8 de julho de 2007

GRAFAR com BLOG NO AR!!!

Ueba!!! A GRAFAR, a associação de artistas gráficos mais informal que se tem notícia, mas não menos importante por isso, finalmente, encontrou o caminho da WEB e está no ar com o seu BLOG: http://grafar.blogspot.com
Como diz meu amigo Bolívar, vida longa ao blog! E parabéns ao conselho editorial: Fabio Zimbres, Guaracy Fraga, e Hals.

Lula nega males causados por agrocombustíveis

O presidente Lula defendeu, em artigo publicado nesta quinta-feira (5) pelo jornal francês “Libération", os agrocombustíveis que, segundo ele, devem trazer vantagens sociais, trabalhistas, econômicas e ambientais para o Brasil. O presidente participou no mesmo dia de uma conferência sobre o tema em Bruxelas, Bélgica.
A declaração de Lula faz referência ao debate sobre o uso de agrocombustíveis em substituição aos combustíveis fósseis. A tese é criticada por ambientalistas e movimentos sociais que ressaltam os males que os agrocombustíveis podem causar. Por exemplo, por meio da expansão das monoculturas de cana-de-açúcar e soja – que tem causado enorme devastação das florestas e do cerrado brasileiro, além de ser responsável pela escassez de recursos naturais, principalmente das reservas de água.
Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram que além de fertilizantes e agrotóxicos, cada litro de etanol produzido consome cerca de quatro litros de água. Para o integrante da regional nordeste do CPT, Plácido Júnior, a produção de agrocombustíveis representa uma nova fase da colonização, com a apropriação de território, dos bens naturais e de mão-de-obra escrava.
“Na medida em que o governo Lula faz a propaganda a nível mundial dos agrocombustíveis como salvadores do planeta, do outro lado trabalhadores sendo liberados como escravos, como foi o caso do Pará recentemente. Mais de mil trabalhadores sendo liberados como trabalho escravo. A gente vê as matas sendo destruídas. Só temos 40% do cerrado brasileiro e o governo Lula ainda diz que tem muito pra ser destruída, pra avançar com agrocombustíveis”.
De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.
06/07/07

Areias betuminosas: um novo cenário na crise de energia

No ano passado, assistimos, na TV a cabo, um documentário sobre a extração de areias betuminosas na região norte do Canadá, mais precisamente na tundra. O documentário, como qualquer produto da grande mídia, exaltava os aspectos tecnológicos do projeto e mal tocava nas suas conseqüências ambientais.
Mas, para quem sabe ver, não é preciso uma opinião de especialista para perceber a devastação provocada pelo empreendimento. Simplesmente, uma grande extensão da floresta boreal é removida, para que se retire uma areia impregnada de betume que, depois de um processo de "lavagem", tem dela extraído o petróleo a um custo econômico 20 vezes maior do que a extração convencional. Porém, este ainda não é o maior custo, pois o que sobra, após a extração, é uma paisagem lunar irrecuperável.
Agora, Naomi Klein escreve um artigo, enfatizando este aspecto e acrescentando, a ele, um outro que, na ocasião, não havíamos percebido, ou seja, a inclusão do Canadá no clube dos países que mais contribuem para o aumento do efeito estufa por conta do uso das elevadas temperaturas que este processo exige.
No final das contas, essa é mais uma das conseqüências do desespero ianque por fontes de energia que mantenham a sua sociedade funcionando com o alto padrão de desperdício que a caracteriza.
Leia o texto da Klein AQUI (em espanhol). Como leitura complementar, sugerimos o seu artigo Bagdá Ano Zero, que profetizava o fracasso estadunidense na ocupação do Iraque e no controle do seu petróleo.
Imagens extraídas da publicação Carbon Neutral 2020.

O Terrorismo de Estado no Brasil*

*Escrito por Mário Maestri
03-Jul-2007
Há algo de novo e de muito sinistro na vida brasileira. Em 27 de junho, depois de quase sessenta dias de exasperante cerco, mil e duzentos policiais militares estaduais e forças federais invadiram o coração do complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, matando dezenove moradores, três deles de 13, 14 e 16 anos. Nas semanas anteriores, tinham ocorrido outras 29 mortes e dezenas de feridos.
Segundo moradores, os adultos e jovens mortos foram executados a sangue frio e, alguns deles, a facadas. Também foi denunciado que as forças policial-militares comportaram-se como verdadeiro exército de ocupação: depredaram imóveis; assaltaram armazéns; exigiram dinheiro; aterrorizaram velhos, adulto e crianças.
Sobretudo nas megalópoles brasileiras, mortandades de moradores pobres por policiais militares são práticas normais que despertam escassa atenção da grande mídia, sempre leniente na abordagem desses fatos, sobre os quais as autoridades negam ou minimizam a responsabilidade e garantem que as investigações sobre eles não levem a nada.
Elogios rasgados
Desta vez, a ação policial-militar contra o Complexo do Alemão – mais de duzentos mil moradores – foi defendida, justificada e aplaudida pelas autoridades estaduais, com destaque para Sérgio Cabral Filho, governador do Rio de Janeiro: “A imagem de uma política que está agindo é tudo que o povo do Rio e quem vem de fora quer.” Para o governador, esse tipo de ação atrairia turistas. Falando da operação e das mortes, propôs que não há “ação sem stress”.
José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Estado, elogiou a intervenção, afirmando que todas as mortes resultariam de confrontos. No Brasil, executar traficante é já direito policial adquirido. Porém, no dia 27, não houve policial morto ou ferido gravemente. O secretário prometeu igualmente que as ações prosseguirão em outros grandes centros habitacionais populares do Rio de Janeiro.
José Beltrame propôs ser impossível “fazer um bolo sem quebrar os ovos”. No caso do Complexo do Alemão, “fazer o bolo” seria assassinar, no ato, adultos e jovens ligados ao tráfico e, os “ovos”, “quebrados” para alimentar a festa, os populares executados por engano ou para exemplo! Foi proibido que observadores independentes assistissem as autópsias dos assassinados. Afirma-se que há mortos com tiros na cabeça, indícios de execução.
A defesa da repressão explícita não foi derrapagem das autoridades do Rio de Janeiro. Na segunda-feira, 2 de julho, o presidente Lula da Silva solidarizou-se com o governador Sérgio Cabral e afirmou, como o secretário de Segurança, ser “impossível enfrentar o narcotráfico com pétalas de rosas, jogando pó de arroz”. Na ocasião, anunciou investimentos para os bairros pobres do Rio de Janeiro, promessa feita e jamais cumprida desde o início de sua primeira administração.
Medo de viver
A população brasileira vive permanentemente estressada pela crescente violência urbana e rural, sentimento potenciado fortemente pela insegurança quanto ao trabalho, saúde, educação, aposentadoria, etc. Esse estado de espírito alcança paroxismo nas grandes capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre.
A superação efetiva de tal realidade exigiria inversão absoluta das políticas em radicalização desde o golpe militar de 1964, com fortes investimentos sociais e real distribuição da renda, reorientação impugnada totalmente pelos grandes interesses econômicas nacionais e internacionais dominantes. O Brasil é um dos países de maior desnível social na América Latina.
A consolidação do cenário anti-social – desemprego; salários miseráveis; assistência médica, educacional, etc. de baixíssima qualidade, etc –, no contexto de população de baixa consciência e de escassa capacidade de mobilização social, enseja que crescente número de populares encontre meio de vida, temporário ou permanente, na delinqüência, pequena e grande, com destaque para a distribuição da droga.
Tolerância, zero! Investimentos, zero!
Também no Brasil a criminalização e a repressão dos pobres e trabalhadores tornaram-se políticas propostas pelo conservadorismo e pela grande mídia como solução para a violência pessoal. Como o Estado brasileiro nega-se a investir em sistema judicial, policial e carcerário condizente com essa proposta, ela tende a materializar-se em atos extremos contra alguns delinqüentes e, sobretudo, contra a população pobre.
Apesar dos milhões de desassistidos no Rio de Janeiro, as autoridades públicas optaram em investir recursos bilionários na organização dos jogos Pan-americanos, certos que produzirão retorno político e econômico para os grupos políticos e empresariais que dominam a administração pública regional.
Nesse contexto geral, a repressão maciça e indiscriminada torna-se medida essencial para sufocar e prevenir eventuais transbordamentos sociais e satisfazer as imensas parcelas da opinião pública, não apenas das classes médias, conquistadas pela proposta de repressão impiedosa do delinqüente. A política do Rio de Janeiro é uma das mais mortíferas do mundo.
Uma saída política
Depois de dois meses, e quase trinta mortos, o cerco das forças policial-militares estaduais e federais resultara em enorme fracasso, desacreditando a capacidade e a proposta de dura repressão estatal. A operação de 27 de julho buscava superação do impasse com a prisão do traficante Antonio José Ferreira de Souza, Tota, de 35 anos, e de seus principais auxiliares, encarapitados no Areal, uma das paragens mais inacessíveis do enorme Complexo do Alemão. A seguir, o cerco poderia ser aliviado, com menor desmoralização da proposta repressiva.
Como os talvez não mais de cinqüenta procurados esconderam as armas, superaram cerco e escafederam-se, o massacre serviu para reafirmar, através da imposição do terror, a capacidade do Estado de ferir impunemente delinqüentes e populares, onde queira, como queira, quando queira. Para que o exercício do terror tivesse caráter exemplar, as autoridades fluminenses reconheceram-no e propuseram sua próxima extensão à Rocinha, Jacarezinho, Mangueira, Cidade de Deus e Complexo da Maré.
A chacina procurou também sufocar, igualmente pelo terror, qualquer revide dos traficantes, quando dos Jogos Pan-americanos, que se iniciam em 13 de julho, durante os quais se esperam oitocentos mil turistas. O complexo do Alemão é apenas uma entre as centenas de aglomerados populares da capital fluminense, reunindo alguns milhões de habitantes. Trata-se portanto de aposta prá lá de arriscada!
Assumindo publicamente a responsabilidade pelo massacre do Complexo do Alemão, o governo do Rio de Janeiro e o presidente da República sancionaram ação terrorista, à margem da lei, como política de Estado, sob o silêncio de praticamente todas as autoridades públicas nacionais e internacionais, à exceção de algumas frágeis e meritórias vozes dissidentes, com destaque para a sessão da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro.
Mário Maestri, 59, é historiador. E-mail:
maestri@via-rs.net

Blog do IGF criado com o apoio do MinC

Senhoras e senhores,
Informo que foi criado espaço virtual (
http://www.cultura.gov.br/blogs/igf/) para divulgar e reunir as informações úteis à preparação da participação brasileira no Fórum de Governança da Internet, cuja segunda edição será realizada no Rio de Janeiro, de 12 a 15 de novembro de 2007. O espaço, no formato de blog e fazendo uso do sistema "wordpress", foi criado e é gerido em colaboração entre o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores (Divisão de Ciência e Tecnologia), em atenção a pedido feito em reunião de coordenação interministerial sobre Sociedade da Informação, realizada no Itamaraty, em junho de 2007. Trata-se de pontapé inicial para tentar consolidar as informações e facilitar a coordenação entre todos os atores interessados no tema no Brasil. O Comitê-Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), ao apoiar a idéia, manifestou interesse em contribuir para o fornecimento de conteúdo e, eventualmente, aprimorar o formato e os recursos disponíveis.
O objetivo é permitir o acompanhamento dos preparativos ao IGF por parte de órgãos do Governo brasileiro, da sociedade civil, do setor privado, da Academia e de todos os interessados no tema de Governança da Internet. Lá, serão inseridas informações sobre os eventos previstos no processo preparatório, documentos gerados, pauta e calendário de reuniões, entre outras informações. Espera-se receber contribuições e comentários sobre o tema, de modo a aprimorar e ampliar a participação no processo de elaboração das posições que o Governo brasileiro deverá levar ao IGF.
O blog apresenta o recurso RSS, pelo qual é possível receber atualizações.
Sugestões sobre o formato e o conteúdo deste espaço serão muito bem-vindas.
Repito o endereço:
http://www.cultura.gov.br/blogs/igf/
Saudações,
Everton Lucero/DCTEC/MRE

7 de julho de 2007

Live Earth?

Recebo boletim do Avaaz.org para fazer parte do compromisso do Live Earth. Está aí uma petição que não irei assinar. Por mais meritória que seja a causa, acho este evento incompatível com o que entendo como uma ação conseqüente em defesa do planeta. É só observar os patrocinadores. No Brasil, por exemplo, são um banco privado e uma indústria automobilística, dois dos mais significativos representantes do neoliberalismo. Sem falar na indústria fonográfica que atenta barbaramente contra a diversidade e promove uma devastação cultural.
É preciso dizer mais?

Sicko

O documentário foi retirado do ar. Aparece a seguinte mensagem em seu lugar:

Fiasco

A rejeição ao nome do ex-governador Antonio Britto pela torcida do Grêmio o expôs de uma forma inimaginável. Que fiasco! Está aí uma situação inusitada. Este senhor não precisava ter passado por isso.
Creio que foi uma mistura de arrogância e soberba por parte do presidente Paulo Odone, as quais lhe deram segurança para um pretenso apoio popular, ao indicar uma pessoa que sequer chegou ao segundo-turno da eleição de 2002! Ou, então, ele acreditou muito na mídia amiga, cujo governo Britto teve apoio incondicional, e certo de que parte do povo não teria memória!
Ah, mas não é que teve? Ou porque os torcedores são peemedebistas, ou porque são da antiga Arena, ou porque são de esquerda, alguma motivação política os levou à tamanha rejeição. Eu não rezo na cartilha da tese de certos torcedores, cujo repúdio à nomeação tenha sido apenas pelo fato do sujeito ter sido incompetente como empresário e que poderia falir o clube...
Puxa, foi um tremendo gol contra! Bem que o Britto poderia ter ido dormir sem essa!
Quanto ao povo, bah... Gostaria de ver este furor todo na defesa dos interesses do Grêmio, fluir para a questão política-partidária que define o tipo de sociedade que queremos construir. Britto para dirigir um clube não pôde, mas para ser governador... Isso me faz lembrar outros fracassos retumbantes da política gaúcha nos últimos tempos: Rigotto, Fogaça e Yeda. Acho que estes, depois de passarem pelo Executivo, não serão eleitos nem para síndicos dos prédios que vivem.
Já o Olívio Dutra, até Ministro de Estado já foi! E é um dos políticos gaúchos mais injustiçados de todos os tempos pelo seu próprio povo! Ainda alguém irá escrever a história do RS e reverenciar o seu nome! Pena que ele é colorado...

5 de julho de 2007

FORA BRITTO!!!

O Dóro e o Kayser já se lançaram contra a candidatura de Antônio Britto para a presidência do Grêmio. E foi a primeira coisa que meu filho me disse, assim que cheguei em casa: trata de te mobilizar contra o Britto no Grêmio.
Recebi esta mensagem por correio eletrônico, a qual enviei a todos os endereços eletrônicos encontrados na página do Grêmio, acrescida de meus comentários a respeito.
From: Claudia Cardoso
To: ouvidoria@gremio.net ; conselho@gremio.net ; consular@gremio.net ; juridico2@gremio.net ; marketing@gremio.net ; patrimonio@gremio.net ; escolinha@gremio.net ; esportes.olimpicos@gremio.net ; gremiomania@gremio.net ; memorial@gremio.net ; quadro.social@gremio.net ; rh@gremio.net
Cc: paulo.odone@al.rs.gov.br
Sent: Thursday, July 05, 2007 8:24 PM
Subject: Repúdio à indicação de Antônio Britto
Sr. Presidente Paulo Odone, Conselheiros, Grupo de Jogadores e todas as pessoas responsáveis pela administração do Grêmio Foot-Ball Portoalegrense.
É com indignação que recebo a notícia da indicação do Sr. Antônio Britto para concorrer à Presidência do Clube, lamentável atitude do atual Presidente Paulo Odone, que não sei em que planeta vive!
Este senhor não traz saudade alguma como político e como ex-governador do estado do RS. Nem chegou ao segundo turno da eleição para governador em 2002. Não é à toa, que já existem inúmeras manifestações de repúdio à sua nomeação para concorrer ao cargo!
No mais, sou signatária da mensagem que segue mais abaixo.
Atenciosamente,
Claudia Cardoso
Gremista filha do ex-atleta João Cardoso
Porto Alegre - RS
O Grêmio é maior que qualquer partido*
É com profundo pesar e tristeza que lamentamos a notícia hoje (05/07/2007)divulgada de que o próximo presidente do Grêmio, indicado pelo atual primeiro mandatário, deputado do PPS Paulo Odone, poderá ser o ex-governador Antonio Britto (da mesma sigla partidária). Lembrando práticas do passado dos governantes biônicos, a indicação presidencial contraria aspirações de gremistas como nós que não aceitam a utilização do clube de seu coração para servir a interesses partidários. Vale lembrar que, com isso, o clube de mais da metade da população gaúcha corre o risco de assistir à repetição das práticas da duvidosa gestão do ex-governador a frente do Piratini e em recente incursão na iniciativa privada na área calçadista. Por fim, o ex- governante não tem nenhuma trajetória no futebol nem experiência na administração do esporte. O Grêmio é maior que o PPS e do que qualquer partido. Assinam: gremistas inconformados. Porto Alegre, 5 de julho de 2007.
*Esta mensagem circula na rede e você pode enviá-la a quem interessar possa.

Bier

Ronaldo

Indústria da celulose no Rio Grande do Sul: desenvolvimento insustentável

Cada vez mais preocupante é o quadro da expansão da indústria de celulose no Rio Grande do Sul. A discussão entre as indústrias químicas e os movimentos sociais é grande e diária. Isso porque os impactos do trabalho dessas empresas no ambiente são imensos. O povo gaúcho, pouco informado, é o maior prejudicado com o desenvolvimento da indústria da celulose no Estado. Sobre este assunto, a IHU On-Line, entrevistou, por telefone, o ecologista Luiz Rampazzo. Durante a conversa, que você confere na íntegra, Rampazzo analisa a história das indústrias químicas no sul do Estado, as mobilizações por parte dos movimentos sociais e da sociedade e, ainda, a atuação dos governos federal e estadual em relação a este problema.
Luiz Rampazzo é membro fundador do Centro de Estudos Ambientais (CEA), de Pelotas. Também é graduado em Ciências pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e acadêmico de Geografia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Como o senhor analisa o desenvolvimento das indústrias de celulose no Rio Grande do Sul?
Luiz Rampazzo – Com muita preocupação. Nós temos acompanhado, desde os anos 1980, todo esse processo de desenvolvimento das indústrias de celulose no estado. Como um movimento ecológico, nós conseguimos acompanhar a história da Riocel (1) e, no final dos anos 1980, o Governador Pedro Simon (2) aprovou o pólo de celulose no município de Rio Grande. A partir de 1987, nós começamos uma mobilização popular, elaboramos um relatório sobre o impacto no meio ambiente e conseguimos convencer o prefeito de Rio Grande de que esse tipo de modelo vinha contra a visão de um desenvolvimento sustentável e contra as vocações da região.
Existe um estudo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (3), que mostra que os níveis de chumbo, alcatrão, amônia, enxofre, entre outros, estão entre cinco e nove vezes maior do que os permitidos pela Organização Mundial de Saúde - OMS - na região de Rio Grande e Pelotas. Então, essa região não pode ter um complexo industrial químico. Nossa mobilização deu resultado e, em 1989, quando
Pedro Simon deu seu start para oficializar esse pólo químico em Rio Grande, o prefeito fez um discurso na linha que eu acabei de colocar e apresentou um projeto paralelo, junto com 40 mil assinaturas em nome da cidade de Rio Grande, que disse “não” ao projeto do pólo químico.
O que acontece, em nossa opinião, é que essas empresas perderam ali uma batalha, mas não a guerra. A década de 1990 foi a época em que, principalmente na Zona Sul do Estado, a produção de celulose expandiu de oito para mais de 40 municípios. Nós estamos, desde aquela época, sem zoneamento ecológico econômico e agora, infelizmente, essas empresas contam com grande aporte financeiro do
BNDES, que possui todo o controle do Governo Federal e está financiando projetos insustentáveis (ambientalmente, socialmente e economicamente). Além disso, essas empresas contam ainda com o apoio da Caixa RS. Essas empresas, agora, acabam de anunciar três grandes pólos de celulose para a metade sul do Estado. No nosso entendimento, isso vai contra às vocações da região. Nossas vocações são agroindustrial, pesqueira, portuária, turística, comercial, e elas não podem ser reduzidas à industrial química, pois é uma região próxima a banhados, a nascentes, a arroios, à Lagoa dos Patos e ao oceano. Isso nos preocupa muito porque o Governo Federal afirma que não tem verba para desenvolver essas vocações regionais. No entanto, por outro lado, financia a juros ridículos de 2% ao ano esses projetos transnacionais, que aumentam a concentração de terra e renda nas mãos dos mesmos de sempre.
IHU On-Line – Diversos movimentos sociais estão na luta contra o cultivo da celulose. Qual é o papel da sociedade nessa luta?
Luiz Rampazzo – A sociedade, infelizmente, não está esclarecida. Nós, juntamente com os movimentos sociais, estamos tentando fazer o possível, produzindo em torno de cinco mil panfletos por mês, participando de palestras e debates, conversando com diversos segmentos da sociedade, mas o que acontece é que nós não somos bem recebidos pelas mídias. Na década de 1980, nós tínhamos uma boa abertura da mídia tradicional, mas o mesmo não ocorre agora. Também no final daquela década, nós tínhamos uma abertura maior por parte das universidades, entre elas as públicas.
Nós estamos vendo dois fatores agora que comprometem o esclarecimento da população e a socialização das informações. A mídia tradicional atual barra qualquer tipo de posicionamento diferenciado daquilo que defende. Quando as mídias nos convidam para algum tipo de entrevista, nós percebemos que o resultado final mostra pelo menos umas três pessoas contra a nossa posição, mostrando uma tendência evidente das reportagens. Então, o que se consegue fazer, em termos de sociedade, é por meio das rádios comunitárias, de seminários, palestras e manifestações. Existe hoje, dentro das universidades, um grande racha, justamente porque esse assunto não foi discutido dentro delas. As universidades, principalmente as federais, jogaram toda a sua história no lixo.
Existe um número oficial do Governo do Estado de que 95% dos latifúndios do Rio Grande do Sul estão na metade sul. Então, parece que isso está dentro de uma proposta internacional, vinda das grandes corporações, de retirar do campo o micro, o pequeno e o médio trabalhador e direcionar a questão do agronegócio apenas para grandes empresas. Ou seja, partindo dessa linha de pensamento, o cultivo da terra não caberia mais aos pequenos agricultores. Isso é o que entendemos no que tange à participação da sociedade. As pessoas que acabam vendo o outro lado (que é o que estamos mostrando) acabam questionando. Nesse momento, podemos detectar que temos de dois a três terços da sociedade em disputa. Eu te diria que um terço da sociedade atual está do lado dessa proposta de instalação da monocultura em larga escala, de árvores exóticas e, por conseqüência, da produção de celulose, e outro terço tem apenas um pouco de informação. E ainda temos um outro terço que não tem a mínima idéia do que está acontecendo, o que é fatídico e preocupante.
IHU On-Line – Quais são as principais conseqüências do novo modelo de "desenvolvimento" para o Rio Grande do Sul a partir das empresas de celulose?
Luiz Rampazzo – Isso está dentro de uma proposta articulada por grandes corporações que visa a cada vez mais retirar as pessoas do campo e concentrá-las no meio urbano. Assim, as grandes empresas do ramo do agronegócio, associadas a grupos econômicos, com o apoio tresloucado do Governo do Estado e também do Governo Federal, montaram a bancada do deserto verde. Praticamente quase nenhum partido ficou fora das doações que as essas transnacionais fizeram. Aliás, a linha política desses partidos demonstra muito bem que o que vier será abraçado sem o mínimo cuidado de reparar no que de fato será ou não desenvolvido em nossa região.
Essa linha do Governo do Estado é extremamente perigosa, visto que estamos vendo a detonação da
Fepam (4), que não faz concurso há quase seis anos e está sucateada. O Governo do Estado anuncia que também deseja terminar com a Companhia Ambiental da Brigada Militar. Então, seja qual for a proposta de zoneamento aprovada, o nosso temor é quem de fato irá fiscalizar. Alguém, por exemplo, será punido no caso de destruição do meio ambiente? Este panorama que se desenha nos deixa extremamente preocupados, pois o que é público começa a se deteriorar. Infelizmente, a área ambiental é colocada hoje como a culpada pelo não desenvolvimento a qualquer custo da região. Recentemente, uma ONG, conhecida no mundo todo, fez uma pesquisa aqui no Brasil, e a população deixou bem claro que a culpada pela falta de progresso do país é a corrupção, não estabelecendo nenhuma relação com a questão ambiental.
IHU On-Line - Dentro deste contexto, por que é necessária a Reforma Agrária e o que ela mudaria?
Luiz Rampazzo – Se olharmos algumas regiões aqui do Estado, perceberemos que o modelo agrário das duas metades do estado são muito diferentes. O nordeste do estado, por exemplo, e boa parte da metade norte se compõem de micro, pequenas e médias propriedades e estão muito firmados na agricultura familiar e na produção diversificada. O que nós vemos na metade sul, como eu disse anteriormente, são latifúndios e nela sempre se trabalha com a visão da
monocultura ou a criação de gado. Há pouca diversidade de produtos. Nós vemos que regiões que tiveram bom processo de Reforma Agrária se desenvolveram. Ou seja, a metade sul necessita da divisão da terra para que também socialize os lucros. Mas não é possível simplesmente jogar um lote de terra às pessoas. É preciso, sim, oferecer, no início, toda a infra-estrutura necessária, para que o desenvolvimento efetivamente ocorra. Se nosso modelo medieval não for modificado, e não houver o desejo do Estado de transformá-lo, melhorá-lo, o desenvolvimento não acontecerá.
IHU On-Line - É possível esta Reforma Agrária?
Luiz Rampazzo – Eu vejo a
Reforma Agrária discutida atualmente com muita preocupação. Isso porque se, por um lado, o Governo Federal, de forma muito acanhada, vem tentando tocar esse processo, por outro, o hectare em nossa região, que estava em torno de R$ 1.500 a quatro cinco anos, hoje está em torno de R$ 4.000. Empresas como a Stora Enso, a Aracruz e a Votorantim, com o apoio do BNDES e do Governo do Estado, acabaram inflacionando o valor das propriedades na metade sul do Estado. Tudo isso complica ainda mais quando o Governo Federal, ao invés de partir para um outro processo, prefere fazer a compra de terras e, ao mesmo tempo, não o faz porque essa compra não ocorre na velocidade como gostaríamos. Então, o quadro não é muito interessante, ou seja, a proposta de Reforma Agrária do Governo Federal anda a passos muito lentos e o Governo do Estado não teve iniciativa nenhuma para que o processo dessa reforma se desenvolva, deixando bem claro para nós, ecologistas, que não é com a Reforma Agrária que nós resolveremos as questões em termos de desenvolvimento sustentável. Não, pelo menos, com essa Reforma Agrária proposta.
Notas:

(1) Empresa de celulose adquirida pela Aracruz em 2003.
(2) É atualmente senador pelo estado do Rio Grande do Sul, filiado ao PMDB. Foi governador do Estado de 1987 a 1990.
(3) A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência foi fundada em 1948, com o objetivo de unir o pensamento científico brasileiro, motivado pela chegada de grandes cientistas europeus, trazidos ao país para implementarem as universidades brasileiras.
(4) A Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler (FEPAM) é o órgão responsável pelo licenciamento ambiental do estado do Rio Grande do Sul. É vinculada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente. O nome da fundação é uma homenagem a Henrique Luís Roessler, o ambientalista pioneiro no estado.

4 de julho de 2007

ZH de novo: "manipular é preciso"!


Mensagem eletrônica encaminhada a respeito de manifestação sobre a conduta de ZH em 3 de julho de 2007.

Ao Partido dos Trabalhadores
Ao Dep. Raul Pont
Tardiamente e de forma incompleta, o Partido dos Trabalhadores e um dos seus membros, o Dep. Est. Raul Pont, manifestaram-se sobre uma situação que vem sendo, sistematicamente, denunciada pela imprensa alternativa na Internet. É preciso lembrar, ao PT e à sua bancada, que não adianta cobrar, de editores, uma postura ética, já que esses não passam de meros empregados, com o agravante de que muitos deles, realmente, têm uma conduta anti-ética deliberada.
O que é preciso fazer, é compilar essa série de aberrações e a direção do Partido, em comitiva, dirigir-se diretamente ao dono da empresa que, em última instância, é quem faz e desfaz no seu negócio.
Essa conduta anti-ética e anti-democrática faz parte da política editorial, traçada pela RBS em relação ao PT e só sobrevive dentro dessa empresa, porque representa a vontade do dono. Portanto é dele que se deve cobrar de forma peremptória o fim destas práticas. Seus empregados só farão o que ele mandar.
No mais, se tal providência não for tomada, pronunciamentos e notas oficiais serão atitudes inócuas que cairão no vazio.
Atenciosamente,
Eugênio Neves.
Artista Gráfico
P.S.: Vide, abaixo, outros casos já denunciados pela mídia alternativa.
http://www.zerofora.hpg.com.br
http://dialogico.blogspot.com/2007/03/mensagem-enviada-por-correio-eletrnico.html
http://dialogico.blogspot.com/2007/03/mensagem-enviada-por-correio-eletrnico_18.html
http://dialogico.blogspot.com/2007/03/o-jornal-o-sul-d-mais-uma-prova-entre.html
http://boanoiteproporco.blogspot.com/2007/07/uma-imagem-vale-mais-do-que-mil.html
http://rsurgente.zip.net/arch2007-07-01_2007-07-07.html#2007_07-02_13_21_38-7687859-0
http://diariogauche.zip.net/arch2007-07-01_2007-07-15.html#2007_07-02_10_30_11-7501453-0

CPI do apagão: "solução" é privatizar aeroportos

Hoje, com a divulgação do segundo relatório daquilo que a Comissão denominou CPI do Apagão Aéreo, pelo senador Demóstenes Torres (Demo-GO), fica escancarado aquilo que já era óbvio: a intenção de privatizar os aeroportos, claro, os maiores ou mais "lucrativos", diga-se de passagem.
Leiam a notícia AQUI e se estarreçam com mais essa patifaria da direita brasileira orquestrada pela mídia corporativa.

A LINGUAGEM COMO INSTRUMENTO DE LUTA

Lemos no Blogeoleone e achamos por bem publicar a entrevista de Vito Gianotti, para o FazendoMedia, na íntegra. Vito Gianotti nasceu em uma família proprietária de uma pequena fábrica de calçados, na Itália. Seu pai era fascista, "inimigo mortal dos socialistas e comunistas". Apesar da influência que recebeu no lar - e talvez justamente por causa dela - resolveu dedicar a vida para lutar ao lado da classe trabalhadora, contra a exploração. Viajou o mundo e acabou no Brasil, onde se tornou metalúrgico e engajou-se na resistência à ditadura militar. Sua universidade foi a fábrica. Fanático por livros, devorou muitos. E escreveu 20, dentre os quais Muralhas da Linguagem (Mauad, 2004) e o recém-lançado História das lutas dos trabalhadores no Brasil (Mauad, 2007). Hoje, com 63 anos, coordena o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), entidade que se dedica a aperfeiçoar a comunicação dos trabalhadores para disputar a hegemonia na sociedade.
Entrevista concedida a Bruno Zornitta.
Como começou seu envolvimento com as lutas dos trabalhadores? Você teve alguma influência familiar?
Tive uma influência da minha família no sentido contrário. Minha família tinha uma pequena fábrica de calçados e meu pai era fascista, inimigo mortal dos socialistas e comunistas. Por rebeldia natural, eu sempre tive contato com os operários que trabalhavam para meu pai, todos anarquistas ou comunistas. Eles me contavam as coisas, queriam me abrir a cabeça. Eu ficava chocado de ver as realidades dos trabalhadores, que na minha casa eram completamente escondidas. Então, eu diria que virei de esquerda por contraposição ao meu pai, e acabei depois encontrando a realidade da classe trabalhadora, conhecendo, e resolvi me engajar nessa luta. Saí da faculdade onde eu estava para viver a realidade da maioria da população e me engajei na luta para tentar melhorar esse mundo.
E por que você decidiu sair da Itália?
Para conhecer o mundo. Tinha 20 anos, era a época do Che Guevara. Eu queria conhecer o mundo e encontrei a realidade da classe trabalhadora.
Em que ano você chegou ao Brasil?
Em 1966. O propósito de me engajar na luta foi se firmando na medida em que eu via a realidade de exploração, de opressão, de discriminação racial. Toda aquela realidade brasileira, que era substancialmente parecida com o que é hoje. O que determinou minha paixão pelo Brasil foi um livro que eu li em 60, chamado "Geografia da fome", de Josué de Castro. Para mim foi marcante, pois mostrava a realidade do nordeste, sobretudo de Recife, e a fome que havia no Brasil.
Aí você foi para São Paulo e virou metalúrgico.
Virei, porque, na visão do grupo político ao qual eu pertencia, você tinha que ser operário e, concretamente, metalúrgico. Os metalúrgicos eram a categoria mais organizada e mais disposta a ir à luta, por várias razões sociológicas. Aí eu fiz uma porção de cursos de especialização e virei um profissional bom, um torneiro ferramenteiro.
E o que você havia estudado antes, na Itália? Filosofia?
É, filosofia e sociologia, mas não me interessei, absolutamente. Abandonei, e a partir daí nunca mais me passou pela cabeça entrar em uma faculdade. Sempre estudei, li muito. Aprendi com os livros bons. Sou fanático por leitura e acabei conhecendo muita coisa, além de escrever vários livros mais tarde.
Como começou esse interesse pela comunicação?
Muito simples: eu estava na fábrica com um objetivo político, que era despertar pessoas para a luta contra a ditadura. Mas não só, pois a ditadura militar era uma coisa passageira, conjuntural. O que era estrutural, o objeto de nossa grande batalha, era a exploração capitalista, a exploração do trabalhador. O meu objetivo, como o de muitos companheiros, era o de conversar, dialogar, convencer os companheiros de que a situação que estava colocada era de uma injustiça tremenda e nós tínhamos que mudá-la. E para isso tínhamos que nos organizar. Como se faz isso? Conversando com o outro e, se você quiser conversar com muito mais gente, tem que escrever. Então, desde o começo, em 68, 69, começamos a fazer os jornaizinhos de fábrica; uma folha de ofício dobrada. Ou duas folhas, que dava oito páginas, o que já era uma grande façanha. Jornais clandestinos, evidentemente, que falavam contra a ditadura, contra a opressão dos patrões. Era uma necessidade de despertar pessoas para a luta. Sempre procurando fazer bons boletins, bonitos, na medida do possível, com os recursos paupérrimos que nós tínhamos na época. E com uma linguagem acessível.
Quais as dificuldades que você enfrentou? Porque além da questão de ser clandestino, tinha essa outra questão da linguagem, que você tocou.
A nossa linguagem, da esquerda, nos distanciava daqueles que não participavam dos nossos cursos, que não liam nossos livros clandestinos, ou que não liam livro nenhum - a imensa maioria dos trabalhadores. Então, nossa linguagem, típica de esquerda, era uma linguagem de iniciados. Típica de quem fala com seus companheiros, que são todos da mesma patota. Só que a imensa maioria dos trabalhadores não era da nossa patota. Daí a necessidade de ter uma linguagem que fosse compreensível, acessível, inteligível para todos os companheiros que nós queríamos despertar para a luta concreta contra a ditadura e contra os patrões. A preocupação com a linguagem era como se fosse a preocupação com o oxigênio que se respira. A linguagem de quem participa de uma luta organizada acaba muitas vezes parecida com a linguagem de uma pessoa de outro mundo.
Afasta mais do que aproxima, não?
No mínimo, deixa indiferente. As pessoas não entendem. Ou então afasta mesmo, nos acham malucos, doidos de pedra. Em meados de 70, comecei a perceber que, ou nós falávamos a linguagem dos "normais", ou ficaríamos falando sozinhos. Em 79, 80, passei a ser o responsável pela publicação de um jornal muito bonito, de quatro páginas, mensal, chamado Luta Sindical, da Oposição Metalúrgica de São Paulo. Foi ele que me impulsionou nesse caminho, de procurar uma linguagem acessível. Eu me lembro uma vez que escrevi que determinada proposta de reajuste do governo era um "engodo". Meu amigo falava: "O que é engodo? Qual o trabalhador que entende engodo? Vamos traduzir". Ele começou a usar a palavra "traduzir". Fiquei impressionado. Ele falava: "Isso aqui é 'intelectualês', isso é 'juridiquês', é 'economês', 'sindicalês'". Em 1985, eu escrevi um livrinho chamado O que é jornalismo operário? Metade desse livro falava da linguagem.
Depois você escreveu outros livros sobre comunicação sindical, até escrever o Muralhas da Linguagem.
Exato. O Muralhas da Linguagem trata especificamente dessa questão. Estou convencido de que isso é uma tragédia até hoje. Às vezes textos belíssimos, escritos com a preocupação de despertar o trabalhador, não servem para absolutamente nada. Porque são escritos em chinês!
E o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), como surgiu?
No início dos anos 90, eu me mudei para o Rio de Janeiro. Eu era metalúrgico, mas não tinha condições de continuar nesse trabalho, pois já tinha 45 anos. Além disso, eu queria passar para muita gente o que eu tinha vivido, aprendido, etc. Aí, encontrei com Claudia Santiago, que já era jornalista sindical há sete ou oito anos e trabalhava na CUT, como trabalha hoje. Começamos a pensar em desenvolver essa atividade de ensinar, de aperfeiçoar a comunicação dos trabalhadores. Nós partimos do princípio de que o nosso público, os leitores, todos eles assistem ao Jornal Nacional à noite e ao Fantástico, aos domingos. Esses programas, desgraçadamente, são muito bonitos. Eles ditam o padrão de beleza que o povo espera encontrar. Então, nós pensamos que temos que fazer jornais bonitos, senão eles podem ter o melhor conteúdo do mundo, podem ser ditados diretamente pelos deuses, que serão jogados fora merecidamente. A segunda grande preocupação que tivemos foi com a linguagem. A terceira preocupação foi a de que os nossos jornais têm que ter um conteúdo, uma pauta, capaz de fazer a disputa de hegemonia que está colocada na sociedade. Ou seja, hoje a hegemonia está com a classe dominante, que eu chamo de burguesia. Nós queremos disputar com eles. A nossa luta é uma luta contra-hegemônica. Queremos colocar a nossa visão, que é contrária à deles, uma antítese. Na nossa visão, o problema dos jornais sindicais é que a maioria só trata de questões específicas da categoria, cada um fala do seu próprio umbigo. São assuntos imediatos: o aumento, o bebedouro, as condições e o horário de trabalho, por exemplo. São coisas mais do que legítimas, mas não podemos nos limitar a isso. Temos que mostrar o que está por trás disso. Em que sociedade estamos vivendo. Como se faz essa luta para diminuir os acidentes de trabalho, para ter um aumento de salário. Qual a ligação entre esse salário e o projeto neoliberal que está aí. Ou seja, temos que ampliar a nossa pauta.
Você acaba de lançar o livro História das lutas dos trabalhadores no Brasil. Que análise você faz da conjuntura atual para os trabalhadores?
Está muito ruim. Faz 15 anos que, no Brasil, nós estamos perdendo direitos. Porque na década de 80, tivemos grandes lutas pelo fim da ditadura e foi a década recorde de greves. Então, enquanto se implantava o neoliberalismo no mundo, aqui no Brasil nós estávamos em uma ofensiva dos trabalhadores, com fundação de partidos, de centrais sindicais e com a luta dos sindicatos. Em 1990 começou exatamente o contrário, um refluxo com a implantação desse projeto, baseado no desemprego. O desemprego é essencial para o neoliberalismo, é um bem a ser perseguido. Então, os trabalhadores passaram a ficar na defensiva, diminui enormemente o número de greves e começaram a ser retirados direitos. Dia 1° de maio é o dia da conquista da jornada das oito horas de trabalho. Hoje em dia, segundo dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), 60% dos trabalhadores com carteira assinada já não têm mais oito horas fixas. Existem vários tipos de acordos e convênios para retirarem essa conquista. A única palavra que o capitalismo neoliberal dá para essa situação é: dane-se! O neoliberalismo quebrou os trabalhadores e nós estamos numa tremenda defensiva, tentando segurar, salvar o salvável. É o salve-se quem puder!

As conspirações da CIA e a mídia*

*Por Altamiro Borges
“A CIA tem o direito legítimo de se infiltrar na imprensa estrangeira. Ela tem a missão de influir, através dos meios de comunicação, no desenlace dos fatos políticos em outros países”.
Willian Colby, ex-diretor-geral da agência de inteligência dos EUA.
A sinistra CIA, a agência de espionagem e sabotagem dos EUA, acaba de divulgar vários documentos até então classificados como ultra-secretos. Eles compõem os arquivos sugestivamente chamados de “jóias da família”, apelido que designa algumas operações ilegais deste organismo que causam constrangimento ao governo ianque. São 11 mil páginas que revelam as ações terroristas do imperialismo em várias partes do planeta entre os anos 50 e 70. Os documentos comprovam que esta central de “inteligência” sempre teve um papel ativo na América Latina. A desclassificação periódica destes relatórios é uma exigência legal e não significa que a CIA tenha abandonado os seus métodos espúrios de interferência em nações soberanas.
No caso do Brasil, tratado na época como “maior alvo do comunismo” na região, a CIA ajudou a orquestrar o golpe militar de 1964. Um dos documentos afirma que o presidente João Goulart é “um oportunista que ascendeu ao governo com o apoio da esquerda”, taxa Leonel Brizola de “líder demagogo anti-americano” e acusa o governador Miguel Arraes de ser “um pró-comunista”. O texto tenta criar um clima de pânico na burguesia ao falar da “crescente influência” do Partido Comunista. Outro documento, intitulado “A igreja engajada e a mudança na América Latina”, critica seu setor progressista e ataca dom Hélder Câmara, cujo “forte é fazer publicidade e exigir reformas, sem oferecer soluções práticas aos problemas que ele cria”.
Máfia e assassinato de Fidel Castro
Na época, no auge da chamada “guerra fria”, a maior preocupação dos EUA e de sua agência era com o aumento da influência da revolução cubana. Os documentos confirmam que a CIA se aliou à máfia para tentar envenenar o líder Fidel Castro. Um deles dá detalhes da contratação do ex-agente Robert Maheu para realizar “uma ação do tipo de gângsteres”, que envolveu vários chefes mafiosos, como Salvatore “Momo” Giancana, o sucessor de Al Capone. A CIA disponibilizou US$ 150 mil e forneceu seis pílulas “de alto poder letal” para assassinar o dirigente cubano. Allen Dulles, o chefão da agência, coordenou a operação terrorista pessoalmente, mas ela foi desativada devido a um grotesco incidente passional de Giancana.
Há também relatos sobre os planos da CIA para desestabilizar o governo chileno e assassinar o presidente Salvador Allende, inclusive com o uso de “empresas de fachada” para transportar armas. Outros relatórios descrevem várias operações ilegais de espionagem e sabotagem no continente, visando derrubar governos nacionalistas e destruir movimentos contrários ao dominio imperial. “Os EUA não podiam permitir uma outra Cuba no continente. Foi por isso que Kennedy, cuja diretriz da política para a América Latina era apoiar governos reformistas, apoiou ditadores”, explica Mary Junqueira, professora de história da USP.
Tarjas pretas e graves omissões
Os documentos agora desclassificados revelam apenas uma pequena parte dos crimes orquestrados por esta agência. Muitos textos ainda aparecem com longas tarjas pretas; nomes e detalhes das operações ilegais são omitidos. Não há menção, por exemplo, ao famoso “manual de torturas” da CIA, com seu “método médico, químico ou elétrico”, que serviu de orientação para vários ditadores no mundo. O assassinato de mais de um milhão de patriotas no golpe de 1965 na Indonésia também é excluído, assim como a brutal intervenção que derrubou o primeiro-ministro nacionalista do Irã, Mohammad Mossadegh, em 1953. Como afirma o jornal Hora do Povo, “a lista seletiva de crimes da CIA é uma operação de acobertamento”; visa limpar a imagem desta agência terrorista e de seus agentes e serviçais que continuam na ativa, inclusive na América Latina.
“O que estaria levando a famiglia Bush a divulgar estes documentos? Seria, como disse o general Michael Hayden, ‘porque os documentos verdadeiramente nos permitem vislumbrar uma era muito diferente e uma agência muito diferente’ e que a CIA agora tem ‘um lugar muito mais forte no nosso sistema democrático dentro do poderoso referencial legal’? Ele estaria se referindo a Abu Ghraib e Guantanamo? Ou às prisões secretas no mundo inteiro, seqüestros e vôos de tortura? Ao ‘Programa Talon’, dirigido contra organizações anti-guerra? Ou ao grampo da internet, do correio, do telefone e até dos cartões de consulta às bibliotecas dentro dos EUA? Às “novas técnicas” de preparação para a tortura, ministradas pelo general Miller? Aos atentados e esquadrões da morte da CIA no Iraque?”, questiona, com justa ironia, o jornal Hora do Povo.
Relações íntimas com a mídia
Entre as graves omissões chama a atenção o fato destes documentos não se referirem às guerras ideológicas orquestradas pela CIA através do uso enrustido dos meios privados de comunicação. Como a mídia está na berlinda na atualidade, em especial na América Latina, é compreensível que o governo Bush a mantenha sob forte proteção. Neste sentido, os documentos desclassificados agora ficam muito aquém dos relatórios produzidos em 1976 por uma comissão de investigação do Congresso dos EUA, presidida pelo senador Frank Church. No caso do sangrento golpe militar do Chile, a comissão constatou que o jornal El Mercurio recebeu milhões de dólares para desestabilizar e derrubar o governo constitucional de Salvador Allende.
“A intromissão da CIA neste periódico chegou ao extremo de infiltrar seus agentes até na diagramação. O informe Church denunciou que este organismo de espionagem contratou jornalistas, editou publicações de circulação nacional e elaborou matérias para diários, semanários e radiodifusoras, além de exportar estes ‘conteúdos’ para outros veículos latino-americanos e europeus”, lembra o escritor chileno Hernán Uribe. Já no Brasil, há suspeitas de que a CIA financiou vários jornais e jornalistas na “cruzada contra o comunismo” durante o governo de João Goulart e que, inclusive, esteve por detrás do nebuloso acordo entre a empresa estadunidense Time-Life e a recém-criada TV Globo, na véspera do golpe militar de 1964.
Espiões e seções especiais
Se estas barbaridades ocorreram no passado, é evidente que elas não foram descartadas no presente – ainda mais quando o ocupante da Casa Branca é o terrorista e torturador confesso, George W. Bush, e a América Latina vive um processo inédito de ebulição, com a vitória de vários governos progressistas. O jogo sujo da CIA, que só poderá ser conhecido oficialmente com as novas desclassificações daqui a décadas, prossegue. Os EUA temem as mudanças no tabuleiro político na região, não confiam em seus novos governantes – nem mesmo nos mais pragmáticos e conciliadores – não toleram o avanço dos movimentos sociais e estão bem cientes dos riscos do atual processo de integração latino-americana. A CIA continua na ativa.
Numa recente passeata da direita venezuelana contra o fim da concessão da RCTV, algumas fotos flagraram a presença do agente da CIA Bowen Rosten, de camiseta azul e óculos escuros, na sua linha de frente. Há até um vídeo no Youtube com a cena grotesca. O ex-vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, no seu programa televisivo La Hojilla, comentou: “Um dos chefes da CIA na região é mister Bowen Rosten. Estadunidense, ele fala inglês, espanhol, português e francês. Está destacado para atuar na Colômbia, opera na Nicarágua, Argentina, Bolívia, Equador e Brasil e dirige a Operação Orión [de espionagem] em nosso país... O que o governo Bush tem a dizer da ingerência na política interna deste alto funcionário da CIA?”.
No final do ano passado, o presidente-terrorista Bush inclusive nomeou um diretor especial de inteligência para Cuba e Venezuela. Como denunciou o jornal cubano Juventude Rebelde, com a criação deste novo departamento “os EUA tentarão por todos os meios aumentar a presença de seus espiões nos dois países”. O agente Jack Patrick Maher, com 32 anos de experiência nos serviços de espionagem, informou ao congresso dos EUA que a sua missão é “assegurar a implementação de estratégicas”, com vistas à “transição” após a morte de Fidel Castro e às novas eleições na Venezuela. A criação desta seção especial da CIA coloca os dois países no mesmo nível da Coréia do Norte e Irã, nações incluídas no funesto “eixo do mal” de Bush.
Jornalistas pagos por Washington
A mesma ingerência ilegal e criminosa também prossegue na mídia da região. A advogada estadunidense Eva Golinger denunciou recentemente que a Casa Branca financia veículos e jornalistas venezuelanos. O plano da Divisão de Assuntos Educativos e Culturais visa influir na linha editorial destes órgãos. A grave denúncia se baseou em documentação oficial do governo ianque. “Lamentavelmente, existem jornalistas na Venezuela manipulados pelo Departamento de Estado dos EUA”, garante a renomada advogada. A VTV, o canal estatal de Caracas, inclusive divulgou os nomes dos “repórteres” que recebem dólares de Washington: Aymara Lorenzo, Pedro Flores, Ana Villalba, Maria Flores, Miguel Angel e Roger Santodomingo.
O último deles, Roger Santodomingo, foi acusado, em maio passado, pela Justiça da Venezuela de “instigar o magnicídio [assassinato de autoridades] e receber financiamento dos EUA para desestabilizar o governo”. O jornalista divulgou na televisão falsa pesquisa em que 30% da população opinava que “matar Chávez é a única solução”. Com a decisão soberana do governo de não renovar a concessão da emissora RCTV, que participou ativamente do golpe frustrado de abril de 2002, a ação destes e outros “jornalistas” teleguiados pela CIA se tornou ainda mais agressiva, convocando protestos e atacando o presidente.
Larry Rohter, agente da CIA?
Mesmo no Brasil, aonde inexiste o clima de radicalização política do país vizinho, há sérias desconfianças sobre a atuação da mídia hegemônica e de alguns colunistas e ancoras da televisão. Quando da reportagem do correspondente ianque Larry Rohter, que acusou o presidente Lula de ser alcoólatra e foi ameaçado de expulsão do país, o portal Resistir publicou um artigo de Célia Ladeira com graves denúncias contra o dito cujo. No texto, a professora de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB) dá algumas informações reveladoras. “Conheci Larry Rohter há muitos anos e convivo com pessoas que o conhecem muito bem. Portanto, não estou dizendo muita coisa nova, mas dizendo coisas que poucas pessoas estão hoje sabendo”.
Entre outras acusações, ela afirma que “Larry não é só jornalista, mas um tipo de agente civil, bem pago, que faz coisas que CIA e FBI não podem fazer. Ele tem trabalhado em toda a América Latina, sempre com um caderninho de missões debaixo do braço”. Informa que são comuns as suas visitas ao Departamento de Estado dos EUA. “Média de uma visita a cada ano, sem contar os almoços com gente estranha dos serviços secretos”. Lembra ainda que o “jornalista” presta inúmeros serviços ao governo Bush, sempre desancando políticos e lideranças contrárias ao império, como numa reportagem em que ridicularizou a prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchu, da Guatemala, e nos inúmeros artigos contrários ao presidente da Venezuela. Outra diversão dele é escrever textos pregando abertamente a internacionalização da Amazônia.
Altamiro Borges é jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “Venezuela: originalidade e ousadia” (Editora Anita Garibaldi, 3ª edição).

3 de julho de 2007

Memória do Encontro Nacional de Comunicação

Memória do Encontro Nacional de Comunicação, realizado em Brasília nos dias 21 e 22 de junho, promovido pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias e de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática.
Como a comunicação é um tema que diz respeito a todas as pessoas independentemente do seu ramo de atividade ou nível escolar, acho importante manter os leitores e as leitoras do Dialógico informados. Na nossa lista, ao lado, as páginas do FNDC, Intervozes, Direito à Comunicação e Rede Abraço, por exemplo, são de visita obrigatória para quem defende a democracia no país. Como disse o Betinho, o termômetro da democracia na sociedade se mede, à medida que o povo tem participação na comunicação.
Memória da reunião de avaliação e desdobramentos do Encontro Nacional de Comunicação Na Luta por Democracia e Direitos Humanos
Brasília, 29 de junho de 2007

Avaliação -
A avaliação do evento foi positiva. Houve participação de 398 inscritos, mais 300 não-inscritos, em sua grande maioria representantes de organizações da sociedade civil e do poder público, vindos de 25 unidades da Federação. Juntos aos 250 que participaram da videoconferência preparatória de 6 de junho, em 18 Estados (AC, AP, SP, PI, PE, CE, MS, MT, GO, AM, RO, ES, AL, RN, SC, TO, MG e RS), o resultado numérico, bem como a diversidade de local de origem e de segmento de atuação dos participantes do processo, foi expressivo.

Moções -
Foram distribuídas as cópias digitadas das 13 moções aprovadas no Encontro, as quais serão encaminhadas às entidades diretamente interessadas em seu teor e aos participantes inscritos. As moções também integrarão o documento final do evento e o livro com a síntese do mesmo, a ser publicado pela editora da Câmara dos Deputados. (cópia anexa).

Comissão de mobilização da Conferência -
Uma das resoluções da plenária final do Encontro foi constituir uma Comissão para cuidar dos encaminhamentos do evento e preservar a mobilização que o precedeu, com vistas à convocação, pelo governo federal, da I Conferência Nacional de Comunicações. Foram estabelecidos, por acordo geral entre os presentes, como critério para compor essa comissão, que sejam representantes das entidades de âmbito nacional que atuaram na preparação e realização do encontro. (lista anexa).
Representantes e reunião - Foi definido o prazo de 5 de julho (quinta-feira) para que as 19 entidades que correspondem ao critério indiquem, por escrito, seus respectivos representantes. No dia seguinte, sexta-feira próxima, das 10h às 12h, no plenário 15 da Câmara, teremos nova reunião para continuar avaliando o cenário e nossas atividades pró-Conferência.
Divulgação -
No decorrer desta semana, continuaremos a encaminhar o mais amplamente possível a Carta Aberta ao Presidente da República, além de protocolar pedido de audiência com Lula para tratar da Conferência Nacional de Comunicações. É preciso que todos os companheiros ajudem a difundir o documento nos seus círculos de relacionamento.
Estratégias - Definimos ainda que o núcleo da estratégia pós Encontro será intensificar o diálogo com os setores do Estado e da sociedade potencialmente interessados na Conferência. Inclusive os Ministérios das Comunicações e da Cultura. Sobre o evento de 15 e 16 de agosto a ser realizado pelo Minicom, nos posicionaremos depois de nos informar sobre o caráter do mesmo.
Memória elaborada por Márcio M. Araújo e Sônia Hypolito, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias

2 de julho de 2007

Para não esquecer


Habemus fim, tchê!

A terra vai se fuder, nós, baianos e gaúchos sobreviveremos, seremos a semente de uma nova raça.
Do cruzamento destas e da seleção de genes do jabuti e do japihim, surgirá uma nova espécie desumana. Média de vida 300 anos, segundo estudos científicos comprovados na segunda guerra. Até hoje mantido em segredo pelos nazi-cientistas albinos alemães. A terra não será mais redonda, sofrerá um achatamento na linha do equador.
Gostamos muito do artigo sobre o caos da vida na terra. Concluí para minha grande satisfação que o trabalho é idiotice inventada por aqueles que acumulam riquezas com a mais valia. Previsão correta do Karl Marx quando afirmou: viveremos uma nova era após a revolução industrial. O homem viverá uma revolta transformadora na relação trabalho e capital. Pois é, fora a indústria de qualquer espécie, fora o desenvolvimento e progresso. Viva a ciência que nada tem a ver com progresso. Ciência é contemplação, progresso é depredação.
Viva a volta para casa. Quem quiser se locomover que faça de forma natural com as pernas, de bicicleta, de barco movido a velas, viva a volta das carroças e das montarias em jegues, mulas e cavalos.
Vaticinou a índia cri-cri: Como é burro meu jegue, mudamos o rumo da tecnologia ou chegaremos mais rápido a lugar nenhum.
Texto e foto de Daniel Andrade.

Selo Blog Activista


A Bodega acaba de criar o selo "Blog Activista", que deverá ser livremente oferecido aos blogueiros que lutam por um mundo melhor.
Para fazer parte do "blog Activista" o blogueiro deverá promover e defender:

A paz
A liberdade
O Socialismo
O meio ambiente
A Igualdade de gênero
Os direitos Humanos
Os movimentos sociais

Com o convite do "moço do Bodega", estamos nessa!

Mensagem subliminar


Excelente texto sobre o assunto no La Vieja Bruja.
Vale a pena ler AQUI!!!
Leia mais aqui e aqui.

1 de julho de 2007

MANTENDO CURSO FIRME RUMO AO APARTHEID*

Por JEFF HALPER*
Apesar de toda a atenção e histeria que os últimos acontecimentos em Gaza têm gerado desde que o Hamas “assumiu”, para Israel eles não significam mais que uma gota d’água mínima em seu curso inexorável rumo à sua própria “solução” unilateral: o apartheid. O objetivo final de Israel, explícito e não perturbado pela recente confusão no local, está claro. Foi apresentado em detalhe no “Plano de Convergência”, que Olmert apresentou para uma sessão conjunta do Congresso dos Estados Unidos em maio 2006, baseado no plano de Sharon de “cantonização”**. Com ajustes mínimos, é o plano que a Ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, está discretamente fazendo avançar com a ajuda de Condoleezza Rice e é aceito em sua totalidade por Ehud Barak, líder recentemente eleito do Partido Trabalhista, que desempenhou um papel-chave em sua formulação.
O plano de Israel para o apartheid é o seguinte:
1.Criar um “estado” palestino truncado, formado por quatro cantões desconectados, três na Margem Ocidental e Gaza. Através da anexação dos principais blocos de territórios colonizados definidos pelo Muro, Israel se expande para ocupar 85% das terras, deixando os palestinos confinados em enclaves empobrecidos nos restantes 15% do território. Numa tal solução de “dois estados”, Israel controlaria as fronteiras, movimentos externos e interinos dos palestinos, a área da “Grande” Jerusalém, todos os recursos hídricos, o espaço aéreo, o campo das comunicações e até a política exterior do estado palestino. Um tal bantustão*** não teria nenhuma soberania verdadeira nem economia viável, mas teria que aceitar todos os refugiados palestinos, traumatizados e empobrecidos.
2. Se isto falhar, basicamente porque Israel não consegue encontrar o líder pelego palestino que concordaria com um bantustão, o Plano B – o plano Livni-Rice – reivindica uma declaração unilateral pelos EUA de um estado palestino “provisório” sem fronteiras definidas, sem qualquer soberania significativa, nenhuma economia viável, esmagado entre o Muro, a fronteira oriental “demográfica” de Israel incorporando os territórios colonizados, e o Vale do Jordão, a fronteira oriental “de segurança” de Israel. Os palestinos ficariam assim deixados indefinidamente no limbo de um estado “provisório”– ou até que concordem com um bantustão – tudo de acordo com os parâmetros do “Mapa do Caminho”.
-- Apesar da “iniciativa de paz” do momento: o Mapa do Caminho, a iniciativa saudita, a cúpula de Sharm-el-sheik, a nomeação de um enviado para o Oriente Médio, todos esses planos terão que se conformar com uma destas alternativas, ou ser condenados à irrelevância.
O que acontecerá então com Gaza (significativamente apelidada de “Hamastão”, sendo os cantões palestinos da Margem Ocidental agora apelidados de “Fatahland”) é portanto irrelevante para Israel, já que Gaza não representa mais que uma parte minúscula do bantustão palestino (uns 8%). Mesmo que Gaza tivesse sido “pacificada” depois que Israel tivesse se desengajado como Sharon tinha planejado, exportando mão-de-obra barata para Israel e talvez gozando de um crescimento econômico limitado, ou que fosse apenas isolada e empobrecida devido às sanções dos EUA e Israel depois da vitória do Hamas nas eleições, ou então que explodisse – como de fato aconteceu –, nada vai impedir o processo interminável de Israel de consolidar sua dominação da Margem Ocidental. Mais cedo ou mais tarde, no plano de Israel e EUA, Gaza vai entrar no seu lugar.
Não somente os palestinos são irrelevantes, do ponto de vista israelense, mas a “tomada de poder” pelo Hamas é até uma evolução positiva, uma vez que promove o processo de apartheid. Uma razão-chave pela qual os palestinos votaram no Hamas era a percepção de que ele resistiria às pressões para aceitar um bantustão melhor do fraco e vacilante movimento Fatah, que era considerado como pouco mais que a polícia de Israel nos Territórios. Israel, os EUA e uma Europa cúmplice são vistos então como tentando isolar precisamente aqueles que realmente resistem à Ocupação, enquanto “fortalecem” Abbas e os “moderados” – “moderados” definidos como aqueles que querem pacificar os palestinos sem garantir seu direito fundamental a um estado próprio viável e soberano. O programa patrocinado pelos EUA de armar o Fatah contra seu próprio povo, que inclui até “emprestar” um general estadunidense (Dayton), apenas confirma essas suspeitas, especialmente se tornam Abbas dependente de forças de fora para sua sobrevivência.
Israel e os EUA estão fazendo no microcosmo na Palestina aquilo que os EUA estão fazendo em todo o mundo muçulmano, forçando os palestinos a escolher entre duas opções inaceitáveis: ou as perspectivas de um regime de apartheid que é tudo o que os “moderados” podem dar, ou a contínua resistência à ocupação e ao apartheid sob o Hamas, pelo preço do isolamento internacional e de um processo de islamização não desejado. Onde estão os verdadeiros libertadores que podem produzir um estado palestino viável, ao mesmo tempo em que reconhecem Israel – mas mantendo sua própria dignidade? Onde estão os líderes progressistas que representam os desejos da maioria avassaladora do povo palestino?
Onde estão os líderes “fortes” que Bush afirma estarem faltando no lado palestino? Ou estão mortos, vítimas de uma campanha de 30 anos por parte de Israel para eliminar qualquer líder palestino eficaz, ou definhando em campos de refugiados ou no exílio, ou na prisão. Se Marwan Bargouti e os prisioneiros de todas as facções que produziram o Documento dos Prisioneiros, o único plano de paz viável que tem qualquer possibilidade de sucesso, estivessem livres e lhes fosse permitido liderar seu povo, o conflito entre Israel e Palestina poderia ser resolvido amanhã.
O que está faltando, naturalmente, é boa fé. O desejo de defender os direitos palestinos e contra o apartheid israelense está totalmente ausente nos governos. O jornal israelense Ha’aretz ( 21.06.07) notou o cinismo subjacente no recente encontro entre Olmert e Bush. “Olmert chegou ao um entendimento com Bush durante sua visita a Washington, de que é necessário apoiar Abbas”, disse uma fonte política sênior em Jerusalém. “A decisão de ajudar Abbas foi feita apesar do ceticismo em relação a suas possibilidades de sucesso, em vista de experiências passadas. Olmert e Bush concordaram que não podem permitir que exista uma impressão de que Abbas fracassou, porque Israel ou os EUA não o apoiaram.”
Israel não vai sustentar Abbas - a menos que ele se torne o colaborador que Israel está procurando, o que ele não fará. Olmert já anunciou que não haverá negociações finais de status num futuro previsível. Assim sendo, nem a iniciativa saudita,nem o encontro de Sharm conduzirão a negociações genuínas. Os EUA, com seu moribundo Mapa do Caminho, não vão facilitar o estabelecimento de um estado palestino viável e a Europa não vai agir de modo independente para conseguir isso, mesmo sendo de seu próprio interesse. Os palestinos, por seu lado, não têm poder para realizar um estado viável por si mesmos e vão continuar a ser derrotados e culpados por seu próprio aprisionamento e resistência.
Nossos governos nos traíram. A menos que nós, o povo em todo o mundo, possamos mobilizar uma oposição da base contra a Ocupação israelense-estadunidense-européia, um novo regime de apartheid, e por incrível que pareça, na Terra Santa, surgirá logo diante de nossos próprios olhos. Só quando o povo liderar é que nossos “líderes” irão pensar na possibilidade de fazer a coisa certa.
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* Jeff Halper é o Coordenador do Comitê contra Demolições de Casas (ICAHD) e foi candidato, com o ativista palestino pela paz Ghassan Andoni, para o Prêmio Nobel da Paz de 2006. Pode ser contatado no e-mail <
jeff@icahd.org > . Segundo o sacerdote Don Moore SJ, que mora em Jerusalém e que enviou o artigo, “Jeff é um dos mais ativos e sinceros dos muitos ativistas israelenses aqui”.
** Cantonização – cantões são divisões territoriais, por exemplo, na Suíça. Corresponderiam aproximadamente a nossos municípios.
*** Bantustão – divisão territorial criada pelo regime de apartheid na África do Sul, onde eram confinados os africanos negros. Eram terras áridas, sem possibilidade de sustentação econômica; os negros eram por essa lei, cidadãos desses territórios e precisavam de documento legal – o “passe” – para entrar na África do Sul branca, sua única possibilidade de obter trabalho e assim sustento para suas famílias. Eram áreas descontínuas, enclaves isolados dentro do território “branco”.
Tradução – Lília Azevedo, com permissão do autor.
São Paulo, Brasil, 27 junho 2007
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liliazevedo@uol.com.br >
Nota: para saber mais sobre este tema, acesse AQUI.