28 de fevereiro de 2009

Sobre o engajamento político

(...) Tratar-se-ia, sim, de ‘cérebro cósmico’, cérebro de que as pessoas seriam as células irradiantes de informação e as imagens, as fibras que reúnem as células a fim de formarem um todo. Creio que tal visão da sociedade futura inspira todo engajamento político merecedor desse nome.” (Vilém Flusser, no livro “O universo das imagens técnicas - elogio da superficialidade”, editora Annablume)

(...) Zerolândia é embatível como lixão. Temos absoluta convicção, decorrente de nossas leituras, que a margem de erro de nossas análises é muito pequena. Não é por uma obra do divino Espírito Santo que a mídia corporativa mantém em atividade fotógrafos e cinegrafistas toscos. Showrnalistas que “(des)politizam” as imagens, todos pautados pelos interesses da indústria pesada da comunicação de massas. Imagens para matérias 500. Mais uma vez, e pela milésima vez, assinalamos que não temos a pretensão de possuirmos a verdade absoluta. Mas temos o prazer de pensar e criticar. E, ainda, temos a consciência dos limites e da eficiência de tudo isso. Não descobrimos a fórmula que aprofunde nossa postura de radicalidade. Fotografamos com um outro olhar, igualmente “politizado”. [WU]

Série "Pelas Calçadas". Foto WU

Visitem o Blog Ponto de Vista e leiam, AQUI, o texto acima na íntegra.

Memória

27 de fevereiro de 2009

"... a grande luta é pela democratização das comunicações..."

Palavras finais da entrevista com a Profª Drª Maria Victória Benevides, concedida à jornalista Conceição Lemes e publicada no Viomundo [AQUI].
Benevides também afirma, que, hoje, há outros meios legítimos para propagar o pensamento: a mídia alternativa.

Mas que silêncio!

O Vice-governador Paulo Feijó [DEMO] não tem nada a declarar sobre os fatos que envolvem o seu governo?
O Presidente do DEMO/RS, Onyx Lorenzoni, não tem nada a declarar sobre os fatos que envolvem o governo do seu Vice?


E o que dizer então do Senador Pedro Simon [PMDB]?


E o senador do PTB/RS, Sergio Zambiasi, partido da base aliada na Assembleia Legislativa?

E os jornalecos, então, seguirão a pauta silenciosa da Nota Zero em informação? Depois, tem gente que diz, que inexiste oligopólio midiático...

26 de fevereiro de 2009

Kayser

Luciano Alabarse e sua ópera bufa


"- Maldito seja Copérnico!

- Oh, oh, oh, o que Copérnico tem a ver com isso? - exclama padre Eligio.

- Tem sim, padre Eligio. Porque quando a Terra não girava...

- Mas ela sempre girou!

- Não é verdade! O homem não sabia disso e, por conseguinte, era como se não girasse. Para muitos, ela continua a não girar também agora. Eu falei que girava, outro dia, a um velho camponês; sabe o que ele me respondeu? 'Que era uma boa desculpa para os bêbados'".

Luiggi Pirandello. O Falecido Mattia Pascal.



Estranhamente, ninguém da platéia clamou por "pacificação" entre 1999 e 2002, quando a mídia hegemônica guasca e a oposição, em uníssono, declararam guerra ao governo Olívio Dutra (PT).

Toda a elite gaudéria aplaudia o espetáculo, do alto de seus camarotes. Flores eram jogadas quase em desvario, tão logo as cortinas voltavam a se abrir após o fim de mais uma encenação.

Dir-me-ão, provavelmente, que disso não se segue que tal pacificação não possa ocorrer agora, e que revanchismos só conduzem à irracionalidade.

De fato, o revanchismo não é benquisto entre cristãos, acostumados a oferecer a outra face. Mas, que bom que nem todos rezam pela mesma cartilha, não? Que bom, aliás, que alguns sequer rezam...

E, de fato, erros passados não justificam erros semelhantes, presentes ou futuros, como qualquer lógica informal bem demonstra.

Só o cinismo ou o analfabetismo político, porém, para lembrarmos aqui de um grande e engajado dramaturgo, fariam alguém confundir revanchismo com responsabilização. A pacificação política pela qual clama Luciano Alabarse
- o que, em boa lógica, implica como contrapartida a existência de um estado de conflito político - passa, necessariamente, pela responsabilização moral dos protagonistas desse enredo.

O espetáculo que se descortina diante de nossos atônitos ou enlevados olhares, dependendo do lugar que ocupamos na plateia, não pode ser despersonalizado. Ele tem atores, um diretor, roteiro e atos. A narrativa é linear e o tempo é o cronológico, muito embora alguns se esforcem, sabe-se lá o porquê, para lhe atribuir a pecha de
teatro do absurdo.

Nem isso é suficiente, todavia. Diferentemente do palco teatral, onde mesmo limites éticos são testados e quase todo
mise em scène é tolerado, pois elemento da interpretação e fundamental para a construção narrativa, pelo menos para aquela que quer dizer alguma coisa, a arena política é o espaço da responsabilização par excellence, como diriam os conterrâneos de Racine e Molière.

E isso por uma razão muito simples: a política é o espaço da ética, e não do cinismo. Ao contrário do teatro, nenhum experimentalismo moral é bem-vindo em política, e todo jogo de cena só faz por merecer vaias. Há um escândalo de corrupção e investigações em andamento, donde se supõe que emergirão responsáveis. Declarações que comprometem sobremaneira nossa governadora foram feitas e esperamos explicações. É isso que publicamente precisa ser cobrado. Depois, as coisas até podem ser pacificadas. Em alguns contextos históricos a pacificação social foi possível, mas nesse caso não se trata disso. Sequer chegamos a tais extremos, a bem da verdade, a menos que se tome nosso pedante ufanismo como um sintoma de sua proximidade. Entretanto, mesmo assim ainda estamos distante de ouvir, ao longe, os violinos da concórdia, para de braços dados já corrermos todos nus e felizes pelo pampa guasca.

Portanto, não precisamos ter lido Macbeth para sabermos que é hora de responsabilizações, e que exigir isso não tem absolutamente nada a ver com revanchismos de qualquer ordem. Não enxergar isso, na melhor das hipóteses, é analfabetismo político, como já se disse.

Aliás, se é hora de experimentalismos cínicos, vamos arriscar o nosso. É falsa a famigerada dicotomia que divide gaúchos entre situação e oposição, gremistas e colorados, chimangos e maragatos, petistas e antipetistas. Há uma terceira via, a dos justos e equidistantes. É desses homens e mulheres, que na hora do aperto recorrem a discursos supostamente neutros, que precisamos. São tão equânimes que sequer têm nome; são conhecidos somente como
aqueles que não se misturam. Buscam a pacificação acima de tudo, mesmo que para isso a despersonalização de seus discursos tripudie sobre a história e sobre a responsabilização moral. Enxergam além, esses homens e mulheres. São quase como que o super-homem nietzschiniano na versão gaudéria, uma espécie de supergaucho. Acima do bem e do mal, não entendem como os belicosos gaúchos não frequentam todos a mesma roda de chimarrão (o mate, quando sorvido em Porto Alegre).

Talvez, todavia, o Palácio Piratini esteja encenando "
Assim é, se lhe parece", do grande Pirandello, e disso não saibamos. Talvez a política guasca seja absolutamente relativa e as coisas por aqui mudem totalmente de figura a cada olhar, dependendo da pessoa que observa, e cada representação no palco político guasca seja verdadeira para quem a vê como verdadeira. A verdade, nesse caso, seria absolutamente relativa, um verdadeiro nonsense. Não há verdade, não há história, não há responsabilizações... O que resta são silêncios e pacificações.

O que o Rio Grande do Sul precisa, realmente, é de gente que encene menos.
Luciano Alabarse, de tanto teatro, talvez tenha perdido completamente a noção da realidade. Urge que saia de cena do debate público tão despercebido quanto entrou.

Aliás, o que exatamente Alabarse quis dizer com "
Se até os índios americanos fumam o cachimbo da paz, por que não esperar que governo e oposição gaúchos pensem mais no bem do nosso Estado do que no umbigo que a natureza lhes deu?" (O grifo é meu). Que se selvagens como eles celebram a paz, nós, os esclarecidos, não temos razão para não fazê-lo?

É a mistura de analfabetismo político e de preconceito que leva à selvageria.

(Tartufi é de Hupper)

Libertadores por João Cardoso I

Campeão da Libertadores e da Copa do Mundo pelo Racing Club de Avellaneda em 1967, Pentacampeão pelo Gremio em 1960.


O que faltou, ao Grêmio, na partida contra a LA U?

Sobre a FSP por Idelber Avelar

Retornamos do descanso familiar e as leituras são postas em dia. Viajamos com os escândalos do Governo Yeda por 100 mil não levanto da cadeira Crusius e da ditabranda da FSP. Sobre o 1º, o blog RSurgente continua a grande dica. Sobre o 2º, o inspirado artigo do Idelber Avelar para o seu blog O Biscoito Fino e a Massa. Ei-lo:

Folha de São Paulo, cínica e mentirosa. Todo o apoio a Fabio Konder e Maria Victoria Benevides

Convenhamos que de ser “cínica e mentirosa” a Folha de São Paulo entende. Mas ela nunca, sejamos justos, havia nomeado dois profissionais, professores de currículo infinitamente superior ao de qualquer um dos membros de seu Conselho Editorial, para uma injúria gratuita. Com a agressão a Fabio Konder Comparato e Maria Victoria de Mesquita Benevides, o jornal já conhecido como Façamos Serra Presidente chegou a um novo limite, um mais recente e enlameado piso. Pouca coisa o diferencia do lamaçal de publicações como a Veja. Neste episódio, o mais urgente, acredito, é assinar a petição em defesa dos Professores e de protesto contra a injúria. A petição é encabeçada pelo maior crítico literário brasileiro, o Mestre Antonio Candido.

O já infame editorial da Folha, além de insultante à memória das vítimas da ditadura militar brasileira e comprometido com a ocultação da história colaboracionista do próprio jornal, fazia exatamente o contrário do que deve fazer o jornalismo: ele desinformava, contava uma mentira. Qualquer bom professor de história do primeiro grau sabe que não há nenhuma tradição bibliográfica de uso do termo “ditabranda” para designar o regime militar brasileiro, a ditadura de 1964-1985. Aos escrever as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985, o jornal simplesmete mentia aos leitores. Não “errava” ou “tinha um ponto de vista diferente”. Mentia, pois a ditadura brasileira não é “chamada” de ditabranda por ninguém. Não era, pelo menos, até o dia 17 passado.

Se tivessem, para compensar os livros que não leram, utilizado por dois minutos a internet que tanto temem, os membros do Conselho Editorial da Folha teriam descoberto que o termo “ditabranda” vem do espanhol e foi usado para caracterizar o regime que precedeu a República Espanhola dos anos 30. Depois, na Argentina, a ditadura de Onganía (1966-70) chegou a ser chamada de “ditabranda”, a princípio por falta de notícias sobre a extensão de seus crimes, e depois ironicamente, para acentuar os horrores da outra ditadura que se seguiria (1976-83).

O termo não tem qualquer história bibliográfica no Brasil para designar o período 1964-85, e é curioso que um jornal suspeito de ceder seus automóveis para a repressão, colaboracionista até a medula na divulgação das versões mentirosas dos assassinatos cometidos pelo regime, venha fingir que a ditadura brasileira tenha sido chamada de “ditabranda” -- e, para completar, chame de “cínicos e mentirosos” dois professores com os currículos de Fabio Konder e Maria Benevides, pelo simples fato de eles não aceitarem a chantagem da falsa comparabilidade entre o regime cubano e os regimes militares da América do Sul com os quais a Folha colaborou.

Por uma postura de opinião – abalizada por vastas obras, diga-se –, intelectuais são chamados de “cínicos e mentirosos”, sem direito de resposta, por um jornal de tiragem de 300 mil exemplares, cuja história colaboracionista é vastamente conhecida. Não é o máximo? São esses os lacaios que vêm nos falar de “liberdade de imprensa” todas as vezes em que são questionados. São esses os lambe-botas que vêm posar de “linchados” quando sua cumplicidade com os poderosos é desvelada. São esses os que falam de “apurar notícias” e até hoje não nos disseram quais são os jornalistas que recebem dinheiro de Daniel Dantas e se a lista que circula por aí – com Noblat, Fernando Rodrigues, Miriam Leitão – é verdadeira ou falsa.

Onde estão os jornalistas que se indignaram tanto e chamaram de "linchadores" os dois blogs que fizeram posts sobre as peroratas racistas da correspondente da Globo, agora que um jornal de 300 mil leitores chama de “cínicos e mentirosos”, por uma opinião política, dois professores com as histórias de Fabio Konder e Maria Victoria Benevides?

O mais cretino, o mais absurdamente revoltante dessa história, o mais fundamental que passou até agora sem menção, é que se você tomar os currículos de todos os jornalistas funcionários do Globo, da Folha, da Veja e do Estadão – eu disse se você tomar todos eles em conjunto --, você não chega a algo remotamente comparável ao currículo de Fabio Konder Comparato. Não adianta o Pedro Dória honestamente matutar de lá pra cá se ele não entender essa premissa básica que deve estar sobre a mesa para o início da conversa: o paupérrimo, o assombrosamente rasteiro nível intelectual da grande mídia brasileira. Além de mentirosos, venais e pouco transparentes, são fraquíssimos.

Não percebem, por exemplo, que é vergonhoso o maior jornal brasileiro não saber de onde vem o termo “ditabranda”.

Com o insulto a Fábio Konder e Maria Benevides, o portal UOL perdeu de vez minha assinatura. O Biscoito entra em fase de apoio radical a qualquer ridicularização, boicote, ataque verbal, protesto, charges, manifestação ou sabotagem não violenta dirigida contra os Frias, os Marinho, os Civita e suas corjas de servidores. Cada assinatura que eles percam, cada desmoralização que sofram, cada restinho de credibilidade que escoe pelo ralo, é mais um tijolinho no prédio da democracia.

_________

Já deixamos nossa assinatura na petição.

Bier

Fonte: SindBancários

21 de fevereiro de 2009

Hupper

A RBS e a sua balança viciada

Quando insistimos, aqui no blog, que a mídia corporativa é canalha, não cometemos nenhum exagero e nenhuma injustiça.

"Tarso conspira contra Yeda": Essa frase é o título da entrevista que líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal - SP, deu a Zero Hora de ontem sobre os últimos acontecimentos no desgoverno Yeda.

Por que ZH escolheu essa frase do deputado como título de matéria e não qualquer outra? Ela é uma acusação direta ao Ministro da Justiça. Como essa outra: "o ministro Tarso Genro (Justiça) é um personagem sinistro nessa história". Por que, em nenhum momento, a entrevistadora pergunta se ele pode sustentar tais acusações?

Onde estão as provas, já que a RBS e seus celetistas, agora, urram na beira do penhasco clamando por elas, em relação às denúncias do PSOL contra Yeda?

Por que esse título não veio acompanhada do complemento "sem apresentar provas", como fez hoje ZH: "Sem provas, PSOL acusa governo Yeda."?

Como Aníbal sustenta sua ilação primária de que "Tarso é o chefe da Polícia Federal. E é pai da Luciana Genro, que é do PSOL" ?

Por que ZH considera a acusação sem provas do deputado como "a mais enfática defesa da governadora Yeda Crusius." ?

Por que ZH não considera igualmente “barbárie política” as acusações do deputado?

Impressionante: dois pesos e duas medidas em cada frase!!!

20 de fevereiro de 2009

A mídia, agora, quer provas?

Vejam o que a mídia corporativa está cobrando em relação as denúncias do PSOL:

- Zero Hora: Sem provas, PSOL acusa governo Yeda
- Folha: Sem provas, PSOL acusa Yeda de prática de caixa 2 e desvios
- Estadão: Yeda é acusada de comprar casa com caixa 2/PSOL faz denúncias contra governadora e ex-auxiliares, sem mostrar provas
- O Globo: bem, o jornalão carioca simplesmente supera os demais, porque não dá uma única linha sobre o assunto.

Que interessante! De repente, apresentar provas, passou a ser a condição sine qua nom para se acusar alguém de alguma coisa. Muito natural. Mas não no caso da nossa mídia, que nunca se furtou a apontar o dedo inquisitor, quando esse alguém fosse integrante do campo da esquerda, como muito bem aponta o professor César Bento:

Aliás, onde estão as provas contra o Diógenes Oliveira? Onde estão as provas contra o Zé Dirceu*? Falta de provas nunca foi motivo para o PRBS deixar de divulgar algo e assumir posição. Onde está a "fonte da informação"? Em vez de exigir tantas provas dos parlamentares, o PRBS deveria exigir investigação profunda das denúncias, além de fazer a sua parte.

Onde estão as provas sobre a CPI da Segurança Pública, circo montado pela RBS com apoio da bancada da direita, presidido pelo deputado fanfarrão Vieira da Cunha e que teve até juramento sobre a bíblia? A tal CPI foi completamente arquivada, pela Justiça, por absoluta inconsistência.

E a Rosane de Oliveira, então, aquela que a deputada Luciana Genro tem em alta conta?

Espero que a tua coluna possa ser um fórum de apresentação de propostas para Porto Alegre, para além das articulações políticas e negociações de alianças.

Vejamos o que ela diz da deputada e seus companheiros de sigla, sob o título Mandatos em jogo:

Pela gravidade das acusações que fizeram à governadora Yeda Crusius e a pessoas próximas a ela, o vereador Pedro Ruas e a deputada federal Luciana Genro (PSOL) empenharam seus mandatos na entrevista concedida ontem à tarde. Se conseguirem provar a existência das gravações e se o conteúdo corresponder ao que foi descrito provocarão uma hecatombe no governo. Se não conseguirem, sua credibilidade ficará irremediavelmente comprometida e passarão os próximos anos respondendo a processos na Justiça. A imunidade parlamentar não é absoluta.

Antes de tudo, ela duvida de Luciana Genro. Da Yeda, nem pensar! O que a desgovernadora apresentou até aqui, não foi suficiente para que Rosane, prudentemente, calasse a boca e aguardasse os acontecimentos. Tudo bem que ela seja o sustentáculo midiático da gestão yedista, como tem demonstrado com sobras de provas, na sua coluna. Mas por a mão no fogo por Yeda, nesse momento, convenhamos, é uma temeridade!

Repare-se bem que ela nunca relaciona a palavra mandato à pessoa da Yeda. Isso é feito somente no caso de Luciana e Pedro Ruas e, ainda, em tom de ameaça: A imunidade parlamentar não é absoluta. Em relação à Yeda, ela usa uma expressão genérica - hecatombe - mas, em momento algum, fala em "perda de mandato", "processo na Justiça", "impedimento", "cassação".

Quantas vezes, no auge do escândalo do "mensalão", não se leu ou ouviu na mídia que, agora, o "Lula perde o mandato", "não consegue escapar das acusações" e assemelhados? Em suma, quando se trata da esquerda, a mídia sempre dá nome aos bois [partido, RG, CPF], superdimensiona e até mente, se a conveniência do momento for essa: o avião cai por falta de grooving na pista, o Raul Pont fez ameaças ao Paulinho Facada e por aí vai. Enfim, a mídia não se furta a "testar hipóteses", quaisquer que sejam!

Mas é claro, Luciana, como todo os mandatos do campo da esquerda, independentemente de partido, obstinadamente, não acredita nas intenções por trás da escolha das pautas, das palavras, das imagens, na subjetividade, nos padrões de manipulação da grande imprensa. Ou seja, todos são uns irritantes poços de candura. E acham que nós, que denunciamos a venalidade da mídia, somos paranóicos que veem chifres em cabeça de burro.

Então, agora é o momento para o PSOL! Acreditamos que, realmente, o partido teve acesso a essas provas. Provavelmente, com o desenrolar dos acontecimentos, os "lasieres" da vida convidá-los-ão a participar dos "conversas fiadas". Os psolistas devem ir. Mas, com uma outra postura. Não digam "veja bem, Lasier" e não batam no "bracinho" daquela nulidade, com toda a delicadeza que o gesto exige, para pedir a palavra, no meio de seus comentários venais. Já vimos gente do nosso campo fazendo isso!!! Vão, mas vão apontando o dedo na cara desses pústulas, dizendo "olha aí o que vocês fizeram, olha aí o que vocês colocaram no poder"!

Agora, é a hora do PSOL, porque nós, eleitores do campo da esquerda, estamos ansiosos para ver alguém fazer isso. Que a deputada não repita, por favor, aquela performance do , na época do "mensalão". E nem se deixe chamar de "esquerdinha". É a grande chance de enredar a mídia nas trampas da Yeda. Já que o partido foi tão longe, que vá até o fim. É o momento de acabar com o câncer yedista e a sua metástase, a mídia.

Mas dirá Luciana Genro: não farei isso, porque não quero ser uma Joana D'Arc! Essa é uma preocupação que não deve afligir a deputada, já que ela está pra lá de queimada com a mídia! Essa gente só a quer ver pelas costas. Ela deve ver a questão por outro ângulo: cada chamuscada que levar, pode significar alguns votos a mais para ela e sua legenda. Já estamos fartos de políticos de esquerda que tem medo da mídia.

E que ela não se furte a disseminar pela blogosfera todas as informações que achar relevante e que, provavelmente, a "grande imprensa" não divulgará. Valeria a pena Luciana Genro ler tudo o que foi publicado, na Internet, sobre a repercussão das suas denúncias. Podemos garantir que a qualidade das abordagens é muito superior ao que ela poderia encontrar na mídia corporativa.

Na pág. do PSOL nacional, curiosamente, não havia nada sobre o assunto, até o momento em que a acessamos - 19hs - de hoje.

* Por mais reservas que tenhamos a ele.

Procuradoria apura qualidade de programas na TV aberta do Rio Grande do Sul

Fonte: Última Instância

O Ministério Público Federal em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, apura se a qualidade da programação da TV aberta é recomendável para o público de crianças e adolescentes.

Segundo informações da Procuradoria, emissoras de televisão e órgãos públicos de controle do conteúdo veiculado podem estar desrespeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente.

No documento de instauração do inquérito civil aberto na Procuradoria da República em Novo Hamburgo o MPF explicita: “quanto à qualidade dos programas televisivos listados na representação, não há dúvida quanto ao mérito, tendo em vista que é de conhecimento geral a baixíssima qualidade da programação brasileira de televisão, inclusive em horários de proteção à criança e ao adolescente. No entanto, estes deverão ser analisados separadamente para eventual ação judicial”.

A representação listava os seguintes programas “como um desserviço à sociedade, influenciando negativamente no comportamento dos sujeitos e infringindo o Estatuto da Criança e do Adolescente”: Big Brother Brasil, Casseta & Planeta Urgente, Domingão do Faustão, Domingo Legal, Fundão MTV, O melhor do Brasil, Pampa Show, Pânico na TV, Ponto Pê, Quem Pode Mais, Raul Gil – Concurso Mirim, Sábado Animado, Studio Pampa, SuperPop, TV Fama, telenovelas e outros.

O procurador da República no município Júlio Carlos Schwonke de Castro Júnior recebeu da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de São Leopoldo representação contendo um abaixo-assinado de entidades do município enviado à Secretaria de Assistência, Cidadania e Inclusão Social que reclama da qualidade de diversos programas da TV aberta.

O documento inclusive questiona a classificação dos programas, em função do Estatuto da Criança e do Adolescente.

A Procuradoria enviou ofícios à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para obter informações sobre o serviço de “Radiovideometria”, sistema responsável pelo acompanhamento de conteúdos (áudio e video) veiculados na mídia eletrônica do país e também do dispositivo chamado “Parental Guidance”, que permite aos responsáveis bloquear o acesso a programas impróprios a menores dentro de determinada faixa de horário.

Ao Departamento de Justiça, Classificação,Títulos e Qualificação, vinculado à Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça foram solicitadas informações acerca de como é realizada a adequação “classificação indicativa x faixa etária recomendada”, indicando quais os parâmetros de avaliação da programação de TV, informando, detalhadamente, o que é recomendado a cada idade.

Uma parte da documentação recebida pela Procuradoria através do coletivo Intervozes foi remetida ao ofício de Patrimônio Público e Social da Procuradoria da República em Novo Hamburgo. Tais documentos tratavam sobre a outorga de permissões, concessões e autorizações para as emissoras de televisão — , a renovação de outorgas das emissoras Globo, Bandeirantes e Record expirou em outubro de 2007 e as do SBT e da Rede TV expiram em 2011.

Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

E o defensor das papeleiras toma posse na secretaria do Meio Ambiente do RS

Fonte: OngCea

Bancada da celulose e dos desertos verdes conquista mais um espaço no governo Yeda.

Abaixo reproduzimos algumas considerações que circularam por email hoje.

Os desafios de Berfran Rosado

Ao assumir a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, o deputado Berfran Rosado recebe uma herança conturbada. A presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam) – instituição responsável, desde 1999, pelo licenciamento ambiental –, Ana Maria Pellini, é acusada de favorecer empresas do setor de silvicultura, celulose e geração de energia em detrimento do meio ambiente e responde também por denúncias de assédio moral. Desde 5 de agosto de 2008, ela está sendo acionada judicialmente: as ONGs Sociedade Amigos das Águas Limpas e do Verde (Saalve), Agapan, Igré, Instituto Biofilia e Mira-Serra ingressaram com uma Ação Civil Pública por Improbidade Administrativa contra Pellini. No dia 7 de agosto de 2008, o juiz Eugênio Couto Terra, da 1ª Vara de Fazenda Pública, declarou a legitimidade ativa das ONGs para propor a ação, garantindo o exame de mérito da questão. O processo ainda não foi julgado.

Foi a primeira ação deste tipo movida por ONGs no Rio Grande do Sul. Por meio da ação, a sociedade civil organizada gaúcha pede que a presidente seja destituída do cargo em favor da gestão ambiental do Estado e do meio ambiente. Caso seja condenada, Pelllini terá de pagar uma multa para ressarcir o valor dos danos causados ao meio ambiente, além de 100 vezes o valor de sua remuneração. Também perderá os direitos políticos e estará proibida de ser contratada ou de receber incentivos diretos ou indiretos do poder público.

Há muitas dúvidas sobre o futuro da Fepam que certamente o novo secretário terá de responder para garantir uma administração transparente e ética:

1) Por que o novo diretor técnico da Fepam, eleito pelos funcionários em 2008, não foi empossado ainda?

2) Por que, em janeiro de 2008, a presidente da Fepam, Ana Maria Pellini, e a governadora Yeda Crusius elogiaram o trabalho da empresa Engevix nas obras da Usina Hidrelétrica Monjolinho – a mesma empresa acusada de ter forjado o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) em Barra Grande?

3) O que vai acontecer com os servidores que foram afastados dos cargos ao se negarem a dar licenciamento para obras irregulares durante a gestão de Pellini na Fepam?

4) Por que a Fepam deu a licença de instalação das barragens dos Arroios Jaguari e Taquarembó, na Bacia Hidrográfica do Rio Santa Maria, metade sul do Estado, antes da realização de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) mais completo, como é exigido pelo Ministério Público Estadual em ação civil pública com liminar acolhida pelo Judiciário?

A propósito, abaixo seguem alguns dados sobre o Deputado Estadual BERFRAN ROSADO (PPS)
Terceiro parlamentar mais faltoso. Teve 29 faltas justificadas e 4 não justificadas, o que corresponde a 27% do total.

Participa de três comissões:

• Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle - faltou 81% das sessões.
• Comissão de Saúde e Meio Ambiente - faltou 80% das sessões. (Hein?!)
• Comissão Mista Permanente do Mercosul e Assuntos Internacionais - faltou 76% das sessões.

Os maiores doadores da última campanha foram grandes empresas como Gerdau, Copesul, Vonpar, Aracruz, CTA, e Marcopolo.

PSOL coloca Yeda no paredão

Com os acontecimentos da tarde de quinta-feira, alguns fatos começam a se alinhavar. Há duas semana, notamos que o PSOL está com a campanha, através de cartazes, com os dizeres "PSOL exige: Fora Yeda". Ironicamente, olhávamos aqueles cartazes e nos perguntávamos: com que povo???

Agora, depois da denúncia do PSOL, tudo leva a crer, que o partido já estava em contato com o material das denúncias. É difícil de acreditar, que alguém possa fazer tais acusações, ricas em detalhes, assim do nada.

Uma fala, em particular, chamou-nos atenção. Foi a declaração da Dep. Luciana Genro, sobre a necessidade que sentiram de fazer esta denúncia, antes que mais uma testemunha desaparecesse. Segundo consta, essas denúncias seriam feitas no dia 5 de março, após o depoimento de Marcelo Cavalcante, encontrado morto em Brasília em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Isso nos traz de volta à campanha do PSOL que já estava na rua. Parece mesmo que o partido sabia de alguma coisa e quis se antecipar aos acontecimentos. Não teremos mais aquele depoimento, mas as denúncias estão aí.

À desgovernadora, agora, só cabe entrar com um processo judicial nos moldes do que seria movido contra a agência e os sindicatos responsáveis pela campanha "A face da destruição". Se esta campanha causou "estrago" na imagem da Yeda, o que dizer das denúncias do PSOL?

Por outro lado, se a Yeda realmente processar o partido, terá ele as provas para sustentar as acusações? Ou os integrantes do PSOL viram as tais provas, mas não as tem em seu poder? Estariam contando com a boa vontade do/da informante em disponibilizá-las na hora necessária? Sim, porque, apesar das acusações detalhadas, ninguém condenará a Yeda sem a apresentação dessas provas. Foi dito que as tais provas foram produzidas pelo Lair Ferst. No entanto, seu advogado já disse que solicitará tais provas para usá-las na defesa de seu cliente. Já começou o jogo de empurra. Tomara que o PSOL tenha, realmente, essas provas.

Nunca é demais levantar esse tipo de dúvida, não por suspeitar que as pessoas estejam agindo de má fé, mas, sim, por pura ingenuidade. Em se tratando da nossa esquerda, tudo é possível. Lembram-se da compra do dossiê pelos "aloprados"?

Fotos: Dialógico

19 de fevereiro de 2009

Começa mobilização pela realização das etapas estaduais da conferência

Fonte: Direito à Comunicação
Por Cristina Charão - 18.02.2009

A expectativa de que o Ministério das Comunicações publique dentro de alguns dias o decreto que torna oficial a convocação da I Conferência Nacional de Comunicação coloca um novo desafio para organizações e movimentos sociais que já se reuniam em vários estados em torno da demanda pela realização do encontro nacional. Agora, é preciso atuar para garantir a realização das etapas estaduais, que elegem os delegados que participam da conferência nacional e definem as propostas que serão apreciadas em Brasília.

Se em alguns estados, já havia o compromisso dos governos com a realização de um Conferência Estadual, em outros, as perspectivas ainda são nebulosas. Na região Sul, por exemplo, enquanto o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), já fez declarações públicas de apoio à convocação do processo nacional e de compromisso com a realização da etapa estadual, no Rio Grande do Sul, a Comissão Estadual Pró-Conferência prevê dificuldades.

“A experiência com o governo Yeda (Crusius, PSDB) em outras conferências não foi boa”, relata Cláudia Cardoso, representante da comissão. “A etapa estadual da Conferência Nacional GLBT, por exemplo, quase não sai por conta da falta de apoio do governo estadual.” A preocupação de Cláudia diz respeito tanto ao financiamento da etapa gaúcha, como à sua convocação. A comissão estadual espera que o decreto que vai estabelecer os parâmetros para realização da Conferência Nacional de Comunicação preveja que, caso o governo estadual não convoque a etapa estadual, ela possa ser organizada diretamente pela sociedade civil.

A comissão gaúcha deve marcar para breve uma reunião para discutir a estratégia de pressão sobre o governo estadual. Cláudia acredita que ela deve passar, invariavelmente, pela ampliação do número de entidades comprometidas com o processo da Conferência Nacional de Comunicação, o que garantiria poder de barganha e também uma boa participação da população na etapa gaúcha do processo. Hoje, cerca de 15 organizações fazem parte da comissão. “Em 2008, fizemos atividades no interior do estado e tivemos boa resposta. Agora, já há indicações de entidades – como a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação Software Livre – em se somarem à comissão.”

No Paraná, apesar do compromisso público do governador, o Comitê Paranaense Pró-Conferência Nacional de Comunicação também deve apostar no envolvimento de um número maior de organizações e movimentos para garantir que o processo estadual seja dirigido pelo interesse público. “Nossa primeira reunião após o anúncio de que a conferência deve ocorrer nas próximas semanas e tratará da reestruturação da nossa estratégia de ação neste cenário, inclusive em relação ao diálogo com o governo do estado”, explica Rachel Bragatto, membro do comitê e do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

Mais participação

A estratégia de ampliar a mobilização apontada pelas organizações gaúcha e paranaense deve ser facilitada agora que a conferência vai se tornando realidade. No Rio de Janeiro, a primeira reunião da Comissão Estadual Pró-Conferência após o anúncio da convocação, realizada na terça-feira (17), reuniu mais que o dobro de pessoas que comumente vinham participando dos encontros. Também houve uma diversificação das entidades para além das representações locais das entidades que fazem parte da Comissão Nacional Pró-Conferência – como o Conselho Regional de Psicologia e a Associação das Rádios Públicas do Brasil. Do encontro da terça-feira, participaram, por exemplo, as TVs Comunitárias do Rio e de São Gonçalo, a Confederação Nacional dos Químicos, o Conselho Comunitário de Maricá e a Rede de Mulheres em Comunicação.

No Maranhão, o anúncio de que a Conferência Nacional de Comunicação será realizada este ano serviu de estopim para a convocação de uma ampla reunião nesta quarta-feira (18) para formar a Comissão Estadual Pró-Conferência. “Estávamos trabalhando apenas com um embrião de comissão em 2007 e 2008, mas agora temos condição de criar de vez um grupo sólido e partir para a realização da etapa estadual”, avalia Luciano Nascimento, do Intervozes.

Em Minas Gerais, a representante da comissão local Lidyane Ponciano acredita que a resposta ao convite para a reunião marcada para esta quarta-feira (19) também deva ser bastante positiva. A comissão já conta com 22 representações, entre sindicatos, centrais sindicais, iniciativas de comunicação alternativa, mandatos de parlamentares, partidos políticos e entidades do campo da comunicação.

“Vamos colocar em pauta as estratégias de mobilização e a nossa proposta para a realização da conferência estadual, com etapas regionais ou municipais”, disse Lidyane. Segundo a representante da comissão, as demais conferências da área social foram realizadas em Minas primeiro em regionais, reunindo vários municípios, que preparam a participação na etapa estadual.

Segundo Luciano Nascimento, há uma sinalização da Secretaria Estadual de Cultura do Maranhão no sentido de encampar a realização da conferência estadual. Já em Minas, como no Rio, ainda não houve contato oficial com representantes dos governos estaduais. “Conversar com o governo do estado faz parte da diplomacia da construção de uma conferência, mas até agora ainda dependemos do governo federal soltar o decreto convocatório”, diz Lidyane. “Mas esperamos que o governo de Minas dê este apoio, afinal é a I Conferência Nacional de Comunicação realizada no Brasil.”

Bier


Fonte: SindBancários

Sobre o Itamaraty e o caso suíço

A dica de leitura do texto do Sérgio Leo veio do Biscoito Fino e a Massa. É importante saber o que realmente aconteceu na entrevista coletiva de Celso Amorim, dias atrás, sobre o caso suíço. Escreve Leo:

O caso da brasileira na suíça - sobrou pro Amorim

Já falei disso aqui, mas estou impressionado como o que pensei como uma piada virou verdade em poucos dias. Nesse caso da Suíça que não se sabe se foi ou não atacada por skinheads, quem já anda levando estiletada é o pobre do Celso Amorim. Fica difícil não defender o Itamaraty nessa, os caras apanham se não fizerem e apanham se fizerem. Não há um termo como xenofobia para descrever o ódio cego à política externa brasileira; mas que é um caso de preconceito se firmando por aí, não tem dúvida.

Recapitulemos, ou melhor, recapitulo aqui o episódio que assisti, após a visita do ministro de Relações do Uruguai. Amorim foi deixar o visitante na saída do Palácio do Itamaraty, sob pedidos do reportariado, para que voltasse à sala de briefings para continuar a entrevista que havia dado com o uruguaio. Amorim voltou, dirigiu-se à escada que dá acesso ao gabinete, e foi abordado por repórteres de tv e rádio. "Ministro, o senhor tem de falar, o senhor tem de dar entrevista".

Com uma careta de desagrado, Amorim foi à sala de briefings. Nem chegou no microfone do pódio de entrevistas. Com ar de enfado, foi cercado por jornalistas de rádio e tv, e esperou que terminase um entrevero entre cinegrafistas e radialistas. Está lá, gravado: ele começou um discurso genérico, para dizer que o governo brasileiro estava tomando providências.

Em ocasiões anteriores, de incidentes com brasileiros no exterior, o Itamaraty foi acusado de não dar a atenção devida; o Amorim já tem pele grossa, de ser alfinetado por isso. Aliás, no dia seguinte, o indefectível Reinaldo Azevedo já brandia o tacape contra o governo brasileiro:

"não basta uma simples reação de repúdio. O governo brasileiro, de fato, precisará fazer mais, deixando claro que o empenho dos suíços em encontrar os culpados passa a ser fundamental na relação entre os dois países."

Amorim chegou a irritar-se com a insistência dos repórteres. Tentou pelo menos duas vezes acabar com a entrevista, dizendo que não havia nada a dizer enquanto não terminassem as investigações.

À primeira "É xenofobia?" ele respondeu que a polícia estava investigando, que o governo pediu explicações, queria saber dos culpados. Perguntaram umas três vezes a ele se era ou não xenofobia. E indagaram se o governo iria acionar a Comissão de Direitos Humanos - ao que ele respondeu que era prematuro, que esperava seriedade da investigação policial.

"Não podemos fazer nenhum pré-julgamento, mas há uma aparência evidente de xenofobia, o que é uma coisa preocupante", disse ele, após a insistência dos repórteres. E quando insistiam em saber sobre a ONU: "Não adianta aventar hipótese agora, porque não sei qual a direção que as investigações vão tomar. É preciso que as autoridades suíças façam a investigação. Temos confiança de que farão, temos confiança de que manterão a transparência e temos confiança de que haverá punição adequada, porque creio que a Suíça não tem interesse em manter uma imagem negativa".

Já espectador de episódios semelhantes, saí do Itamaraty, imaginando que o Amorim ia levar pedra por não ter sido enfático o suficiente na condenação dos agressores da moça.

No dia seguinte, os jornais traziam o Amorim em manchetes de página falando de "xenofobia". E, quando a história começou a se revelar mais complicada do que à primeira vista, em todo canto começou a pipocar crítica contra a "precipitação" do Itamaraty. Até atribuiram a ele a referência à Comissão de Direitos Humanos, que saiu dos repórteres e ele se recusou obstinadamente em confirmar.

Estou defendendo o Amorim? Não. Estou condenando um factóide que me atrapalha a discussão quando esse pessoal do governo vem com a tese estúpida de conspiração da mídia*. Episódios como esse dão argumentos, para que autoridades digam que são cobrados por coisas que não disseram e atos que não praticaram. Antes que mais algum amigo meu saia por aí repetindo uma interpretação equivocada, que pelo menos saibam como foi esse negócio.

Já os comentaristas do blogue do Reinaldo não tiveram nenhuma dificuldade em esquecer o post do mestre cobrando mais do governo, e, espumando pelo canto dos lábios, está lá, rosnando contra a "precipitação" do ministro. Aquele que Reinaldo já criticava por não por em questão a relação bilateral Brasil-Suíça por causa da moça com a perna riscada em estilo neonazista.

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*Deixamos o seguinte comentário no blog do Sérgio Leo:
Importante post, irei reproduzi-lo no blog. Só faço uma ressalva em relação à mídia corporativa: não é isenta, muito menos imparcial - porque isso não existe! O problema da mídia corporativa, no Brasil, é que ela se autoproclama isenta e imparcial. E estamos carecas de saber que a escolha da pauta, a escolha das palavras e a escolha da imagem está amparada na ideologia do dono do impresso ou do concessionário de radiodifusão. A imparcialidade é um atributo a ser perseguido pelo jornalismo sério, cidadão. É a responsável pela objetividade do texto, pelo relato fiel do fato, não da versão do fato, tal qual fizeste neste próprio texto e apontaste no texto que saiu na TV! E negar a conspiração da mídia corporativa, que tem lado [neoliberal], é escamotear a luta de classes que, em suma, traduz-se pela i) demonização de governos com recortes populares e progressistas e ii) blindagem daqueles governos que representam a ideologia do capital [este que está com ambas as pernas quebradas e insiste em se manter hegemônico (deveria ter escrito "em se manter em pé"). Abraço!

17 de fevereiro de 2009

Parceria promíscua


"Estamos vivendo um dos momentos mais degradantes da política gaúcha, com um governo de marionetes, cujo único objetivo é destruir as instituições públicas e atacar os movimentos sociais. Os resultados estão por aí, estendidos no chão: violência a qualquer hora do dia, dengue, febre amarela e leishmaniose ocupando os espaços deixados pela falta de saúde. Na educação então nem se fala, já que a falta dela é a marca de todos quantos ocupam cargo no atual governo.
E isto tem cara, é a coroa Yeda Crusius, sob patrocínio da RBS."

Gilmar Crestani no blog Ficha Corrida.
Leitura completa AQUI.
Imagem Blog Cel3uma.

Conferência Nacional de Comunicação

Fonte: FENAJ
Convocação da Conferência de Comunicação deve ocorrer até o início de março

Representantes da Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação reuniram-se com o assessor do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, no dia 10 de fevereiro. Apresentaram sua proposta de tema, calendário e de composição do Grupo de Trabalho que coordenará o processo da 1ª Conferência Nacional. As definições sobre o processo e o decreto presidencial de convocação, no entanto, só devem ocorrer após o Carnaval.

A proposta apresentada pela Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação, baseada na definição de que a Conferência ocorrerá de 1º a 3 de dezembro, prevê um calendário com prazos até 22 de junho para a etapa de debates municipais e regionais, de 30 de junho a 15 de setembro para as conferências estaduais, deliberações e eleição de delegados, e sistematização das propostas até outubro.

Além da sugestão do tema central "Comunicações: meios para a construção de direitos e de cidadania", a Comissão apresentou ao Minicom, também, a proposta de composição do Grupo de Trabalho para coordenar o processo com 30 membros. A ideia é ter 15 representantes de movimentos sociais, 10 do poder público e 5 de segmentos empresariais.

Mas as definições ficarão a cargo do governo federal, responsável pela convocação da Conferência Nacional de Comunicação. Marcelo Bechara informou que o detalhamento do decreto a ser assinado pelo presidente da República convocando a Conferência e a Portaria designando o Grupo de Trabalho dependem de conversações entre diversos setores do governo, como o próprio Minicom, a Casa Civil e a Secretaria Nacional de Articulação Social da Presidência da República.

O assessor do Minicom comprometeu-se em levar as propostas do movimento para o governo federal e de agendar nova reunião com a Comissão para mais definições. A expectativa dos representantes dos movimentos sociais é de que a convocação da Conferência Nacional de Comunicação ocorra até o início de março.

Caiboaté



Em tempos do fechamento absurdo de escola do MST pelo MPE./RS, sugerimos a vista ao blog Conquista de Caiboaté, assentamento de 6oo famílias em área que pertenceu à fazenda Southal nos municípios de São Gabriel e Santa Margarida do Sul.

As imagens e os vídeos do Coletivo Catarse falam por si!

Bier


Fonte: Sindbancários RS aqui e aqui.

Preocupações...

Estamos com a turma da Alma da Geral:

"De fato mesmo é que este estado já não deve mais nada para os chamados estados do coronelismo que tanto tempo estiveram no imaginário guasca para serem sempre utilizados em frases como "aqui não é o Nordeste!", justificando a tal politização dos gaúchos. Há muito isso aqui virou faroeste, com mortes "inexplicáveis" de dirigentes de associações de classe envolvidos com corrupção, bombas em portas de embaixada, carros queimados em bairros nobres, incêndios misteriosos em vilas, utilização de milícias armadas de torcidas ligadas aos grandes clubes como cabos eleitorais, intimidando sempre com muita violência os militantes do outro lado... Ih, faz horas que isso vem acontecendo."



A morte de Marcelo Cavalcante dará o que falar.

Sobre o plebiscito na Venezuela

Fonte: Abundacanalha

Antes que o cartel da mídia aponte os seus canhões para a vitória de Chávez, acho bom adiantarmos alguns argumentos sobre o que foi decidido neste referendo. Se puder, leia em espanhol o texto [de Pascual Serrano] “Lo que debe saber sobre el referéndum venezolano y no le explicarán los medios de comunicación”, no site da TeleSur. Faço aqui um pequeno resumo do que me pareceu mais relevante:

1) Com que base legal está baseado o referendo?

A convocação está prevista e baseada na constituição venezuelana em seu capítulo I do Título IX, referente a emendas e reformas constitucionais. Para tal exige o pedido em assinatura de 15% dos cidadãos e de 30% da Assembléia Nacional, com a aprovação da maioria da Assembléia. 6 milhões de venezuelanos e 88% da Assembléia deram sua assinatura, depois aprovada por 92,% dos parlamentares.

2) Mas não se votou a mesma coisa em dezembro de 2007 e a mudança foi rejeitada?

A proposta anterior estava baseada em outro ponto da constituição. Afetava 69 artigos, incluindo a reeleição presidencial, era muito mais ampla.

3) Mas não é ilógico fazer uma nova consulta sobre um ponto que já foi derrotado?

São duas iniciativas de consulta popular diferentes, das tantas que permitem a constituição venezuelana, e não são incompatíveis. E a direita venezuelana não considerou ilógico em 2004 fazer um referendo reconvocatório para decidir sobre o mandato do presidente, mesmo ele tendo sido eleito dois anos antes.

4) Mas muitos analistas na mídia dizem que o referendo transforma a Venezuela em uma ditadura...

A aprovação da emenda apenas garante que todo cidadão pode ser eleito para qualquer cargo, independente de já te-lo exercido anteriormente. Vale lembrar que a reeleição sem limitações é norma em 17 dos 27 países que integram a União Européia. Como exemplos temos Tage Fritiof, primeiro-ministro da Suécia por 23 anos seguidos, Helmut Kohl, chanceler da Alemanha durante 16 anos seguidos e Felipe Gonsález, presidente do governo espanhol por 14 anos sem interrupção.

E acrescento, para finalizar, que poucos países têm um processo democrático como o da Venezuela, onde a população é consultada com tanta freqüência. Se a mídia quiser bombardear este exemplo, mandem ela cuidar antes de seu quintal. Lembrem sempre que Rosni Mubarack e o rei Abdallah são dois ditadores sanguinários no Paquistão e na Arábia Saudita, mantendo calados seus cidadãos com a cumplicidade dos EUA e o silêncio da mídia internacional.

Imagem: AP

O México e a contaminação do milho nativo

O boletim eletrônico nº 426 da Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos traz notícia grave a respeito da contaminação em variedades crioulas de milho em localidades no México, denúncia realizada em 2001, mas que sofreu forte resistência no momento da sua publicação em revistas científicas. Ou seja, quando isto acontece, mais temerosa deve ficar a população do mundo inteiro no que diz respeito ao consumo de alimentos transgênicos!

Confira a notícia:Pesquisadores confirmam a contaminação transgênica do milho no México

Número 426 - 16 de janeiro de 2009

Car@s Amig@s,

Uma equipe de pesquisadores liderados pela Dra. Elena Álvarez-Buylla, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), na cidade do México, detectou a presença de transgenes em variedades crioulas de milho em localidades no México, confirmando resultados similares publicados na revista Nature em 2001. “Nosso estudo fornece evidências inequívocas da presença de transgenes em Oaxaca em 2001”, afirmam os autores.

O México é considerado o Centro de Origem do milho e o mais importante centro de diversidade genética da espécie. Além disso, o milho é o alimento básico mais importante do país, tendo também grande importância cultural e até mesmo religiosa para sua população, sobretudo os indígenas. Por todos estes motivos, o governo mexicano nunca permitiu o plantio de milho transgênico, proibindo-o oficialmente em 1998.

A revelação dos pesquisadores Ignacio Chapela e David Quist, da Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA), de que variedades crioulas em comunidades remotas do México estavam contaminadas por transgênicos, gerou uma inflamadíssima polêmica no meio científico. Logo em seguida à publicação do estudo na conceituada revista científica Nature, em 2001, diversos cientistas foram a público questioná-lo.

Em seu livro/documentário “O Mundo Segundo a Monsanto” (ver Boletim 422) a jornalista francesa Marie-Monique Robin revela que os primeiros ataques ao estudo que começaram a circular em fóruns eletrônicos de cientistas partiram, na verdade, da própria Monsanto, que assinava com o nome de pesquisadores inexistentes. As críticas se difundiram entre cientistas simpatizantes da biotecnologia e o estardalhaço alcançado foi tamanho que a própria Nature publicou, em seu número seguinte, uma espécie de retratação alegando que os métodos e resultados da pesquisa de Chapela não eram suficientes para embasar suas conclusões.

Chapela e Quist jamais aceitaram as críticas à sua pesquisa, mas passaram a enfrentar tremenda perseguição e descrédito no meio acadêmico.

Em 2005 uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio (EUA), publicou no PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) uma pesquisa que indicava a ausência de transgenes no milho das regiões amostradas no estudo de Chapela. Apesar deste estudo ter sido criticado como estatisticamente inconclusivo e carente de amostras representativas, ele foi largamente usado para denegrir o estudo original de 2001.

A equipe da Dra. Ávarez-Buylla se propôs a esclarecer a polêmica realizando milhares de testes em amostras de sementes e folhas de milho, e confirmou a presença de transgenes em 2001 e 2004 em baixas freqüências, inclusive em três das localidades analisadas por Quist e Chapela em 2001. Os resultados positivos foram repetidos três vezes e reafirmados por um segundo método.

No artigo publicado na edição de dezembro da revista Molecular Ecology os pesquisadores ainda apresentam uma discussão sobre as limitações de se estimar a probabilidade de detecção de transgênicos em amostras retiradas de variedades crioulas, ressaltando que os métodos utilizados podem levar a baixas probabilidades de detecção: “a não detecção de transgenes em estudos individuais não deve ser tida como evidência da ausência com base nos métodos amostrais e moleculares usados até hoje”, dizem.

Por incrível que pareça, a pesquisadora levou dois anos para conseguir publicar o novo estudo. “Ao longo de toda a minha carreira eu nunca encontrei tantas dificuldades! Houve esforços para barrar a publicação destes dados científicos!”, declarou ela.

José Sarukhan, pesquisador da UNAM e membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, recomendou a publicação do artigo no PNAS. A publicação foi rejeitada: em uma carta aos autores em março de 2008 o editor-chefe do periódico, Randy Scheman, um professor da Universidade da Califórnia, escreveu que os revisores da pesquisa apontaram que o artigo poderia “ganhar excessiva exposição na mídia devido a questões políticas ou ambientais”.

Allison Snow, uma das pesquisadoras da equipe que publicou o artigo de 2005 desmentindo a contaminação, publicou uma nota complementar no mesmo número da Molecular Ecology em que o estudo foi finalmente publicado dizendo que considera as análises moleculares conduzidas pela equipe da UNAM “muito boas” e que elas revelam “evidência positiva da presença de transgenes”.

“É bom ver isto”, declarou Ignacio Chapela, “mas levou sete anos!”.

Vale mencionar que o novo estudo não investigou uma importante conclusão da pesquisa original de Chapela: se os transgenes se integraram ao genoma das variedades crioulas de milho e estão sendo carregados de uma geração para outra. Álvarez-Buylla suspeita que seja este o caso, mas diz que não está interessada em enfrentar uma nova rodada de batalhas politicamente carregadas e deixará o trabalho para outros.

O que mais impressiona nesta história, entretanto, é o fato de que os transgenes conseguiram se espalhar e contaminar variedades crioulas de milho nas profundezas das montanhas de Oaxaca, assim como no estado de Sinaloa, no norte, o maior produtor de milho para consumo humano, e em Milpa Alta, na periferia do distrito federal. Como já se disse, o plantio de transgênicos nunca foi permitido no país. Além disso, 75% das sementes de milho plantadas no México são provenientes de produção própria, produzidas e selecionadas pelos próprios agricultores.

Tudo isto só comprova, mais uma vez, a tese de que a chamada “coexistência” entre lavouras transgênicas e convencionais é absolutamente impossível, uma vez que não existem meios eficazes para evitar a dispersão dos transgenes e a conseqüente contaminação das lavouras convencionais.

Com base nos resultados obtidos, os pesquisadores da UNAM concluem que os transgenes podem persistir em freqüências detectáveis nas populações de milho local e que é urgente o estabelecimento rigorosos critérios moleculares e de amostragem para o biomonitoramento de centros de origem e de diversificação de cultivos.

A situação é grave. A contaminação foi descoberta e confirmada num país em que o milho transgênico é oficialmente vetado. Ademais, após doze anos de seu plantio em larga escala pelo mundo chega-se à conclusão de que um bom método de detecção ainda deve ser desenvolvido.

Quanto tempo será necessário para que se reconheçam os danos ocasionados pela contaminação? E por quanto tempo a ciência corporativa usará de seus meios para negá-los? Até lá, o que restará fora do controle das multinacionais das sementes e da biotecnologia?

Com informações de:

- Native Corn Endangered
Latinamerican Press, Peru, 20/11/2008.
http://www.latinamericapress.org/articles.asp?art=5756

- GMO Contamination in Mexico's Cradle of Corn
Le Monde, 11/12/2008.
http://www.truthout.org/121208D

- Modified genes spread to local maize - Findings reignite debate over genetically modified crops.
Nature News, 12/11/2008.
http://www.nature.com/news/2008/121108/full/456149a.html

Corrupción transgénica al descubierto
Silvia Ribeiro
La Jornada, México, 03/01/2009.
http://www.jornada.unam.mx/2009/01/03/index.php?section=opinion&article=015a1eco


Imagem: Transgênicos por Eugênio Neves

16 de fevereiro de 2009

Importância de se discutir a direita

Graças ao blog Óleo do Diabo, lemos dois textos de Nicollás Casulo [A política em mãos da oposição midiática e Comecemos a discutir a direita] intelectual argentino que, segundo o Idelber, "Só mesmo a imbecilidade do muro de Tordesilhas justifica o desconhecimento da obra de Nicolás no Brasil", da qual fazemos coro, uma vez que é a primeira vez que lemos este autor, falecido em outubro de 2008.

Pensando na eleição da Yeda e na reeleição do Fogaça, após ler o artigo de Jessé Souza abaixo, impossível deixar de destacar o seguinte parágrafo de Comecemos a discutir a direita, tradução do Miguel do Rosário:

A história: será sempre, sobretudo, a descoberta individual. O caso. Os antípodas das massas como história. A pobreza: uma latente ameaça delitiva, uma paisagem de miséria inalterável como tipologia do “mau” na cidade. A cultura distancia o espectador. A fome: algo que já não teria ideologia nem biografia social, um ícone solto num frasco para qualquer retórica política. O policial: o que deveria incorporar-se idealmente, como ortopedia, ao núcleo familiar protegido. Um policial sempre a meu lado. O Estado regulador, interventor, cobrador: um espaço ineficiente (ilegitimado), que “gasta o meu dinheiro”, e corrupto (por ser político). A política: um descrédito em mãos de preguiçoso que podia tanto existir como não existir. A nota policial: o amedrontamento e o protesto por segurança passa a ser o verdadeiro estado social da velha política a cancelar. O que escapa da “Lei e Concórdia” do mercado. O comunitário: uma utopia solitária entre eu, o negócio e “meu bolso” (tenha 100 pesos ou mil hectares de terra). O nacional: um espaço a-histórico, sempre no limite do caos e que só cria vítimas. Com habitantes nunca representados por ninguém, somente pelo foco da câmera, e onde a única notícia é que a política já falhou, para sempre, antes de começar. A nova comunidade pós-solidária é agora uma sociedade com uma arquitetura de serviços que “devem me servir” com a eficiência modelo de um seleto agente privado. Já não sou parte de uma memória do público, dos hospitais sociais e universidades políticas hoje em crise, mas me transformei num cliente exigente do outro lado do balcão. A liberdade: uma simples passagem de “livre consumidor” para um “votante livre” sem identidade, elogiado por não ter partido, moldado diferentemente a cada eleição, a ponto de comprar algo “genuinamente”entrando nas vitrines do quarto escuro. A gente: um “eu” sublimado, absolvido enquanto construção narrativa. Uma unidade pessoal “autêntica”, que representa muitos, enquanto esses muitos não se constituam em outro tipo de “eu” (como sujeito político identificado), e permaneçam como infinita classe média de “empregados” do capitalismo, em uma competitiva e ansiada igualdade de explorados. O sindical, o popular, os desocupados: uma realidade indiscernível de homens-grupo. Algo do qual devo manter distância da minha vida, e que o Estado “não deve atender”. Seres organizados para algo que nunca se sabe. Imagem mítica nas telinhas, com paus e cajados. Não brancos, perigosos em grupo, dirigidos por vagos, destacados, chefes de barricadas ou líderes pagos. Um outro cultural e existencial que, como nunca, na Argentina da plenitude informativa e formativa, alcançou quase o apogeu de uma luta cultural de classes do gorila sobre o peronista, como um racismo não dissimulado sobre o popular, sindical e piquetero: universo da negatividade política, do voto subnormal, o voto “comprado”.

Leitura completa AQUI, ou se preferirem ler em espanhol, AQUI.

15 de fevereiro de 2009

A miséria da política brasileira

Falso conflito entre mercado e Estado oculta nossa tragédia social

Jessé Souza*

No mundo moderno é a "ciência", substituindo a função das religiões éticas nas sociedades pré-modernas, que detém a "autoridade legítima" para falar no espaço público sobre qualquer assunto relevante. A esfera política não é exceção. A forma dominante de se perceber a política no Brasil foi produto de intelectuais cujas ideias foram associadas, de modo intencional ou não, a "interesses" poderosos. Depois de institucionalizadas, essas ideias ganham vida própria e "esquecem" sua gênese. Se quisermos compreender de que modo percepções arbitrárias do mundo se tornam norma de conduta "legítima", inclusive para aqueles que são oprimidos por ela, precisamos "relembrar" sua gênese.

Qual é a ideia-força que domina a vida política brasileira contemporânea? Minha tese (influenciada pela leitura do liberalismo brasileiro em Florestan e Werneck Vianna, mas desenvolvida de modo bastante modificado e pessoal a seguir) é a de que essa ideia-força é uma espécie muito peculiar de perceber a relação entre mercado, Estado e sociedade, onde o Estado é visto, a priori, como incompetente e inconfiável e o mercado como local da racionalidade e da virtude. O grande sistematizador dessa ideia foi o patrono da sociologia moderna brasileira: Sérgio Buarque de Hollanda.

Buarque toma de Gilberto Freyre a ideia de que o Brasil produziu uma "civilização singular" e "inverte" o diagnóstico positivo de Freyre, defendendo que essa "civilização", e seu "tipo humano", o "homem cordial", é, na realidade, o nosso maior problema social e político. É isso que confere o aparente "charminho crítico" de sua tese. Afinal, o "homem cordial" é emotivo e particularista e tende a dividir o mundo entre "amigos", que merecem todos os privilégios, e "inimigos", que merecem a letra dura da lei. O interessante no argumento de Sérgio Buarque é que, apesar de o "homem cordial" estar presente em todas as dimensões da vida, grande parte de sua atenção se concentra na ação do "homem cordial" no Estado.

É o Estado dominado pelo homem cordial e particularista que se tornará o conceito mais importante da vida intelectual e política brasileira até hoje: o "patrimonialismo" do Estado e da "elite" corrupta. Nos seus seguidores, essa oposição se torna ainda mais simplista. O mercado capitalista deixa de ser uma instituição ambivalente, fruto de longo aprendizado histórico, que permite tanto, por um lado, separar o interesse econômico de considerações éticas e com isso produzir riquezas em quantidades inauditas, mas, também, por outro lado, produzir e legitimar desigualdades injustas de todo tipo indefinidamente, para ser apenas o reino da "virtude" por excelência. O Estado, também ambivalente, podendo refletir interesses de todo tipo, é "congelado" no lado de uma suposta "elite privilegiada", a qual, como ninguém a define, se refere a todos e a ninguém e pode ser usada em qualquer contexto ao bel prazer do falante (quase sempre, ele próprio, de alguma "elite"). Mas o "toque de Midas" dessa ideologia, que vai explicar a sua adesão popular, é a associação, efetuada "por baixo do pano" e sem alarde, entre mercado e a sociedade como um todo, nos convidando a nos sentirmos tão virtuosos, puros e imaculados como o mercado. A partir daí, como a "recompensa narcísica" é o aspecto decisivo, a associação é tornada "afetiva" e, em grande medida, infensa à crítica racional.

O caminho dessa concepção em direção à hegemonia que hoje ela desfruta foi longo. No período da redemocratização do pós-guerra a classe social suporte dessa ideologia foi, além da elite empresarial paulistana que é o seu berço, a pequena burguesia tradicional, ou seja, a classe que tem "interesse na moral" e transforma o ressentimento (que sente em relação ao burguês que inveja) em virtude moralista ao se imaginar mais puro e virtuoso que os outros. Quem votava em Jânio e Carlos Lacerda pertencia majoritariamente a esse grupo social. As significativas modificações do capitalismo brasileiro nos últimos 30 anos, principalmente sua expansão para o campo e a criação de um dinâmico agronegócio exportador, permitiram uma versão moderna, expansionista e ainda mais agressiva dessa ideologia, para além de sua matriz paulista original, abrangendo amplos setores do Centro-Oeste, Sudeste e Sul brasileiros. Esses setores que se desenvolveram a sombra do Estado (assim como a própria elite empresarial paulistana), são os que defendem, agora, a não-intervenção do mesmo em assuntos sociais e o corte de impostos. O PSDB - representante dos setores modernos economicamente dinâmicos e politicamente conservadores - e não mais a UDN é o representante partidário dessa corrente. A força dessa ideologia é tão grande que, mesmo a "ralé" brasileira (1/3 dos brasileiros), sua maior vítima, como comprovam as recentes pesquisas empíricas que desenvolvemos nos últimos quatro anos com os tipos sociais da "ralé" (A Ralé Brasileira: quem É e como Vive, no prelo, 2009), reproduz, a seu modo, essa mesma percepção do mundo.

E é por conta da influência desse ideário, acima exposto, que ouvimos e lemos todo dia, pela grande maioria da mprensa brasileira, a cantilena contra a "gastança" do Estado quando este constrói novas universidades ou procura formular as bases de um tímido, diga-se de passagem, assistencialismo de curto prazo. Esse pessoal, assim como os setores privilegiados brasileiros, se imagina efetivamente vivendo em Londres ou Chicago e não na sociedade complexa mais desigual do planeta.

É a hegemonia desse discurso que explica também a paradoxal posição de um líder carismático como Lula. Lula é uma espécie de "profeta exemplar" (Max Weber) dado que sua identificação com as massas é "afetiva", por conta de seu passado exemplar, sem, no entanto, ser baseada em nenhum discurso unitário e coerente (atributo do profeta ético). O problema da sucessão de uma liderança carismática, carisma "pessoal" por excelência quando não se baseia num discurso articulado, reflete, precisamente, o drama atual de quem dispõe do poder político, mas não possui a hegemonia ideológica. Esse contexto, o fechamento do universo do discurso articulado, amesquinha toda a "esquerda" brasileira na covardia do politicamente correto, que fragmenta as lutas políticas em inúmeras bandeiras sem articulação entre si e segundo a última moda, e cuja única nota comum é a timidez e a ausência de ousadia.

A dramatização do (falso) conflito entre mercado e Estado esconde todos os nossos verdadeiros conflitos sociais. A percepção dominante e unilateralmente econômica do mundo coloniza o horizonte da linguagem e do discurso de tal modo que a dor e o sofrimento humanos, socialmente produzidos, são amesquinhados ao estatuto de "sentimentos mudos", sem expressão articulada. É isso que faz com que o efetivo "resgate social" dos nossos excluídos, a verdadeira causa de todos os problemas sociais brasileiros, tentado de modo tímido e de curto prazo no atual governo, jamais esteja no centro do debate político entre nós.

*Doutor em sociologia pela Universidade de Heidelberg (Alemanha) e professor titular da Universidade Federal de Juiz de Fora, é autor de A Construção da Subcidadania (UFMG)

Fonte: Estadão [por incrível que pareça]