paulo Freire. É incontestável que Freire conduz seu ensino a um enfrentamento dos oprimidos contra os opressores para que se consiga, enfim, respirarmos uma sociedade revolucionária. O método Paulo Freire não é apenas com base na praxis do dia a dia (que é uma forma correta de se estudar), mas também na busca da liberdade que passa apenas por um único e reduzido caminho: a construção de uma nova sociedade sem explorados e exploradores. Isso é muito bonito na teoria, mas a teoria na prática é outra. E Paulo Freire pára por ai. Ele não vai além. Seu pensamento é restrito ao viés ideológico. E a crítica que a Veja faz é exatamente essa: estão limitando o debate ao ponto de vista do materialismo histórico como se esse fosse a única e sincera verdade. E não é. Existem outras alternativas que deram certo em paises socialmente desenvolvidos. O Brasil também pode buscar essas alternativas. Por que não? Ponto para Veja.

Sabino Verdureiro disse...

O que mais me impressiona de todo esse texto é o sectarismo da própria professora. Veja é uma publicação de opinião. Podemos concordar ou não com o que a revista publica. No entanto, não notei na análise do artigo nenhum argumentos contra o assunto abordado. A análise feita pela professora contesta apenas a credibilidade da revista.

Não conheço a Maria da Conceição Carneiro Oliveira, nem sei o bastante da obra do Paulo Freire para discutir com ela ou qualquer outra pessoa, mas faço uma consideração:

Prefiro jornalismo de opinião do que ensino de opinião. Publicações ideológicas são bem menos nocivas do que uma formação educacional ideológica.

Qualquer um é livre para concordar ou discordar de Veja, pode-se inclusive não ler o que ela publica, afinal, existem publicações ideológicas para todos os gostos -- Caros Amigos e Carta Capital provam isso.

Mas vamos refletir um minuto. Será que ninguém reconhece uma tendência ideológica clara no mundo acadêmico? Entre em uma faculdade, procure os alunos de um curso de História ou Ciências Sociais e fale com eles alguns minutinhos... Será que ninguém percebe nada um padrão? E será que usar ideologia ao invés de uma argumentação racional é tão admirável assim?

Particularmente eu não gostaria que um filho meu estudasse cartilhas de partidos, seja o partido qual for. Não me interessa se o colégio é contra a favor do Lula, a favor ou contra o Che Guevara... Não se deve receber uma formação ideológica da escola. Lá se deve aprender a questionar o mundo, a duvidar de opiniões formadas. E acima de tudo, a aprender como aprender.

Dialógico disse...

Sabino, esta tua manifestação é típica de uma pessoa que acredita que a educação é "aideológica". Isso não existe!
Deves acreditar que o teu próprio pensamento é livre de ideologias, o que não é.
Acontece, que as pessoas enxergam apenas ideologia naquilo que tem jeito, cor, cheiro, forma, tamanho de esquerda. Nao lêem Carta Capital, Caros Amigos ou Brasil de Fato, porque "são de esquerda". Mas acreditam piamente que Veja, Isto É, ZH são isentas e imparciais, ou seja, sem ideologia!
Isso é ridículo!!!
O mesmo se passa com os livros didáticos ao escolherem determinadas pautas. Se trazem a História Contemporânea, naquilo que as revistas ditas imparciais e isentas ensinaram para ti e os iguais aos teus que se trata de esquerdismo, pronto: turva a água da crença de que só existe lado na esquerda e "isso meu filho não pode aprender, porque é ideológico"!!!
Nesse ponto, a direita venceu. Conseguiu convencer que só tem ideologia a esquerda. E ela se esconde solenemente no discurso da isenção, imparcialidade e apartidarismo. Para pessoas como tu acreditarem piamente nisso.
Lamentável!
Abraço.

Sabino Verdureiro disse...

Caro dialógico

Ideologia sempre existirá. Opinião pessoal sempre existirá. Independente do lado para qual se torce. Não acho errado ter mais simpatia por uma ideologia que por outra. Torcer pro Vasco ou para o Flamengo indifere pessoalmente. Mas só ensinnar o lado bom do Vasco e ignorar as coisas boas do Flamengo para quem não tem acesso à todas as informações não é ser ideológico, é ser mal intencionado.

Realmente não quero um filho meu estude em um colégio de esquerda, da mesma forma como não o quero em um de direita. Particularmente eu ficaria muito mais satisfeito se ele fosse estudar em um colégio que o ensinasse a pensar sozinho e tomar as próprias decisões.

Eu leio Carta Capital, Veja, Isto É, Caros Amigos... O Globo, Carta Maior e mais um monte de coisas... Leio uns mais que outros, mas quase sempre leio de tudo que posso -- não estou aqui te lendo apesar de aparentemente pensarmos de formas tão diferentes? Foi o meu primeiro comentário, mas não a primeira vez que li o seu blog).

Acho estranho você não atacar os meus argumentos mas sim a minha pessoa, mais incrível é saber que você faz isso sem nem mesmo me conhecer ou se dar conta que este foi exatamente o que motivou meu comentário anterior sobre a análise da professora...

Será que realmente não existe um padrão por aqui? ;-)

Francineide disse...

Vivemos em uma sociedade que sem comentário caminha para um desenvolvimento cada vez maior e não existe de forma alguma um futuro se não houver um conhecimento do passado. Como educadora e professora de Geografia, rí ao ler esta matéria e espantei-me muito ao perceber de onde realmente vem a verdadeira ignorância. Paulo Freire prega apenas que todo ser humano necessita ser um cidadão. História e Geografia mostra o desenrolar da História da Civilização Humana e mostra aos seus alunos que a Humanidade necessita realmente ser verdadeiramente voltada aos interesses sociais, à uma sociedade mais justa e preocupada com outros seres que carecem de atenção, respeito.
Querer uma sociedade mais justa não significa direita nem esquerda, significa humana. Mostrar aos nossos alunos que milhões de pessoas pedem água, pedem comida, que o nosso planeta corre risco nada mais é que obrigação de qualquer pessoa, principalemnte um profissional que tem como ferramenta de trabalho, a vida.
Me choca muito tudo o que lí. tomar como comentários que ouviram de um ou outro profissional como como rótulo para uma categoria profissional é leviano. Seria a mesma coisa se disséssemos que toda revista é medíocre e não respeita direito de expressão, como a Veja.

Dialógico disse...

Francineide, uma sociedade mais justa e mais humana é dever de todos, concordo contigo.
Agora, as razões que levam populações a morrerem de sede, de fome, nas portas de hospitais precisam ser desveladas.
Precisa ser problematizado as razões em que poucos têm muito e muitos, mas muito mesmo, têm pouco!
Por que existe fome? Por que existe guerra? Por que algumas nações são alvo de invasão estrangeira e outras não?
Por que o nosso planeta está sendo dilapidado?
Focar o assunto do ponto de vista de ações solidárias é importante, mas não basta. Nossos alunos precisam entender de política. Compreender que é na política que irá se encontrar a resposta para estas perguntas, bem como as soluções encontradas (sejam boas, sejam catastróficas) têm sua origem na política, no pensamento politizado.
Constatar os efeitos, é fácil. Todos constatam. Você seria capaz de nos apontar uma pessoa que assuma ser contra a preservação ambiental? Duvidamos. Só que há uma diferença brutal entre um discurso supostamente preservacionista e a realidade que nos cerca. As pessoas querem salvar o planeta e, ao mesmo tempo, querem a monocultura de eucalipto no pampa. Querem qualidade do ar que respiramos, mas querem montadoras de automóvel. Querem um mundo ecologicamente harmonioso, mas defendem a industrailização desenfreda em nome de um tal progresso.
Então, a conversa é mais profunda. É na compreensão dos processos históricos, do movimento dos interesses econômicos e políticos é que se encontra a raiz dos nossos problemas.
Quem diz que o latifúndio e a monocultura são as únicas formas possíveis da agricultura? Quem diz que esse modelo industrial é o mais adequado para o desenviolvimento?
É ingenuidade acreditar que esses modelos de desenvolvimento são naturais e não estão atrelados a algum tipo de interese, ou melhor, algum tipo de ideologia.
E Veja já virou piada dentro da academia. Pena que são poucos que sabem disso. É uma revista de direita, que defensora do grande capital e que tenta se travestir de isenta e imparcial.
Aliás, como uma revista que possui metade das suas páginas ocupadas por anúncios, de produtos supérfluos, exaltando o consumo desenfreado, pode reivindicar a condição de imparcial?
Isso só existe, porque está naturalizado na cabeça das pessoas que o mundo é assim, que essa é a forma "natural" das coisas acontecerem.
E a situação é tão absurda, que os próprios "jornalistas" não se vêem como parte de um projeto ideológico e de uma visão de mundo. No entender de Veja e seus tarefeiros, eles não são portadores de uma ideologia. Ideologia, posicionamento político, só os outros quem têm.

Sabino Verdureiro disse...

Particularmente, discordo do que foi dito em fundamento. Em escola não se ensinar o que é bom ou mal, se deve ensinar a aprender a tomar decisões sozinho, a duvidar e questionar com os próprios pensamentos.

Enquanto alguns professores bem intencionados (ou não), continuarem achando que devem mastigar suas convicções para a cabeça dos seus alunos (por serem boas convicções segundo eles próprios), eles nunca serão capazes de pensar sozinhos, e fatalmente repetirão as mesmas frases bestas que a Veja demonstra na reportagem.

É muito mais despreparo do que má intenção. Simplificar e reduzir o assunto com insinuações sobre a revista é continuar negando o problema. Da mesma forma, que citar frases entrecortadas sem ouvir os argumentos dos professores é injusto.

Francamente, da mesma forma que a Veja não percebe a própria parcialidade, quem a crítica tão fortemente também faz questão de ignorar suas próprias ideologias particulares e defeitos.

Como bem dizia o velho Gasset: "[As esquerdas e as direitas] continuam a ser uma estupidificação típica dos que sofrem de hemiplegia mental e que nos querem binarizar, de forma maniqueísta, conforme a aprendizagem juvenil dos amanhãs que cunhalizam ou salazarizam. Porque a direita a que chegámos resulta da esquerda que temos, principalmente quando a direita a quem concedem o direito à palavra é a direita que convém à esquerda, onde os que emergem são sempre os que representam as caricaturas do autoritarismo, do capitalismo de faca na liga, com chapéus de coco e almas de corsário, do anti-ecologismo e do colonialismo mais serôdio".

Acrescento por minha conta e risco um "e vice-versa" no final dessa passagem para completar o argumento...