17 de janeiro de 2010

Lasier Mente


Este tipo de notícia chega a dar fastio na gente, mas é impossível deixar de registrar um atentado à informação, cometido em horário nobre da televisão riograndense, por um empregado de empresa concessionária pública de televisão.

O fato: repercussão de manchete mentirosa de jornal em veículo de televisão. Aqui, o atentado é duplo: como mídia impressa não está contemplada na legislação que estabelece critérios de outorga para bens públicos, é preciso evitar que seja reproduzida em mídia eletrônica, que se trata de concessão pública, seja ela rádio ou TV. De fato, todos os dias, quando um locutor de rádio lê as manchetes de um jornal, ele está fazendo publicidade de um meio - o que denota outra ilegalidade: propriedade cruzada.

Voltando ao caso em questão: Lasier Martins tratou de baixar a ripa no Presidente Lula por conta daquilo em que o jornal O Globo fez parte da população acreditar, ou seja, de que o Governo faria vistas grossas à fiscalização das obras da Copa 2014, tema já tratado no blog.

É de se perguntar ao Lasier Martins, se ele não tem vergonha de fazer vistas grossas para:

a) falar de assunto já denunciado, fartamente, como mentira pela Internet, apresentando-o como se verdade fosse;

b) das vistas grossas que a empresa, para qual trabalha, e ele próprio, faz em relação aos governos Yeda Crusius [PSDB] e José Fogaça [PMDB], ambos políticos apadrinhados pela família Sirotsky [PRBS].

Óbvio que estamos ironizando, pois o Lasier Martins não está nem aí!

Agora, este sujeito só tem espaço em TV e rádio, porque continua a ser legitimado por toda a sorte de gente, inclusive políticos do chamado campo de esquerda ou progressista, que não perdem a oportunidade de lhe pedir a bênção nos conversas fiadas da vida. Não adianta nós, blogueiros, denunciarmos o comportamento venal desse âncora e de outros da mesma espécie, se ele continuar a ser prestigiado pelas próprias pessoas que são vítimas de seus comentários infames e suas mentiras. Por isso o nosso fastio em tratar desse assunto, que é recorrente. A esquerda precisa se convencer que não pode mais frequentar programas da mídia corporativa. É ilusão de que, fazendo isso, estão ajudando na formação de uma consciência política. Em 5, 10 ou 15 min de espaço não se faz nada, frente a todo o tempo que as empresas de mídia e os lasiers tem para desconstruir qualquer discurso da esquerda.

Em tempo: 20 anos depois de uma das mais sanguinárias experiências fascistas da América Latina, a direita retorna ao poder no Chile. E quem pavimenta o caminho para essa gente, hein?

6 comentários:

Hélio Sassen Paz disse...

Cláudia e Eugênio:

Pior: Serra vai ganhar aqui. Frei - que fez um governo razoável - e tinha o apoio da Bachelet (governo melhorzinho) perdeu p/direitoso em um país cuja mídia corporativa possui muito menos poder do que no Brasil, imagina aqui...

Várias pesquisas sérias (não de opinião eleitoral mas, sim, de imagem dos candidatos) apontam que aquele que está a mais tempo na mídia (anos de aparição) possui muito mais chances.

Isso independe de ideologia ou se o cara já (des)governou antes.

Lula não venceu em 2002 porque o NE precisava ou porque o "povo" tinha consciência de que FHC quebrara o país 3x: Lula era conhecidíssimo desde 1986, quando passou a dar várias entrevistas como dep. constituinte e, depois, como candidato a presidente desde sempre.

Em 2006, sim. Mas o Chile também teve outro candidato de centro-esquerda que se apresentava como 'terceira via' e que não esteve no palanque de ninguém no 2º turno - é o fator Ciro Gomes aqui.

Pessimista que sou, torço pra estar errado.

Mas só existe uma tentativa - que não passa pela democracia representativa: http://www.trezentos.blog.br/?p=2193

[]'s,
Hélio

Lau Mendes disse...

Mundo ingrato. Se pelo menos a cada Zilda Arns morressem 100 canalhas....

César Bento disse...

Sei que foi uma ironia, mas se o Lasier tivesse vergonha na cara não abria mais aquela boca.

Gilmar Antonio Crestani disse...

Cláudia, deixo aqui o endereço de um artigo que publiquei no Observatório da Imprensa, em 2002. Nesse período, Lasier só fez desmentir Charles Darwin, pois o que evolui foi sua desonestidade intelectual e a sabujice de ventríloquo: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/iq200320027.htm

Dialógico disse...

Hélio, penso na máxima "pessimista na razão, otimista na vontade", quando leio teu comentário, ou seja, frente as dificuldades, o que se pode fazer em termos de educação política? Discordo que exista um ser humano na face da terra que não esteja inserido dentro de alguma ideologia. Isso, para mim, não existe: alguém capaz de viver sem ideologia. Assim como não existe neutralidade. E a imparcialidade é um objetivo a ser perseguido, pois a parcialidade nos move. Pode ser que alguém não se assuma ideologicamente, ou não compreenda, desvele a sua ideologia sabe-se lá porque razões. Choquei-me com a eleição de Piñera no Chile, porque trago na memória - e até publiquei no blog - a manifestação popular por ocasião da morte de Pinochet: estavam em festa! Como, menos de 5 anos depois, i) a população não vai às urnas; b) e, quando vai, ainda vota num aliado do ditador? O que me remete ao RS e as nefastas eleições de Rigotto, Fogaça [2 vezes] e Yeda: parece que, como povo ignorante, estamos fazendo escola...

Anônimo: É por isso que apago, sem dó nem piedade, comentários falaciosos. Tenho lado, insiro-me politicamente. Além disso, discórdia é uma coisa, baixaria, outra. Até poderia deixar anotada a tua reclamação a respeito da demora da ajuda governamental para vítimas das cheias. Uma queixa que não é tua, vem da boca dos porta vozes da família Sirotsky. Esqueceste, como Lasier e catrefa esquecem, de algumas palavras: "falta de investimento estadual em manutenção", seguida de outro conjunto de palavras "vistas grossas aos licenciamentos ambientais". Assim, as ocorrências naturais só pioram o estado das coisas. Mas é preciso ter olhos de ver e ouvidos de ouvir daquela passagem bíblica.

César, o comentário do Crestani é a nossa resposta. Esse sujeito gosta do papel a que se presta. Não respeita nem seus cabelos brancos que, em tese, denotariam sabedoria...

Hélio Sassen Paz disse...

Cláudia,

Sei de tudo o que disseste. Porém, não creio mais na democracia representativa porque se perde tempo demais deliberando e discutindo, querendo buscar unidade em discussões e interesses que são hiperfragmentados e que, mesmo complementares e compatíveis entre si, contemplam realidades diferentes e possuem naturezas e objetivos diferentes. Partidos e sindicatos formatados sob o moral judaico-cristão e meros reprodutores de um sistema que não é mais predominantemente sustentado por uma relação entre "burguesia" x "proletariado" em um mundo no qual os serviços e a população urbana são dezenas de vezes maiores do que o comércio de produtos físicos, do que a quantidade de operários e de trabalhadores do campo.

Além disso, embora as leis brasileiras sejam - no papel - bastante justas e (teoricamente) igualitárias, os criadores, os árbitros e os julgadores desse sistema exageradamente burocratizado e exageradamente hierarquizado são proporcionalmente muito mais representantes dos abastados do que a proporção de abastados em relação ao total da população.

A esmagadora maioria das pessoas não é alienada e não é reacionária: são apenas muito mal informados e extremamente conservadores. Uma pessoa alienada, simplista, burocrática, autoritária, indolente e ignorante em um determinado setor da sua vida pode ser extremamente solidária, criativa, ágil e guerreira em outro. A questão é: como informá-las? Como engajá-las? Não se pode ser partidarizado nem explicitamente ideológico e tampouco se deve vincular a causa que interessa a esse determinado grupo a causas mais complexas: uma demanda de cada vez, porém com força.

Depois de ter lido A Cauda Longa, percebo que sempre existiu e sempre existirá na humanidade diferenças que não podem ser tratadas como iguais. Isso não tem a ver com capitalismo nem com ganância mas, sim, com a necessidade que cada um tem de se diferenciar, de sentir-se requisitado, importante, querido, útil.

O único movimento recente que deu certo aqui em POA foi o dos Amigos da Gonçalo de Carvalho. Por que? Porque envolveu uma comunidade que tinha o seu interesse pontual, local e até certo ponto egoísta ferido. Com o tempo, em uma escala maior, esse grupo cresceu e obteve uma vitória ainda maior na questão do Não à Orla. Porém, isso foi pouco e, infelizmente, tende a cair com os novos índices construtivos em um PDDUA que não é discutido com a população. Para que se possa obter uma vitória definitiva, é necessário articular-se de uma outra forma.

Se usa armas antigas contra adversários antigos. Como o RS é mentalmente atrasado, felizmente nem mesmo os ricos sabem articular-se em rede. Então, caso se aprenda a pensar apartidariamente, por demandas pontuais e em rede, ainda dá pra vencer.

[]'s,
Hélio