31 de julho de 2009

A Conferência Invisível*

Apesar da I Confecom - Conferência Nacional de Comunicação - ser decretada em 16 de abril de 2009 pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e agendada para os dias 1º, 2 e 3 de dezembro em Brasília, ainda são poucas as pessoas que tem notícias deste processo conferencial. Por quê? Porque mídia não discute mídia, através de seus veículos mais populares: televisão, rádio e jornal. E, se não discute mídia, muito menos anuncia a I Confecom que, em suma, tratará do tema "a mídia que temos e a mídia que queremos".

Mas, antes, precisamos refletir: por que é importante uma conferência de comunicação? Esta é uma pergunta crucial, pois propõe um problema à população. Exige que a gente pare para pensar num assunto que não se aprofunda. É certo que as pessoas se queixam do conteúdo da programação ["baixarias"], queixam-se de só assistir "tragédia" pela TV, "brigam" com âncoras das mais variadas editorias, enviam cartas à redação de jornais reclamando de algo. Mas pensar que a comunicação tenha se transformado em conferência, é um dado novo. Requer um outro olhar sobre aquilo que nos rodeia o tempo todo!


Em nossas casas, temos aparelho de TV. Jornais populares ampliam a sua circulação. Celulares disponibilizam Internet, foto, vídeo e rádio. Coletivos tem TV a bordo. É grande o número de famílias com computador em casa e acesso a Internet. Podemos afirmar, sem erro, que vivemos numa sociedade "midiada". Então, como não parar para discutir sobre os meios e as instituições que tratam de comunicação? Precisamos desconstruir a lógica, de que mídia é um assunto para "especialistas", uma vez que a comunicação é de todos nós. Mais do que um direito humano, ela é vital! Só por essa razão, justifica-se a realização da Confecom.


E a Conferência é o espaço privilegiado para tratar de assuntos de interesse público, a fim de viabilizar políticas públicas [leis] para benefício da sociedade. É uma construção coletiva, onde representantes dos diversos segmentos da sociedade se reúnem para debater temas específicos e criar consensos, ou, em última instância, partir para a disputa dentro de um processo democrático. No caso da I Confecom, tratar-se-á de discutir a "Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital".


A Portaria 185 constituiu a Comissão Organizadora Nacional - CON - da I Confecom e as Portarias 315 e 337 publicaram a nominata dessa Comissão. E os trabalhos da CON estão atrasadíssimos, em função das divergências que surgiram desde a 1ª reunião em 1º de junho de 2009. O segmento empresarial quer fazer, do Regimento Interno - RI -, a própria Confecom. Esse Regimento, que deveria estar pronto em 1º de julho, e que é o ponto de partida para os Governos Estaduais convocarem as suas etapas, não está pronto, pois não se avança: i) no quorum interno para a votação dos itens que não são consensuados; ii) no temário da Confecom; iii) na proporção para os delegados estaduais; iv) no nº de delegados por estado/distrito federal.


Já foi consensuado, apesar do RI não estar pronto: i) as etapas municipais são mobilizadoras para a estadual e as propostas são encaminhadas a esta etapa; ii) a etapa estadual faz delegados/as; iii) a realização de conferências livres com propostas para a etapa estadual; iv) a convocação da etapa estadual deve ser feita pelo Governo Estadual, mas, se este não a chamar em X dias, a competência é da Assembleia Legislativa e, se esta não a convoca em X dias, é a CON que se responsabiliza pela etapa estadual.


E, em relação ao orçamento da Confecom, inicialmente de 8 milhões de reais, houve um corte, em maio deste ano, passando para R$1.600.000,00. No entanto, o Presidente Lula ordenou a recomposição orçamentária, que será por decreto ou por Projeto de Lei, a confirmar na próxima semana.


Este é um resumo do processo da I Confecom, uma conferência invisível, que não está na pauta das empresas privadas de comunicação, grande parte concessionária de radiodifusão. Não se trata de contradição: trata-se de uma disputa política entre grupos privados de comunicação e movimentos sociais que lutam pela democratização das comunicações no Brasil, mediada pelo Poder Público. Aliás, esta conferência é fruto da luta histórica desses movimentos, que pressionou o Governo Federal, a ponto do Presidente Lula anunciar a sua realização no FSM 2009. E as empresas de comunicação querem evitar, em última instância, a discussão do atual modelo de negócio nessa área, altamente oligopolizado, na Confecom.


Cabe a nós, então, a tarefa de nos aproximarmos das Comissões Pró-Conferência organizadas em 23 estados, a fim de participar da I Confecom. Mais informações sobre o assunto em www.proconferencia.org.br/. No RS: www.rsproconferencia.blogspot.com.


Claudia Cardoso

Executiva Nacional da Campanha Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania

Coordenadora do Comitê RS do FNDC

Membro da Comissão RS Pró-Conferência Nacional de Comunicação

Blog Dialógico


*Texto atualizado, escrito, originalmente, para o blog JornalismoB.

30 de julho de 2009

Trabalhadores da Saúde do RS proibidos de viajar

Recebo mensagem de representante da delegação do Estado do RS para a Mostra Nacional da Humanização do SUS, em Brasília, semana que vem:

Na semana que vem, em Brasília, acontece a Mostra Nacional da Humanização do SUS. O estado do Rio Grande do Sul conta com uma delegação de 103 trabalhadores de saúde que tem apostado na Política Nacional de Humanização como uma ferramenta potente para sustentabilidade da política pública na área da saúde e da garantia de direitos à saúde do povo brasileiro. A Mostra Nacional é um ícone, lugar de encontro, de trocas e de renovação das esperanças e lutas por uma sociedade mais justa e solidária, pois somente isso, a força de trabalhadores e usuários, é que garantirá uma reforma social capaz de garantir o proposto na Constituinte de 88. Pois bem, o que ocorre é que o Secretário de Saúde do Estado Osmar Terra lançou um decreto, que proíbe a saída de qualquer trabalhador do estado para viagens ou participações em eventos. Muitos trabalhadores, envolvidos com a Política Nacional de Humanização, que investiram suas economias em passagens para participar desse evento nacional, não estão podendo ir,por conta deste decreto. Nesta semana, os trabalhadores que fazem parte dessa delegação, através de uma lista virtual construiram o manifesto [em anexo] numa tentativa última de pressionar o Governo do Estado para liberar os trabalhadores para participar do evento em Brasilia. Alguns trabalhadores não ligados ao Estado encaminharão, amanhã, o manifesto a SMS do estado para que seja entregue nas mãos do Secretário de Estado da Saúde. Venho por meio deste solicitar, a esta lista, que vocês nos ajudem na divulgação deste manifesto. A nossa última esperança é que essa manifestação possa levar o Secretário repensar sua posição. O argumento dele para tal decreto é em função da Gripe A, porém os trabalhadores do Estado envolvidos com o evento não são pessoas que trabalham diretamente na assistência, portanto sua saída não seria prejudicial ao andamento das coisas. São trabalhadores envolvidos com seções administrativas e de planejamento ou de educação permanente e capacitação. Portanto peço aos companheiros desta lista que nos ajudem, divulgando nos espaços de comunicação onde vocês tem acesso e repassando para as listas de vocês.
O manifesto pode ser lido AQUI.

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Está demais a paranóia com a Gripe A. Já são várias as informações a respeito das motivações midiáticas<->econômicas desta gripe [uma busca rápida, na rede mundial de computadores, dá conta dessas informações]. Lavar as mãos constantemente; agasalhar-se no frio, principalmente, as extremidades [pés e cabeça]; utilizar lenço ao espirrar [ser educada e educado]; ficar em casa, quando doente, são regrinhas básicas do tempo de nossas tatatatatataravós.
O que se percebe, na atuação do incompetente Secretário de Saúde Osmar Terra [Governos Rigoto e Yeda], é a utilização política-partidária da pasta da Saúde, visando à eleição para Deputado Federal em 2010. O dito quer ser o "pai da Gripe A" e da campanha contra o "Crack" [outra supericialidade midiática, que não vai a fundo na questão], como bem observou grande amiga e jornalista formada...

26 de julho de 2009

Debates do JornalismoB

É sempre complicado escrever sobre a própria participação, então, deixarei a cargo das leituras dos posts no blog JornalismoB aqui e aqui.

No entanto, cabe destacar a importância desse espaço, numa iniciativa que avança o trabalho da Internet e que dá inveja, naquelas do "por que não pensamos nisso antes?". Também, traz saudades das atividades autogestionadas no FSM de 2003 e de 2005, não registradas em páginas da Internet.

Não há blog, ou redes sociais que substitua o bom e agradável ato de se reunir e conversar. A gente conhece novas pessoas, revê amizades, amplia conceitos. Dá pena ter que encerrar o papo!

A rapidez com que esses jovens jornalistas organizaram esses ciclos de debates merece sinceros parabéns! E que venham outros e mais outros, fazendo dessa atividade uma referência das noites portoalegrenses.

A Cris e aos Alexandres, meu agradecimento!

Claudia Cardoso

Foto: Cris Rodrigues

25 de julho de 2009

Consulta Popular: vote NÃO!

A pergunta que será respondida:

Além da atividade comercial já autorizada pela Lei Complementar nº 470, de 02 de janeiro de 2002, deve também ser permitidas edificações destinadas à atividade residencial na área da Orla do Guaíba onde se localiza o antigo Estaleiro Só?

As respostas disponíveis:
1 (x ) NÃO
2 ( ) SIM

A votação

Os eleitores votarão em urnas eletrônicas, no dia 23 de agosto de 2009, das 9h às 17h. Serão 90 locais de votação. Acesse a lista completa de endereços desses locais aqui.

Segue artigo de Adriane Bertoglio Rodrigues para a EcoAgência de Notícias:

Em um mês, população de Porto Alegre decide futuro da Orla do Guaíba

Frente do Não defende preservação das margens do Guaíba como de interesse público e cultural. Muitas entidades apóiam a campanha do não


Por Adriane Bertoglio Rodrigues, especial para a EcoAgência de Notícias Ambientais

Inicia a contagem regressiva para a Consulta Popular que vai definir os rumos da Orla do Guaíba, considerada patrimônio natural e cultural da capital gaúcha. Isso sem considerar o potencial turístico da área de 83 quilômetros, que pode ser preservado com a criação de ciclovias, parques, restaurantes e museus. O fato é que no dia 23 de agosto, a população terá a oportunidade de definir o futuro das margens do Guaíba. Seja rio, seja lago, a Frente do Não vai defender a não construção de prédios nas margens. "Residenciais ou comerciais, o aumento do fluxo de automóveis e a descarga de dejetos vai impactar todo o fluxo da cidade", dizem os representantes da Frente do Não.

O Projeto Pontal do Estaleiro, na Ponta do Melo, pivô dessa discussão, prevê a construção de quatro edifícios residenciais e dois prédios para escritórios e consultórios. Além disso, integra o projeto um hotel com 200 apartamentos e centro de convenções, estacionamento com 1.449 vagas, uma marina, um píer para embarcações turísticas, uma esplanada pública de lazer e espaço para bares, restaurantes, lancherias e danceterias.

"Não para a privatização da Orla do Guaíba. Não para a construção de residências. Não esqueçam que o grande filé da especulação imobiliária é a construção de residências de luxo, que estão abocanhando as Áreas de Preservação Ambiental", denuncia Nestor Ibrahim Nadruz, arquiteto e urbanista, membro da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e segundo coordenador do Fórum das Entidades da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, a quem "a edificação na orla abre um terrível precedente, ainda mais em uma área de interesse cultural. A integração entre o Guaíba e a população deve ser feita através de parques e áreas de lazer, não de espigões", defende Nadruz.

A Agapan é uma das entidades que forma a Frente do Não. Para os ambientalistas, a intenção de lucro pelos especuladores imobiliários está evidenciada na desistência de construção residencial na Ponta do Melo, pelos investidores, formalizada junto à Prefeitura. "A insistência da prefeitura em manter a consulta pública revela uma teimosia inexplicável e sem justificativa anunciada", observa Nadruz. Para o coordenador do Movimento Defenda a Orla, Cesar Cardia, o comportamento do executivo municipal e o posicionamento da maioria da Câmara dos Vereadores são questionáveis.

Desapropriação

No início de julho, a Prefeitura de Porto Alegre descartou a hipótese de desapropriar a área do antigo Estaleiro Só, onde está prevista a construção do empreendimento Pontal do Estaleiro. Nadruz propõe que o Executivo faça uma declaração de interesse público de desapropriação, de modo que, conforme o arquiteto, passe a ter cinco anos para angariar recursos e comprar a área. "O documento pode ser feito neste ano, haverá tempo para a prefeitura se preparar e aí acabamos com essa pendenga. Poderíamos fazer um parque depois", sugere.

Para o vice-presidente da Associação de Moradores do Centro, Paulo Guarnieri, a emenda atende aos interesses da sociedade. "Sonhamos que o poder público possa dar acesso universal àquela área, para que a Orla seja de uso comum. Isso é o que escutamos da população", acrescenta.

Além da Agapan, integra a Frente do Não o Núcleo Amigos da Terra - Brasil, Associação dos Moradores do Bairro Ipanema (Ambi) e outras nove entidades: Movimento em Defesa da Orla do Rio Guaíba, Sindibancários, Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Associação dos Moradores da Vila São Judas Tadeu (Amovita), Associação Comunitária Jardim Isabel (Ascomjipe), Associação de Moradores do Centro de Porto Alegre, Centro Comunitário de Desenvolvimento da Tristeza, Pedra Redonda, Vila Conceição e Assunção, Sindicato dos Sociólogos do Rio Grande do Sul, Associação dos Moradores e Amigos da Auxiliadora de Porto Alegre (Ama) e Ong Solidariedade. Já a Frente do Sim é composta por duas entidades: Força Sindical e União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul (UEE).

ONDE VOTAR AQUI.

20 de julho de 2009

Fábula


A maldição da Rainha Má no Reino dos Gaudérios

José Antônio Silva - Blog Lavra Livre

No distante Reino dos Gaudérios, ou Gaudéria, há muitos anos uma rainha má impunha grandes sofrimentos aos seus súditos. Cercada de seus cortesãos, vivia em alto luxo, enquanto a plebe amargava uma vida de pobreza e ralas moedas ao fim de cada jornada.

Quando os representantes das corporações reclamavam da miséria que lhes era imposta, a soberana justificava: “Este é um sacrifício que todos precisam dividir, para que as finanças do reino voltem à normalidade e as burras do tesouro fiquem novamente cheias”.

As burras do Tesouro - Mas quem já estava cheia, mesmo, eram as burras e os burros de carga, que não suportavam dar tanto duro e só receber em troca migalhas, pancadas no lombo e explicações arrogantes.

Para piorar, Sua Majestosa Crueldade concedia benesses e mordomias sem fim aos seus conselheiros mais próximos e aos membros da Família Real. Seguia uma regra de ouro: “Para os amigos, tudo. Para os inimigos, justiça!”.

E a justiça que aplicava era sumária e duríssima: sua Guarda Real já executara um pobre artesão – logo que a Rainha chegara ao trono – que tivera o desplante de reclamar uma vida melhor para ele, sua família e os demais plebeus do reino.

Mais: seu próprio embaixador junto a um país amigo aparecera boiando sem vida num lago distante, com o cavalo amarrado à uma ponte. Comentava-se que o cavalgante diplomata sabia demais sobre as intrigas da corte...

O feiticeiro - Como sempre nessas histórias, também havia um bruxo neste reino, uma eminência parda. Tratava-se do Mestre, o próprio príncipe consorte – aliás, com mais sorte que juízo, dizia o populacho.

“Crusius Credo!” – bradava o feiticeiro o seu encantamento, nos porões do castelo. Era conhecido por seus estudos sobre a moeda, e que fazia desaparecer grandes quantias de ouro com um passe de mágica.

Aparentemente do nada, Sua Majestosa Crueldade e Mestre Crusius Credo fizeram surgir de uma hora para outra um rico palacete de verão, numa região literalmente nobre da capital do reino.

O povo cochichava na rua, e até as folhas coladas às paredes para informar os burgueses já não podiam deixar de estranhar o milagre.

Traidores da Rainha Má, temendo que suas cabeças rolassem também, iam pouco a pouco revelando seus segredos e as conjuras tramadas antes e depois da chegada ao poder.

Ouro para os comandantes - A ferro e fogo, Sua Majestosa Crueldade impunha sua ordem desordenada e sem lei. No entanto, dentro da própria Guarda Real, havia rumores de insatisfação: por que os comandantes recebiam mais e mais dobrões de ouro, sobrando para os soldados o risco das vielas escuras e a revolta crescente da plebe? E por um punhado de níqueis!

Um reino antes rico e respeitado pelos vizinhos, agora a Gaudéria sofria o desprezo alheio e via as populações cada vez mais sem trabalho, adoecendo sem médicos ou curandeiros, sem instrução nem esperança. Os filhos da plebe que insistiam em ter educação, eram confinados em grandes caixas de metal – sob o calor infernal do verão e o frio congelante do inverno gaudério.

A Rainha Má a tudo respondia justificando-se com a carência de dobrões, que a impedia de proporcionar uma existência melhor a todos os súditos. Vivia, porém, cercada de luxo em seu novo palácio, trocando seus conselheiros sucessivamente, numa tentativa de calar a boca da população.

Trânsito de carroças - Mas todos sabiam que o trânsito de carroças do reino fora entregue a um grupo de nobres cobiçosos, que tinham desviado do tesouro real nada menos que 44 milhões de dobrões em ouro.

Com a Guarda da Rainha dividida, as corporações e guildas de trabalhadores sem poder esconder sua revolta, os lavradores abandonados e os saqueadores agindo livremente pelas ruas e estradas do reino, a população aguardava que novos tempos chegassem o quanto antes. Como de costume, queriam ser felizes para sempre, ou pelo menos durante os próximos anos.

Mas a maldição da Rainha Má ainda não havia terminado.

Uma pergunta permanecia no ar: até quando?

Gaudéria, 18 de Julho do Ano da Graça de 2009

Arte: Hupper

H1N1: "O Brasil tem estrutura para enfrentar a doença"

Palavras do infectologista David Uip em entrevista ao portal UOL. Esta foi a principal notícia da entrevista, mas o UOL insistiu na tese do pânico, como se observa naquela página...




Leia mais sobre essa entrevista no blog FBI.

19 de julho de 2009

Carta Aberta do Movimento pela Abertura dos Arquivos à Governadora


Exma. Sra. Governadora do Estado do Rio Grande do Sul,

Yeda Crusius

O Movimento Pela Abertura dos Arquivos da Ditadura toma a iniciativa de escrever-lhe esta carta, em referência ao cartaz que a senhora escreveu ontem pela manhã, dia 16 de julho de 2009, e apresentou aos fotógrafos de órgãos de imprensa de todo o país. A sua declaração, de que aquelas pessoas que ali estavam não eram professores, mas "torturadores", atinge não somente aqueles professores, que estão em seu pleno direito de reivindicar melhores salários e condições de trabalho, mas também todos os cidadãos brasileiros, vítimas diretas ou indiretas dos crimes cometidos por torturadores ao longo da história do Brasil. A utilização deste termo é uma prova da total falta de conhecimento histórico da senhora, e mais: um grande desrespeito à memória do país, que recentemente passou por um período de ditadura, não só militar, mas com contribuição de muitos civis, muitos hoje acusados de terem, esses sim, torturado pessoas. Com sua declaração, a senhora ignorou totalmente a carga histórica que o conceito de "torturador" carrega. A senhora já ouviu o depoimento de alguém que tenha sofrido, verdadeiramente, uma tortura? Estas pessoas merecem o nosso respeito, o que não observamos na sua atitude.

Isso corrobora para o que estamos chamando atenção há tempos: a utilização inadequeada de adjetivos, sem conhecer seu teor histórico, sem valor explicativo, e usado de forma pejorativa e impune. Isso acontece, também, com o conceito de "terrorista", que é utilizado para a luta armada brasileira, mas nunca atribuído às ações do aparato repressivo do Estado - ainda não desmontado, julgado e condenado - e com grupos para-militares, como o CCC, sigla que ainda hoje circula na sociedade brasileira, e é lembrada como o grande grupo que combatia o comunismo, sem saber de fato o que aquele grupo fez no Brasil.

A sua atitude se assemelha à dos torturadores e repressores, na medida em que, assim como as balas, as palavras ferem, e vêm justamente do lugar que deveria tomar conta de todos os cidadãos, independente de posicionamento político: o Estado. A senhora comparou uma classe trabalhadora, que exercia um direito que fora suprimido por mais de 20 anos, àqueles responsáveis pela supressão do mesmo. Comparou-os a pessoas que cometeram crimes, e que estão por aí, impunes. Isto, senhora governadora, é considerado calúnia, segundo as leis do Estado que a senhora representa.

A senhora sentiu-se intimidada pela manifestação que impediu o direito de ir e vir de seus netos. A senhora sabe que durante os anos 1960, 1970 e 1980, vigoraram no Cone Sul ditaduras civil-militares que sequestraram, torturaram, desapareceram, mataram e apropriaram-se de crianças? Na Argentina, por exemplo, há mais de 500 crianças desaparecidas. Apenas 91 tiveram sua identidade restituída. A senhora sabe como isto foi feito? Através de lutas, confrontos, manifestações, como esta, que se realizava em frente a sua residência.

Seus netos, senhora governadora, provalvemente não saibam o estado em que se encontra a educação pública no Rio Grande do Sul, pois devem frequentar os melhores e mais caros colégios em Porto Alegre. Seus netos não devem fazer idéia do que seja passar trimestres, às vezes anos, sem uma disciplina, por falta de professor; ou estudarem em turmas com 50 alunos, por causa do enturmamento promovido pela senhora; ou enfrentarem as condições precárias em que se encontram muitas escolas; ou não possuírem uma boa educação por falta de recursos; ou encontrarem professores desmotivados pela miséria que é paga todos os meses. Estes sim, são torturados.

Senhora governadora, por todos esses motivos expostos nós, do Movimento Pela Abertura dos Arquivos da Ditadura, escrevemos esta carta com o objetivo de solicitar uma retratação pública da senhora, em frente às câmeras de televisão, para com todos os cidadãos brasileiros, que de uma forma ou de outra, sabem exatamente o que signifca o termo "torturado". Pedimos que a senhora tome essa atitude, em nome de todas as verdadeiras vítimas de crimes de tortura cometidos no Brasil, seja durante a ditadura civil-militar, seja ainda hoje em dia, pelo Estado.

Esta carta seguirá com cópia para órgãos de imprensa e endereços eletrônicos que quiserem publicá-la.

Assinado: MOVIMENTO PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA-RS

Porto Alegre, 17 de julho de 2009

Foto: Roberto Vinícius/Ag. Free Lancer/Agência Estado

18 de julho de 2009

Aquela grade inspiradora...

A gripe, segundo as "Organizações Serra 2010"

Do blog FBI - Festival de Besteiras da Imprensa:

Depois dos fracassos da "Crise" e "Fora Sarney", a aposta no "Apagão da Saúde", via gripe suína

Quando comecei a escrever sobre a gripe suína, sabia que assim que surgissem as primeiras mortes as Organizações Serra (Globo, Folha, Estadão e Veja, entre outros) partiriam para criar um clima de comoção nacional, visando gerar pressão insuportável na rede básica de saúde, para declarar uma situação de "apagão da saúde".

Ontem, nos vários momentos em que ouvi a Rádio CBN (Sardenberg e Piotto), pude constatar que foi dada a partida para mais esse projeto da OS, que visa desgastar o Governo Lula, a ministra Dilma e, com isso, viabilizar a candidatura Serra (ou Aécio) para 2010.

Após exaustiva entrevista coletiva do ministro José Gomes Temporão (que ouvi atentamente, na mesma CBN), fiquei com a impressão de que ele não tinha deixado margem alguma para as besteiras que viriam em seguida, na mesma CBN.

Mas a capacidade do Sardenberg e do Piotto em falar e gerar besteiras é incomensurável.

1. O ministro explicou que todos os procedimentos que estão sendo adotados no Brasil estão em linha com os protocolos definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e são praticados em todos os países do mundo. Mas, acreditem, os dois serristas não aceitam esses procedimentos - talvez prefiram as sugestões do seu candidato à Presidência, o Governador Serra, para combater a epidemia - e querem - para criar o clima de pânico - que os ouvintes acreditem que:

a) o governo brasileiro está tratando de forma incompetente a referida epidemia;

b) todas as pessoas infectadas ou com suspeita deveriam estar tomando remédio, para reduzir o número de mortes;

c) o governo brasileiro deveria comprar muito mais remédio do que está comprando, senão a gripe vai se alastrar de forma violenta. Um exemplo: o Brasil tem 75 mil doses do remédio para tratar os casos indicados. Até agora, só foram detectados menos de dois mil casos. Desses, mais de 99% foram curados e tivemos apenas menos de 1% de óbitos. Então, qual a justificativa para afirmar que 75 mil doses é muito pouco, como fez o Piotto ontem?

A justificativa é criar um clima de pânico e de desconfiança na população, em relação ao governo brasileiro. Embora grande parte da responsabilidade no atendimento seja atribuição das Prefeituras e Governos de Estado.

2. O ministro Temporão explicou que a mortalidade da gripe comum é bem maior, até agora, do que a da gripe suína. A finalidade era a de não criar pânico. Mas a irresponsabilidade das Organizações Serra é criminosa e, sem fundamentação alguma, faz o contrário do que deveria para esclarecer e manter a tranquilidade da população. Além disso, o ministro fez as seguintes recomendações:

Volto a dizer que todas as pessoas que apresentarem sintomas de gripe procurem um posto de saúde ou seu médico de confiança. São esses profissionais que farão a avaliação do seu estado de saúde e indicarão o melhor tratamento. Repito: os hospitais de referência têm que estar disponíveis para os casos que inspirem mais cuidados. Quem tiver sintomas de gripe não deve procurar o hospital, mas um posto de saúde ou seu médico de confiança.

3. Já começa a dar frutos a política das Organizações Serra de criar um clima de pânico na população. Leiam trecho de matéria de hoje do G1, sobre o assunto:

A notícia de que o vírus da nova gripe já circula no país fez a procura por atendimento aumentar em hospitais de todo o país. Só em Porto Alegre, o número de pacientes que procuraram um dos principais hospitais da cidade dobrou. A movimentação também é grande em São Paulo e no Rio de Janeiro.

4. Não foi a notícia de que o vírus circula por aí que fez aumentar a procura, mas o clima de pânico gerado pelas Organizações Serra. E as pessoas, instigadas pelas OS, não querem saber de posto de saúde. Vão direto para os hospitais de referência, gerando uma pressão difícil de ser atendida.

Tenho certeza de que, em poucos dias, surgirá o termo "apagão da saúde" e será pedida a cabeça do competente ministro Temporão.

O que as Organizações Serra não conseguiram com a "Crise" (que no Brasil não passou de marolinha) e com o "Fora Sarney" é possível que consigam alguma coisa com o "Apagão da Saúde".

O termo "apagão":

Para quem não se lembra, o único apagão que tivemos, até agora, ocorreu no final do Governo FHC, que levou ao racionamento de energia elétrica que custou R$ 45 bilhões, segundo o TCU, em matéria de ontem do jornal O Globo (pág. 27). Se tivesse sido no Governo Lula, as OS estariam insuflando as massas para uma CPI do Apagão. Mas como foi no FHC, efeito Ricúpero no assunto!

Os demo-tucanos, que entendem de apagão, querem de todo modo fazer colar o termo apagão ao Governo Lula. Tentaram com o apagão logístico, e nada. Depois, com o apagão aéreo, e nada. Agora tentarão o apagão na saúde, e dará em nada porque o Brasil é um dos países que mais tempo conseguiu sustentar as investidas do H1N1 sem óbito.

Exatos 83 dias. Um recorde mundial!

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Em relação ao Sen. José Sarney, sugerimos o artigo do Leandro Fortes Sarney, o homem incomum para seu blog Brasília eu vi.

17 de julho de 2009

A imprensa que não vê, não ouve, não fala


O desespero para blindar o governo Yeda Rorato Crusius é tal, que o Sr. Adão Oliveira acaba de desvelar a atuação da mídia corporativa, sem exceção: a imprensa que não vê, não ouve e não fala.
E, sem pudor algum, ainda questiona a ética dos procedimentos adotados pela imprensa na manhã do dia 16 de julho! Leia o seu IMPARCIAL e ÉTICO artigo AQUI.

QUE VEXAME!!!!

Recomendamos a leitura do artigo A legitimidade do protesto contra a Yeda, de Erik da Silva no seu blog Aldeia Gaulesa.


Imagem: Internet
Atualizado às 22h47min.

Sobre o direito de ir e vir da população portoalegrense


As palavras são do Dep. Raul Pont [PT], disponibilizadas pelo blog Tomando na Cuia, sobre os acontecimentos em frente a casa da Yeda Crusius. dia 16 de julho de 2009:

"Falem com algum jornalista que acompanhou aquele processo para verificar se houve alguma ofensa, algum ataque ou agressão. Ao contrário, as fotos mostram a tropa de choque. Ou seja, é um governo que trata sindicalistas e professores com tropa de choque, que primeiramente bate nas pessoas para depois lhes perguntar o que estão fazendo."
O deputado também falou da barraca colocada em frente ao Palácio Piratini há três meses:
"Se a justificativa for o direito de ir e vir, registro que faz três meses que tenho dificuldades para chegar na Assembleia, pois a governadora enfiou uma barraca na praça e fechou a Duque de Caxias, não sei com que ordem, com licença de quem. Há três meses os deputados não podem ter acesso a esta Casa pela Jerônimo Coelho ou pela Riachuelo, porque a governadora resolveu bloquear aquela rua. E temos que enfrentar, todos os dias, um engarrafamento na Duque de Caxias para chegar aqui, o que é um inferno. Leva-se de 10 a 15 minutos da sede do TRE até a Assembleia, porque não há mais acesso."

Ainda sobre a instalação da barraca em plena via pública, segue o editor:

A barraca na realidade fica fechada e foi colocada no meio da rua para bloquear o acesso de manifestantes em frente ao Palácio. Até os pipoqueiros da Praça da Matriz sabem disso.

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A pergunta que não quer calar: uma pessoa pública pode privatizar o espaço público que circunda a sua residência ou local de trabalho?

Imagem: Tomando na Cuia

Repressão que a mídia "não vê"

O que dizer, quando uma governadora não se dá ao respeito? Isso são modos: mostrar "cartazes" e, ainda por cima, acusar de torturadoras e torturadores professoras e professores? E o direito constitucional de manifestação, onde se encaixa?
Mulher baixo-nível, chinelagem! E a polícia sempre desempenhando o seu papel de aparelho repressor do Estado.
Tais cenas me lembram muito o surgimento do nazismo e a ascensão de Hitler na Alemanha. A "fascistização" da sociedade gaúcha se reflete no "silêncio dos bons"*.

Fotos: Roberto Vinícius/Ag. Free Lancer/Agência Estado

*“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” (Martin Luther King).
Atualizado 1h47min.

Guerras que a mídia "esqueceu"

5 de julho de 2009

Honduras ao vivo

Via TeleSur:

Assembleia Legislativa aprova audiência pública sobre a I CONFECOM

Comissão de Serviços Públicos da ALERGS - 02/07/09

Em votação favorável na Comissão de Serviços Públicos, no dia 2 de julho de 2009, a Assembleia Legislativa do RS aprovou, por unanimidade, realização de audiência pública para tratar da I Conferência Nacional de Comunicação - CONFECOM [Brasilia, de 1º a 3 de dezembro de 2009].

Estavam presentes os deputados Fabiano Pereira [PT - Presidente da Comissão], Alceu Moreira [PMDB], Sandro Boka [PMDB], Carlos Gomes [PPS], Paulo Brum [PSDB], Pedro Pereira [PSDB], Paulo Azeredo [PDT] e a deputada Stela Farias [PT - Vice-presidente].

Ainda não foi confirmada a data da audiência, mas ela acontecerá no reinício das atividades legislativas em agosto.
Imagem: Claudia Cardoso

4 de julho de 2009

Porto Alegre um dia cantou: "PMDB Nunca Mais!"

Cel. Mendes inaugura monumento ao soldado morto cabo Valdeci de Abreu Lopes - 08/08/08

Neste final de semana, lemos duas coisas importantes relacionadas a política no RS. A primeira, sobre a ação da BM contra os sem-terra, em 8 de agosto de 1990, no caso que ficou conhecido como "o conflito da Praça da Matriz", no qual um policial morreu devido a um corte no pescoço e os sem-terra, para fugir da perseguição policial, esconderam-se na Prefeitura de Porto Alegre. Um grupo de portoalegrenses dirigiu-se até o Paço Municipal, fez uma barreira humana entre a polícia e o prédio da Prefeitura e gritou "abaixo a repressão" e "PMDB nunca mais"*.
A segunda, artigo do Weissheimer para o seu blog RSurgente, do qual destacamos seus dois últimos parágrafos:
Também no mundo real, os pais políticos de Yeda Crusius (PSDB) combinam uma operação dupla, tentam desesperadamente segurar um governo que se esvai a cada dia, barrando a instalação de uma CPI da Corrupção na Assembléia Legislativa. Tentam salvar os próprios dedos, também seriamente chamuscados por denúncias de corrupção. E, ao mesmo tempo, procuram esconder sua responsabilidade pelo atual estado de coisas no Rio Grande do Sul. Esses pais têm nome e sobrenome: Pedro Simon, Eliseu Padilha, Germano Rigotto e José Fogaça são alguns deles. Todos seguem sustentando o arremedo de governo instalado no Piratini, mas cuidam para não serem associados ao mesmo.

Nos últimos anos, construiu-se no Estado algo chamado de “anti-petismo”. Curiosamente, nunca se ouviu falar de um “anti-peemedebismo”. Mas qual é mesmo o legado do PMDB para o Estado do RS? Do governo Britto até hoje, com exceção dos quatros anos do governo Olívio Dutra (PT), o PMDB sempre esteve no poder. Ao contrário do que acontece cotidianamente com o PT, nunca foi cobrado publicamente por suas ações e pelo que deixou para o Estado. Qual é o balanço das privatizações, por exemplo? O Estado avançou ou retrocedeu do ponto de vista de uma agenda de desenvolvimento social? O governo Yeda Crusius representa o ápice de um processo de degeneração política e cultural de um Estado que, segundo alguns, seria o mais politizado do país. Quem é afinal, responsável, pelos constrangedores e vergonhosos dias que estamos vivendo hoje?

Que memória curta desse povo, hein? Como bem pergunta o Marco, que legado deixou o PMDB para o nosso estado? E qual o papel da mídia corporativa para esse estado de coisas no RS?

*LERRER, Débora Franco. De como a mídia fabrica e impõe uma imagem: "A degola" do PM pelos sem-terra em Porto Alegre. Rio de Janeiro: Revan, 2005, p. 55.
Imagem: Dialógico.
Atualizado em 5/7/09 - 00h51min

Honduras

Notícia recebida de Paulo Miranda*:

A TV Cidade Livre,
o Canal Comunitário de Brasília
(Canal 8 da NET)

Neste domingo, a TVCom DF estará retransmitindo
a cobertura ao vivo de TELESUR
às manifestações populares que se estão
deflagrando gigantescamente em toda Honduras, em direção a Tegucigalpa,
em apoio a chegada do seu presidente constitucional MANUEL ZELAYA.

Rafael Correa (Equador), Cristina (Argentina) e Lugo (Paraguai) prometem acompanhar o presidente legítimo na volta a Honduras.

Fique ligado no Canal 8 da NET
TVCIDADE LIVRE
ou assista pelo site:
www.tvcomunitariadf.com.br
Tel.: 61-33432713 - tvcomdf@gmail.com

*Vice-Presidente da ABCCOM e 1º Suplente, por esta entidade, na Comissão Organizadora da I CONFECOM.

Paralisação dos municipários em Porto Alegre







Texto produzido pelo CORES DEMHAB [Clicar na imagem para ampliá-la.]

Imagens: Dialógico

3 de julho de 2009

Futebol

Bancando os saudosistas, lembrando as antigas histórias de futebol contadas pelo nosso pai, sempre carregadas de muitas risadas, tanto as do Brasil, como as da Argentina, preocupa-nos o que se tornou o futebol: trampolim para cargos eletivos e enriquecimento para empresários e dirigentes. Além disso, de jogo viril, transmutou-se para violência dentro e fora dos estádios.
Hoje, recebemos uma ligação para denunciar algo inusitado: sócios do Grêmio foram impedidos de entrar no estádio, pois os portões foram fechados às 21 horas. Não sabemos, ainda, se tal decisão havia sido comunicada à torcida antecipadamente e algumas pessoas foram surpreendidas por tal circunstância. O inusitado não está aí: além de não entrarem no estádio, torcedores e torcedoras apanharam da polícia! Ficaram de fora, não conseguiram assistir ao jogo da forma a que tinham direito e ainda foram agredidos pela polícia. Segundo o nosso denunciante, isso se deve à incompetência e descaso da Direção do Grêmio, que desrespeitou sua própria torcida!
É muito triste ver as novas gerações submetidas à raiva, à violência, à competição entre torcidas e entre si. O esporte e, no caso, o futebol, que deveria ser fonte de diversão e entretenimento, gozação saudável, brincadeiras de alto nível, termina por ser campo de batalha. Neste caso, o mais vergonhoso: entre o time e a sua própria torcida! Como disse nosso querido denunciante, que ficou de fora e não apanhou [teve mais sorte]: PA-LHA-ÇA-DA!
Não me admira que, num contexto desses, a torcida perca as estribeiras. Admira a falta de preparo da BM em lidar com multidões enfurecidas, sugestionadas pelo espírito competitivo altamente difundido pela mídia - "é guerra!". Admira a falta de visão dos dirigentes, o "gênio da lâmpada" que criou constrangimentos para os da sua própria casa [fico a imaginar, o que aconteceu aos torcedores do Cruzeiro...].
Admira a falta de preparo??? Estamos sendo generosos! Não se pode esperar menos que truculência, de uma BM com esse comando, que bate nos movimentos sociais, que bate em professor e professora, que bate em estudantes, que tem como comandante-em-chefe uma ex-governadora em exercício [por sinal, gremista].
Quanto à Direção, que diz levar a sério seu trabalho no clube: como lidaria com a ausência da sua torcida nos estádios e com a falta de pagamento dos sócios?????

1 de julho de 2009

Inauguração


Consulta para o Blog do Planalto

Lemos sobre a consulta no Cloaca News:

Previsto para estrear em meados de julho, o Blog do Planalto pretende estabelecer um elo entre a Presidência da República e as chamadas mídias sociais. Antes de ir ao ar, no entanto, a Secretaria de Imprensa da Presidência resolveu fazer uma "consulta técnica" com os internautas, uma espécie de enquete em que espera colher subsídios sobre as expectativas do público e descobrir quais as ferramentas mais adequadas para a eficácia da comunicação.
O questionário estará disponível até o dia 7 de julho. Você não precisa se identificar para respondê-lo. É simples. É rápido. É seguro. Basta
clicar aqui.