31 de julho de 2010

CPI da Kátia não achou irregularidade NENHUMA no MST. E ela quer prorrogar

A Globo e o Serra foram lá garantir a grilagem da Cutrale

Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada


O Conversa Afiada reproduz as conclusões e as recomendações do relatório da CPI do MST, montada por Kátia Abreu e Ronaldo Caiado, como parte do processo de criminalização do MST.

Essa é a terceira CPI que se monta contra o MST.

Gastam dinheiro, tempo, e concluem a mesma coisa: o MST não rouba.

A propósito, as organizações ligadas à Confederação Nacional da Agricultura da senadora Kátia Abreu recebe, do Governo Federal, VINTE E CINCO VEZES – clique aqui para ler – mais dinheiro do que o MST.

Já se esgotou o prazo desta CPI.

A Senadora Kátia, porém, quer prorrogá-la por mais seis meses.

Deve ser para arranjar uma “crise” que ajude a malograda candidatura do jenio.

Afinal, o jenio mandou a polícia garantir a posse das terras griladas pela Cutrale no interior de São Paulo.

O interessante é que a Senadora Kátia não costuma frequentar as sessões da CPI.

Leia as conclusões e as recomendações do relator Gilmar Tatto, do PT/SP:


5. CONCLUSÕES
Esta Comissão buscou o entendimento aprofundado dos temas que abrangeu, quais sejam, os delimitados no Requerimento nº 24/2009-CN – “o diagnóstico e análise da estrutura fundiária, em especial, a promoção e execução da reforma agrária; e a apuração das causas, condições e responsabilidades relacionadas aos convênios e contratos firmados entre a União e organizações ou entidades de reforma e desenvolvimento agrários; a investigação do financiamento clandestino e da evasão de recursos para invasão de terras”. O trabalho foi pautado pela realização de audiências públicas com a presença de técnicos qualificados e representantes das entidades envolvidas, bem como do Poder Público e pela análise dos convênios auditados, de modo a subsidiar uma ação mais propositiva por parte desta CPMI.
Diante da pobreza e da desigualdade social que ainda assolam o meio rural brasileiro, situação que foi identificada pela Comissão de modo bastante categórico, é obrigação de nossa geração identificar novas formas de combater esse estado de coisas, reforçar as iniciativas que estão obtendo resultados positivos e rever as que não alcançaram seus objetivos. Para isso, são necessárias intervenções educacionais, sócio-econômicas e fiscalizatórias, medidas mais eficazes quando implementadas simultaneamente.
A mudança social profunda necessária para se eliminar a pobreza, a desigualdade e a exclusão que são alimentadas pela grilagem de terras, pelos conflitos agrários e pela escassez de crédito e de assistência técnica
e extensão rural claramente não estão dentro das possibilidades de ação da CPMI. Tampouco é possível sanar as questões formais envolvidas nos problemas existentes na execução e prestação de contas dos convênios por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. No entanto, ela pode ser uma ferramenta valiosíssima para alavancar estes processos. Não se pode perder de vista que o primeiro ponto para tratar as questões é reconhecê-las, e este foi um dos objetivos do trabalho da Comissão.
Neste contexto, buscou-se ouvir testemunhas que pudessem contribuir com a discussão em torno dos temas tratados pela CPMI. As oitivas e as investigações conduzidas por esta Comissão reavivaram velhas questões já discutidas em outros fóruns, entre outras oportunidades, como por ocasião da CPMI da Terra. Agora, novamente apresentaram-se problemas complexos que abrangem não só os de ordem administrativa, mas também recorrentes mazelas advindas da má gestão pública e da verdadeira inaplicabilidade da legislação frente às questões inerentes ao trabalho com comunidades rurais localizadas nos rincões deste país, onde o acesso à informação e o cumprimento de toda a burocracia exigida pela máquina pública é quase impossível.
Ademais, mesmo reconhecendo que o orçamento da reforma agrária tenha tido um crescimento expressivo no governo Lula, ainda assim é patente a insuficiência das dotações orçamentárias e a falta de pessoal qualificado em quantidade suficiente para implementar as diversas ações previstas na Política Nacional de Reforma Agrária, como, por exemplo, a desapropriação, o crédito fundiário, a regularização fundiária, o combate à grilagem de terras, a implantação dos projetos de assentamento, o acesso ao crédito e o acompanhamento e fiscalização dos convênios firmados tanto com Estados e Municípios quanto com entidades civis, entre outras inúmeras ações.
Os dados censitários mostraram de forma cabal que a estrutura agrária mantêm-se inalterada a despeito do esforço do governo em assentar um maior número de famílias de agricultores sem terra, o que evidencia a necessidade de se rever o modelo agrícola brasileiro concentrador de renda e de terra.
Os movimentos sociais, como evidenciado, surgem justamente da continuidade desta contradição, em que os excluídos passam a
exigir seus direitos, dentre estes a realização da reforma agrária em áreas que não cumprem sua função social, conforme previsão constitucional.
Albergado na própria Constituição brasileira encontra-se a matriz, a fonte de legitimidade e de legalidade dos movimentos sociais agrários, porque fundados no direito de livre associação e organização que caracteriza qualquer Estado democrático de direito.
Conclui-se assim, pela inexistência de qualquer irregularidade no fato de as entidades manterem relações e atenderem público vinculado a movimentos sociais, pois a despeito de se constituírem ou não em pessoa jurídica com criação formal ou de fato, são sujeitos históricos detentores de reconhecidos direitos e deveres fundamentais.
Tal legitimidade, no entanto, não exime as entidades que apoiam os movimentos do cumprimento da legislação que rege a aplicação de recursos públicos. Neste particular, as investigações não evidenciaram a existência de irregularidades que se caracterizem favorecimento ilícito ou crime contra a administração pública. (Ênfase minha – PHA)
Quanto aos convênios auditados, conclui-se que os objetos foram realizados. E quando não o foram integralmente deveu-se a decisões judiciais que impediram a continuidade do repasse dos recursos. As inconsistências examinadas caracterizam-se como falhas formais, não se evidenciando dano ao erário, benefícios indevidos nem inexecução dos objetos avençados.
Destarte, consideramos fundamental que o Tribunal de Contas, de posse do Relatório produzido por esta CPMI, continue auditando as transferências voluntárias realizadas pelo Poder Executivo.

E aqui as recomendações:

145 6. RECOMENDAÇÕES
6.1 Acerca dos convênios
- O Poder Legislativo deve estudar aperfeiçoamentos na legislação que regula os convênios, de forma a assegurar que os mesmos gerem produtos mais eficazes, com menor dificuldade burocrática na implementação. Minuta de projeto de lei nesse sentido, a ser apresentado pela CPMI do MST, encontra-se em anexo (Anexo V).
- O TCU e a CGU devem continuar realizando auditorias de acompanhamento da execução dos convênios.
- O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG, em parceria com a Controladoria Geral da União, deve promover cursos de capacitação voltados para as entidades civis que firmam convênios com entes federais, visando melhorar o atendimento dos requisitos formais que envolvem os convênios. O treinamento deverá focar a melhoria de qualidade tanto dos projetos elaborados por elas, quanto as normas que regem a despesa pública e as prestações de contas.
- O Ministério do Desenvolvimento Agrário deve dar continuidade à parceria firmada com a Escola Nacional de Administração Pública – ENAP visando qualificar os servidores e os membros dos conselhos para o controle da gasto público.
- O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG, em parceria com a Controladoria Geral da União, deve promover ações de combate à terceirização ilegal nos órgãos da administração pública.
- O Poder Executivo deve dar continuidade ao processo de aprimoramento das ações e adequação das normas relativas às transferências de recursos da União mediante convênios e contratos de repasse.
- O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG- organize uma força tarefa para analisar o estoque de mais de 50 mil processos em que as prestações de contas não foram analisadas, fato que consta do Relatório do
Tribunal de Contas da União que analisou as contas do Governo da República exercício de 2009.
6.2 Acerca da questão fundiária e da reforma agrária
Ao Poder Executivo
- Envidar esforços no sentido de dotar o Incra, em especial as Superintendências Regionais, de recursos humanos e materiais necessários ao desempenho adequado de suas atribuições.
- Realizar concursos públicos para recompor o efetivo humano do Incra e do MDA, com a garantia de que sejam lotados nas atividades fim da instituição.
- Regulamentar a Lei nº 12.188/2010, que institui a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária.
- Promover o fortalecimento institucional dos órgãos estaduais de ATER, com a garantia de que se aporte recursos para a ação específica de assistência técnica aos assentados da reforma agrária.
- Incrementar a implementação da regularização fundiária na Amazônia Legal, nos moldes do Programa Terra Legal.
- Agilizar as ações de georreferenciamento dos imóveis com áreas abaixo de 4 módulos e a certificação dos demais imóveis.
- Observar a Lei nº 5.709/71, o Decreto 94.965/74, bem como o art. 23 da Lei nº 8.629/93, nas aquisições e nos arrendamentos de imóveis rurais por empresas nacionais com capital majoritariamente estrangeiro.
- Desenvolver programas de recuperação das áreas degradadas e de regularização ambiental dos assentamentos.
- As políticas de desenvolvimento agrário devem ser concebidas e implementadas de forma articulada com as outras políticas setoriais, como as referentes à proteção ambiental, agricultura, ciência e tecnologia, indústria e comércio, entre outras.
- Incrementar e aperfeiçoar os órgãos governamentais de mediação de conflitos agrários.
- Rever os índices de produtividade;
Ao Poder Legislativo
- A Câmara dos Deputados deve priorizar a votação em segundo turno da PEC do Trabalho Escravo. (*)


(*) Essa expressão “trabalho escravo” provoca um frisson na CNA. É a mesma coisa que falar em Ricardo Sergio de Oliveira a bordo do avião do Serra (enquanto no ar).

30 de julho de 2010

Gigantinho, 29/07/2010

Os discursos de todos os candidatos à eleição majoritária e do Presidente Lula foram bem politizados na noite desta quinta-feira, 29/07/2010, em Porto Alegre. Num Gigantinho lotado, não faltaram denúncias em relação ao estado do RS e críticas ao candidato da oposição José Serra, mas seguidas do anúncio de tempos melhores para o RS com Tarso Genro [PT] e Beto Grill [PSB] e, cada vez mais, para o Brasil, com Dilma Rousseff [PT] e Temer [PMDB - que chateação!].

Bonito de ver! Ao que parece, a cantilena do amor, do novo, do coração foi deixada de lado e a pauta política, ao ser resgatada, é o diferencial desta campanha...

Imagem: Dialógico
Atualizado em 30/07/2010 às 10h56min.

Agora, voto só com título na mão

Publicado em 30/07/2010 no blog da Dilma

O prazo para pedir segunda via do título de eleitor ainda está correndo. Documento com foto também é obrigatório

Atenção você que não quer perder a oportunidade de votar nas eleições deste ano. Ao contrário do que ocorria nos pleitos anteriores, o título de eleitor será obrigatório na hora de ir às urnas, no próximo dia 3 de outubro. Até para quem não vai votar porque estará fora de seu domicílio eleitoral, o título será indispensável para justificar o voto.
Antes, bastava comparecer ao local de votação com um documento de identidade – RG, carteira de trabalho, de habilitação etc. Agora, quem não levar um desses documentos, mais o título, vai ter de voltar para casa e começar a providenciar o pagamento da multa (ver quadro).
O prazo para solicitar o título original já acabou, mas ainda há tempo para pedir a segunda via. Quem perdeu ou teve o título eleitoral roubado tem até 23 de setembro para requerer um novo, na sede do cartório eleitoral. Entretanto, a data vale apenas para o eleitor que estiver dentro da cidade onde vota; caso esteja fora do domicílio eleitoral, será preciso correr até 4 de agosto para retirar a segunda via.

Em trânsito

Exigir o título na hora da votação foi uma das formas encontradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para dificultar fraudes e evitar que uma pessoa vote em nome de outra. Mas essa não é a única novidade do pleito de 2010. Extinto após o advento das urnas eletrônicas, o “voto em trânsito” foi reativado e voltará a valer a partir deste ano.
Antes, o cidadão era impedido de votar caso estivesse longe de seu domicilio eleitoral no dia do pleito – e, por isso, ainda precisava se justificar à Justiça Eleitoral.
Agora, com a volta do “voto em trânsito”, ele poderá participar da eleição estando em qualquer capital do País. Para garantir esse direito, basta se cadastrar em qualquer cartório eleitoral (em capitais ou municípios do Interior) até próximo dia 15 de agosto.
Com um detalhe: os que estiverem nessa condição só poderão votar para presidente da República – sem, no entanto, precisarem justificar a ausência para os demais cargos em disputa (governador, senador, deputados estadual e federal).

PUNIÇÕES

Quem não apresentar título eleitoral no dia 3 de outubro não poderá votar, nem justificar ausência. Deverá, portanto, pagar multa de R$ 3,00.
O valor é simbólico. O maior custo acaba sendo o tempo que se leva para comparecer à central de atendimento ao eleitor, requisitar o recibo de pagamento, dirigir-se ao banco etc.
Quem não pagar a multa fica impedido de assumir cargo público, retirar ou renovar passaporte, além de ficar com restrições na Receita Federal e em alguns bancos.
[Hébely Rebouças,30/07/2010 02:00 ,Postado por Kelly Girão]

Imagem: Internet

28 de julho de 2010

É amanhã: Pres. Lula e Dilma Rousseff no Gigantinho

Car@s gaúch@s,

Quinta-feira é dia de driblar o frio e lotar o Gigantinho, em Porto Alegre, com a militância mais vitoriosa do Brasil. Vista um agasalho vermelho e leve sua bandeira, pois a partir das 18 horas, vamos receber Dilma Rousseff, Tarso Genro e o presidente Lula para o primeiro comício de campanha no Rio Grande do Sul.

É hora de ir para as ruas e conquistar novos apoiadores! Com determinação, propostas e respeito aos nossos adversários, faremos uma disputa elevada - como a nossa população espera e merece. Vamos mostrar que os altos índices de aprovação do Governo Lula resultam da melhoria na qualidade de vida de milhões de brasileiros.

Nesta quinta-feira, todo mundo lá com Lula, Dilma, Tarso, Beto Grill, Paim e Abgail! Para o Rio Grande voltar a crescer e o Brasil seguir mudando!

Olhar da militância - Use a internet para compartilhar fotos, textos e suas impressões sobre o comício. Publique seu conteúdo em redes sociais como o Orkut, o Twitter e o Facebook. Juntos, faremos a melhor e mais democrática cobertura das eleições 2010.

IMPORTANTE: Lembre de usar as hashtags #DilmaTche e #AgoraeTarso.

Quem estará fora da capital gaúcha, poderá acompanhar comício ao vivo pelo site www.tarso13.com.br.

Serviço:
Comício com Lula, Dilma e Tarso
Data: 29.07
Horário: 18 horas
Local: Ginásio Gigantinho

Nos acompanhe no Twitter:
@DilmaBR
@Galera_Dilma
@Mulheres_Dilma

Confira também os portais:
www.mulherescomdilma.com.br
www.galeradadilma.com.br
www.participabr.com.br

Equipe Dilma13


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A insistência no tema diz respeito à oportunidade ímpar de vermos o Presidente Lula e a candidata à sua sucessão Dilma Rousseff juntos. Faça parte dessa História!

Eleições na FENAJ

Entre os dias 27 e 29 de julho, ocorrem as eleições na FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas.

Para se informar a respeito do processo eleitoral, clique AQUI.

Conheça as chapas:

Chapa 1, Virar o Jogo

Chapa 2, Luta, Fenaj!

PARTICIPE!

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Celso Schröder é eleito presidente da Fenaj


Atualizado em 30/07/2010 às 19h51min.

26 de julho de 2010

Lula em Porto Alegre dia 29 de julho, quinta feira

Parcialidade da mídia corporativa I

Hoje, segunda-feira, dia 26/07/2010, estamos há 3 dias do comício do Presidente Lula no Gigantinho, próxima quinta-feira, dia 29/07/2010, 18 horas.

E o que informam os jornais de Porto Alegre, alguns com circulação no estado?







Nas capas*, acima, absolutamente nada. Muito menos, nas contrapacas!

Uma das hipóteses da falta de informação sobre a visita do Presidente da República, à capital do RS, é a de que os jornais circulam apenas pelos leitores, cuja preferência de voto recaia sobre José Serra [PSDB], Yeda Crusius [PSDB], José Fogaça [PMDB] e aos demais candidatos que concorrem ao executivo estadual. Para tais leitores/eleitores, tal informação não seria importante.

Mas, mesmo leitores/eleitores da oposição à candidatura Dilma Rousseff [PT], também estão prejudicados pela falta de notícia sobre um dos principais fatos da semana em Porto Alegre. Não é a qualquer momento, que um Chefe de Estado programa-se para viajar. Creiamos, ele tem muito o que fazer!

Então, por que a ausência de notícias? Por que o silêncio orquestrado de todos os jornais impressos? Porque é um tema que não interessa informar! O Presidente mais popular da História brasileira recente vem ao Estado e deixa a direita guasca nervosa:

Não divulguem! Não permitam a mobilização das gentes que moram longe de Porto Alegre e necessitam se organizar com antecedência! Quietos!

Ainda mais, que a visita do Presidente Lula, ao estado, é de apoio ao candidato da Unidade Popular pelo Rio Grande, Tarso Genro [PT], que, há meses, encontra-se em 1º lugar na preferência do eleitorado. A relação "presidente mais popular" e "candidato com a preferência de votos" é o que a mídia corporativa guasca fará de tudo para ocultar. Não interessa essa associação.

Esse comportamento midiático expressa a mais descarada parcialidade. Ignoram, solenemente, o público leitor que já definiu seu voto para os candidatos da Unidade Popular pelo Rio Grande. Este público não pode se informar, antecipadamente, sobre a vinda do Presidente Lula a Porto Alegre para se organizar e participar desse momento histórico ímpar na História da cidade.

Mas como a turma não se informa apenas pelo jornal, não faz mal! A denúncia, acima, serve apenas para colocar mais uma pedra na falta de credibilidade das empresas de comunicação, que se jactam de sua imparcialidade. O slogan errebesseano "aqui o RS se vê" é de doer, de tão ridículo!

*Capa: apenas o jornal O Sul disponibiliza capa e contracapa sem necessidade de cadastramento. Por isso, publicamos fac-simile das páginas dos demais jornais.

TV Brasil exibe hoje programa ao vivo com Marina Silva


Depois dos candidatos Dilma Rousseff e José Serra, é a vez do “3 a 1” entrevistar a candidata Marina Silva

A terceira rodada de entrevistas com os presidenciáveis do Programa 3 a 1 será exibido hoje. Às 22h, a candidata Marina Silva participa ao vivo da sabatina na TV Brasil. É a última entrevista da série que começou na quarta-feira com a candidata Dilma Rousseff. Ontem, foi a vez do candidato José Serra.

A ordem dos candidatos foi estabelecida por sorteio, realizado no dia 18 de junho, com a participação de representantes dos três candidatos.

A TV Brasil deixou o local de gravação ou transmissão ao vivo do programa á critério dos candidatos. Dilma Rousseff optou pela gravação no estúdio de Brasília na quarta-feira (22). Também neste dia, por questões de agenda, o candidato José Serra gravou na no estúdio da TV Brasil no Rio de Janeiro. Marina Silva foi a única que preferiu a participação ao vivo, nesta sexta-feira(23), às 22h, no estúdio de São Paulo (Av. Moffarrej,1200 - Vila Leopoldina).

O programa de entrevistas 3 a 1 é apresentado pelo jornalista Luiz Carlos Azedo, contando sempre com a participação de um jornalista da TV Brasil e outro convidado. Vai ao ar, semanalmente, às 22 horas de quarta-feira. A série com os presidenciáveis, excepcionalmente, foi veiculada durante três dias seguidos na programação.

Além de Azedo como apresentador, o programa conta com a participação, pela TV Brasil, da jornalista Tereza Cruvinel, e com um jornalista de outro veículo em cada um dos programas. Hoje, a jornalista convidada será Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor Econômico.

A íntegra de cada programa será publicada pela Agência Brasil (www.agenciabrasil.ebc.com.br). Os programas serão também retransmitidos, às 23 horas, pelas radios Nacional do Rio de Janeiro (AM-1.130kHz), Nacional de Brasilia (AM-980kHz)e Nacional da Amazônia (OC-11.780kHz).


Comunicação Social EBC

(61)3799 5231/5232

25 de julho de 2010

Serra beija a própria mão ?!

Arte do Esquerdopata sobre post do LadoB

Professor da Rede Estadual de Ensino em SP alerta: "Serra Nunca Mais"


SERRA NUNCA MAIS!

Professor: Você tem mais de mil razões para não votar em José Serra e outras mil para entrar de corpo e alma na campanha que o magistério paulista está fazendo para impedir que esse desastrado político, chegando a Brasília, espalhe para todo o Brasil os estragos feitos em São Paulo, principalmente na área da educação. Você, como cidadão e profissional responsável, precisa alertar a população sobre o quanto Serra foi danoso para a educação pública paulista e para o serviço público em geral.

Somos uma categoria imensa, cerca de 250 mil professores públicos estaduais, que nos últimos quatro anos foi diariamente humilhada pela política do ex-governador. Na presente campanha, se cada professor conseguir arrancar 40 votos do Serra, esse desastrado candidato deixará de ganhar cerca de 10 milhões de votos, o que pode levá-lo a perder a eleição já no primeiro turno.

Professor, não importa em quem você vai votar para presidente. Importante é que você, em nome de nossa dignidade e da defesa do serviço público, não vote no José Serra e conscientize a população do quanto é negativa a presença dessa figura na vida política brasileira.

Comece a campanha contra José Serra conversando com seus familiares, depois vizinhos, amigos. Não perca tempo. Converse com o pessoal de sua igreja, do futebol, ou quando for ao salão de beleza ou na fila do supermercado. Se possível, passe um imeio para amigos próximos ou distantes e peça que eles façam o mesmo. Se você tiver parentes, amigos, conhecidos em diferentes lugares do Brasil, faça contato com eles e explique que a propaganda que o Brasil inteiro andou vendo e ouvindo por tevê e rádio sobre o governo de São Paulo é simplesmente coisa mentirosa. Diga apenas a verdade: que a realidade da educação, da saúde, da segurança e de outros setores públicos paulistas não é nem um pouco parecida com o que a propaganda criada por Serra mostra. E diga mais: José Serra é mestre na arte da propaganda enganosa.

Se o ex-governador possui uma fortuna de muitos milhões de reais para gastar na campanha eleitoral, nós, professores, que ganhamos salários ridículos e trabalhamos em escolas destruídas e violentas, temos o testemunho do quanto José Serra é anti-cidadão, péssimo administrador, autoritário e envolvido até o pescoço com ações pouco elogiosas.

Pense no papel histórico que estamos desempenhando e na responsabilidade cidadã, a mesma que sempre cobramos de nossos alunos e que no correr da eleição devemos colocar em prática. Se você tem dúvida quanto a entrar em uma campanha contra o candidato Serra, procure lembrar o quanto de prejuízo a educação pública sofreu nos quase quatro anos de seu governo.

Mais do que qualquer outro cidadão brasileiro, nós conhecemos o político Serra: homem truculento e incapaz de diálogo, que usa da violência de tropas de choques para impedir que o professor reivindique e conquiste o seu direito, além de torrar dinheiro público na mídia do Brasil inteiro para mostrar o que não existe em São Paulo.

Não se esqueça professor, a eleição de José Serra está em suas mãos. Sem interesse político partidário nenhum, você pode impedir que Serra, eleito, espalhe para o Brasil o mal que ele provocou no estado de São Paulo, principalmente na educação pública. Portanto, lembre-se:

SE DEPENDER DO PROFESSOR, SERRA NÃO SE ELEGE NEM PARA VEREADOR!!!

Silvio Prado, professor da Rede Estadual de Ensino


Foto: Clayton de Souza

O Decálogo da Besta

O prof. e cientista político, Wanderley Guilherme dos Santos, escreveu a suscinta biografia não autorizada do José Serra, a seguir reproduzida:

1- Quebra de contrato: protocolou documento em cartório firmando que não deixaria a Prefeitura de São Paulo para disputar a eleição de governador. E deixou.

2- Truculência: anunciou que, se eleito, "peitará" o Congresso pela reforma política.

3- Inconfiável: ao contrário do que dizia, bloqueou as prévias no PSDB e, sem consulta ao DEM, anunciou que o vice dele seria o senador tucano Álvaro Dias.

4- Deslealdade: comparou que seu aliado FHC é psicologicamente igual a Lula.

5- Machista retrógrado: conselho dado ao vice, Índio da Costa, sobre ter amantes: "tem de ser uma coisa discreta".

6- Paranoico: diz-se perseguido pela imprensa.

7- Subserviência: agrediu verbalmente um entrevistador e, depois, desculpou-se ao saber que se tratava de um repórter da TV Globo.

8- Antissindicalista: considera "pelegos"os sindicatos e as centrais sindicais.

9- Obsessão ao poder: diz que se preparou a vida toda para isso. (Acrescento eu. É como se Mano Menezes tivesse começado a carreira de treinador com a obsessão de chegar a Técnico da Seleção.)

10- Presunção autocrática: assegura que é o candidato mais preparado e se apresenta como sendo, ele próprio, o programa de governo.

As palavras-chave estão em negrito para facilitar a leitura dos apedeutas.


Fonte: Ficha Corrida

''O gênero é uma construção social''

Entrevista especial com Esther Diaz para o Instituto Humanitas UNISINOS

Segundo a filósofa argentina, Esther Diaz, "o sexo é poder não somente pela obviedade de que quem exerce fortemente o poder tem muito mais possibilidades de manter encontros sexuais do que aqueles que carecem de poder". Em entrevista à IHU On-Line, realizada por e-mail, ela falou sobre a forma como a sexualidade foi encarada em diferentes épocas e pensadores, como Foucault, Nietzsche e Platão. Além disso, ela observa a sexualidade e o sexo em si a partir de uma visão biopolítica. "A sexualidade é manejada pelo biopoder para reafirmar as estruturas patriarcais da sociedade", afirmou.

Esther Diaz é doutora em filosofia pela Facultad de Filosofía y Letras da Universidad de Buenos Aires. Atualmente, é professora do Departamento de Humanidades y Artes de la Universidad Nacional de Lanús.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como a sexualidade foi tratada em diferentes períodos da história da humanidade? Esther Diaz – A sexualidade, tal como Michel Foucault [1] a estudou, surgiu recém na modernidade e, assim, foi estudada durante o século XX. Pois bem, sem dúvida, os humanos têm genitalidade desde o momento do nascimento, mas a sexualidade é muito mais do que genitais. É uma figura epocal que está relacionada com os genitais, mas os transpassa amplamente. Tem mais a ver com o desejo e, obviamente, com o sexo (sexo é uma determinação biológica, sexualidade é uma determinação conceitual-social). Nesse sentido, ela foi tematizada por Platão [2], e a problemática foi retomada recém no século XIX, com Schopenhauer [3] primeiro, e com Nietzsche [4] mais tarde, no campo filosófico, e com Freud [5] no psicanalítico.
IHU On-Line – Como Michel Foucault aborda a sexualidade em nossa cultura? Em que aspectos a filosofia de Foucault inspira um novo pensar sobre o corpo e a sexualidade? Esther Diaz – Spinoza [6] dizia que muito se falou sobre o poder da alma, mas que ninguém sabe de quanto o corpo é capaz. Foucault aborda a sexualidade como corpo do poder, como dispositivos de sexualidade que se instauraram no começo da modernidade, quando os burgueses cuidavam de seus costumes sexuais de maneira “higiênica”, controlavam seus desejos para obter uma descendência sadia. Depois, transladaram esse controle para o resto da população e, em seu afã de proibir que se falasse de sexo (época vitoriana), na realidade desataram um aluvião de discursos sobre a sexualidade e incentivaram a mesma coisa que queriam controlar: o desejo. O controle da sexualidade é funcional a uma economia que necessitava seres “domesticados” para suas linhas de montagem industrial.
IHU On-Line – Em que consistem os “dispositivos de sexualidade” denominados por Foucault? Esther Diaz – Os dispositivos de sexualidade se instauraram no começo da biopolítica, isto é, da administração da vida da população por parte do Estado. Essa administração é impensável antes do modelo burguês. Foucault denomina de “dispositivos de sexualidade” todos os discursos e as práticas que proliferaram ao redor do corpo e de seus prazeres e que foram operativos para a nascente economia capitalista.
IHU On-Line – Quais são as ligações da sexualidade com o poder? Esther Diaz – O sexo é poder não somente pela obviedade de que quem exerce fortemente o poder tem muito mais possibilidades de manter encontros sexuais do que aqueles que carecem de poder, mas também porque se são estabelecidos controles sobre os desejos da população e são proibidas certas práticas sexuais (digamos, por exemplo, a masturbação), constituem-se seres culposos, já que – principalmente em certa etapa da vida – não é possível cumprir com a abstinência exigida pelos dispositivos de sexualidade.

Isso produz culpa, e não há ninguém mais manejável do que uma pessoa com culpa. O sexo também é poder porque é utilizado para conseguir favores e vantagens. E, dentre outras coisas, é poder porque é um impulso vital avassalador e é a condição de possibilidade para obter descendência, que, no caso dos donos dos meios de produção, devia ser saudável para dar-lhe prestígio aos senhores.

IHU On-Line – A senhora diz que o conceito de sexualidade não está associado apenas à diferença genital. Nesse sentido, o que entende por sexualidade? Ainda é possível associar sexualidade ao gênero masculino e feminino? Esther Diaz – O gênero é uma construção social. Inclusive, atualmente (em alguns países), mais identidades sexuais do que a feminina e a masculina (transexuais, travestis, pessoas com duas genitalidades assumidas nessa condição) são aceitas legalmente e obtidas mediante tecnologia. Uma pessoa pode ter nascido com genitais de um sexo e sentir que seu corpo se equivocou, já que essa pessoa se sente parte de outro sexo. A genitalidade pode ser um acidente. O gênero, em troca, é a assunção consciente de determinada identidade sexual.

IHU On-Line – Como a sexualidade pode ser entendida como um biopoder? E, nesse sentido, esse biopoder se torna um elemento indispensável para o desenvolvimento do capitalismo? Esther Diaz – A sexualidade é manejada pelo biopoder para reafirmar as estruturas patriarcais da sociedade. O capitalismo precisou do biopoder para controlar a população e torná-la mais eficiente com relação aos interesses dos poderosos. A ciência experimental moderna, por exemplo, é constituída excluindo a mulher e as outras minorias (sexuais ou sociais). As religiões monoteístas também utilizam o paradigma do homem branco, de idade média, culto e pulcro como modelo do “homem virtuoso”.

As mulheres (e outras minorias sexuais) foram relegadas pelo capitalismo às tarefas que tradicionalmente as reduziam à subordinação. E quanto foram assimiladas ao sistema produtivo econômico, tiveram acesso a postos de trabalho, mas continuaram sendo as responsáveis de levar adiante as tarefas do lar. Esse é um claro exemplo do poder do sexo (nesse caso, obviamente, masculino).

O poder capitalismo, científico, religioso e até familiar continua sendo machista, porque nossas sociedades se assentam sobre poderes patriarcais ancestrais, herdados e reproduzidos pela família, pela escola, pela religião e até pelas figuras midiáticas: mostram-se corpos nus de mulheres, porque se supõe que eles satisfazem o desejo masculino, mas quase não se veem nus masculinos completos, já que isso contribuiria para o prazer da mulher, que, por enquanto, continua sendo minoritário.

IHU On-Line – Em um de seus textos, a senhora diz que estamos testemunhando uma nova fase de criação do nosso desejo. Em que sentido isso está relacionado com o fato da pós-modernidade estimular o desejo sexual? Pode nos explicar essa teoria? Esther Diaz – Se a sexualidade surgiu do segredo sobre os meandros do desejo e de proibições que estimulavam o desejo (inclusive, em alguns casos, as chamadas “perversões”), em nossa época, em que os meios em geral e a Internet em particular mostram absolutamente tudo o que é relacionado ao sexo (e que antes não podia ser mostrado), é natural que se registre uma depressão do desejo (já que nada é tão desejado quando o proibido). Dessa forma, nossos desejos hoje continuam relacionados com o sexo (dentre outros apetites), mas já não com a intensidade do enigma e do mistério. É por isso que considero que estamos atravessando uma época de pós-sexualidade. Isso não quer dizer que não continuaremos mantendo relações sexuais, mas sim que o estímulo para elas apresenta características diferentes com relação à sexualidade moderna.

Essas questões são de sumo interesse para a militância social, já que de nada serve atender somente o problema da mulher agredida (digamos como exemplo), se os dispositivos sociais continuam sendo machistas. Além disso, ser submissa não garante lucidez. As próprias mulheres, muitas vezes sem nos darmos conta, contribuem com o esquema patriarcal, ao estimular os meninos a brincar com armas de guerra, ou jogos violentos como o futebol, e as meninas a brincar com bonecas ou a cozinhar. Desse modo, continuamos reproduzindo homens que vão à frente e são ganhadores, e mulheres sensíveis que se submetem e, em geral, são perdedoras. É inconcebível que, no terceiro milênio, ainda continuamos dizendo que as mulheres são frágeis por expressar seus sentimentos, e que “os homens não choram”. Isso não é assim “naturalmente”. É uma construção social a serviço do poder sexual do macho.

Notas:
[1] Michel Foucault foi filósofo e professor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France desde 1970 a 1984. Todo o seu trabalho foi desenvolvido em uma arqueologia do saber filosófico, da experiência literária e da análise do discurso. Seu trabalho também se concentrou sobre a relação entre poder e governamentalidade, e das práticas de subjetivação. Sobre ele, a IHU On-Line dedicou a edição 335, intitulada Corpo e sexualidade. A contribuição de Michel Foucault; 203, cujo título é Michel Foucault, 80 anos; e 119, chamada Michael Foucault e as urgências da atualidade. 20 anos depois.

[2] Platão foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. A edição 294 da Revista IHU On-Line, cujo títutlo é Platão, a totalidade em movimento, dedicou-se ao pensador.

[3] Schopenhauer foi um filósofo alemão do século XIX.Seu pensamento é caracterizado por não se encaixar em nenhum dos grandes sistemas de sua época. Sua obra principal é O mundo como vontade e representação (1819), embora o seu livro Parerga e Paralipomena (1851) seja o mais conhecido. Schopenhauer foi o filósofo que introduziu o Budismo e o pensamento indiano na metafísica alemã.

[4] Nietzsche foi um influente filósofo alemão do século XIX. Crítico da cultura ocidental e suas religiões e, consequentemente, da moral judaico-cristã. Nietzsche é, juntamente com Marx e Freud, um dos autores mais controversos na história da filosofia moderna, isto porque, primariamente, há certa complexidade na forma de apresentação das figuras e/ou categorias ao leitor ou estudioso, causando confusões devido principalmente aos paradoxos e desconstruções dos conceitos de realidade ou verdade como nós ainda hoje os entendemos. A IHU On-Line dedicou o número 127, cujo título é Nietzsche Filósofo do martelo e do crepúsculo.

[5] Freud foi um médico neurologista austríaco e judeu, fundador da psicanálise. Iniciou seus estudos pela utilização da hipnose como método de tratamento para pacientes com histeria. Ao observar a melhoria de pacientes de Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da doença era psicológica, não orgânica. Essa hipótese serviu de base para seus outros conceitos, como o do inconsciente. também é conhecido por suas teorias dos mecanismos de defesa, repressão psicológica e por criar a utilização clínica da psicanálise como tratamento da psicopatologia, através do diálogo entre o paciente e o psicanalista. Freud acreditava que o desejo sexual era a energia motivacional primária da vida humana, assim como suas técnicas terapêuticas. Ele abandonou o uso de hipnose em paciente com histeria, em favor da interpretação de sonhos e da livre associação, como fontes dos desejos do inconsciente. A IHU On-Line dedicou as edições 207, Freud e a religião; e 179, Sigmund Freud - Mestre da suspeita.

[6] Spinoza foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdão, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

Para ler mais:

Imagem: Eugênio Neves

24 de julho de 2010

Encontro de Geógrafos em Porto Alegre


Acompanhe o XVI Encontro Nacional de Geógrafos em
www.eng-2010.blogspot.com




O XVI Encontro Nacional de Geógrafos – Crise, Práxis e Autonomia: Espaços de Resistência e de Esperança - é organizado pela Associação de Geógrafos Brasileira (AGB), que conta com uma seção em Porto Alegre (rua Uruguai, 35/426). O diálogo de abertura será no dia 25, a partir das 17h30min, na Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia, com a presença do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos e da geógrafa da USP, Ana Fani. O artista popular gaúcho Pedro Munhoz fará uma apresentação musical na abertura*.

*Fonte: RSurgente

Alerta às campanhas de Yeda e Fogaça

O Dialógico suspende a política de Creative Commons, por tempo indeterminado e a partir da publicação desse post em 24/07/2010.

O blog da Juventude do PSDB utilizou charges, aqui publicadas [1 e 2]. Exigimos a retirada imediata desse material do blog e desautorizamos, previamente, qualquer partido político das coligações Yeda Crusius e José Fogaça a publicar conteúdo produzido para este blog em suas páginas na Internet, ou impressos, mesmo que seja para uso não comercial.

A disputa política entre Yeda Crusius [PSDB-PRBS] e José Fogaça [PMDB-PRBS] não nos diz respeito. A juventude tucana, ao publicar nossas charges em seu blog, demonstra o nível de indecência a que um grupo de pessoas pode chegar! No Dialógico, há dezenas de charges sobre a maior "liderança" do PSDB, a governadora Yeda Crusius. No maior descaramento, essa "juventude" ignora as denúncias publicadas contra esse desgoverno, através de charges, e seleciona, do mesmo autor, só o material que lhe convem, no caso, as que tem seu foco no ex-alcaide portoalegrense.

Temos uma imagem a zelar e não permitiremos que gente, que possui um blog com conteúdos que variam entre mentirosos, mistificadores, alienados, macule o trabalho sério aqui realizado.

Em insistindo com estas publicações, tomaremos medidas cabíveis. E, a partir deste instante, charges do Eugênio Neves subidas no Dialógico, Prancheta da Grafar, Sul21 ou Tinta China necessitarão de sua autorização expressa para publicação. O contato é dialogico.blog@gmail.com. A indicação de autorização de uso deverá constar no rodapé da publicação com a respectiva data.

Todos os blogues e sítios relacionados no Dialógico, ao lado, estão autorizados a utilizar qualquer material aqui publicado, sem a necessidade de indicação de autorização no rodapé.

Atualizado às 22h27min, 24/07/2010.

21 de julho de 2010

Campanha "Limpe a Barra da Procuradora Cureau"


Lemos há pouco:

Procuradora aciona mais PSDB do que PT, diz TSE

Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que o Ministério Público (MP) abriu mais representações contra a candidatura de José Serra e o PSDB do que contra o PT e a candidata Dilma Rousseff. Segundo dados fornecidos pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, é autora de 16 ações contra a campanha tucana e de 12 contra a petista. Ontem mesmo Sandra entrou com duas novas representações contra a candidatura Serra e o diretório tucano, em São Paulo, pedindo que ele seja multado em cada uma das duas no valor de R$ 25 mil. O PT e sua candidata à Presidência, contudo, se dizem vítimas de perseguição política da vice-procuradora-geral eleitoral. No fim da semana passada, o PT avaliava entrar com representação contra Sandra Cureau no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por entender que ela age com excessivo rigor ao pedir investigação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob acusação de abuso de poder político em favor da candidatura de Dilma. "Não tenho dúvidas de que ela está exagerando e extrapolando", afirmou o presidente do PT, José Eduardo Dutra. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Por AE, Agencia Estado, Atualizado: 21/7/2010 8:00

Bom saber que as ações contra o PSDB são em maior nº que as do PT. Isso só comprova o que a blogosfera denuncia há mais tempo: a campanha irregular dos tucanos, seja na TV, como na Internet.

Mas o que a notícia da Agência Estado não cita, é que apenas as manifestações contra o PT recebem os holofotes da mídia, aliás, manifestações notadamente partidárias de quem, a bem do ofício, deveria manter-se calada, assim como age - e corretamente - em relação ao PSDB.

Por isso, a notícia acima é uma manobra midiática para limpar a imagem da Procuradora Sandra Cureau. Reparem na frase: O PT e sua candidata à Presidência, contudo, se dizem vítimas de perseguição política da vice-procuradora-geral eleitoral.

Sutil como patada de elefante!

Para quem quiser se manifestar sobre a atuação da Procuradora, pode enviar mensagem para o CNPM - Conselho Nacional do Ministério Público: secretaria@cnmp.gov.br

Leia mais sobre o assunto AQUI e AQUI.

Foto: TSE
Atualizado em 21/07/2010 às 19h05min.

19 de julho de 2010

Liberdade de imprensa nos EUA?

Gerald Herbert em foto de 9/5/2010 para AP. Se fosse nos dias de hoje, pagaria 40 mil dólares de multa.

O blog Agente65 apresenta nota de indignação sobre a aplicação de multa de até 40 mil dólares, conforme uma norma que converte em delito grave qualquer jornalista, repórter, bloguista, fotógrafo ou cidadão aproximar-se de operações de limpeza de petróleo, equipamentos ou embarcações no Golfo do México. Quer dizer, o público ficará sem informação a respeito do desastre ecológico promovido pela BP naquela região.

Perguntamo-nos, onde está a SIP e o Repórteres Sem Fronteira para acusar o Governo de Barak Obama de violar a liberdade de imprensa? Como os políticos dos EUA, que se jactam das liberdades democráticas de seu país, podem ficar calados sobre o autoritarismo de tal norma?

A bem da verdade, estamos ironizando: tais instituições estão pouco se importando com a liberdade de imprensa ou de expressão. O que desejam, é assegurar o interesse das corporações que sustentam os EUA. O lamentável, disso tudo, é que ainda exista gente que crê na democracia estadunidense.

Abaixo, o artigo, fonte da nota do Agente65.

Catástrofe do Golfo: BP restringe o acesso dos media


por Dahr Jamail


Petróleo no Golfo do México. NOVA ORLEANS, (IPS) – Na semana passada, a Guarda Costeira dos EUA, que está a agir em coordenação com a gigantesca empresa petrolífera BP, impôs novas restrições em toda a Costa do Golfo americano que impedem os media de se aproximarem a menos de 20 metros das barreiras de contenção (booms) ou dos barcos de limpeza, tanto na costa como no mar. Mas a astúcia destas restrições vai ainda mais longe.

“Não pode vir cá", disse Don, o guarda de segurança contratado pela BP no Centro para a Reabilitação da Fauna Contaminada pelo Petróleo, em Fort Jackson, Louisiana.

Lá dentro, o Centro Internacional para Investigação e Salvamento de Aves, uma das companhias contratadas pela BP para limpeza dos animais, encarrega-se de limpar o petróleo das aves antes de as devolver ao seu habitat natural. O Centro tem limitado o acesso aos media. Antes estava aberto às segundas, quartas e sextas durante duas horas por dia. A IPS chegou ao Centro numa quarta-feira, e foi informada que os dias para os media tinham sido reduzidos de três para dois dias, e já não abria às quartas-feiras.

Quando a IPS perguntou ao guarda de segurança privada para quem é que trabalhava, ele respondeu, “Trabalho para a HUB, uma companhia de segurança contratada pela BP”. A Hub Enterprises, de Broussard, Louisiana, tem um contrato com a BP para fornecer “funcionários de segurança” e “supervisores”. Don está a receber entre 13 a 14 dólares por hora para manter a imprensa afastada do maior desastre ambiental provocado por uma fuga de petróleo de toda a história dos EUA. Continuam a jorrar mais de 60 mil barris de petróleo por dia no Golfo, mais de dois meses depois da explosão de 20 de Abril na plataforma Deepwater Horizon operada pela BP.

MULTAS ATÉ 40 MIL DÓLARES

As restrições da semana passada que a Guarda Costeira impôs aos meios de comunicação sujeitam os jornalistas e os fotógrafos a uma multa até 40 mil dólares, e à pena de cadeia de um a cinco anos como um crime de classe D, se violarem a regra dos 20 metros, que o Comando Unificado designa por “zona de segurança”.

Tem havido muitos indícios de um amordaçamento maior e mais profundo dos meios de comunicação na região, de muitas outras formas. Na semana passada, a IPS tinha uma entrevista agendada com o Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual da Louisiana, em Nova Orleans. A entrevista devia ser com um especialista das estratégias de investigação da Universidade, sobre o possível impacto na região do desastre petrolífero da BP. Na manhã em que se devia realizar a entrevista, o entrevistado, que pretende manter-se anónimo, enviou um email à IPS declarando: “Disseram-me para cancelar a entrevista. Lamento quaisquer inconvenientes que vos possa ter causado”. Quando a IPS lhe perguntou se havia alguma razão especial para o cancelamento da entrevista, respondeu, “Não”. Uma fonte anónima revelou posteriormente à IPS que a decisão de cancelar a entrevista fora tomada pelo chanceler Larry Hollier, que chefia o Centro de Ciências da Saúde da Universidade.

A BP disponibiliza a maior parte do financiamento para estudar os efeitos do desastre petrolífero e prometeu 500 milhões de dólares para projectos de investigação e de reabilitação. Robert Gagosian é o presidente do Consórcio para a Direcção Oceânica, que representa instituições de investigação oceânica e aquários e administra um programa de investigação sobre perfuração marítima. Geoquímico marítimo, Gagosian está preocupado com a forma como vai ser utilizado o dinheiro, e espera que seja gerido através de doações aprovadas pelos pares. A sua preocupação, partilhada por outros cientistas e investigadores, tem origem no interesse da BP em preservar o seu negócio. Também têm dúvidas quanto aos critérios adequados para determinar que tipo de investigações é que devem ser feitas.

Jeff Short, um antigo cientista da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, que é actualmente membro do grupo de preservação Oceana, disse que, ao aceitar que a BP pague a investigação, o governo abre mão do controlo sobre que tipo de estudos devem vir a ser feitos. “Pergunto a mim próprio porque é que a BP quer dar dinheiro para projectos que demonstrarão claramente um prejuízo ambiental muito maior do que se viria a saber, se não fossem esses estudos?”, disse.

Os primeiros 25 milhões de dólares dos fundos da BP foram rapidamente distribuídos pela Universidade Estatal da Louisiana, pelo Instituto de Oceanografia da Florida na Universidade da Florida Sul e por um consórcio chefiado pela Universidade Estatal do Mississípi. Muitos cientistas e jornalistas independentes receiam que isto faça parte de uma tentativa para influenciar quais os estudos a fazer e a disponibilidade dessas instituições públicas para falar com os meios de comunicação sobre o desastre da BP.

Num outro incidente, a 2 de Julho, Lance Rosenfield, um repórter fotográfico da publicação de investigação sem fins lucrativos ProPublica, foi detido por breves instantes pela polícia quando tirava fotografias perto da refinaria da BP na cidade do Texas. Rosenfield declarou que foi confrontado por um funcionário da segurança da BP, pela polícia local, e por um homem que se identificou como agente do Departamento da Segurança Nacional. Rosenfield foi libertado depois de a polícia ter analisado as fotografias e registado a data do seu nascimento, o número da segurança social e outras informações pessoais. Depois o agente da polícia entregou essas informações ao guarda da segurança da BP, alegando, segundo disse Rosenfield, “procedimento normal de funcionamento”.

Também foram instituídas restrições no espaço aéreo sobre as zonas onde estão a decorrer operações de limpeza e de contenção. A Administração da Aviação Federal proibiu voos dos meios de comunicação a menos de 900 metros sobre as áreas afectadas pelos lençóis do petróleo.

07/Julho/2010
O original encontra-se em http://dahrjamailiraq.com
Tradução de Margarida Ferreira
Foto: Gerald Herbert para AP.

18 de julho de 2010

Lei Maria da Penha e os centros sócio-educativos pelo fim da violência contra a mulher

Nas reuniões no Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, os homens contam suas histórias, fazem reflexão sobre a masculinidade.

“Que Estado para que Igualdade?”


Declaração do Forum de Organizações Feministas

à Décima Primeira Conferência Regional sobre a Mulher

da América Latina e do Caribe - CEPAL

“Que Estado para que Igualdade?”



Excelentíssima Senhora Nilceia Freire,
Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres e
Presidenta da Mesa Diretora da Décima Primeira Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe.
Senhora Alícia Barcena Secretária Executiva da CEPAL
Senhora Sonia Montaño Diretora da Divisão de Gênero da CEPAL
Representantes dos Estados membros da Conferência
Representantes das agências do sistema das Nações Unidas
Representantes da Sociedade Civil.

Estamos aqui, convocadas pelo desafio de responder à questão: Que Estado para que Igualdade?, mulheres de movimentos e organizações de diferentes países, culturas, raças, etnias, classes sociais, idades, sexualidades, para expressar aos governos os problemas, as visões críticas, as dores, esperanças e exigências que se encarnam nas lutas pela construção de um mundo onde todas e todos possamos viver com igualdade, dignidade e prazer.

A ação dos movimentos de mulheres e feministas têm sido crucial para colocar no debate público a opressão e discriminação que resultam de sociedades antidemocráticas, sexistas, racistas, classistas, lesbofóbicas, homofóbicas.

Se a igualdade começa a ser um horizonte possível na América Latina e o Caribe, é porque conta com a presença de sujeitos coletivos com capacidade de resistência e autonomia para definir suas prioridades e projetos emancipatórios. As vozes de todas as mulheres, indígenas, negras, brancas, rurais, urbanas, trabalhadoras domésticas, deficientes, jovens, idosas, migrantes, lésbicas, transexuais têm sido imprescindível para repensar e demandar a igualdade, a justiça social e a democracia.

Apesar dos avanços obtidos 15 anos depois de Beijing, a superação das desigualdades entre homens e mulheres ainda não constitui uma dimensão inerente da justiça social. Os Estados e Governos da Região mantêm uma contradição entre os compromissos internacionais assumidos e a materialização das políticas para a igualdade e a plena garantía de direitos.

A divisão sexual do trabalho permanece como uns dos principais obstáculos para a autonomia e o bem estar das mulheres. O trabalho gratuito que realizamos na esfera reprodutiva constitui a base dos modelos econômicos que exclui às mulheres do desenvolvimento.

As mulheres continuam ocupando a maioria dos postos precários e informais de trabalho, em condições de desproteção social, de insalubridade e em jornadas cada vez mais esgotadoras. A discriminação salarial e o assédio sexual e moral continuam sendo uma constante na experiência das mulheres no mundo do trabalho.

O trabalho doméstico remunerado, no qual predominam as mulheres negras e indígenas com escassos níveis de proteção social e sem garantia aos direitos trabalhistas, revela a falta de reconhecimento do valor social deste trabalho e o peso do racismo na sociedade.

É intolerável a violência contra as mulheres e meninas em todas suas expressões, que se agrava com a violência política e o racismo institucional contra as mulheres negras e indígenas.

O crescimento da violência e o controle de amplos territórios pelo narcotráfico e outras redes do crime organizado que se sobrepõem ao poder do Estado, têm um impacto devastador sobre os vínculos sociais, afetando a vida cotidiana das mulheres e comunidades empobrecidas.

Nos países em conflito armado o corpo das mulheres torna-se um cenário de guerra obrigando-as deixar seus territorios.

Os índices de violência sexual e doméstica e o feminicídio evidenciam que ainda persiste a dominação patriarcal sobre as mulheres. Os avanços legais e institucionais em quase toda a região não têem sido suficientes para garantir a proteção às mulheres e seus direitos humanos.

A maternidade continua representando para muitas mulheres um risco de vida. O aborto em condições clandestinas e inseguras, sua criminalização e penalização, é uma realidade que afeta a vida e a saúde das mulheres, adolescentes e jovens.

A crise ambiental revela a lógica predatória, patriarcal e racista deste modelo de desenvolvimento baseado na mercantilização. A mudança climática, a privatização e contaminação da água, do solo e dos alimentos, ameaçam a qualidade de vida de toda a população, com conseqüências particulares na vida das mulheres.

O modelo de desenvolvimento hegemônico promove o agronegócio e a monocultura, viola o direito à terra e o território de povos e comunidades indígenas, afrodescendentes, população rural e camponesa.

Os desastres naturais como o ocorrido no Haití, põem em evidência as profundas desigualdades sociais e de gênero existentes. A lógica atual da reconstrução mantem inalterada a vulnerabilidade estrutural a que estão expostos os países e as populações vivendo em situação de pobreza.

Considerando os enormes desafíos que esta região – a mais desigual do planeta – deve enfrentar para diminuir as desigualdades sociais, é inadmissível a militarização da segurança cidadã e o aumento do orçamento militar em detrimento dos investimentos públicos para o bem estar das pessoas.

Reconhecemos os esforços de alguns governos da região em garantir a institucionalidade democrática e no impedir o retorno de processos ditatoriais. Atendemos ao chamado dos movimentos sociais de Honduras em defesa da democracia e do respeito aos direitos humanos.

É alarmante a crescente criminalização das lutas dos movimentos sociais na defesa de seus direitos.

O caráter laico do Estado é fragilizado pela maioria dos governos da região. A intromissão das hierarquias religiosas nas estruturas institucionais do Estado impede as mulheres de exercer a autonomia sobre seus corpos.

Na maior parte de nossos países continuam sendo escandalosos os baixos níveis de participação política das mulheres e seu acesso aos espaços de poder. Esta problemática é ainda mais alarmante no caso das mulheres negras e indígenas. Os governos ainda não implementaram os compromissos para atingir o objetivo de paridade adquiridos no contexto do Consenso de Quito. Apesar da criação de mecanismos para a implementação de políticas para as mulheres, a maioria continua tendo estruturas marginalizadas e com escassos recursos.Ainda não foi possível transformar o discurso em estratégias, objetivos concretos e recursos suficientes.

Hoje, na inauguração da Décima Primeira Conferência Regional sobre a Mulher, as organizações feministas participantes do Forum, reiteramos aos governos que:

1. No contexto de um novo modelo de desenvolvimento os Estados devem fomentar transformações socioculturais e produtivas que assegurem uma relação sustentável com a natureza, a preservação dos bens comuns da humanidade e a pluralidade de culturas. Neste contexto os processos de integração regional devem aprofundar a participação dos movimentos sociais.

2. O Estado democrático deve garantir a justiça social, a igualdade étnico-racial e de gênero. Cumprir o plano de ação de Durban para avançar na erradicação do racismo institucional.

3. Deve garantir a proteção dos e das defensoras de direitos humanos permanentemente ameaçados, assassinados e perseguidos em particular no México, América Central e Colômbia.

4. Deve assegurar de maneira inadiável todos os meios necessários para prevenir, sancionar e erradicar todas as formas de violência contra as mulheres, incluindo a cometida pelas proprias instituições do Estado.

5. Deve ter um papel central na provisão de serviços que libere às mulheres da responsabilidade exclusiva do trabalho de cuidado e promova a corresponsabilidade. Os Estados devem ratificar e assegurar o cumprimento efetivo da Convenção 156 da OIT.

6. Deve garantir o acesso das mulheres ao trabalho remunerado com qualidade e pleno respeito dos direitos laborais.

7. Deve reconhecer o valor social e econômico do trabalho doméstico e equipará-lo jurídicamente na legislação trabalhista.

8. Deve garantir o direito das mulheres à terra, aos recursos naturais e o reconhecimento dos territórios indígenas e afrodescendentes.

9. Deve garantir a seguridade e previdência social universal e pública a todas as mulheres, no contexto de um novo modelo de redistribuição da riqueza que todas a todos produzimos.

10. Deve promover uma educação pública de qualidade para a igualdade, laica, não discriminatória, não sexista, não lesbofóbica, não racista, intercultural e bilíngüe, com o aumento de recursos para assegurar o acesso e permanência de meninas e mulheres adultas em todos os níveis de educação.

11. Deve promover políticas democráticas de comunicação que estimulem a produção e difusão de conteúdos não discriminatórios ou estereotipados, que represente as imagens das mulheres em toda sua pluralidade.

12. Deve garantir o direito universal à saúde através de sistemas públicos de qualidade, integralidade e perspectiva intercultural, reconhecendo os saberes da medicina indígena e afrodescendente.

13. Deve assegurar o cumprimento do Consenso de Cairo +5 e do Consenso de Quito que reconhece os direitos sexuais e direitos reprodutivos, implementando políticas de saúde e educação que garantam o exercício destes direitos.

14. Deve desenvolver uma estratégia integral para a prevenção do VIH e proteção de direitos das portadoras de VIH-SIDA.

15. Exigimos a despenalização e legalização do aborto com acesso a serviços públicos de qualidade.

16. Deve implementar medidas que reconheçam os direitos sexuais das mulheres que contribuam para superar a heteronormatividade que hegemonizam as leis e políticas públicas, violando os direitos de lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros.

17. Convocamos aos Estados aqui representados a impulsionar e aprovar uma Convenção Interamericana de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.

18. Exigimos dos governos o fortalecimento da institucionalidade das políticas para as mulheres, com orçamentos compatíveis com as necessidades e objetivos propostos.

19. Demandamos a produção de dados confiáveis, periódicos, completos, que deem transparencia aos processos de execução das políticas e permitam a monitoramento dos compromissos assumidos.

20. Exigimos dos governos mecanismos efetivos de promoção da participação, acesso aos espaços de poder e decisão de todas as mulheres e em particular as negras, indígenas e jovens.

No contexto da Décima Primeira Conferência Regional sobre a Mulher da Cepal, reafirmamos a importância do diálogo Estado-Movimentos sociais, como dimensão fundamental da democracía participativa, assim como nossa posição de sujeitos coletivos protagônicos na construção de uma
sociedade igualitária com justiça social.

Brasília, 13 de julho de 2010.